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Veja o vídeo da entrevista em http://tv.up.pt/videos/cmeruszw Confessou numa entrevista que a sua primeira experiência na política, enquanto vereador da CM Porto, não tinha sido “entusiasmante”? E esta segunda experiência política, está a ser mais entusiasmante? Muito mais entusiasmante. Também é uma situação inédita, esta junção de todos os partidos da esquerda para constituírem um governo estável. A esquerda tem mais tendência para se dividir do que para se juntar. Tenho muita empatia com os ideais socialistas, tenho muitos amigos no Bloco de Esquerda, estou a conhecer algumas pessoas do Partido Comunista… E estou a achar interessante, não só pelas pessoas, mas também pelos tópicos que estamos a debater: questões relacionadas com a educação, com a ciência, com a saúde. São questões que me interessam e em relação às quais tenho posições. O que é que o levou a aceitar o convite de António Costa para ser o cabeça de lista do PS pelo Porto? Eu tinha acabado de dar a minha última aula [de jubilação, no ICBAS], numa sexta-feira, e no sábado de manhã recebo uma chamada do [vereador da CM Porto] Manuel Pizarro a dizer que o António Costa queria falar comigo, sem me dizer porquê. Combinámos encontrar-nos em Serralves, ao fim da tarde. E ele [António Costa] foi direto ao assunto: perguntou-me se estava disposto a fazer parte da lista do PS. Aceitou de imediato? Não, desatei-me a rir. Disse-lhe: “Está a brincar comigo, porque eu não tenho experiência [política] nenhuma”. E ele deu-me uma resposta muito inteligente: “É precisamente por isso que o gostava de convidar, porque a credibilidade dos políticos não está a passar por momentos muito positivos no mundo inteiro. Portanto, a vinda de uma pessoa que não tem carreira na política pode ser uma espécie de água fresca”. Não sei se foram exatamente estas as palavras que ele usou, mas deu-me a entender que a ideia era trazer [para a política] uma pessoa nova, com pouca experiência, com algum bom senso e obviamente com ideias. Achei a resposta inteligente, mas não aceitei logo. Pedi uma semana para pensar. E depois disse ao António Costa: “Aceito e daqui a um ano verei como me estou a sentir”. Mas estou-me a sentir cada vez melhor. Pensa acabar o mandato? Nesta altura, a sensação que eu tenho é de que vou acabar o mandato. Acho que ainda há muitos desafios importantes em muitas áreas em relação aos quais gostava de contribuir. E acho que posso contribuir. Portanto, se tudo correr normalmente, como está a acontecer, para espanto de algumas pessoas…. Acredita então na viabilidade do acordo à esquerda? Acredito. Tem havido realismo. Percebemos as dificuldades que o país ainda vai passar – como é óbvio, não estamos a nadar em dinheiro –, mas também sabemos que nos temos de afastar do caminho que estava a ser seguido, que era um caminho claramente neoliberal. Eu já conheci o neoliberalismo nos Estados Unidos, com Reagan, e também sei o que aconteceu em Inglaterra. Acho que foi um desastre total e estou muito satisfeito por esta nova forma de olhar para as pessoas, para o mundo, para Portugal, para a situação em que estamos. E acha que está a ser a “água fresca” de que António Costa falava? Acho que sim. Tenho a noção de que, para muitos deputados, e não só do PS, eu sou bem-vindo. Já não sou aquele bicho estranho que apareceu. Falo pouco, tenho poucas intervenções, mas as que faço são apreciadas. Às vezes até fico preocupado, pois batem-me palmas não só à esquerda mas também à direita. “Nesta altura, a sensação que eu tenho é de que vou acabar o mandato. Acho que ainda há muitos desafios importantes em muitas áreas em relação aos quais gostava de contribuir.“ “Falo pouco, tenho poucas intervenções, mas as que faço são apreciadas. Às vezes até fico preocupado, pois batem-me palmas não só à esquerda mas também à direita.“ Como é que convive com a disciplina partidária? Acontece-lhe pensar de forma diferente do PS e do Governo? Não tem sido um problema. Uma das coisas que o António Costa também me disse, logo no início, foi que respeitava muito a independência e as opiniões diferentes das pessoas. E eu sou independente. Nunca senti qualquer pressão. Aliás, já votei, não muitas vezes, de forma diferente daquela que era a posição do partido. HOMOSSEXUALIDADE “DEIXOU DE SER ASSUNTO” Creio que é o único deputado homossexual assumido no Parlamento português. Esta condição tem algumas implicações na sua atividade política? Nunca. Nem no passado nem atualmente. Tem a ver com o facto de eu não colocar isso [a homossexualidade] como um assunto. Para mim, isso já deixou de ser assunto. É como ter os cabelos louros ou os cabelos castanhos. Já vivi muitas décadas da minha vida em que isso deixou de ser assunto para, agora, passar a ser assunto. Não sente uma responsabilidade maior de defender as causas LGBT no Parlamento? Não, não sinto. Se calhar, a causa para mim é a minha vida; o facto de eu não ter orgulho em ser nem vergonha de o ser. Esta forma muito natural de estar na vida, de lidar muito naturalmente com as pessoas, é o meu contributo para dessacralizar e desmistificar um pouco esta ideia de que uma pessoa é assim por ser homossexual ou lésbica. Há muita gente hoje que, por me ter conhecido, tem uma visão diferente da divisão entre o straight e o gay. Afinal, somos todos muito parecidos. Apesar dos avanços nos direitos LGBT, ainda