29.07.2022 Views

edição de 1º de agosto de 2022

Create successful ePaper yourself

Turn your PDF publications into a flip-book with our unique Google optimized e-Paper software.

pãO dE AçúCAR

REsgATA EsTRATégiA

Rede retoma plano de

expansão e pilares da

comunicação. Eduardo

Telles, diretor de

marketing, fala ainda

da parceria com Gilberto

Gil. pág. 20

dpz RETORNA COM A MARCA ORigiNAl

Os CEOs Fernando Diniz e Benjamin Yung

dizem que o resgate é um “símbolo de uma

DPZ que está de volta para o futuro”. pág. 27

NEOOh vAi lidERAR

pROjETO dA pARTAgE

Adriano Capobianco,

da Partage (à esquerda),

entregou comunicação

de out of home

de seus shoppings

à NEOOH, de Leonardo

Chebly. pag. 17

propmark.com.br ANO 58 - Nº 2905 - de agosto de 2022 R$ 15,00

Freepik

Mercado da propaganda

desconhece poder da religião

A compra de produtos e serviços religiosos supera a cifra de R$ 20 bilhões no Brasil.

de livros e músicas ao turismo, o consumo é apenas uma faceta da influência de um setor

que impõe temas cada vez mais próximos da pauta política. Católicos ainda representam

51% da população, enquanto evangélicos ficam com parcela de 26%. A expectativa é

de que os percentuais se igualem até meados de 2030. Mas ainda falta conhecimento

para que o mercado da comunicação entenda o poder dessa palavra. pág. 12


18ª Edição

Festival Internacional de Criatividade

5-6

NOV

2022

NA ARCA

paRticipe dos editais

de conteúdo do Festival

Auditório

Hostess

Palestrante

Criativos em busca

futuro

Pulpito da

de inspiração criativo

conferência

Apresente seu trabalho

e seja inspiração para

outros criativos!

Palestras • Live Art

exposição • workshop

música • performance

Entre no site e envie sua sugestão:

pixelshow.co/editais

pixelshow

feirapixelshow


editorial

Armando Ferrentini

aferrentini@editorareferencia.com.br

Quem domina o poder da palavra?

PROPMARK desta semana trata de um assunto espinhoso para

O a grande maioria, já que religião e política sempre causam discussões

acaloradas. Mas a reportagem aborda, na verdade, o quão

o mercado publicitário desconhece a grande massa de consumidores

nesse segmento. A reportagem lança uma questão fundamental

para reflexão: “Marcas e agências realmente sabem quem tem o

poder da palavra atualmente?”

Assim como outros segmentos da sociedade, como a população

idosa, são esquecidos por um mercado ávido por novidade e o frescor

da juventude, é bom que se tenha em mente que o número de

fiéis, sejam católicos ou evangélicos, só aumenta.

A reportagem ouviu diversos estudiosos no assunto e um deles

concluiu que “existe demanda por consumo de conteúdo religioso,

e evangélicos são ágeis nessa oferta. O problema é que, do lado

das agências, há desconhecimento e preconceito com relação a esse

público”. Esta é a opinião do professor José Mauro Nunes, da FGV

Ebape.

Com estruturas in-house, os players do setor impulsionam investimentos

alheios ao mercado da comunicação. Para Nunes, o entendimento

sobre diversidade, inclusão e representatividade contrasta

com o despreparo dos profissionais para lidar com a fatia majoritária

da população. Falta compreender essas pessoas para cumprir

o objetivo da democracia de dialogar com aqueles que pensam de

forma diferente.

***

Vale a pena ler os detalhes da matéria de capa desta edição, assim

como vale a pena comemorar o retorno de uma marca ícone da publicidade

brasileira. Isso mesmo. A DPZ voltou a ser DPZ e, segundo

os atuais líderes da agência, que carrega as iniciais dos sobrenomes

de Duailibi, Petit e Zaragoza, está olhando para o futuro. Muita gente

deve ter gostado desse retorno, até porque uma parte considerável

de profissionais passou pela agência dos gatinhos, na Cidade

Jardim, em São Paulo. O nosso colunista Alexis Thuller Pagliarini,

diretor da ESG4, por exemplo, é um deles, que enviou email falando

da sua satisfação ao saber da volta da DPZ.

Ele argumenta que as três letras originais mudaram a história da

propaganda brasileira. Mas fala também que a inclusão do “T”, na

grafia DPZ&T, não manchou essa trajetória, “mas é bom ver de volta

as três letras assim, na sua forma original”. “Ouso chamar a DPZ de

‘minha’ porque minha história profissional não seria a mesma sem

a passagem por essa agência incrível”.

Pagliarini lembra ainda que a DPZ atual é uma agência especial, no

entanto, nas décadas de 1980/1990, quando ele teve a sorte de estar

por lá, “a DPZ era simplesmente o Olimpo da propaganda”.

“Era onde todos queriam estar. Era o sonho de consumo de clientes

de todos os setores. Foi a primeira a trazer para o Brasil um cobiçado

Leão do Cannes Lions Festival. Foi por onde passaram os profissionais

que continuaram a história da propaganda brasileira”.

“Tentar entender a sociedade apenas por intermédio da pauta progressista

é trágico, porque temos grupos de baixa renda aderindo às

pautas conservadoras, preocupados com filhos, emprego. Isso explica

a popularidade do atual presidente dentro desse segmento”,

afirma Nunes.

***

Não deixe, caro leitor, de acompanhar ainda nesta edição a posse

do presidente do Conar, Sergio Pompilio, na tarde última segunda-

-feira (25), em São Paulo. O mercado compareceu em peso para

prestigiar o evento.

as Mais lidas da seMana no ProPMark.coM.br




do pequeno ao grande anunciante: os

planos da Globo para a black Friday 2022

A Globo apresentou a Globo Friday, um hub contendo

conteúdo, dados e insights, além de opções comerciais.

O plano foi desenhado em cima de soluções customizadas.

Posse de sergio Pompilio no conar

reúne executivos do mercado

Evento foi realizado na semana passada, em um hotel de

São Paulo, e reuniu algumas das principais lideranças do

mercado, como Nelcina Tropardi, da ABA, e Luiz Lara, do Cenp.

depois de sete anos,

dPZ volta ao mercado

A DPZ&T anunciou o retorno da marca DPZ, uma das principais

marcas do mercado brasileiro. A agência, dos CEOs Fernando

Diniz e Benjamin Yung, também apresentou o conceito Ideias

icônicas constroem marcas icônicas.


O Google teve um lucro líquido de US$ 16,002 bilhões no segundo

trimestre do ano. O resultado é 13,62% inferior ao apresentado

um ano antes, quando acumulou US$ 18,525 bilhões.


Publicidade no Google cresce

quase 12% no segundo trimestre

como a budweiser vai proibir a demolição

das quadras de basquete de rua

A Budweiser vai impedir a demolição das quadras de basquete

de rua no Brasil. A marca encontrou uma brecha na Lei de

Tombamento e lançou a iniciativa Quadras Indestrutíveis.

jornal propmark - de agosto de 2022 3


Índice

Mercado ainda

não enxerga fiéis

Católicos e evangélicos

dividem crenças muito

presentes na vida política do

país, no entanto, indústria

da comunicação ignora e não

acompanha a pauta.

capa

12

Unsplash

Freepik

Fotos: Divulgação

MercadO

nielsen revela atitude no trabalho

Instituto, em parceria com Opinion Box, mapeou dados

sobre mansplaining (quando o homem explica algo à mulher,

desconsiderando que ela já sabe o tema) e manterrupting

(interrupção que impede a mulher de emitir opinião). pág. 9

MÍdia

neOOH é parceira da partage

Empresa que desenvolve e administra shopping centers e empreendimentos

imobiliários escolheu a NEOOH para liderar projeto de out

of home em todos os seus malls. Com a parceria, fica sob a responsabilidade

da NEOOH todo o circuito de mídia digital. pág. 17

caMpanHaS

WeWork aposta em

primeira ação autoral

Empresa deu um passo adiante na

autonomia, conquistada graças a joint

venture com o SoftBank em 2021, e lançou a

sua primeira campanha autoral, produzida

para a América Latina. A ação Renunciamos,

criada pela Super, se apresenta contra o

“antigo” modelo de trabalho. pág. 16

pOSSe

Sergio pompilio atrai

profissionais em Sp

Representantes de agências, veículos,

anunciantes e entidades estiveram na posse

do novo presidente do Conar, na semana

passada. Ele, que substitui João Faria Netto,

deve cumprir mandato de 2022 a 2024.

Pompilio falou sobre diversidade. Para ele,

o tema precisa sempre ir além. pág. 10

editorial ................................................................3

conexões ...............................................................6

curtas ....................................................................8

Mercado ..............................................................10

Mídia ...................................................................17

Opinião ................................................................19

entrevista ...........................................................20

We Love MKT ......................................................24

inspiração ..........................................................25

Quem Fez ............................................................26

agências .............................................................27

eSG no MKT .........................................................28

Marcas .................................................................29

Última página ....................................................30

4 de agosto de 2022 - jornal propmark


conexões

mados com a sua chegada!

Fernanda Lobão

última Hora

LinkedIn:

Post: Final Level Co contrata ex-

-Porta dos Fundos para o cargo de

diretora de novos negócios

Maravilha! Sucesso, Cristina Caires.

Renato Cruz

Vamos com tudo Cris! Muito anidorinHo

Bem demais! Cris é super!

Eduardo Cabral

Post: Depois de sete anos, DPZ

volta ao mercado

Agora sim, muita emoção DPZ!!!

Fabiola Camasmie Assad

Parabéns, uma marca icônica para

todas as outras que querem ser.

Milton Cebola Mastrocessario

Nossa, mas que pouco caso com

o T…

Marina Fridman

Abaixo a sopa de letrinhas. Viva a

marca. Parabéns, DPZ!

Ricardo Soares de Oliveira

Post: Fair chega ao mercado com

projeto criado para Athletico Paranaense

Parabéns Eric, fico feliz pelo projeto

e também em ser ligado ao futebol.

Bruno Sinhorini

VP DE MÍDIA

Andreia Abud (na foto, com André França, presidente da

WMcCann) assume nesta segunda-feira () o cargo de

vice-presidente de mídia da agência. Ela tem 24 anos de

experiência e é voltada para dados e performance. A missão

da executiva é trazer uma maior eficiência na operação com

o propósito de alavancar resultados de negócios dos clientes.

“A Andreia é uma profissional completa, com experiência

em on e off. Trabalhou em lab de dados, com estruturas

complexas e tem experiência como head de operação”,

afirma França. Ela ocupa a vaga de Fabio Urbanas, que,

segundo a agência, saiu em comum acordo.

AquIsIção

A Take4Content comprou parte da Luccas Toon Studios, de

Luccas Neto (na foto, à direita, com Cassiano Scarambone,

CEO da Take4Content e da Take4Capital). A operação,

baseada em um valuation superior a R$ 300 milhões, é a

maior já realizada com um youtuber brasileiro e, com ela, a

Take4Capital dá a largada em direção à criação de sua MCN

(Multi Channel Network), enquanto a empresa de Luccas

Neto ganha mais estrutura para se tornar o maior estúdio

de conteúdos infantojuvenil do Brasil. Luccas Neto é ator,

diretor, roteirista, empresário e dono de um grande canal

infantil do YouTube no Brasil.

JoINT VENTuRE

A Vivo e a Ânima Educação

concluíram joint venture

com foco na educação

continuada e criaram a

Vivae. O início da operação

está prevista ainda para este

ano. A empresa já ganhou

corpo com a contratação

de Alexandre Max (foto) e

Lucas Nabeiro como CEO

e CFO, respectivamente. A

Vivae é direcionada a cursos

livres online de capacitação.

6 de agosto de 2022 - jornal propmark


Warming

FEST’UP 2022

SAVE THE DATE

04/08 - 19h

No canal da APP Brasil no YouTube

https://www.youtube.com/c/appbrasil

Agência Beta / Unittoledo Wyden

Joana Mendes – Presidente do Clube de Criação e Founder YGB.black

Eduardo Soares - Presidente APP Ribeirão | Head de pós-graduação em Marketing digital Senac

| Co-Founder Anexo Group | Colunista rádio CBN Ribeirão

Melissa Carolina de Moura - Coordenadora do curso de Publicidade e Propaganda do UniToledo Wyden

- ARAÇATUBA | Presidente da APP Regional Araçatuba | Mestre em Comunicação e Cultura | Publicitária

Apoio

Realização


curtas

hilbert renoVa com Kitano

Rodrigo Hilbert

está na nova

campanha Tempero

não é tudo

igual, da Kitano.

