Revista Criticartes 5 Ed

criticartes

Revista Criticartes - Ano II, nº. 5 - 2016

EDIÇÃO ESPECIAL DO 1º ANIVERSÁRIO

ISSN 2525285-2

4º Trim. (Out-Dez) 2016 Ano II nº. 5

9 772525 285002

Entrevista

Mário

CARABAJAL

Fundador Global da Academia de Letras do Brasil

a 1ª Academia Mundial da Ordem de Platão

Pág. 5

Poetas brasileiros

homenageiam a

Revista Criticartes

pelo seu 1º aniversário

Bob Dylan ganha o prêmio

Nobel de Literatura 2016

Leonard Cohen

morre aos 82 anos

Dois anos sem Manoel de Barros

Pág. 16


Sumário

Homenagem à Criticartes (poetas Zé Adalberto e Aurineide Alencar), 4

Entrevista com Dr. Mário Carabajal (Presidente Global da ALB), 5

Morte (Marise Andreatta - ADL), 15

Chorinho (Varenka de Fátima Araújo), 15

Um jardim para o poeta (Maria Eugênia Amaral), 16

Nosso Manoel... (Bianca Marafiga), 17

Manoel Venceslau Leite de Barros (Joabnascimento), 17

Poesia manoelesca (Marcos Coelho - ADL), 17

Poeta Manoel de Barros (Odila Lange), 18

Ao poeta pantaneiro (Lindita), 19

O fazedor de amanhecer (Manoel de Barros), 19

Por uma política cultural pública (Dinovaldo Gilioli), 20

Políticos e População: Quem leva à Corrupção? (Antônio M. S. Santos), 21

Amor e esperança: dois sentimentos inseparáveis (Carlos A. N. Aragão), 22

Versos de amor (Eunice Guimarães), 23

Madrugada (Jani Brasil), 23

Dica de Filme (Ponto de Mutação), 23

A morte da vida que mata (Valeria Gurgel), 24

VIDA E OBRA - Conhecendo o Poeta (Cláudio Dortas), 25

A lua e o mar (Christian Fernandes), 26

A busca (Elia Macedo), 26

Minha alma e eu (Suely Sabino Reis), 26

Na praça (Antônio Amaro Alves), 26

Soneto de uma vida (Jakson Aguirre), 27

A lenda (Marlete Alves), 27

Amor (Leandra Vitória), 27

Ecosys do Amor (Angela Matos), 28

Espigas de nuestra patria (Beatriz Valerio), 28

Poeta virtual (Antonio Cabral Filho), 28

A cigarra que encanta e a formiga encantada (Edvânia Ramos), 29

Jogo da vida (Adail Alencar), 30

Desconfiança! (Carla Cristina de Oliveira Gomes - Cristal), 30

Medo (Marcelo de Oliveira Souza, IWA), 31

Partícula de Palavras (Rogério Fernandes Lemes - ADL), 31

O FESTACE (Campus Dourados), 32

Hoje não (Lúcia Morais - Luanda), 40

Estância, terra da Cultura (Sivaldo Cardoso Fontes), 40

Explosão (Teresinka Pereira), 41

Água (Leomária Mendes Sobrinho), 41

Sollozo americano (Mary Acosta - Argentina), 41

La Chispa (Mariano Errecar - Argentina), 42

Te disse? (Cláudio Dortas Araujo), 42

Ela é Bia... (Rosane Ozorio), 42

Ter Fé (Alaíde Souza Costa), 43

Amor de mãe (Ylvange Tavares), 43

Solilóquio poético (Flávia Kruck), 43

O palhaço (Isloany Machado), 44

O milagre da vida (Marta Amaral), 45

Tentando descrever Manoel (Nena Sarti), 45

Reprograme-se (Lucas Oliveira), 46

Rede de esgoto é um direito do cidadão (Itla Denise de Oliveira Amorim), 46

Ganhos na chuva para perder na seca! (Aécio Silva Júnior), 47

Desmatar: é preciso? (Luciene de Oliveira), 48

Por onde andam as histórias? (José Thiago Dantas Costa), 49

O livro (Aurineide Alencar - ADL), 50

A dança se foi (Pérola Bensabath), 50

Canção para a dor (Dinovaldo Gilioli), 50

A grande estação (Davi Roballo), 51

Entre fosas y día de Muertos (Reyna Valenzuela Contreras), 52

Mural (Chamada Coletânea e Resultado de Concurso de Poesia), 53

Confira as Normas para Publicação em:

www.revistacriticartes.blogspot.com.br

4º Trimestre 2016 Ano II nº. 5

Outubro-Dezembro

EXPEDIENTE

Publicação trimestral

Idioma

Português Brasil

Endereço eletrônico

www.revistacriticartes.blogspot.com.br

Redação

(67) 99939-4746

E-Mail

revistacriticartes@gmail.com

Design

BIBLIO Editoração Eletrônica

Foto da capa

Mário Carabajal

CONSELHO EDITORIAL

ROGÉRIO FERNANDES LEMES

Editor-Chefe - Jornalista

MTB 1588/MS

ELEANE REIS

Graduada em Letras

Profa. Formadora da SEMED

Dourados, MS

DAVI ROBALLO

Escritor e Jornalista

DRT 697/MS)

