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João Barros, cofundador

João Barros, cofundador e CEO da Veniam. DO AMBIENTE ACADÉMICO PARA OS NEGÓCIOS A ideia de negócio que está na origem da Veniam nasceu em ambiente académico, a partir de um conjunto de projetos de I&D desenvolvidos no Instituto de Telecomunicações por João Barros e Susana Sargento, docente/ investigadora do Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática da Universidade de Aveiro (DETI). Foram necessários mais de dez anos de investigações para desenvolver as componentes de hardware, software e cloud das redes veiculares. Um processo que envolveu uma série de parceiros académicos, como a FEUP, a Faculdade de Ciências da U.Porto, o DETI mas também o MIT (Massachusetts Institute of Technology) e a Universidade Carnegie Mellon, através dos programas homónimos. “Rapidamente constatámos que era necessário sair do laboratório e passar a fazer experiências reais, com utilizadores reais, no tecido urbano”, diz João Barros, para explicar a evolução do projeto. Com a colaboração da Câmara Municipal do Porto, iniciaram os testes da solução tecnológica nos táxis da cidade, ainda no âmbito do Programa Carnegie Mellon Portugal, e depois nos autocarros da STCP. «Esta abordagem diretamente com os utilizadores finais fez com que chegássemos à conclusão de que existia, não apenas uma tecnologia interessante, mas um produto e um conjunto de serviços que podíamos levar para o mercado”, salienta o professor catedrático de Engenharia Eletrotécnica e de Computação da FEUP e professor visitante em Stanford. À criação da empresa seguiu-se, em 2013, o arranque do projeto Future Cities, coordenado pelo Centro de Competências para as Cidades do Futuro da FEUP, então dirigido por João Barros. Com um investimento de 2,3 milhões de euros, financiados pelo 7.º Programa Quadro de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico da União Europeia (1,6 milhões) e pelo QREN (700 mil), o projeto dotou a cidade do Porto de uma infraestrutura de captação de dados com mais de 800 sensores instalados em veículos. No Porto funciona, de resto, a maior rede wi-fi de veículos do mundo, implementada pela Veniam. Inclui, como hotspots wi-fi, toda a frota da STCP (mais de 400 autocarros), táxis, camiões de recolha do lixo e outros veículos de serviços urbanos. A rede serve mais de 400 mil utilizadores wi-fi (população, turistas e outros city users) e transporta cerca de 8,5 terabytes (equivale a 1024 GB) de dados por mês, captados pelos veículos equipados com sensores. Muitos destes dados estão a ser utilizados para o estudo do tráfego e de serviços urbanos. Em concreto, no âmbito de uma intervenção num dos túneis da cidade foi possível quantificar o impacto no trânsito antes e depois das obras. Também foi possível demonstrar o efeito de recentes alterações nas paragens de autocarros e está a ser estudada a ligação dos veículos aos semáforos, para se criarem vias verdes para autocarros e viaturas de emergência. Em curso encontra-se igualmente um projeto-piloto de gestão inteligente da recolha de lixo, em que os camiões verificam remotamente se os contentores estão cheios e enviam essa informação para a cloud. Com base nessa informação, os camiões só se deslocam aos contentores que realmente necessitam de ser esvaziados. Com a rede veicular a funcionar no Porto, a Veniam “atraiu muita atenção” e “foi possível avançar para financiamentos maiores”, recorda João Barros. Mas, até lá, o financiamento foi um dos principais desafios da empresa, à semelhança do que acontece com muitas startups inovadoras. E também a Veniam recorreu aos três efes, family, friends and fools (família, amigos e parvos), para reunir o capital necessário para arrancar com o negócio. Neste caso, foi um familiar a garantir a comparticipação da empresa necessária fora da caixa Texto Ricardo Miguel Gomes Fotos Egídio Santos 26 Campus UP 0.indd 26 06/01/17 16:02