A ação criada pela

Mestiça comunica

a renovação

de Hilbert como

aprendiz de ervas

e especiarias utilizadas

pela marca

da General Mills. Ator mostra crachá de estágio

Após produzir

uma série de três vídeos falando sobre processos

naturais de colheita, armazenamento

e produção, o estagiário da Kitano parte

agora para a exploração de cores, aromas

e sabores. LinkedIn, Instagram, Facebook,

TV, merchandising e ativações nos programas

Mais Você, da Rede Globo, e Faustão

na Band e Masterchef, ambos da Rede

Bandeirantes, além de site e conteúdo gerado

por microinfluenciadores, divulgam

a ação, que faz parte da plataforma Vamos

temperar, criada em 2019.

Galeria PromoVe na míDia

ViDcon cheGa a são Paulo em 2023

Bianca Andrade anuncia evento durante MTV MIAW

A primeira edição brasileira do VidCon

será realizada em São Paulo entre os dias

7 e 9 de julho de 2023. O anúncio foi feito

por Bianca Andrade durante ação apresentada

no palco da gravação do MTV MIAW

2022. Promovido pela Paramount e Dream

Factory, o evento levanta discussões e

compartilhamento de tendências, inovação

e conteúdo. Segundo a organização, os

criadores terão a oportunidade de ampliar

o seu ecossistema, interagir com outros

profissionais e conhecer melhores práticas.

MTV, Nickelodeon, Comedy Central, Porta

dos Fundos, Paramount+ e PlutoTV estão

entre as principais marcas da Paramount.

bullet cria área Para startuPs

mion recebe cáPsula Do temPo

Ação foi elaborada pela ihouse, montada pela Oliver

Com bonecos que lembram a carreira

de Marcos Mion, além de roupão, chinelo

e meias personalizadas, o Itaú Unibanco

quer que o apresentador se sinta em casa.

O novo embaixador da marca, na estratégia

que engloba também o banco digital

iti, ganhou um welcome kit preparado

pela ihouse - agência in-house montada

pela Oliver no Itaú -, com base no perfil

de Mion, que agradeceu com um vídeo do

“unboxing” das suas redes socias. A peça

acabou se tornando parte da campanha,

seguindo o posicionamento sustentado

pelo Itaú, de entender o que realmente

importa na vida das pessoas.

GooGle cresce com PubliciDaDe

Mitchell Luo/Unsplash

Ermínia Campolino e Artur Martins

Ermínia Campolino e Artur Martins assumem

a mídia da Natura e Seara, respectivamente,

na Galeria. Ermínia, que soma

oito meses de gerência na conta, já passou

por Suno, Young & Rubicam, DM9DDB e

Globo, e trabalhou para BRF, Kopenhagen

e Johnson’s, entre outros. Martins tem

carreira feita na DPZ, Ogilvy e Etco e já

atendeu Itaú, Fruittella, Kimberly, Polenghi

e Magazine Luiza. Na área comandada

pelas sócias e diretoras-executivas Kaline

Lessio, Patricia Alves e Sofia Raucci, seis

promoções foram anunciadas, entre profissionais

que atuarão como gerentes de

mídia, supervisores e coordenadores.

Bullet 4 Equity funcionará como uma incubadora

Bullet 4 Equity é o nome da área que

a Bullet criou para atender startups. A

agência comandada pelo CEO Fernando

Figueiredo oferecerá recursos internos e

serviços de criação, planejamento, canais e

produção, parcerias com fundos de investimento

e consultoria de gestão. “O fee é

aplicado, mas com desconto de 0% a 100%,

de acordo com valuation, escopo”, explica

Figueiredo. A meta é apoiar empresas em

expansão, mas que ainda não possuem

uma verba de marketing estruturada para

contratar players ou investir em mídia.

Duas startups já aderiram ao modelo e

outras sete estão em fase de negociação.

Resultado é do segundo trimestre do ano

O investimento publicitário do Google

somou US$ 56,2 bilhões no segundo trimestre

deste ano, alta de 11,6% em relação

ao mesmo período de 2021. Os anúncios

respondem por 76,2% da receita, encerrando

o trimestre com US$ 69,9 bilhões, um

aumento de 13% ante 2021. Já o lucro líquido

recuou 13,62%. O Google é a primeira

big tech com presença significativa na

publicidade a ter lucro no segundo trimestre,

enquanto plataformas como Snapchat

e Twitter tiveram prejuízo, levantando dúvidas

sobre a eficácia dessas empresas para

lidar com uma economia mais vulnerável e

inflação global.

Diretor-presidente e jor na lis ta

res pon sá vel

Ar man do Fer ren ti ni

Editora-chefe: Kelly Dores

Editores: Neu sa Spau luc ci, Paulo

Macedo e Alê Oliveira (Fotografia)

Editores-assistentes: Janaina

Langsdorff e Vinícius Novaes

Editor especial: Pedro Yves

Repórteres: Carolina Vilela e Marcos

Bonfim

Revisor: José Carlos Boanerges

Edição de Arte: Adunias Bispo da Luz

Assistente de Arte: Lucas Boccatto

Departamento Comercial

Gerentes: Mel Floriano

mel@editorareferencia.com.br

Tel.: (11) 2065-0748

Monserrat Miró

monserrat@editorareferencia.com.br

Tel.: (11) 2065-0744

Diretor Executivo: Tiago A. Milani

Ferrentini

tamf@editorareferencia.com.br

Departamento de Assinaturas

Coordenadora: Regina Sumaya

regina-sumaya@editorareferencia.com.br

Assinaturas/Renovação/

Atendimento a assinantes

assinatura@editorareferencia.com.br

São Paulo (11) 2065-0738

Demais estados: 0800 704 4149

Site: propmark.com.br

Redação: Rua Fran çois Coty, 228

CEP 01524-030 – São Pau lo-SP

Tels: (11) 2065-0772 e 2065-0766

e- mail: re da cao@prop mark. com.br

O PrO PMar k é uma pu bli ca ção da Edi to ra re fe rên cia Ltda.

rua Fran çois Coty, 228 - São Pau lo - SP

CEP: 01524-030 Tel.: (11) 2065-0766

as ma té rias as si na das não re pre sen tam ne ces sa ria men te a

opi nião des te jor nal, po den do até mes mo ser con trá rias a ela.

IMPRESSO EM CASA

8 de agosto de 2022 - jornal propmark


mErcado

Estudo mostra comportamentos

em relação às mulheres no trabalho

Nielsen e Opinion Box se uniram em torno de pesquisa que mapeou

os conceitos mansplaining e manterrupting, além da prática de assédio

Nielsen, em parceria com

a Opinion Box, mapeou,

pela primeira vez, dados sobre

os conceitos de mansplaining

(quando um homem

explica algo a uma mulher,

desconsiderando que ela já

sabe sobre o tema) e manterrupting

(interrupção masculina

na fala de uma mulher a

ponto de impedi-la de emitir

alguma opinião). O estudo

também aborda assédio no

ambiente de trabalho.

No caso do mansplaining,

48% das mulheres entrevistadas,

e familiarizadas com

o termo, relataram já terem

presenciado a prática no trabalho,

enquanto 54% afirmaram

que já sofreram com o

manterrupting. Em relação ao

assédio no trabalho, 46% das

entrevistadas disseram que já

sofreram ou presenciaram.

Sabrina Balhes, líder de measurement

da Nielsen Brasil,

afirma que a atuação feminina

no mercado de trabalho

tem sido limitada por construções

sociais. “Ser mulher

significa estar exposta a ser

questionada sobre assuntos

não relacionados à sua competência

profissional desde o

momento da entrevista até ao

alcançar uma posição de liderança”,

explica.

A pesquisa, chamada de

Elas: comportamentos e barreiras,

também apontou que

a maioria das mulheres acredita

que a possibilidade de

engravidar pode ser usada

como empecilho em entrevistas

de emprego. De acordo

com o levantamento, 88% das

respondentes concordam que

a gravidez pode ser considerada

um motivo para que as

empresas não as contratem e

75% afirmaram que isso pode

ser uma razão para questionar

sua capacidade de trabalho.

O estudo revela ainda que

apenas 13% discordam da afirmação,

enquanto 12% são indiferentes

em relação ao assunto.

48% das mulheres entrevistadas relataram já terem presenciado mansplaining e 54% disseram ter sofrido com manterrupting

Além do fato de a gravidez

ter influência em uma possibilidade

de contratação,

três em cada quatro mulheres

(75%) afirmam que foram

perguntadas em entrevistas

de emprego sobre ter filhos e

com quem deixariam as crianças

para trabalhar.

Entre os homens, a taxa

é de 69%. O levantamento

também mostra que 23% das

entrevistadas acreditam que

“Ser mulher

Significa eStar

expoSta a Ser

queStionada Sobre

aSSuntoS não

relacionadoS à

Sua competência”

Freepik

esse tipo de pergunta atrapalhou

a entrevista, número que

para os homens ficou em apenas

8%.

O estudo foi realizado entre

os dias 24 de fevereiro e 2 de

março de 2022, com uso de

questionário online para mil

pessoas de todas as regiões do

país. Entre os entrevistados,

69% eram mulheres, 24% homens

e 7% optaram por não

citar seu gênero.

jornal propmark - de agosto de 2022 9


mercado

Profissionais prestigiam posse

de Sergio Pompilio no conar

Executivo assumiu o cargo na semana passada, substituindo João Faria

Netto; ele destacou desafios como a diversidade e os influenciadores

Fotos: Alê Oliveira

Sergio Pompilio e João Luiz Faria Netto, presidente e ex-presidente do Conar

Profissionais de agências,

anunciantes, veículos e entidades

do mercado se reuniram

na última segunda-feira

(25), em São Paulo, para a posse

de Sergio Pompilio como novo

presidente do Conar (Conselho

Nacional de Autorregulamentação

Publicitária), com mandato

de 2022 a 2024. Eleito no

dia 5 de julho, Pompilio substitui

João Faria Netto, que estava

à frente da entidade desde

2018. Chapa única na eleição,

a diretoria conta com Eduardo

Simon, Paulo Tonet Camargo

e Marcelo Rech como vice-presidentes,

e Cristiane Camargo e

Daniela Gil Rios como diretoras.

Edney Narchi e Juliana Nakata

Albuquerque seguem, respectivamente,

como vice-presidente

executivo e diretora de acompanhamento

processual e coordenação

do conselho de ética.

Pompilio enfatizou que mais

de 30% da nova diretoria do conselho

é formada por mulheres e

comentou ainda que a diversidade

precisa ir sempre além. “E não

tenham dúvida que essa diretoria

e o conselho estarão atentos e

buscando na diversidade a inclusão

e o fundamento da validade

das suas posições para o futuro. E

um ambiente aberto para o diálogo

e construção de um mercado

mais transparente, inclusive”.

Além disso, ele destacou a

importância da autorregulamentação.

“Em um ambiente

mutante e, por vezes, selvagem,

a autorregulamentação

segue sendo um caminho seguro,

no qual devemos persistir e

confiar em nome do passado e

do futuro, pois uma vez mais a

sociedade sempre ganha quando

se autorregulamenta”.

Em entrevista exclusiva ao

PROPMARK, publicada na edição

do dia 25 de julho, o executivo

falou que, entre os desafios do

novo mandato, estão os influenciadores.

Ele disse que o ‘fenômeno’

trouxe para a atividade

“gente geralmente jovem que

não detinha conhecimentos estruturados

de publicidade e da

autorregulamentação”.

Em seu discurso de despedida,

Faria Netto afirmou que o Conar

é a “consciência da publicidade

e nasceu como uma ferramenta

de resistência àqueles que queriam

controlar a informação através

do controle do financiamento

aos veículos de comunicação.

“O Conar é uma casa de pessoas

livres, mas de pessoas que desejam

conscientizar aqueles que

trabalham com toda a liberdade

que a censura é dos males piores

que a criatura humana já descobriu

e a autorregulamentação,

quando bem feita, evita a censura

e propicia a qualidade”, concluiu.