há pouco tempo um hotel em Viana do Castelo pedia no seu site aos homossexuais para não fazerem reservas porque lhes poderia ser “vedada a admissão”. Isto pode querer dizer que a mentalidade dos portugueses não está a acompanhar o avanço da legislação relativa aos direitos LGBT? Deixe-me fazer uma comparação com o racismo. Nenhum português admite ser racista, ou, pelo menos, terá uma certa vergonha, espero eu. E, no entanto, o racismo existe, toda a gente sabe. Acho que a juventude hoje presta cada vez menos atenção a estas questões. Estão mais interessados em saber o que a pessoa é do que quais são os adjetivos associados à pessoa. E isso é bom. Repito, é um assunto que, para mim, não é assunto. Mas há casos extremos de ódio homofóbico, como o atentado em Orlando. Sim, mas nada disto é novo na História. Houve sempre pessoas perseguidas. Isso faz parte do mundo em que vivemos. Pessoas que têm opiniões extremas e que acham que há certas formas de viver e de pensar que são as corretas sempre existiram. [Por outro lado], há ganhos sociais muito recentes e, por serem muito recentes, há ainda focos que aparecem. E se calhar em momentos de tensão, de fragilidade das sociedades, muitas destas coisas vêm à superfície. Aliás, há um exemplo atualíssimo disto: o referendo em Inglaterra [para a saída da UE]. Muita gente ficou surpreendida; eu não fiquei nada surpreendido. O Brexit foi uma reação de revolta contra as elites? Foi uma revolta contra a falta de solidariedade. Numa sociedade cada vez mais competitiva, de uma forma selvagem, obviamente que as diferenças vão aumentando. Todos os indicadores mostram que a diferença entre os mais ricos e os mais pobres, os mais educados e os menos educados, tem vindo a aumentar nos últimos 70 anos. A minha empatia é com todos aqueles que lutam para que haja mais equidade no mundo. Para que as pessoas possam ter acesso a educação, justiça, saúde, nutrição… entrevista Texto Ricardo Miguel Gomes Fotos Egídio Santos 34 Campus UP 0.indd 34 06/01/17 16:02

NUNO CRATO “FOI UM DESASTRE” Como presidente da Comissão Parlamentar de Educação e Ciência, teve de lidar com temas bastante polémicos, como o fim dos exames nacionais nos 4.º e 6.º anos e a suspensão dos contratos de associação. Para alguém com pouca experiência política, tem sido difícil gerir assuntos de tão grande melindre? Eu na Comissão não falo. Tento moderar, mas de uma forma muito silenciosa. Procuro que toda a gente [deputados e membros do Governo] tenha a oportunidade de exprimir as suas opiniões, de forma equitativa. Isso não quer dizer que não tenha as minhas opiniões. Por exemplo, em relação às escolas, não tenho nada contra o ensino privado. Tem todo o direito de existir. Agora, eu não quero que os meus impostos sejam para as escolas privadas. Os meus impostos são para garantir que haja uma oferta pública de ensino para todos e com a melhor educação possível. Se os pais decidirem que querem mandar os filhos para escolas privadas, têm todo o direito de o fazer, mas não é com os meus impostos. Não estamos em Portugal a criar uma situação em que os pobres vão para as escolas públicas e os ricos vão para as escolas privadas? É um risco. Há pessoas que julgam que, mandando os seus filhos para escolas privadas, têm a garantia de ter uma educação, senão melhor, pelo menos diferente. Mas, como sabemos, há muitas surpresas: há pessoas que vão para as melhores escolas e melhores universidades e saem uns trastes. O ambiente que uma pessoa tem em casa também tem uma influência enorme. Isso faz parte das diferenças que existem no mundo. Na educação, a diferença maior não é entre privado e público mas entre as pessoas. Mas o que eu queria era que o nível da educação na escola pública fosse cada vez maior. Em Portugal, as políticas de educação mudam de governo para governo, o que não permite estabilizar e dar a desejável constância ao sistema de ensino. Isso é um problema em todo o mundo, infelizmente. Cada Governo quer deixar a sua marca. O que gostaríamos era de ter uma política de longo prazo, com pequenas alterações à medida que vamos avançando. Agora, não se esqueça que quem introduziu variações dramáticas no sistema de educação foi o Governo anterior, do ministro Nuno Crato. Eu apreciava o Nuno Crato, antes de ele ser ministro, pelas posições que tinha sobre o ensino da Matemática, de que era um grande divulgador. Mas acho que foi um desastre [como ministro]. Não houve uma coisa que ele tenha feito com que eu estivesse de acordo. Uma! E não foi só em relação à educação, foi também em relação à ciência. Aí, acho que foi um desastre total. FINANCIAMENTO VAI “CRESCER DEVAGARINHO” Foi assinado um acordo entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e as instituições que estabiliza os orçamentos das universidades e politécnicos durante três anos. É possível fazer progredir o ensino superior, a ciência e a inovação em Portugal sem um reforço efetivo do financiamento público às instituições do ensino superior? A evolução de um país tem a ver com os níveis de financiamento, mas também com os níveis de confiança das pessoas num futuro melhor. E o que estava a acontecer no Governo anterior é que a esperança num futuro melhor tinha quase desaparecido. Até 2010/2011, por ter felizmente um ministro como Mariano Gago, o país acreditou que va- Campus UP 0.indd 35 06/01/17 16:02

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