NENA SARTI

Poetisa, Contista e Cronista

Membro da Academia de Letras do Brasil

Seccional MS

JOSÉ AMÉRICO DINIZZ JÚNIOR

Professor Universitário

Mestre em Ciências da Religião

VALÉRIA GURGEL

Escritora, Compositora e

Professora de História

/revistacriticartes


Editorial

““A superioridade do sonhador consiste em que sonhar é muito mais prático

que viver, e em que o sonhador extrai da vida um prazer muito mais vasto e

muito mais variado do que o homem de ação. Em melhores e mais diretas

palavras, o sonhador é que é o homem de ação”. (Fernando Pessoa)

Às vésperas da finalização da edição especial de 1º aniversário da

Revista Criticartes recebeu-se, com pesar, a notícia do encerramento das

atividades literárias da Revista Varal do Brasil, atuante no intercâmbio de

autores e promoção da literatura brasileira pelo mundo há sete anos e

sob a direção da editora-chefe Jacqueline Aisenman.

Por razões ainda desconhecidas, o aviso no sítio informa aos

leitores que o Varal do Brasil “encerrou suas atividades em 15 de

setembro de 2016”. Seguramente a notícia é desoladora e um grande

prejuízo à comunidade literária lusófona internacional. Ao prosseguir

na extensa justificativa sobre o encerramento de uma literatura “sem

frescura” compreendem-se os dilemas, sonhos e frustrações daqueles

que respiram literatura, em um mundo cada vez mais “conectado”.

Registra-se neste editorial, em nome da Revista Criticartes e de todos os

seus leitores, o reconhecimento e admiração pelo incrível trabalho

literário da poeta Jacqueline Aisenman.

Nesta 5ª edição da Revista Criticartes, edição especial de seu

primeiro aniversário reverenciamos os autores e autoras, do Brasil e do

mundo, que fortaleceram e fortalecem a Literatura com suas

participações enviando poemas, artigo (científicos ou de opinião),

crônicas, contos, pinturas e música recebidos com tanto carinho e zelo.

Espera-se que os leitores agreguem conhecimento e cultura e

que divulguem a Revista Criticartes para que mais pessoas tenham acesso

à literatura brasileira e estrangeira, de forma gratuita e com qualidade.

A Revista Criticartes é um periódico sem fins lucrativos criado

com o intuito exclusivo de reunir, em suas singelas páginas, as

manifestações artísticas de novos autores e aqueles já consagrados.

Por fim, e não menos importante, parabéns a escritora Cléo

Bussatto, a primeira entrevistada da Revista Criticartes, por ocasião do

seu livro “A fofa do terceiro andar” ser uma das obras finalistas do 58º

Prêmio Jabuti 2016.

Nossa próxima entrevistada para a 6ª edição da Criticartes será a

poetisa, filósofa, psicóloga e psicanalista Viviane Mosé.

Rogério Fernandes Lemes

Editor-Chefe e Idealizador da Criticartes

CHAMADA PARA PUBLICAÇÃO NA

6ª EDIÇÃO DA REVISTA CRITICARTES

A Revista Criticartes convida autores a

submeterem suas produções literárias,

sejam em forma artigos, contos, crônicas,

poemas, cordel, resenhas para

compor a 6ª edição referente ao 1º

trimestre de 2017.

Entrevista confirmada com a poetisa e

filósofa Viviane Mosé.

Prazo: até 16 de dezembro/2016

Para o e-mail:

revistacriticartes@gmail.com

/revistacriticartes


Especial

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

Poetas homenageiam a Revista Criticartes pelo 1º aniversário

Zé Adalberto

Itapetim, PE

@: zedalberto@yahoo.com.br

A Revista CriticArtes

Está cada vez mais viva.

Em sua 5ª Edição,

É bem comemorativa

Por ser um dos feitos grandes.

Viva Rogério Fernandes

Por essa iniciativa!