Nelcina Tropardi, Sandra Martinelli e Daniela Gil Rios

Luiz Lara (Cenp e Lew’Lara\TBWA) e Armando Strozenberg (ex-diretor do Conar)

Edu Simon (Galeria e Conar), Fernando Justus Fischer (SBT) e Orlando Marques

10 de agosto de 2022 - jornal propmark


Fotos: Alê Oliveira

Marcia Esteves (Lew Lara\TBWA), Marlene Bregman (Leo Burnett) e Luiz Leite (Ogilvy)

Gilberto Leifert (ex-presidente Conar) e Edney Narchi (VP executivo do Conar)

Marianna Souza e Mateus Basso (Apro)

Marcelo Rech (ANJ) e Flávio Lara Resende (Abert)

André Dias (RecordTV) e Silvio Soledade (APP)

Rino Ferrari Filho, Eduardo Martins (Talent Marcel) e Rafael Davini (Eletromidia)

Paulo Gomes de Oliveira Filho e Mariana Sceppaquercia Galvao

Ênio Vergeiro (Geek Here), Pedro Barbastefano (29HORAS) e André Porto Alegre

Márcio Renê (Sepex/SP-Fenapex), Cristina Melo (Sanofi), Fabi Soriano e Simone Moura

jornal propmark - de agosto de 2022 11


mercado

marketing religioso peca no

conhecimento de hábitos dos fiéis

Católicos e evangélicos dividem crenças cada vez mais presentes na vida

política do país, mas mercado da comunicação não acompanha pauta

Jcomp/Freepik

Fé proferida no Brasil reflete onda fundamentalista que precisa ser compreendida para cumprir o objetivo da democracia de dialogar com aqueles que pensam de forma diferente

Janaina Langsdorff

Religião e política testemunham uma relação

que vai do céu ao inferno ao longo

de uma história milenar. A soberania da

Igreja Católica e seus dogmas era inquestionável.

Mas no século 16, a influência

dos papas começou a ser questionada. Na

Inglaterra, o rei Henrique VIII ergueu as bases

da Igreja Anglicana após ter o pedido de

anulação do seu casamento com Catarina

de Aragão negado pelo papa Clemente VII,

enquanto o alemão Martinho Lutero iniciou

a Reforma Protestante na Europa - que

viria a se tornar o motor da democracia.

Outras rupturas surgiram, desencadeando

manifestações com reflexos sentidos até

hoje. Marcas e agências realmente sabem

quem tem o poder da palavra atualmente?

“A onda fundamentalista de extrema

direita resgata o pensamento do início

do século passado, justamente quando

pensávamos estar vivendo um momento

mais progressista”, destaca Andrey Albuquerque

Mendonça, professor de ética,

antropologia digital e comportamento

dos consumidores da ESPM. Segundo o

estudioso, o Brasil experimenta um movimento

semelhante ao que ocorreu nos

Estados Unidos com Donald Trump, que

resgata a batalha arcaica do bem contra o

mal, onde esse último se materializa em

pautas progressistas atacadas por teorias

infundadas.

“Nos últimos anos, a religião se tornou

estridente porque vivemos um momento

difícil da democracia liberal, proveniente

da Revolução Francesa e do modelo de

estado laico, que se esgotou na entrega de

promessas, especialmente entre as classes

menos favorecidas”, situa o professor José

Mauro Nunes, da FGV Ebape.

Religião católica ainda

possui o maioR alcance,

com paRcela de 51% dos

bRasileiRos, seguida

pelos evangélicos, que

ficam com fatia de 26%

12 de agosto de 2022 - jornal propmark


ebanho

A lacuna vem sendo preenchida nas últimas

décadas pelas religiões evangélicas,

mais conectadas à realidade e presentes nas

comunidades com a oferta de ajuda e chance

de progresso aos mais carentes. “Especialmente

na América Latina, o catolicismo

não tem sido bem-sucedido na criação de

uma forma de vida que valorize a necessidade

do indivíduo prosperar materialmente.

O catolicismo é muito crítico ao consumo

excessivo. Os valores católicos pregam

o desenvolvimento espiritual e não a vida

material”, emenda Nunes.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro

de Geografia e Estatística (IBGE),

o percentual de católicos caiu de 95%

em 1940 para 64,6% em 2010. Já o contingente

evangélico aumentou de 2,7% para

22,2% no mesmo período. A projeção é de

que em 2030, evangélicos alcancem o índice

de 39,8%, ultrapassando pela primeira

vez os católicos, que devem ficar com uma

representatividade de 38,6%. “O Brasil é o

país com o maior número de católicos no

mundo, divididos nas mais de 12 mil paróquias

espalhadas por todas as cidades”,

comenta Darlan dos Santos, CEO da Arcanjo,

agência de Joinville (SC), que já atendeu

mais de 500 clientes no Brasil e exterior

desde 2013, quando se especializou no segmento

religioso.

Hoje, segundo o Datafolha, a religião católica

ainda tem o maior alcance (51%), seguida

pelos evangélicos (26%), adventistas (2%),

espíritas e kardecistas (2%) e umbandistas

(1%). Ainda há uma parcela de 12%, que se

declara sem religião. “Interessante notar espaço

para o crescimento das novas espiritualidades

entre pessoas decepcionadas com

escândalos, falta de transparência e apelo ao

consumismo”, atenta Mendonça, da ESPM.

Em regiões carentes, a evasão está ligada à

oportunidade de progresso social. “As Igrejas

Evangélicas oferecem uma rede social de amparo

mais concreta do que a proposta intangível

do catolicismo”, concorda Jaime Troiano,

CEO da consultoria TroianoBranding.

Teologia da prosperidade

“Evangélicos tendem a ser mais disciplinados

e alinhados à moral evangélica.

A própria história da sociedade americana

e o desenvolvimento do seu capitalismo

“em Regiões caRentes,

a evasão está ligada

à opoRtunidade de

pRogResso social que

as igRejas evangélicas

ofeRecem”

Jaime Troiano: visão infantilizada de fiéis

Divulgação

dependeu muito dessa moral evangélica”,

analisa Troiano, citando A ética protestante

e o espírito do capitalismo, de Max Weber.

Idealizada nos Estados Unidos após a Segunda

Guerra Mundial, a teologia da prosperidade

embalou o crescimento dos evangélicos

no Brasil, uma evolução “centrada

nas classes ascendentes após a conquista de

estabilidade econômica criada por governos

progressistas nas últimas décadas”, repara

Andrey Albuquerque Mendonça, da ESPM.

Visto como uma bênção, o progresso

material defendido pelo cristianismo evangélico

encontra na facilidade de ingresso e

adesão outro fator associado ao declínio do

rebanho católico. A busca por responder a

questões cotidianas em vez de pensar na

salvação após a morte atrai pessoas cada vez

mais seduzidas pela promessa de conforto

material e espiritual. “É uma teologia mais

realista e focada nos problemas do dia a dia.

As Igrejas Católicas falharam em tempos de

crise, quando as pessoas mais necessitam

de laços comunitários”, insiste Nunes.

Mas engana-se quem enxerga nos evangélicos

um grupo facilmente passível de

manipulação. Troiano entende que esses fiéis

são “muito mais independentes do que

a imagem que se projeta deles”. O consultor

conta que a vida nas comunidades e famílias

evangélicas é voltada para o ambiente interno,

característica que os protege de eventuais

investidas capitaneadas por instâncias

externas, sejam políticas ou não. “É um

engano considerar que eles estariam sendo

apropriados ou cooptados pelo governo Bolsonaro.

Nas pesquisas políticas mais bem

feitas, fica claro que a presença de evangélicos

que votarão em Bolsonaro ou no Lula é

quase a mesma”, compara Troiano.

O atual governo chega às vésperas das

eleições com o apoio consolidado da bancada

evangélica, mesmo em meio às investigações

de corrupção no Ministério da

Educação (MEC) envolvendo os pastores

Gilmar Santos e Arilton Moura, próximos

ao então ministro Milton Ribeiro, também

pastor presbiteriano.

No último mês de março, prefeitos denunciaram

a existência de um suposto esquema

de propina em troca de verbas do

jornal propmark - de agosto de 2022 13


mercado

Fotos: Divulgação

Andrey Mendonça, da ESPM: pensamento medieval

José Mauro Nunes, da FGV: religião estridente

Darlan dos Santos, da Arcanjo: marketing e tradição

Fundo Nacional de Desenvolvimento da

Educação (FNDE) para erguer e reformar

escolas e creches, além de entregar ônibus

escolares. “O que a Igreja Evangélica não

entende é a distinção entre as questões religiosas

e de Estado”, critica Mendonça. A

história deixa o alerta. Protestantes e católicos

apoiaram o estabelecimento do Terceiro

Reich na Alemanha da década de 1930.

“Vemos como isso é perigoso. Nem sempre

a Igreja está do lado certo. Parece que

não aprendemos com os nossos erros”, lamenta

Mendonça. De acordo com o acadêmico

da ESPM, existe uma frente evangélica

progressista que se contrapõe ao poder e

à influência no Estado, assim como a Igreja

Católica nutre fatias ligadas a raízes bastante

conservadores. Há ainda vozes como

a do padre Julio Lancellotti, criticado pela

extrema direita pela sua defesa aos pobres e

população em situação de rua. “Não podemos

generalizar”, sugere Mendonça.

Outros escândalos envolvendo a cúpula

evangélica já vieram à tona, mas eles “representam

apenas uma parte da comunidade

evangélica, existem outros líderes

religiosos que não fazem esse proselitismo

político de uma maneira tão intensa”,

pondera Nunes.

Jaime Troiano também adverte para pressupostos

que podem gerar percepções equivocadas.

“Temos dificuldade em aceitar e

entender que existem sentimentos religiosos

legítimos. Há uma visão infantilizada

de quem são os fiéis sujeitos a todo tipo de

manipulação e sedução, o que é retrato ingênuo

e conveniente para imaginar como se

relacionar com eles”, acredita o consultor.

estima-se que o consumo

de aRtigos e seRviços

Religiosos movimente

mais de R$ 20 bilhões

no bRasil

Wirestock/Freepik

descartadas (7%). O número sobe para 26%

em meio aos eleitores menos escolarizados

com recomendações totalmente aceitas por

11% ou em parte por 8%. No grupo com escolaridade

superior, o índice é de 15%, mas

apenas 2% adere totalmente e 5% acolhe

parcialmente.

O brasileiro também tem ido menos às

missas. A presença daqueles que costumam

ir à igreja mais de uma vez por semana registrou

queda de 34% em 2016 para 29%

em 2022, e variou de 31% para 29% entre

os que vão à igreja até uma vez por semana.

Os evangélicos que frequentam a igreja

mais de uma vez por semana perfazem

um índice de 53%, ante o universo de 17%

dos católicos. A contribuição financeira, no

geral, recuou de 42% para 36%. Hoje, 42%

dos evangélicos contribuem para sua igreja

contra 34% dos católicos.

“Nos últimos anos, percebemos a dificuldade

do catolicismo de conversar com

os segmentos mais pobres da sociedade,

especialmente na América Latina”, observa

Nunes. A escolha do papa Francisco, o

FalTa na missa

De acordo com pesquisa do Datafolha,

só um em cada cinco eleitores (20%) frequenta

hoje uma igreja ou serviço religioso

com ensinamentos sobre como votar.

As instruções, que atingem 18% dos católicos,

são consideradas totalmente (6%),

parcialmente (6%), e outros 6% não as seguem.

Entre os evangélicos, as orientações

alcançam 28% dos fiéis. Elas são acatadas

integralmente (9%), parcialmente (12%) ou

Igreja Católica busca atrair jovens para renovar rebanho, que vem perdendo fiéis para a Igreja Evangélica

14 de agosto de 2022 - jornal propmark


argentino Jorge Mario Bergoglio, em 2013,

sinalizou uma tentativa de aproximação,

mas a Igreja Católica ainda enfrenta desafios

para formar novas lideranças devido às

exigências do celibato.

O sucesso dos padres que cantam, compõem,

fazem shows e abençoam famosos,

como Padre Marcelo Rossi, Alessandro

Campos, Fábio de Melo e Antônio Maria,

entre outros, ajuda, principalmente quando

transmite autenticidade. “Não podemos

esquecer que, durante séculos, a principal

inspiração dos compositores clássicos foi

a Igreja. De Bach, Haydn a Mendelssohn,

a música sempre esteve no centro da vida

religiosa. Os padres cantores são a presença

atual dessa tradição”, resgata Troiano. A

atuação dos padres famosos cria referência

para o setor, trazendo “formas diferentes

de levar a mensagem”, acrescenta Darlan

dos Santos, da Arcanjo.

“existe demanda poR

consumo de conteúdo

Religioso, o pRoblema é

que, do lado das agências,

desconhecimento com

Relação a esse público”

Wirestock/Freepik

A presença dos evangélicos mais de uma vez por semana na igreja é de 53%, ante o universo de 17% dos católicos

pregação digiTal

A inflexão ainda vem do ambiente digital,

especialmente para atrair os jovens. Na

Jornada Mundial da Juventude no Panamá,

em 2019, o papa Francisco se referiu à Maria

como a “influencer” de Deus, demonstrando

disposição em conectar uma religião de mais

de dois mil anos de história às novas mídias.