Veja o vídeo da entrevista em http://tv.up.pt/videos/6_hcpvwz Centro de competências da Veniam no UPTEC. para desbloquear o apoio QREN aprovado em 2012. A situação, ao nível financeiro, melhorou substancialmente com a entrada no projeto de dois empreendedores norte-americanos, Roy Russell e Robin Chase (fundadora e ex-CEO da Zipcar, a maior empresa de carsharing do mundo), que João Barros e Susana Sargento conheceram durante uma apresentação no MIT. Para além do know-how que aportaram à Veniam, Roy Russell e Robin Chase possibilitaram o contacto com uma série de investidores internacionais de capital de risco. O processo de financiamento da Veniam conheceu vários momentos. Na fase seed, em 2013, a empresa captou quase meio milhão de dólares (455 mil euros) junto de investidores privados. Em 2014, a Veniam fechou uma ronda de investimento série A de 4,9 milhões de dólares (3,9 milhões de euros), na qual participaram capitais de risco de topo como a True Ventures e a Union Square Ventures. Já em 2016, a startup fundada por João Barros e Susana Sargento captou quase 25 milhões dólares (24 milhões de euros) numa ronda de investimento liderada pela capital de risco norte-americana Verizon Ventures, à qual se juntaram a Cisco Investments, a Orange Digital Ventures e a Yamaha Motor Ventures. I&D MANTEM-SE NO PORTO O primeiro cliente da empresa foi a administração do Porto de Leixões. Nesta infraestrutura, a Veniam ligou em rede os veículos de transporte e criou pontos de acesso wi-fi (interconexão entre os dispositivos móveis) para transmissão de dados da atividade portuária em tempo real. Mais tarde, a Veniam participou no acelerador do Programa MIT Portugal (Building Global Innovators), o que ajudou a empresa a posicionar-se no mercado e a ir ao encontro de potenciais clientes, desde operadoras de te- lecomunicações até fabricantes de equipamentos. “Este contacto com os clientes foi muito motivador, em particular para mim que vinha da I&D de cariz matemático e científico. Foi um contacto direto com os utilizadores finais, que nos permitiu aprender como se transformam teoremas matemáticos em algoritmos, em protótipos, em sistemas, em redes e finalmente em produtos e negócios”, sublinha João Barros. De referir que a Veniam tem dois mercados prioritários: o das cidades inteligentes e o dos chamados espaços controlados (infraestruturas portuárias e aeroportuárias, unidades industriais, estaleiros, etc.), onde se podem criar conectividades entre os diferentes veículos, equipamentos e funções. Hoje, a Veniam desenvolve os seus principais projetos e negócios com os seus investidores estratégicos: a Verizon (maior operador de telecomunicações dos EUA), a Orange (maior operador de telecomunicações francês), a Cisco Systems (multinacional de TIC), a Yamaha Motors e a Liberty Global (maior operador de cabo do mundo). Além disso, a empresa criou uma rede veicular em Singapura, onde tem um escritório, e outra em Manhattan, Nova Iorque. Há ainda a perspetiva de expandir os serviços da Veniam para outras grandes cidades, como Londres e Barcelona. De resto, a Veniam nasceu com uma orientação eminentemente global. Após a bem-sucedida instalação da rede veicular no Porto, a empresa abriu um escritório em Boston, nos EUA, e, depois de fechar uma ronda de investimento, mudou-se para Mountain View, na Califórnia, onde trabalha a equipa responsável pela gestão de produto, finanças, marketing e vendas. No UPTEC, está o centro de desenvolvimento tecnológico. A Veniam tem também uma subsidiária em Singapura, responsável não apenas pelas vendas mas também pelo desenvolvimento operacional para o mercado asiático. A deslocalização foi fundamental “para promover o crescimento da empresa e para estar mais próximo de clientes e investidores”, explica João Barros. Mas as atividades de I&D são para manter na Invicta, já não no UPTEC mas no Palácio dos Correios, onde estão a ser instaladas as empresas envolvidas na estratégia ScaleUp Porto, uma iniciativa da autarquia que tem como parceiro de referência a U.Porto. “Os nossos investidores estão impressionadíssimos com a qualidade dos engenheiros da Veniam em Portugal, e isso para eles é o mais importante. Hoje em dia, em Silicon Valley, é extremamente difícil conseguir uma massa crítica de engenheiros, em particular na área das redes. O facto de nós termos conseguido desenvolver essa massa crítica, desde logo porque temos 10 doutorados na empresa a criar inovação, é uma mais-valia para todos e um valor em si”, garante o CEO da Veniam, justificando assim a permanência da I&D no Porto. No Porto, a Veniam tem uma equipa de 36 pessoas (45 no total da empresa, mas com perspetivas de crescimento), etariamente muito heterogénea (dos 22 aos 60 anos), com cerca de 30% de mulheres e oito nacionalidades diferentes. Esta massa crítica maioritariamente constituída por engenheiros é responsável pela propriedade intelectual da Veniam, “que é um valor em si, independentemente do sucesso comercial da empresa”, ressalva João Barros. Atualmente, a Veniam é coproprietária de cinco patentes juntamente com a U.Porto, a Universidade de Aveiro e o Instituto de Telecomunicações. Além destas, já submeteu cerca de 40 patentes com propriedade intelectual. “Estamos a produzir conhecimento, invenções e patentes à razão de uma a duas por mês”, assegura João Barros, que não esquece o apoio da UPIN – U.Porto Inovação no registo das patentes da Veniam. 27 campus 000 Campus UP 0.indd 27 06/01/17 16:02

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