“Basta desejar profundo”,

Como interpretou Raul,

Para o sucesso alcançar

Essa dimensão azul

Que há um ano pertence

À Revista douradense

Do Mato Grosso do Sul.

Rogério Fernandes Lemes,

Seu idealizador,

Afirma enquanto poeta,

Propaga como escritor

Que a mais nobre das partes

Da Revista CriticArtes

É com certeza o leitor.

Dispõe de um expediente

Harmonioso e legal.

Tudo passa pelo seu

Conselho Editorial,

Mostrando com sensatez

Idioma Português

E publicação trimestral.

Em seus atos virtuais,

Posta, divulga e revela

Que a arte vinda das ruas

Também tem espaço nela,

A exemplo do spray

Que ganhou poder de rei

Ao coroar uma tela.

Apresenta na sequência

Até a capa atual

Cléo Busatto, Giani Torres,

Davi Roballo, que tal

Destes seguir o destino.

Depois Suely Sabino

E Mário Carabajal.

É ferramenta atrativa

Inteiramente de graça

Que coloca seus achados

Literalmente na praça

Sem classificar por tino

De treinador de canino

A “Vendedor de Fumaça”.

Traz expressões populares

Para compor sua grade.

Além de espaço poético

Com interatividade,

Comprova em toda edição

Liberdade de expressão

Com responsabilidade.

Publica artigos diversos,

Minicontos e cordel,

Crônicas, desenhos, buscando

Enaltecer seu papel

De mostrar novos autores,

Fortalecendo valores

Dignos de todo laurel.

Da nossa literatura

Vem hasteando a bandeira,

Compartilhando ideais,

Atravessando fronteira,

Crescendo a cada conquista,

Sendo por mérito a Revista

Literária brasileira.

Aurineide Alencar

Dourados, MS

@: aurineidealencar@hotmail.com

A Revista Criticartes

Veio para divulgar

Buscando meios artísticos

Capazes de transformar

A simples concepção

Toda e qualquer criação

Pode ocupar um lugar.

Hoje o hábito de leitura

Está mais pra digital

Ela vendo o avanço

Adiantou-se e afinal

Encontrou uma maneira

De vencer toda barreira

Vivendo o mundo atual.

Modificando o trabalho

Conduzindo o artista

Dando oportunidade

De alcançar sua conquista

Cada um tem seu espaço

Há quem seja bizarraço

Conforme o ponto de vista.

Alimento Literário

Representa a história

Lugar de reflexão

De reviver a memória

Um papel indispensável

Conteúdo variável

Está vencendo com glória.

Constitui um objetivo

Que é o de trabalhar

Em periodicidade

Para melhor se informar

Apoiando, relatando

E agora só clicando

Pra no mundo espalhar.

Dia 15 de outubro

Começou a ser escrita

Do ano 2015

Porém, ninguém acredita

Pelo número de acesso

Tão grande foi o sucesso

Que ideia mais suscita.

Atenta a novas escritas

E proposta inovadora

É mais que um laboratório

Do artista é professora

Exercendo seu papel

Crônica, poesia ou cordel,

Ela é acolhedora.

Desenhos, artigos, contos,

É uma infinidade

Se eu fosse listar aqui

Não caberia na verdade

Instrumento de difusão

Com sua definição

Oferece potencialidade.

Com a moda do iphone

O modo de ler mudou

Por isso Rogério Lemes

Logo a idealizou

Fez design, pôs formato,

Empenhando-se de fato

A Criticartes criou.

- 4 -

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ENTREVISTA

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

por Rogério Fernandes Lemes - Jornalista @: rogeriociso@gmail.com

Fundador da ALB, Mário Carabajal e a esposa, Dra. Dinalva Carabajal, Diretora da ALB/Humanitária

Fotos: Arquivo pessoal do autor

Mário Carabajal

Nesta edição especial, do 1º aniversário

da Revista Criticartes, com satisfação

apresentamos aos leitores a entrevista

com o Dr. Mário Carabajal,

fundador da Academia de Letras do

Brasil, a 1ª Academia Mundial da

Ordem de Platão, em 1º de janeiro de

2001. Com mais de 24 obras publicadas,

é especialista em psicossomatologia

e pesquisa científica; mestre em

relações internacionais; doutor em

ciências educacionais; pós-doutor

em psiconeurofisiologia e em filosofia.

Por uma questão de espaço, deste

periódico, os leitores terão acesso ao

conteúdo desta entrevista, na íntegra,

no sítio da Revista Criticartes

em:

www.revistacriticartes.blogspot.com.br

Criticartes: Primeiramente meus

agradecimentos mais sinceros por

sua aceitação em conceder esta entrevista

quando a Revista Criticartes

completa seu primeiro ano de existência

literária. Iniciaremos por sua

vasta obra. Tem algum livro publicado

em outro idioma?