“O próprio papa Francisco tem usado as redes

sociais para se aproximar das pessoas e,

assim, outros religiosos e instituições estão

cada vez mais antenadas com as possibilidades

que esse universo apresenta”, confirma

Santos, da agência Arcanjo.

A explosão no uso dos canais digitais

durante a pandemia da Covid-19 também

chegou à Igreja, que entrou no universo das

lives e transmissões de missas e eventos

na televisão, retomando o legado deixado

pelo papa João Paulo II, primeiro a utilizar

de forma eficaz as mídias massivas, como

a TV à época. Hoje com presença no Twitter,

canal no YouTube e aplicativos, entre

outras iniciativas, a Santa Sé tenta utilizar

as plataformas para fortalecer a integração

com os fiéis. “As redes sociais na comunicação

das igrejas, templos e grupos religiosos

em geral são uma extensão multiplicada do

trabalho pastoral, que sempre existiu”, sublinha

Troiano.

Na estratégia da agência Arcanjo, o

marketing se baseia nas tradições da Igreja

Católica e seus aspectos próprios de evangelização.

“Não trabalhamos a favor de um

marketing que tenha como papel frear o

avanço da Igreja Evangélica”, avisa o CEO

Darlan dos Santos.

Mais ágil, porém, a comunidade evangélica

ostenta um aparato midiático “porque

entende a necessidade de prospecção

ativa dos fiéis”, aponta Nunes, da FGV. O

especialista da ESPM, Andrey Albuquerque

Mendonça, tem dúvidas sobre a eficácia na

atração de novos adeptos, mas a investida

certamente assegura “retorno financeiro

porque as pessoas preferem ficar devendo

no carnê do que para Deus”, constata. Além

de expandir as fronteiras das pregações religiosas,

a mídia apoia o consumo de artigos

religiosos do mundo gospel, mercado

avaliado em mais de R$ 20 bilhões. A estimativa

citada por Mendonça é de antes da

pandemia da Covid-19 e não inclui transações

vindas da compra, locação e reforma

de templos.

“Trabalhamos com soluções que vão de

bíblias, livros e artigos religiosos até educação,

turismo religioso e tecnologia”, revela

o CEO da agência Arcanjo, que entre os

seus clientes tem Canção Nova, Rede Vida,

Editora Ave-Maria, Colégios Everest, Rede

Salvatoriana, Marista e Camilianos, entre

outros. Música, streamings, séries, minisséries,

novelas e artistas caíram nas graças

desse filão. Depois do sucesso de Ninguém

Explica Deus, o cantor e compositor Clovis

Pinho trocou o grupo Preto no Branco por

um contrato com a Som Livre. Assinado em

setembro de 2020, o acordo encampa a música

Me Ensina a Viver, que soma mais de

dois milhões de visualizações no YouTube.

A Associação das Empresas e Profissionais

Evangélicos (Abrepe) calcula que a música

gospel represente cerca de 20% do mercado

fonográfico brasileiro, com vendas anuais

de R$ 2 bilhões. O levantamento feito

em 2018 posiciona o Brasil como o segundo

maior mercado gospel do mundo, atrás

apenas dos Estados Unidos.

plano divino

“Existe demanda por consumo de conteúdo

religioso, e evangélicos são ágeis nessa

oferta. O problema é que, do lado das agências,

desconhecimento e preconceito

com relação a esse público”, analisa o professor

José Mauro Nunes. Com estruturas

in-house, os players do setor impulsionam

investimentos alheios ao mercado da comunicação.

Para Nunes, o entendimento

sobre diversidade, inclusão e representatividade

contrasta com o despreparo dos

profissionais para lidar com a fatia majoritária

da população.

Falta compreender essas pessoas para

cumprir o objetivo da democracia de dialogar

com aqueles que pensam de forma

diferente. “Tentar entender a sociedade

apenas por intermédio da pauta progressista

é trágico porque temos grupos de

baixa renda aderindo a pautas conservadoras,

preocupados com filhos, emprego.

Isso explica a popularidade do atual presidente

dentro desse segmento”, esclarece

Nunes.

Trendsetters próprios de nichos urbanos

escolarizados não chegam à maioria

da população. “É na quebrada, favelas e

bairros populares que a batalha de corações

e mentes é travada”, indica o professor

da FGV. Com igrejas abertas o tempo

todo, os pastores evangélicos “foram brilhantes

ao sanar as necessidades de uma

parcela significativa dos trabalhadores

brasileiros”, afirma Nunes.

Por terem valores diferentes, essas pessoas,

muitas vezes, se sentem ofendidas

quando percebem outros querendo impor

regras e condutas de comportamento.

Nunes lembra que a função do marketing

é criar valores e se conectar com pessoas

com necessidades não atendidas. A oportunidade

não depende de milagre. Basta

aceitar com fé.

jornal propmark - de agosto de 2022 15


mercAdo

WeWork investe em primeira

campanha para América Latina

Renunciamos traz videomanifesto que apresenta posicionamento da

empresa contra antigo modelo de trabalho; ação privilegia digital e OOH

CaRolina Vilela

WeWork deu um passo

A adiante na autonomia, conquistada

graças a joint venture

com o SoftBank em 2021, e lançou

a sua primeira campanha

autoral e produzida exclusivamente

para a América Latina.

Antes, as ações eram traduzidas

e adaptadas para a região. A

campanha Renunciamos, criada

pela Super, traz um videomanifesto

que apresenta o posicionamento

da empresa contra o

modelo “antigo” de trabalho,

com jornadas de oito horas, presença

cinco vezes na semana e

um endereço fixo. A campanha

se concentra no digital e OOH.

Além do Brasil, será veiculada

na Costa Rica, Colômbia, Chile,

Argentina, Peru e México.

Segundo Guilherme Trementocio,

CMO da WeWork para a

América Latina, os insights da

publicidade vieram dos dados

internos de comportamento e

da pesquisa Redefinindo modelos

de trabalho na América Latina,

realizada em parceria com

HSM e Egon Zehnder.

O estudo apontou que 81%

dos executivos na América Latina

têm o modelo híbrido como

preferência. Esse dado pode

se somar a outro apontado na

pesquisa People at work 2022:

a global workforce view, do ADP

Research Institute, que mostrou

que 64% dos entrevistados

procurariam outro emprego se

o presencial diariamente for

obrigatório. Esse número sobe

para 71% entre a população de

18 a 24 anos.

“Se existe algo muito claro

hoje é que a única constante é

a mudança. Nessa campanha,

nos posicionamos contra o status

quo laboral: renunciamos a

ir todos os dias para o escritório;

a perder horas no trânsito; a

trabalhar em baias; a distância

entre colegas de time; a cumprir

horários e não sonhos; a

odiar a segunda-feira; ao trabalho

do passado”, explicou.

Cena do filme Renunciamos, que será veiculado no Brasil, Costa Rica, Colômbia, Chile, Argentina, Peru e México

Guilherme Trementocio: os últimos anos impactaram como as pessoas trabalham

Trementocio assumiu o cargo

de CMO da WeWork em novembro

de 2021 e a flexibilidade

do trabalho foi um dos motivos

que o fizeram aceitar o desafio.

“O momento do mercado de

espaços flexíveis foi importante

para a transição. Os últimos

anos impactaram totalmente

a forma como as pessoas trabalham.

Atualmente, temos a

oportunidade de mudar a história

do trabalho e o modo como

trabalhamos para sempre. O

escritório não morreu, mas o

modo antigo de trabalhar, que

tem sido usado há 300 anos

desde a revolução industrial,

sim. Participar dessa revolução

me pareceu um excelente desafio”,

afirmou o executivo.

Ainda de acordo com Trementocio,

essa flexibilidade do

trabalho é um dos principais pilares

da empresa e fez com que

empresas os buscassem para

entender como o modelo híbrido

pode ser aplicado no seu

Fotos: Divulgação

“temos a

oportunidade de

mudar a história

do trabalho e

o modo como

trabalhamos

para sempre”

contexto. Para isso, a WeWork

lançou o All Access as a Benefit,

ou “vale-escritório”, como é

chamado. “A empresa não precisa

ter uma sede na WeWork

para oferecer esse benefício

aos seus colaboradores. Com o

monitoramento do fluxo de integrantes,

conseguimos saber

quem são os colaboradores que

estão indo aos prédios, se existe

um dia da semana que eles

frequentam mais, algum horário

do dia, por quanto tempo,

quais ambientes. Esses dados

fornecem uma inteligência capaz

de municiar as tomadas de

decisões dos gestores e auxilia

no desenho das políticas de trabalho”,

explicou o CMO.

16 de agosto de 2022 - jornal propmark


mídia

NEOOH vai comandar projeto de out

of home dos shoppings da Partage

Empresa irá cuidar da implantação, gerenciamento e comercialização do

circuito de mídia digital nos 12 malls do grupo em diversas regiões do país

Partage, que desenvolve e administra

A shopping centers e empreendimentos

imobiliários, escolheu a NEOOH para liderar

o projeto de out of home em todos os

seus shoppings. Com a parceria, fica sob a

responsabilidade da NEOOH a implantação,

gerenciamento e comercialização de todo o

circuito de mídia digital nos malls do grupo,

que, segundo a empresa, atualmente recebem

mais de 30 milhões de pessoas por ano,

bem como de seus próximos lançamentos.

“A comunicação é ponto fundamental para

o mercado de shopping centers, e ter um

parceiro como a NEOOH certamente vai potencializar

a experiência de todo o ecossistema,

desde nossos visitantes aos lojistas e

anunciantes”, diz Adriano Capobianco, diretor-comercial

e de novos negócios da Partage.

Com o início do projeto, a NEOOH já

trabalha na criação de um circuito diferenciado,

focado em telas digitais de LED

de grandes formatos, estrategicamente

adaptadas a cada ambiente e ao conceito

Phygital 2.0 da empresa.

“Levaremos aos shoppings da Partage

não apenas equipamentos de última geração,

mas soluções completas de OOH muito

além das telas, integradas a soluções que

passam por mídia mobile geoposicionada,

possibilidades diversas de interatividade

e até entregas complementares em games.

Queremos oferecer a melhor experiência

para os visitantes e as melhores oportunidades

aos anunciantes”, comenta Leonardo

Chebly, CEO da NEOOH.

O Grupo Partage possui hoje 12 shoppings

centers em diversas regiões do Brasil, em

capitais e cidades estratégicas como Cuiabá

(MT), Natal (RN), Campina Grande (PB),

Rio Grande (RS), São Gonçalo (RJ) e Betim

(MG). Além disso, segundo a empresa, vai

investir mais de R$ 800 milhões nos próximos

lançamentos de dois empreendimentos

proprietários, em São Paulo e Brasília.

A NEOOH é uma das maiores empresas

brasileiras do segmento out of home em

aeroportos e terminais de passageiros, com

presença em mais de 120 deles distribuídos

por todo o Brasil. Após a parceria com o Grupo

Partage, a companhia expande ainda mais

sua penetração em outros ambientes estratégicos

e de alta circulação de público, onde

já possui mais de 200 ativos entre parques,

supermercados, shoppings e espaços corporativos.

Com circuito de mídia que impacta

mais de 800 milhões de pessoas por ano, a

operação é a primeira de OOH no mundo a

zerar 100% de sua pegada de carbono.

Fachada de um dos shoppings do Grupo Partage, em Natal; companhia tem ao todo 12 deles em várias cidades

REPOSITIONING

OR DIE!

"Se a oportunidade não

bater, construa uma porta",

Milton Berle

Planejamento e Reposicionamento

Estratégicos Sob a Ótica do Mercado

(11) 3231-3998/2339

madiamundomarketing.com.br

(11) 98990-0346

Divulgação

jornal propmark - de agosto de 2022 17


mídia

Globo tem plano para pequenas

e grandes marcas na Black Friday

Valeria Soska: “Temos a expectativa de uma edição com ainda mais crescimento”

Divulgação

Globo Friday foi

desenhado em

cima de soluções

customizadas

De olho na Black Friday, uma das principais

datas comerciais do ano, a Globo

disponibilizou na semana passada a

Globo Friday, um hub contendo trilhas de

conteúdo, dados e insights de pesquisas,

além de opções comerciais.

O plano foi desenhado em cima de

soluções customizadas com o objetivo

de dar mais liberdade ao anunciante na

construção de estratégias. Assim, como a

própria companhia afirma, a ideia é “oferecer

uma Globo Friday para todos”, que

engloba opções que vão valorizar do pequeno

ao grande anunciante.

