edição de 27 de maio de 2019

boccatto

Fotos: Divulgação

Daniel Brito: “Não vejo GoT como uma peça de dramaturgia inovadora, pelo contrário, acho uma peça clássica”

; trata-se da maior audiência da história da HBO norte-americana

“a pergunta que seria

impossíveL de responder

é: o que aconteceria

com Game of Thrones

se fosse Lançada hoje?”

Para o professor, é louvável que a série

alcance tamanho sucesso num momento

em que a lógica é que as produções desse

tipo sejam lançadas de uma vez só no streaming.

“Game of Thrones deixou de ser pensada

como TV e passou a ser pensada como

experiência. Eu acho que, talvez, o grande

legado seja esse. Pensar o audiovisual como

experiência para televisão”, analisa.

De fato, GoT reuniu amigos ao redor da

TV novamente. O Burlington Bar, por

exemplo, localizado em Chicago, é um

estabelecimento famoso no YouTube

por reunir aficionados da série e filmar

suas reações ao longo dos episódios.

“A pergunta que seria impossível

de responder é: o que aconteceria

com Game of Thrones se fosse lançada

hoje? Porque ela começou

num momento em que a quantidade

de séries que existiam,

ainda mais uma série fantástica

como ela é, era pequena”,

provoca Francesco Civita, sócio

e CEO da Prodigo Films,

produtora que, no momento,

está finalizando Rompendo o

Silêncio, em coprodução com

a HBO, e deve iniciar em breve

a segunda temporada da série

Coisa Mais Linda, da Netflix.

Segundo Francesco, a tal

experiência de Game of Thrones,

talvez, não existisse nos

dias de hoje. “O mercado está

muito mais multifacetado,

não só no tipo de conteúdo

que é ofertado, mas na quantidade.

Então, será que esse

tipo de atração que o Game of

Thrones teve lá atrás ocorreria

da mesma maneira se ela começasse

hoje?”, questiona.

Para Eric de Carvalho, coordenador do

centro interdisciplinar de pesquisa da Cásper

Líbero, professor da ESPM e idealizador

do e-book Comunicação e Cultura Geek, GoT

talvez tenha sido o último fenômeno de

massa das séries. “Game of Thrones ainda

se encaixa no modelo de grade. As pessoas,

não só no Brasil, mas no mundo, se reuniam

no domingo para assistir à série. Isso é

algo que está mudando. Veja a Netflix, que

possui séries que não estão ligadas a uma

grade horária. Elas não causam essa comoção

de uma audiência conjunta”, analisa.

“Agora será tudo mais nichado e pulverizado”,

complementa.

markeTing do Trono

GoT precisou, quase que por obrigação,

se relacionar com as marcas. “Apesar da

garrafa de água mineral e do copo do

Starbucks, Game of Thrones é uma série

que não permite muito product placement

e branded content. É uma idade

média fantástica de um mundo que

a gente não sabe muito bem onde é.

Então, não faz sentido ter marca, coisa

que ocorre em outras séries com uma

naturalidade absurda. A Netflix

mesmo encontrou no product

placement uma fonte de financiamento

muito grande. Game

of Thrones não tem essa possibilidade,

mas ao mesmo tempo

as marcas queriam se aproximar”,

explica Pedro Curi, da

ESPM Rio.

O professor Eric de Carvalho

destaca duas frentes: o licenciamento,

algo oficial e pago, e

o marketing de oportunidade

que pega carona na repercussão

da série. Exemplos não faltam,

principalmente para a última

temporada. Entre os parceiros

oficiais, a Johnnie Walker ganhou

destaque lançando a edição

limitada White Walker by

Johnnie Walker, um whisky ins-

Johnnie Walker aproveitou a última

temporada para lançar um whisky

personalizado baseado em GoT

jornal propmark - 27 de maio de 2019 61

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