“Ampliamos o projeto deste ano em todas

as dimensões, com a oferta de um pacote

modular, que dá maior liberdade para

que cada marca possa escolher onde anunciar

e para os

tamanhos de

bolso”, declara

Valeria

Soska, diretora-comercial

da Globo,

acrescentando:

“Com isso,

temos a ex-

pesquisa revela

que 50% dos

consumidores

pretendem

comprar algum

produto na

Black Friday

pectativa de

uma edição

com ainda mais crescimento para a Globo

e oportunidades para nossos parceiros de

negócios”, afirma.

Entre os dados disponibilizados pela

Globo está a pesquisa Termômetro de

Consumo, que revela que 50% dos consumidores

pretendem comprar algum produto

durante a Black Friday, número 3%

superior em comparação ao ano anterior.

Com recorte da classe A, esse número é

ainda maior, chegando em 65%. O levantamento,

que ouviu 2 mil brasileiros, todos

com a acesso à internet, das classes A, B e C

e de todas as regiões do país, também aponta

que entre as categorias de maior intenção

de compra na data estão roupas e acessórios

(20%), aparelhos eletroeletrônicos (15%) e

compras de supermercado (14%).

Os artigos esportivos aparecem logo

na sequência, com 12% das intenções de

compra, levando em consideração que,

excepcionalmente este ano, a principal

data de comércio será realizada logo após

o início da Copa do Mundo.

18 de agosto de 2022 - jornal propmark


opinião

Social.Cortar/Unsplash

o digital e o propósito

do marketing

Sergio PomPilio

Estamos vivendo uma era de reinvenção

total da publicidade alinhada com o novo

papel das marcas, que assumiram uma

dimensão mais concreta e proativa, com

foco na redução das desigualdades, na promoção

da diversidade e na melhoria das

condições humanas e ambientais, iniciativas

que já eram tendências no mercado da

comunicação, mas foram aceleradas com

a Covid-19. Esse impacto, que trouxe um

novo viés às criações publicitarias, muito

mais humanizado e real, foi influenciado

por um novo consumidor, mais engajado,

crítico e com interesse em alinhar seu consumo

ao propósito das marcas. Um consumidor

que espera que as marcas

sejam ativas nas causas

urgentes da sociedade. Porém,

essa revolução da publicidade

também foi provocada pela

digitalização da comunicação,

que trouxe novos canais

de mídia, novas tendências, a

mídia programática e, claro,

tecnologias de ponta, como inteligência

artificial.

E se cada vez mais os conceitos de ESG

são indissociáveis dos propósitos das marcas,

com consumidores reforçando a todo

momento que adotar medidas ambientais,

como combater a mudança climática, deve

ser prioridade à frente do crescimento econômico,

conectar lucro e propósito é do desafio

do século para as marcas, que precisam

crescer sustentáveis para gerar valor.

Nesse ambiente mutante, o digital é vetor

essencial para o crescimento sustentável e

a construção de bases sólidas para o futuro.

O comércio eletrônico e os ambientes

digitais seguem a passos largos. A projeção

de crescimento do e-commerce brasileiro

para este ano feita pela ABComm (Associação

Brasileira de Comércio Eletrônico)

é de 12%. As expectativas estão positivas

no mundo todo. A América Latina segue

uma curva de crescimento acentuada com

aumento de 35,4% nas vendas de bens de

“ESG não

podE SEr

apEnaS uma

EStratéGia

dE

markEtinG”

consumo online em 2021. O Fórum Econômico

Mundial projetou que, até o fim

de 2022, mais de 60% do PIB global será

digitalizado e cerca de 70% do novo valor

criado na próxima década será baseado em

plataformas ativadas digitalmente.

Ao se beneficiar dos ganhos provocados

pela transformação digital e suas novas

tecnologias, as empresas economizam dinheiro,

otimizam tempo e aproveitam melhor

seus recursos, diminuindo o impacto

negativo ao meio ambiente com inovações

eficientes. Nesse interim, as marcas precisam

não só praticar os conceitos de ESG,

como comunicar aos seus consumidores.

Tudo isso está testando os profissionais do

marketing ao limite da criatividade,

eficiência e competitividade.

E precisamos estar atentos e munidos

de informação para nunca

perder o norte da ética.

ESG não pode ser apenas uma

estratégia de marketing. Se não

for uma estratégia de negócio

da companhia, há um risco de

cair em “greenwashing”. Este

ano, a ABA trará ao mercado o Guia Global

de Orientação sobre Alegações Ambientais

da WFA – World Federation of Advertisers,

da qual a ABA é filiada e é integrante de seu

Executive Committee, que foi desenvolvido

em decorrência da assinatura do WFA

Planet Pledge, que a ABA faz parte e tem

o compromisso de solidificar um ambiente

de marketing confiável, onde as sustainability

claims, ou environmental claims

possam ser facilmente fundamentadas.

Guiada pelo propósito de mobilizar o

marketing para transformar os negócios

e a sociedade, a ABA traz, nesta publicação,

seis princípios que servem de orientação

aos profissionais do ecossistema

publicitário, a criarem estratégias de marca

mais eficientes e sustentáveis, que contribuam

com o aumento de confiança do

consumidor e evitem possíveis armadilhas

e acusações de informações falsas ou não

praticadas.

Sergio Pompilio é presidente do Conselho

Superior, presidente do Conar e vice president

of government affairs & policy latam Johnson &

Johnson

presidencia@aba.com.br

jornal propmark - de agosto de 2022 19


EnTrEvisTa

Eduardo TEllEs

diretor de marketing do GPA

EsTamos

focando no

rEsgaTE dE

pilarEs

O

Pão de Açúcar estabeleceu importante

parceria com Gilberto Gil e a neta dele, a

Flor, para trazer de volta “musicalidade

à marca, que norteou outras campanhas

da rede de varejo. “Foram nossos consumidores que

guiaram essa campanha e são eles que vão cocriar

conosco a nova música da marca”, diz Eduardo

Telles, diretor de marketing do GPA, dono da

empresa. Ele se refere ao concurso de música que a

rede está promovendo para escolher a canção que

vai embalar a comunicação da marca neste semestre,

quando o Pão faz 63 anos de vida. Veja a seguir.

Neusa spaulucci

Vocês consideram que o Pão de

Açúcar vive um momento especial.

Por quê?

Este é um ano muito importante

para o Pão do ponto de vista

de operações e de marca. Do lado

de operações, retomamos nosso

plano de expansão e temos fortalecido

nosso aplicativo Pão de

Açúcar Mais como principal canal

de ominicanalidade. Agora, estamos

trabalhando uma frente de

comunicação de marca que resgata

pilares estratégicos, como a

musicalidade, e reforça o nosso

território, a felicidade, iniciando

com uma grande campanha que

é a Nova Música do Pão, ao lado

de Gilberto Gil e Flor Gil. O Pão é

uma marca icônica que marcou

a história do varejo alimentar no

Brasil e também a memória dos

consumidores, e são eles que

estão sempre no centro de todas

as nossas decisões, inclusive nas

nossas comunicações. Justamente

por isso estamos focando no

resgate de pilares que o público

já conhece e se identifica, como

a musicalidade, afinal, quem não

lembra de alguma música do Pão

de Açúcar? Foram nossos consumidores

que guiaram essa campanha

e são eles que vão cocriar

conosco a nova música da marca.

Qual a estratégia?

Queremos escrever junto com

quem se relaciona com o Pão um

novo capítulo na história dessa

marca tão amada e já tem sido um

sucesso! São muitas as participações,

inscrições e o engajamento

dos consumidores e também dos

colaboradores. Acreditamos no

potencial desse novo capítulo da

nossa marca e temos muita felicidade

em poder construir os próximos

passos da nossa história

lado a lado dos consumidores e

apaixonados pela marca Pão.

A parceria com Gilberto Gil foi importante

para o lançamento do concurso?

Com certeza! Este ano é importante

para o Gilberto Gil, que

completou 80 anos em junho,

e ele é um artista fundamental

e importante para a história da

música, que tem inclusive uma

relação de longa data com o Pão.

Em 2002, por exemplo, ele tocou

no Pão Music, festival que era

realizado pela marca. Além disso,

trouxemos também para a campanha

a neta do Gil, a Flor, que

também tem vivido um momento

muito especial, lançando sua

carreira solo, com muito sucesso

pela frente.

Por que a escolha recaiu sobre Gil e a

neta dele, Flor?

Juntos, o Gil e a Flor trazem

aspectos muito importantes, que

são a felicidade e o afeto da relação

avô e neta. Temos a felicidade

como território da marca Pão

de Açúcar e eles personificam

esse sentimento. E os dois também

representam o Pão, já que

Gil tem sua história na música,

que se relaciona com a história

do Pão, e a Flor traz o frescor e a

novidade de uma nova artista se

lançando, que o Pão também tem

com as frentes de inovação. Essa

é uma parceira genuína, que tem

tudo para dar certo. O Pão acredita

no papel das relações e da felicidade

real e essa troca legítima

de afeto, sorrisos e experiência

entre avô e neta contribuem muito

para os valores que a marca

acredita e busca.

Por que a empresa escolheu a musicalidade

como pilar na estratégia de

marketing?

O Pão sempre foi musical, com

músicas marcantes como O que

faz você feliz?, com Clarice Falcão,

ou Felicidade, com interpretação

de Anavitoria, participação

e realização de festivais de música,

como o Pão Music, e apoio ao

Rock in Rio 2019. A música inspira

e gera trocas, gera relação e

cria laços e memórias, não à toa,

escutando nossos consumidores,

percebemos a necessidade de re-

tomar as músicas como pilares

estratégicos da marca Pão. Agora,

estamos em um momento de retomada

desse pilar e de uma forma

nova por conta da cocriação.

Queremos que vire uma grande

conversa com os consumidores,

que a campanha capture a atenção

do público sem ser expositiva,

mas de troca e conexão. Vai

ser muito interessante saber, pelo

olhar dos nossos clientes, as músicas

que eles acreditam ter a ver

com a marca. Afinal, temos a felicidade

como território de marca

e a música é uma forma de felicidade,

de conexão com nossos

consumidores.

Quais outras estratégias serão adotadas

pela marca neste segundo semestre,

já que neste período comemora

seus 63 anos?

O segundo semestre deste ano

será agitado para o Pão de Açúcar.

No aniversário de 63 anos,

teremos ativações de marca e

dinâmicas promocionais nas lojas,

site e benefícios exclusivos

no nosso app para celebrar com

os clientes, além de uma grande

Black Friday e importantes

ações sazonais de fim de ano. E

também teremos novidades de

marca importantes, como a nova

música do Pão, que vai ser anunciada

no começo do segundo semestre,

já na voz da Flor Gil, no

mesmo período em que estaremos

como apoiadores no Rock In

Rio 2022, maior festival de música

do mundo, do qual somos

apoiadores.

O Pão de Açúcar tem planos de expansão?

Sim. No ano passado, anunciamos

um plano de expansão de

100 novas lojas até 2024. Estamos

a todo vapor com as novas lojas e,

apenas neste mês de julho, ainda

teremos três inaugurações em

“Foram nossos

consumidores que guiaram

essa campanha e são eles

que vão cocriar conosco

a nova música da marca”

20 de agosto de 2022 - jornal propmark


três estados diferentes, e já abrimos

outras duas nesse mesmo

período.

A pandemia mudou alguma estratégia?

Onde vocês avançaram e onde

recuaram?

Quando falamos de operação,

sabemos que a pandemia acelerou

e muito o digital. O Pão de

Açúcar foi pioneiro no e-commerce

alimentar brasileiro e foi a

primeira rede a lançar um programa

de fidelidade, o Pão de Açúcar

Mais, que hoje é nossa principal

plataforma de omnicanalidade.

Então, tínhamos uma estrutura

dentro de casa, mas, de fato,

tivemos de acelerar processos

de digitalização para continuar

atendendo nossos clientes com

excelência. Hoje, temos a estratégia

de atender os clientes onde,

como e quando eles quiserem,

um pensamento que já tínhamos

e ganhou força com a pandemia,

principalmente com as estratégias

de omnicanalidade.

Qual a principal transformação?

A pandemia transformou a relação

de pessoas com marcas no

geral, como elas se relacionam

e enxergam as marcas. Nesses

anos, vimos que os consumidores

estavam buscando identificação

e conexão de seus valores

com as empresas, mas que as

marcas atendessem às suas necessidades

e, do nosso lado, isso

é transmitido pela comunicação.

Todas as marcas precisaram se

atentar a isso e mostrar sua relevância

na vida das pessoas, todos

tivemos de nos adaptar, priorizar

o que era relevante para as pessoas

naquele momento.

E, internamente, como se deu o processo?

Foram dois momentos muito

importantes: o primeiro foi de

passar serenidade e confiança

para nossos consumidores, tanto

nas operações, mantendo as lojas

abastecidas e criando protocolos

sanitários, quanto na comunicação,

é importante que as pessoas

se sintam seguras para entrarem

em nossas lojas e confiantes para

comprar online; depois, entramos

em um momento de reforçar

que estamos junto com os clientes,

passando uma mensagem de

esperança.

Como foi planejada a comunicação

nesse período?

O tempo todo, nossa comunicação

buscou passar confiança e

segurança, por causa do momento

que estávamos passando. Nossas

campanhas foram pautadas

nas mudanças de comportamento

dos consumidores, desde preferências

de onde e como comprar

(nas lojas, no e-commerce

ou via last millers), como montar

Divulgação

a lista de compras da família e

descontos personalizados, por

exemplo. Ao mesmo tempo, as

campanhas trouxeram os valores

das nossas marcas e reforçaram

que estaremos lá para atender

a nossos consumidores onde,

quando e como eles preferirem.

Além disso, focamos muito no

digital, que era onde nossos consumidores

estavam.

A pandemia provocou a mudança

no comportamento do consumidor.

Qual a principal delas?

O comportamento do consumidor

mudou na pandemia por

diversos motivos, desde ter de

concentrar suas compras em menos

locais, comprar online, crise

econômica e mesmo mudanças

na rotina. Como principal e nosso

maior aprendizado, porém,

vemos que essa mudança de cenário

ressaltou as empresas que

trabalham com base em seus propósitos

e acreditamos que esse

“a pandemia transFormou

a relação de pessoas

com marcas no geral”

será um valor que fortalecerá

cada vez mais a conexão com os

consumidores daqui para a frente.

Tenho certeza que os consumidores

vão continuar se atentando

às marcas que se conectam

com seus valores, por isso a presença

do propósito e dos pilares

da marca nas comunicações foi

muito importante nesse período

e vai continuar sendo.

Qual a percepção do consumidor?

Eles querem sentir que conhecem

a marca, e a marca reconhece

suas necessidades e desejos

específicos. A felicidade dos nossos

clientes e colaboradores é, e

sempre foi, o cerne do propósito

do Pão de Açúcar. Durante a

pandemia, entendemos que esse

propósito se refletiu por meio da

nossa missão, enquanto agentes

transformadores da sociedade,

de trabalhar para manter as lojas

abertas, abastecidas e seguras

para os nossos consumidores e

colaboradores e de investir em

nossa capacidade de entrega em

domicílio através do nosso e-

-commerce e do James. Temos

trabalhado todos os dias para

cumprirmos esse papel e vamos

continuar fazendo cada vez mais

por nossos clientes quando tudo

isso passar.

jornal propmark - de agosto de 2022 21


Think wiTh influenCers

CONTEÚDO DE MARCA Think wiTh GooGle

Criação e dados: colaboração

que impulsiona os

resultados das agências

Danilo Futema*

Zé lucas De Paula**

especial para o think with Google

A

digitalização tem

movimentado inúmeras

transformações no

universo do marketing,

e a indústria criativa não fica de

fora dessas mudanças. Quem

tem encarado isso com mais

intensidade são as agências, nas

quais os times de criação são

pautados por empatia, repertório

e referências, enquanto o time de

dados fica em uma outra ponta,

geralmente mais próximo das

discussões sobre resultados de

negócios.

Essa conhecida disparidade entre o lado

mais intuitivo do time de criação e os

relatórios milimetricamente calculados

de especialistas em dados acabou deixando

o primeiro time mais distante de negócios.

Entretanto, sabemos que o papel da

criatividade para atingir esses objetivos é

indispensável, ou seja, as discussões de

performance não deveriam ficar somente

entre estratégia e mídia.

E é aí que entra a mudança de paradigma.

Nós, criativos e estrategistas, estamos

acostumados à busca eterna das

escolhas ideais. Há sempre um desejo de

termos uma fórmula perfeita e incomparável

que resolverá todos os desafios das

marcas, porém o que se vê é uma comunicação

e uma sociedade que estão sempre

em movimento. Assim, como seria possível

alcançar esse “ideal”, se todo dia algo

novo surge e o conhecimento se expande?

Com os desafios expostos pela experiência

do omnicanal e pelo meio do caminho

confuso na jornada do consumidor,

por exemplo, fica cada vez mais evidente

que não é possível se apegar às certezas.

Não há mais espaço ao que chamamos de

“criatividade dogmática”.

22 de agosto de 2022 - jornal propmark


Fica cada vez mais

evidente que não é

possível se apegar às

certezas: não há mais

espaço ao que chamamos

de ‘criatividade

dogmática’

Pensando numa linha cronológica,

houve uma época em que insights criativos

eram pautados exclusivamente pela

empatia e intuição, e pouco se falava sobre

dados nas agências. Depois que os estudos

de dados viraram assuntos do momento,

foi a vez de as agências de performance

se destacarem. Agora, a roda gira

novamente para uma dinâmica mais balanceada.

Não é possível criar estratégias

que só levem dados em consideração, como

também não basta apenas a intuição.

Assim, depois do choque inicial, esse

contexto está sendo compreendido e absorvido,

e uma nova conduta começa a

ganhar mais e mais espaço: a cultura do

aprendizado, que é um chamado para que

o time de criação e o de dados trabalhem

juntos. Agora, como implementamos isso

nas agências? Como provocamos os times

criativos?

1. Tudo bem não ter todas as respostas

Sim, muitas vezes é difícil entender esse

mundo, mas não precisamos nos tornar

resistentes a ele. O movimento deve ser

de enxergar as oportunidades presentes

nesse novo jeito de fazer. A cada dia que

passa, há novas ferramentas de aprendizado,

métricas diferentes para mensurar,

ou seja, novas formas de entender o mundo

por meio dos dados.

Nesse sentido, podemos fazer uma

analogia com o Princípio da Incerteza de

Werner Heisenberg, no qual ele pontua

que, em um mar de informação potencialmente

infinita, é preciso aceitar que nunca

haverá uma resposta definitiva. Assim,

se faz necessário confiar que o processo

de teste e aprendizado será fundamental

no direcionamento das nossas ações criativas.

2. Em busca da efetividade criativa

É essencial reconhecer a criação como

parte importante na equação dos resultados

de negócios. Logo, pensar na junção

dos estudos de dados ao time criativo deve

ser visto como algo que liberta a criação,

garantindo mais segurança nos processos

e resultados. Focar no aprendizado

constante, no test & learning com que os

times de BI e de mídia já estão mais habituados,

trará maior efetividade criativa.

É, de um lado, provar que a criação

funciona e, de outro, provocar a criação

de que é preciso também pensar em números.

Comece abraçando a cultura de

aprendizado, inspirando seu time criativo

com essa vontade de experimentar coisas

novas e testar hipóteses.

3. Acompanhe os aprendizados

dos seus testes

Teste para entender o que funciona

melhor. Uma vez que você sabe quais são

os seus objetivos, procure descobrir quais

produtos criativos poderiam auxiliar

melhor essas metas. Por exemplo, você

pode experimentar para descobrir quantos

segundos precisa ter um vídeo para

performar bem. Evite as regras do tipo “é

melhor assim”: teste e tire suas dúvidas.

Observe o que realmente condiz com seus

objetivos de negócios.

Depois que o criativo está no ar, há

muito a ser feito. Após o lançamento, vo-

cê começa a aprender ainda mais sobre

seu criativo. Talvez haja ajustes que precisam

ser feitos para que resultados futuros

mais interessantes sejam gerados. É

isso que fará você fazer as melhores apostas.

Mais do que buscar respostas definitivas

aos desafios de impactar e engajar

os clientes, invista na implementação de

uma cultura de aprendizado, que se baseie

em experimentação e testagem consistentes

e constantes.

A cultura do aprendizado definirá os

caminhos para uma nova era de criatividade,

que influencia exponencialmente

os resultados de negócios. Para isso, é

preciso deixar a rigidez de lado e conectar

a criatividade ao universo de dados,

buscando o equilíbrio entre as áreas para

colocar em prática o pensamento de crescimento.

Esta cultura serve para que possamos

sair enfim do “e se…” e seguirmos

para o “vamos testar e vamos descobrir”.

*Creative Effectiveness Lead Google

**Head of Creative Works Google

Confira mais artigos no Think with Google.

Acesse thinkwithgoogle.com.br

jornal propmark - de agosto de 2022 23


we

mkt

Freepik

PS, PA. Pequenas siglas,

grandes diferenças

“Dou valor às coisas pelo que

significam, não pelo que valem”

Gabriel Garcia Marques

Francisco alberto Madia de souza

Simples jogo de palavras. Na aparência

e entendimento antigo, sim. Só que,

equivocadamente. A diferença é abissal

e possibilita, agora, a redenção da saúde,

ao menos, em nosso país. Durante

anos convivemos exclusivamente com o

código Pronto-Socorro. Para tudo e para

todas as situações e circunstâncias. Situações

que demandassem solução imediata.

S-O-C-O-R-R-O!!! Ataque do coração,

facada, acidentes graves, engasgos e outras

emergências.

Mais adiante, em trabalho de consultoria

que a Madia e Associados fez para o Hospital

9 de Julho, passamos a conviver com

o código Pronto Atendimento. Para todas

aquelas situações que, por insegurança ou

medo, as pessoas só se sentissem seguras

olhando nos olhos de um médico e recebendo

orientação. Isso obrigava aos rebatizados

Pronto Atendimento, em tempos de

alta demanda, recorrerem a uma triagem e

hierarquização na ordem dos atendimentos

ou socorros. Em primeiro lugar, as situações

mais dramáticas e perigosas, e, depois,

algumas pessoas correndo o risco de passarem

horas esperando por alguma atenção

na medida em que podiam esperar...

Dia 11 de julho de 2011, notícia divulgada

pelo governo da Amazônia. “De janeiro

a maio deste ano o número de atendimento

nos Prontos-Socorros adultos e infantis

e nas unidades de serviços de Pronto

Atendimento da rede estadual de saúde

do Amazonas cresceu 22,8% em comparação

com 2010. Das mais de 1,3 milhão de

pessoas atendidas nas unidades de urgência

e emergência em cinco meses de 2011,

cerca de 40% foram aos locais em busca

de consultas médicas para problemas que

poderiam ser resolvidos na rede de atenção

primária...”. Em 2011, telemedicina

era proibido... E aí os custos dos planos de

saúde, por confundir-se Pronto-Socorro

com Pronto Atendimento, foram pro espaço,

inviabilizando-se... Ninguém mais

conseguia pagar... Os Conselhos de Medicina

decidiram flexibilizar, e uma nova

realidade passou a mudar radicalmente

esse business no Brasil... Corta para 2021,

reinvenção do Fleury.

Quando se fala em saúde, ou doença, e

ouve-se ou lê-se essa palavrinha mágica

Fleury, as pessoas se sentem mais seguras.

Uma marca construída no correr de décadas

como a mais cara, mas, e de longe, a

melhor e mais confiável. E o Fleury entendeu

que o negócio de pronto atendimento

está muito mais para os laboratórios e demais

prestadores de serviços de saúde, do

que para os hospitais, muito especialmente

quando os conselhos de medicina vergam-

-se à realidade, começam a conviver com a

tecnologia e a inteligência artificial, e permitem

a telemedicina, a medicina a distância.

Assim, da aparentemente pequena,

sútil e monumental diferença que existe

entre Pronto-Socorro e Pronto Atendimento,

nasceu um novo e poderoso e redentor

business – em termos econômicos, e em

termos sociais. Ou, como dizem os mais

bocudos, “um fim à frescura” dos que por

qualquer gripezinha corriam e entupiam os

prontos-socorros.

Por R$ 29,90 mês, através de um app mais

que amigável, os que aderirem ao Saúde ID

do Fleury poderão realizar todas as consultas

a distância. Mais adiante, mediante

algum pagamento adicional, ou específico

diante de cada atendimento, ter um contato

físico e presencial com um médico e outros

profissionais da saúde, num posto avançado

o mais próximo de sua casa. Quem sabe,

mais adiante, numa parceria entre o Fleury

e uma ou muitas redes de farmácias. E tudo

começou quando a prática e o tamanho

das contas de saúde e dos hospitais começaram

a urrar as abissais diferenças, embora

na aparência sinônimos, entre PA e PS

– Pronto Atendimento e Pronto-Socorro...

A importância de usarem-se as palavras

certas, e de se fazer, de verdade, de respeitar

na plenitude, o verdadeiro significado

das palavras.

Francisco Alberto Madia de Souza

é consultor de marketing

famadia@madiamm.com.br

24 de agosto de 2022 - jornal propmark


inspiração

suave coisa nenhuma

Arquivo pessoal

“Sou um criativo movido a raiva. Mas quem vem cruzando comigo

ao longo destes 20 anos de profissão pode discordar disso”

Jairo anderson

especial para o ProPMarK

Tenho um pequeno escritório em casa,

de onde trabalho remotamente. Aliás,

foi nesse escritório que escrevi boa parte

desse texto.

Ao lado da mesa em que fica o meu

computador, uma estante reúne alguns dos

meus livros preferidos. Ulisses, do James

Joyce, o livro da minha vida e que acaba de

completar 100 anos; os três volumes de Mitologia

Grega, do professor Junito de Souza

Brandão; Pnin, do Vladimir Nabokov; e A

Sociedade do Espetáculo, do Guy Debord,

entre outros.

Nessa estante, há também uma máquina

de escrever antiga. Uma pequena estátua

da deusa grega Atena que o Zig, nosso gato

que não é muito bom em ser gato, já fez o

favor de quebrar.

Nas paredes, estão pendurados alguns

desenhos do meu filho Antônio: o cara é tão

fascinado por folclore brasileiro que sempre

espalha suas lindas criaturas pela casa.

Para completar o retrato desse meu microcosmo

de inspirações, tem também

um quadro. Por estar posicionado na parede

em frente ao computador, esse quadro

acabou virando meu fundo de tela para as

reuniões no Teams.

Nele, o marrom do papel kraft serve de

base para o seguinte texto, escrito em vermelho-sangue:

Suave coisa nenhuma.

Mas, embora “suave coisa nenhuma”

seja um trecho da música Amor, dos Secos

e Molhados, esse texto não é bem sobre

amor. Esse texto é sobre raiva.

Sou um criativo movido a raiva. Mas

quem vem cruzando comigo ao longo destes

20 anos de profissão pode discordar

disso. Raiva e Jairinho na mesma frase? Impossível.

Afinal, tenho a aura agressiva de um pintinho

de pelúcia com uma faca de plástico

na mão. Herdei a calma e a fala pausada do

meu pai. Já a abordagem sempre positiva

para a resolução de problemas veio da minha

mãe. Ele, baiano; ela, pernambucana:

esses dois aí transbordam amor. Meus pais

são foda.

Essa base formou em mim uma raiva que

traz potência e senso do dever, mas também

respeito e amor pelo outro... E me fizeram

crer que talento e generosidade precisam

circular. E que, às vezes, a gente tem de

ser um leão para continuar sendo o cordeiro

que sempre foi.

Ter raiva funciona, gente. Como naquele

Corinthians e Palmeiras das semifinais da

Libertadores de 2000. Claramente favorito,

o time do Corinthians era muito melhor.

Mas, durante a preparação para o jogo,

vazou um áudio do Felipão, então técnico

palmeirense, motivando seus jogadores

com a frase que mudou tudo: “Tem de ter

raiva dessa porra desse Corinthians”.

Deu certo. Os caras tiveram raiva de-

mais, desclassificaram a gente e geraram

uma lembrança futebolística que me dói

até hoje.

Raiva. Está aí um sentimento poderoso,

que já guilhotinou reis e rainhas, entre outros

gestos bonitos que fazem do mundo

um lugar melhor.

Se eu comecei falando de Secos e Molhados,

vou terminar com outra obra-prima

que insistiu em entrar nessa conversa. Na

música O Ronco da Cuíca, João Bosco e Aldir

Blanc denunciaram: “Roncou, roncou,

roncou de raiva a cuíca, roncou de fome.

Alguém mandou, mandou parar a cuíca, é

coisa dos home”.

É isso: para mim, a raiva está junto da

fome. Raiva é inspiração, mas também é

sobrevivência. É combustível para juntar

tudo o que eu amo, para criar histórias que

eu ame e possam tocar as pessoas.

Mas não foi coincidência a palavra amor

ter se revelado tantas vezes ao longo desses

parágrafos. Pelo visto, o texto estava querendo

me dizer algo, e acho que ele está certo:

o assunto aqui é raiva.

Mas também é amor. Porque outubro

está chegando e a gente vai precisar de muita

raiva e muito amor para enfrentar o que

vem por aí. Tem gente doidinha para mandar

parar a cuíca. “É coisa dos home”, e a

gente já sabe o que fazer.

Jairo Anderson é diretor de criação da Publicis

Brasil

jornal propmark - de agosto de 2022 25


quEm fEz

Neusa Spaulucci (interina) nspaulucci@propmark.com.br

proMoÇÃo

A Tigre lançou a promoção A Garra que te Ajuda,

que vai sortear mais de R$ 800 mil. A cada

R$ 20, o valor de R$ 1 é devolvido em cashback

pelo app Pic-Pay. A campanha contempla

estratégia de marketing de incentivo a compras

dos clientes e lojistas, que poderão ganhar

cashback ao comprar em qualquer ponto

de venda ou pela plataforma.

Netza

TIgre

Fotos: Divulgação

Título: A Garra que te Ajuda; CEO: Fabiana Schaeffer;

direção de arte: Markus Neme e Daniel Puccioni;

redação: Pedro Piva; estratégia criativa/

planejamento: Fábio Pacheco; produção executiva:

Fernando Luis Silva e Marcia Guerreiro; aprovação

pelo anunciante: Greice Lemos.

aVÓs

No Dia dos Avós (26/7), a Nutren Senior, da

Nestlé, lançou filme em homenagem à relação

entre avós e netos. A campanha pretende

fugir do conceito tradicional e traz

histórias reais de avós e netos que contam

a importância de suas relações ao longo da

vida. A marca recriou uma foto de infância

para mostrar que o amor é contínuo.

Ogilvy

NeSTLÉ

Título: Nutren Senior - Dia dos Avós; produção

executiva: Juliana Bastos; redatora: Jessyca

Azevedo; fotógrafo: Marcos Alberti; direção:

Alex Batista Filho; produção: Lucas Zalla; aprovação

pelo anunciante: Samantha Bull, Marina

Asfora, Thiago Cesar.

parceiros

Camil investe em campanha cujas principais

estrelas são o arroz e o feijão. A ação destaca o

protagonismo da dupla para oferecer energia.

No interior de São Paulo, Norte e Nordeste,

o filme foi exibido primeiro no intervalo do

Fantástico, da TV Globo, no último dia 24, seguido

de inserções em programas de grande

audiência nas principais emissoras do país.

lew’lara\tb wa

CAMIL

Título: Camil é a base do Brasil; CEO: Marcia Esteves;

CCO: André Gola; direção executiva de criação:

Rodrigo Damatta e Rodrigo Tortima; direção

de arte: Thiago Dias e Leonardo Russo; redação:

Thomas Paiva; produtora: Café Royal; aprovação

pelo anunciante: Daniel Cappadona, Juliana Conti,

Aline Pereira, Ivy Oliveira, Isa Telles, Lucas Prado,

Lucas Canalis, Beatriz Sposato e Gustavo Muniz.

26 de agosto de 2022 - jornal propmark


agências

DPZ volta com a marca original

no mês em que completa 54 anos

Iniciais dos sobrenomes dos fundadores da empresa recompõem a

marca, que durante últimos sete anos era acompanhada do “&” e do “T”

Atual board da DPZ: Rejane, Yung, Monica, Diniz e Flavia; executivos assumem novo desafio a partir da mudança

Ela está de volta. Deixa de

ser DPZ&T e retorna com a

sua marca original, DPZ, iniciais

dos sobrenomes dos três

fundadores, Roberto Duailibi,

Francesc Petit e José Zaragoza,

que lançaram a agência em julho

de 1968. Portanto, no mês

passado ela completou 54 anos.

Sem trocadilho, esse resgate,

segundo os CEOs Benjamin

Yung e Fernando Diniz, é um

símbolo de uma DPZ que está

de volta para o futuro. “Duailibi,

Petit, Zaragoza e muitos

outros talentos que por aqui

passaram, tornaram estas letras

tão icônicas na publicidade brasileira

por um simples motivo:

ideias icônicas. Esse é o legado

e a vocação que seguimos perseguindo”,

diz Yung.

A assinatura da agência também

mudou. DPZ adota, agora,

Ideias icônicas constroem

marcas icônicas. A estratégia é

reforçar o próprio histórico de

criatividade da agência.

“A DPZ é uma agência que

sempre perseguiu ideias icônicas,

mas o que mudou na nossa

história atual é a forma como

criamos essas ideias, agregando

o uso de dados, desenvolvendo

projetos de conteúdo

e ESG, mudando processos e

estruturas internas que acelerem

nossos talentos, trazendo

a diversidade de pessoas e

de pontos de vista, e sempre

olhando de forma provocativa

para os negócios dos clientes”,

comenta Diniz, acrescentando:

“Essa é uma agência que sempre

se reinventou e foi marcada

por inovação, por olhar para o

futuro e para a modernidade

da comunicação. E essa é exatamente

a essência do trabalho

do novo board de liderança da

agência e do nosso projeto junto

ao Grupo Publicis”.

A agência, segundo os executivos,

já vem diversificando os

serviços aos clientes, com projeto

de ESG, para Ypê; um processo

de design thinking, para

Nescafé, da Nestlé; e o Shopping

Flamboyant. “Somos mais

DPZ do que nunca, na inovação

em pensar nosso mercado, nos

valores, na transparência com

os clientes, na busca por ideias

inéditas e, ao mesmo tempo,

eficazes”, afirma Yung.

Diniz e Yung assumiram a

agência há cerca de um ano

e de lá para cá vêm coordenando

a reestruturação das lideranças

e da operação e têm priorizado

a aceleração de novos

negócios, a aplicação de conceitos

e metas ESG, a agenda

LGBTQIAP+, a igualdade racial

e de gênero. Intencionalmente,

metade do board é composta

por mulheres. Grupos de afinidade,

de cultura e encontros

mensais para debates sobre temas

da contemporaneidade foram

formados. “Nossa missão

é transformar os negócios dos

nossos clientes ao mesmo tempo

que impactamos a sociedade

positivamente. E queremos

clientes que acreditem nisso

“Essa é uma

agência quE

sEmprE sE

rEinvEntou E

foi marcada

por inovação”

Divulgação

também”, ressalta Diniz.

O board de liderança da DPZ

é formado por Flavia Cortes

(vice-presidente de operações

e negócios), Rafaela Queiroz

(vice-presidente de mídia e BI),

Monica Szanto (diretora de cultura

e gestão), Fernanda Miné

(head de estratégia e ESG), Rejane

Romano (diretora de comunicação),

Marcelo Rodrigues

(diretor financeiro), Fabio Losso

(vice-presidente de negócios)

e Marcos Yamamura (diretor

de gestão e eficiência). Os

principais clientes no portfólio

da DPZ são Renault, Electrolux,

Ypê, Vivo, Pizza Hut, Nestlé,

Ambev, Polenghi, Tok&Stok,

Petrobras e Governo do Estado

de São Paulo.

Integrante do Publicis Groupe

desde 2011, agência passou

por processo de fusão com a

Taterka em 2015 e usou, nos

últimos sete anos, a marca DPZ

acompanhada do símbolo “&” e

da letra “T”.

jornal propmark - de agosto de 2022 27


ESG NO MKT

Freepik

A era da reputação

As empresas estão sendo cobradas por uma

atitude mais sensível às dores da sociedade

Alexis Thuller PAgliArini

mundo do marketing gira em ciclos.

O Quem é profissional mais rodado, como

eu, já viveu a época da mídia intensiva e

massificada, quando se colocavam todas as

fichas numa alta exposição de marca, acreditando

no poder de influenciar decisões

de compra pela conquista do top of mind.

Veículos de massa vendiam o poder de

alcance de tiros de canhão, medidos por

GRPs e TARPs. Comprovava-se em números

a relação direta entre o volume de

mídia e o sucesso comercial de produtos.

Bem, não podemos dizer que tal fórmula

estava errada e, até hoje, seu efeito não

seja sensível. Um alto recall e uma lembrança

de marca no momento decisivo

são efeitos desejados de qualquer plano

de comunicação.

Esses tempos eram regidos pela fórmula

AIDA: Atenção – Interesse – Desejo –

Aquisição, sequência ainda válida dentro

do conceito inovador do funil de vendas.

Ao citar o funil de vendas já entro em outro

ciclo do marketing. O ciclo da preponderância

do mathemarketing, das assertivas

ferramentas do digital.

O ciclo em que se buscava responder

a uma angústia recorrente do gestor

de marketing: “Eu sei que metade dos

meus gastos em marketing é desperdiçada.

O problema é que não sei qual é essa

metade”.

Essa é uma frase que ficou famosa nos

tempos de transição do marketing de mídia

intensiva para um de mídia cirúrgica,

com medições de resultado em tempo real,

com possibilidade de se alterar a mensagem

à medida em que se observa o retorno

da comunicação empregada.

Era o Nirvana do marqueteiro, que podia

medir, em tempo real, o impacto da

sua ação, com flexibilidade para alterar

o rumo ao longo do tempo. O problema

é que o excesso de métricas e de algoritmos

acabou passando a falsa sensação de

que o investimento em imagem e em lembrança

de marca era secundário.

O importante era atingir o potencial

consumidor na hora certa, com a comunicação

certa, para garantir a conversão.

Só “esqueceram” de considerar a impor-

tância do conhecimento de marca e de referências

positivas para que um produto

entre na boca do funil.

“Esqueceram” também a importância

da Consideração no momento da decisão

de compra. E um novo ciclo aparece, cristalino,

nos dias de hoje: o ciclo da reputação.

Com o crescimento da importância

dada às atitudes das empresas e suas marcas

em torno de princípios ESG, a decisão

de compra de consumidores mais antenados

está cada vez mais condicionada à

postura institucional das empresas.

Segundo o Reputation Institute, a definição

de reputação é a seguinte: “Reputação

é a habilidade da empresa de ganhar

e manter a confiança dos stakeholders

para comprar, recomendar, investir, trabalhar

ou oferecer ‘benefício da dúvida’

quando a empresa está passando por momentos

críticos”.

São valores que extrapolam a qualidade

intrínseca dos produtos oferecidos. São

bens intangíveis que elevam a percepção

de marca. A constatação mais clara da sua

importância vem de uma simples análise

da relação das top 500 empresas listadas

pela S&P. Nada menos do que 90% do valor

dessas empresas são intangíveis.

Com o crescimento do poder de verificação

e crítica de consumidores mais engajados,

via redes sociais, as empresas estão

sendo cobradas por uma atitude mais

sensível às dores da sociedade.

As empresas devem continuar buscando

seu lucro, claro, mas devem olhar também

para as pessoas e o planeta. É a vez

do marketing consciente, do tal do triple

botton line – conceito criado pelo inglês

John Elkington, sintetizado pelos 3 Ps:

Profit (Lucro), People (Pessoas) e Planet

(Planeta).

De nada adiantará a mais eficiente ferramenta

de gestão da comunicação se a

empresa emissora dessas mensagens tiver

má reputação. Hoje, a gestão da reputação

é tão importante quanto a dos canais de

vendas.

É a combinação push & pull. Não ignore

o poder da reputação – ela será cada vez

mais fundamental para a longevidade de

marca.

Alexis Thuller Pagliarini é sócio-fundador da ESG4

alexis@criativista.com.br

28 de agosto de 2022 - jornal propmark


marcas

Wickbold pretende se posicionar

como companhia de alimentos

Para atingir seus objetivos, empresa vai investir nos próximos três

anos R$ 80 milhões na aquisição de fábricas e ampliação de portfólio

Marcos BonfiM

Wickbold, conhecida pela

marca homônima e a

A

Seven Boys, comprada em 2015,

pretende se posicionar cada

vez mais como uma empresa

de alimentos, não só de panificação.

É nesse contexto que adquiriu,

no fim do ano passado,

uma fábrica em Guarapuava,

no Paraná, que recebeu o nome

de Basteck, homenagem a uma

das matriarcas da

família.

A operação,

anunciada na última

quinta-feira

(28), em São Paulo,

conta com investimentos

de R$ 80

milhões, contabilizando

os valores

desembolsados na

compra e os recursos

que serão aplicados

para os próximos

três anos. A

planta vai permitir

que a empresa produza

categorias de

panificação doce,

como bolo família,

bolo mono porções

e a própria linha de

panetones, antes feitos

por parceiros.

“Com a aquisição, começamos

a fabricar dentro de casa,

sempre com a nossa diferenciação

em qualidade”, afirmou

Pedro Wickbold, diretor-geral

desde 2020 e representante da

quarta geração familiar da companhia.

Outra novidade é o lançamento

de pães de mel e brownies,

que entram pela primeira

vez no portfólio da empresa de

84 anos. Segundo dados apresentados

pelo executivo, a unidade

possibilita a produção de

50 toneladas de alimentos por

dia. No caso do panetones, categoria

em que a empresa terá

12 itens entre as duas marcas,

o volume é 14 milhões de unidades

por ano. “São lançamen-

“São lançamentoS

que noS colocam

em outro patamar

na indúStria

alimentícia”

tos que nos colocam em outro

patamar na indústria alimentícia”,

afirma Wickbold.

No primeiro semestre, a fábrica

foi responsável por 5,3%

da receita líquida, percentual

que Wickbold prevê aumentar

ao longo do tempo, a partir de

novos processos de compra,

maior poder de negociação

e penetração nas

novas categorias. A empresa

também conta com

outras três unidades.

Deve ajudar ainda a

companhia a entregar o

faturamento projetado

para 2022, de R$ 1,6 bilhão,

crescimento de 20%

em relação ao exercício

anterior, mesmo diante

de um cenário adverso,

com inflação em alta

e preço do trigo impactado

pela guerra na

Ucrânia.

Segundo Wickbold,

o resultado é fruto de

uma soma de fatores,

como o residual do aumento

de consumo de

pães industrializados

na pandemia, repasses

de parte da alta de preço

aos consumidores e

também ganhos em eficiência

na produção e

operação.

“As margens se achataram,

mas estamos indo razoavelmente

bem neste ano. Temos

feito um movimento importante

de produtividade, logo que

nunca conseguimos repassar

tudo”, explicou o executivo.

Além da compra da unidade

de Guarapava, ele deixou claro

que a companhia pretende fazer

novos movimentos e está

observando outros segmentos

dentro da indústria de alimentos

que apresentem sinergia.

“Como mensagem, estamos

olhando com apetite o mercado”,

afirmou.

Atualmente, segundo dados

Nielsen, a Wickbold é lider de

mercado em pães industrializados

e também em pães especiais,

onde detém 47% de participação.

comunicação

Para contar as novidades aos

consumidores, a empresa pretende

investir em movimentos

distintos para cada uma das

marcas.

Para Sevem Boys, o foco será

numa promoção em que oferecerá

prêmios de R$ 1 mil, ao

passo que Wickbold terá atuação

centrada em redes sociais e

ações de degustação no ponto

de venda.

“A gente quer aproveitar essa

qualidade para que o consumidor

coloque o panetone Wickbold

na boca, igual o pão de

mel, que a gente entende que

é um caminho sem volta”, explicou.

Canais mais massivos

de mídia estão descartados no

momento pela companhia, que

tem segurado os investimentos

em marca no ano.

jornal propmark - de agosto de 2022 29


última página

Paico Oficial/Unsplash

De 2022

a 2032

Flávio Waiteman

Publicidade na década de 1950, 1960 e

1970 servia para ensinar as pessoas

sobre as inovações que chegavam a todo

o momento, vindas das indústrias e laboratórios,

universidades, Nasa, Vale do Silício.

Patentes de novos produtos inundavam

a vida das pessoas e a publicidade explicava

para que servia cada detalhe do produto.

Ensinava como usar mesmo. Era a inovação

do mundo moderno. Micro-ondas,

enceradeira, máquina de lavar roupa e até

novas funções nos automóveis. A publicidade

descobriu formas interessantes

e criativas de explicar

para as pessoas como o mundo

funcionava.

Entretanto, um pouco depois

em 1980 e 1990, a inovação de

nosso dia a dia reduziu sua intensidade

e a competição entre

fabricantes de produtos acirrou-se.

Já não bastava explicar

para que servia um produto ou

outro, pois já se conheciam as

inovações. Era preciso diferenciar

dois produtos parecidos, que faziam a

mesma coisa, porém de maneira particular.

E a publicidade se tornou diferenciadora de

marca. Selecionando pequenas verdades e

características dos produtos e comunicando-as

com um pouco de humor ou emoção.

A publicidade descobriu a criatividade para

diferenciar produtos, criar marcas e estabelecer

cultura.

Nessa época e durante os anos 2000, a

comunicação publicitária continuou fazendo

comunicação explicativa, quando necessário;

também sobre inovações, quando

essas aconteciam; e começou a fazer um

mea culpa sobre seus exageros. Começaram

os questionamentos sobre a comunicação

de cigarro, açúcar, drogas. E no caso do

“As mArcAs

conversAm,

trocAm

ideiAs e se

posicionAm

sobre o que

AcreditAm ou

como veem

o mundo”

Brasil, em particular, a comunicação ensinou

um país inteiro, com extremo déficit de

aprendizado e compreensão de mensagem,

a usar camisinha e se precaver da Aids com

Bráulio, entre outras campanhas.

Ensinou também a todos os brasileiros

a tomar vacina, com o Zé Gotinha. Hábito

que nem toda a mentira sobre cloroquina e

outros delírios oficiais conseguiu destruir.

Bastou ter a vacina e a grande parte dos brasileiros

foi tomar suas doses. Nessa época

a mensagem publicitária no Brasil, que por

um lado encantava e competia com os programas

de altíssima audiência,

também ajudava a população a

sobreviver e adoecer menos, fortalecendo

o maior e mais importante

sistema de saúde do mundo,

o SUS.

De 2010 a 2020, basicamente,

as inovações foram em software

e hardware para que algumas

empresas nos encontrassem e

nos tornassem audiência ou impulsionasse

o jeito como usamos

as inovações que vinham nos últimos

50 anos. Aprendemos a pedir carro,

encomendar o almoço, se guiar por mapas

e viver via apps. Hoje as marcas conversam,

trocam ideias e se posicionam sobre o que

acreditam ou como veem o mundo.

E na próxima década qual será o papel da

publicidade das marcas no desenvolvimento

da sociedade, já que as inovações realmente

disruptivas se esgotam e a tecnologia

atinge o ápice de atenção do que o ser

humano pode suportar? Nessa nova década,

muito provavelmente, será sobre as correções

de rota da última e em cima do comportamento

humano moldado nesses dois

anos de pandemia. É do comportamento

humano hoje que depende o mundo, seus

recursos, a democracia, o ESG etc.

Flávio Waiteman é CCO/Founder da Tech and

Soul

flavio.waiteman@techandsoul.com.br

30 de agosto de 2022 - jornal propmark


Marcello Barbusci

Para toda boa criação

há uma referência.

We transforme your dream

Na

em

sua

in realidade a reality

impressão

on no paper. papel.

também.

Nós transformamos seu sonho

Nós We transformamos transforme your seu dream sonho

em in realidade a reality on no paper. papel.

“The “A qualidade quality do of paper papel e and o processo the printing de impressão process

são nossas are our prioridades priorities para for the a melhor best delivery.” entrega.”

Tiago Ferrentini - Executive Diretor executivo director

“The “A qualidade quality do of paper papel e and o processo the printing de impressão process

são nossas are our prioridades priorities para for the a melhor best delivery.” entrega.”

Tiago Ferrentini - Executive Diretor executivo director

Targeted Revistas Newspapers Jornais e Didatic Livros Catalogs Catálogos and e Paper Papel

segmentadas magazines Tablóides Tabloids Didáticos books yearbooks anuários recycled reciclado

Targeted Revistas

segmentadas magazines

Jornais We etransforme Didatic Livros Catalogs Catálogos your and e dream Paper Papel

Tablóides Tabloids Didáticos books yearbooks anuários recycled reciclado

in a reality on paper.

Newspapers

For Para For more maiores more information, informações call call us ligue us on on +55 para +55 11 11 2065 0766

ou envie or drop um or us drop e-mail an us email para an email orcamento@referenciagrafica.com.br

ca.com.br

Para For maiores more information, informações call ligue us on para +55 11 112065 0766

ou envie um or drop e-mail us para an email orcamento@referenciagrafica.com.br

Rua Rua François François Coty, Coty, 228 228 | Cambuci, | Cambuci, São Paulo São Paulo - SP | - Brazil SP

Rua François Coty, 228 | Cambuci, São Paulo - SP | Brazil | www.referenciagrafica.com.br

www.referenciagrafica.com.br

Rua Rua François François Coty, Coty, 228 228 | Cambuci, | Cambuci, São Paulo São Paulo - SP | - Brazil SP

www.referenciagrafica.com.br


Às vezes parece que o

foco da11:21 é a

grande ideia, quando

na verdade é o

resultado. É que nada

traz mais resultado

do que a grande ideia.

Somos creators e fazeitors.

onzevinteum.com

Hooray! Your file is uploaded and ready to be published.

Saved successfully!

Ooh no, something went wrong!