Mário Carabajal: Somam 24 livros

publicados. Uma exceção, o romance

“Amor eterno” (ficção com viagens

no tempo), conta com 4 reedições

e 40 mil exemplares vendidos. A

última se fez em 2015, pela Editora

Alternativa de Porto Alegre, prefaciada

pelo Diretor Presidente da

Alternativa, Editor Milton

Pantaleão. Outrossim, alguns foram

traduzidos para outros idiomas - inglês,

francês e espanhol. Na atualidade,

trabalho simultaneamente em

aproximados 40 outros títulos.

Faltam revisões e o que de mais nobre

e sagrado um escritor pode contar,

‘motivação’ – razões que justifiquem

suas finalizações e disponibilização

ao grande público. Sou muito

crítico, melhor, autocrítico. Para validar

um novo lançamento, necessito

antes convencer-me da importância

da obra – de sua contribuição àqueles

que virem a ler. Como a vida é um

c o m p l e x o b i o p s i c o f í s i c o -

sociopolítico, me exijo, mais e mais,

dando sempre tudo de mim ‘meu melhor’

na esperança que possa, de fato,

me fazer útil nesta conjuntura tão

complexa e difícil existencial, ‘humanocultural

e civilizadora’ - onde a escrita,

comprovadamente, pode significar

evolução. Logo,

“escrever é um ato de

grande responsabilidade

para com os destinos da

própria Humanidade”

- 5 -

@: escritores.alb@gmail.com

e sua História coesistencial para com

tudo quanto dela dependa à manutenção

da vida em harmonia com a

natureza e demais espécies.

Criticartes: Fale-nos sobre sua declaração

“vivemos uma crise de identidade”.

Mário Carabajal: Tamanha é a dinâmica

dos vetores que atuam sobre a vida

da Nação, ao ponto de tornar ultrapassada

a recente declaração supra.

Nos dias atuais de 2016 o Brasil

está saindo desta ‘Crise de

Identidade’. Por conseguinte, também

financeira, provocada pela corrupção

desenfreada. Porém, com fortes

promessas de reversão, por força

da competente atuação, em especial,

da Polícia e Justiça Federais.

Quaisquer iniciativas de investimentos,

como na própria cultura, não ultrapassavam

os limites teóricos, sem

quaisquer possibilidades reais de evoluírem.

Um país tomado pelo medo,

criminalidade, corrupção e insegurança.

Em nossos dias, mesmo longe

ainda de se contar com bons índices

internacionais de investimentos, vive-se

‘não mais o ápice da crise’. A

conquista da plena consolidação da

Identidade de um ‘Brasil Honesto’ e

estável politicamente, pronto para receber

investimentos internacionais e

apto à reversão dos índices negativos

educacionais, humanos e sociais, deve

ocorrer a partir de movimentos

maciços populares, em apoio aos atos

de correspondência e assertivas da

Polícia e Justiça Federal. Um país onde

todas as engrenagens passam a funcionar

em harmonia, interdependência

e sincronicidade. Nas ciências

encontram-se, com margens mínimas

de erros, as prioridades a serem

aproveitadas pelas instâncias legislativas

a um fazer executivo e judiciário

sob assertivas de eficiência e celeridade.

Prósperas e progressistas, contemplando

os segmentos municipais,

estaduais, nacionais e mesmo da

própria Humanidade.

Criticartes: Essa crise de identidade

afeta diretamente a produção literária?

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ENTREVISTA

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

Mário Carabajal: O Brasil encontrase

no estágio imediatamente seguinte

ao observado no ápice da ‘crise’.

Evidenciam-se traços de saída e recuperação.

Contudo,

“a produção literária

tem sofrido suas consequências,

com grande

impacto e profundas alterações

no fazer literocultural”.

Se por um lado as grandes editoras

deixaram de investir no escritor brasileiro,

por outro, a crise os conduziu

a confrontação do que se lhes verdadeiramente

importa – retirando o escritor

de uma ‘fila de espera’ de contratos

extraordinários com grandes

editoras, para, confrontado, sustentar-se

em sua autovalorização, passando

a investir pessoalmente naquilo

que acredita e produz – o livro.

Particularmente observei reações diametralmente

opostas nos escritores.

Tanto aqueles que demonstravam se

deixar atingir pela crise, desmotivando-se

em seu fazer literário, quanto

àqueles determinados, obstinados e

destemidos, emergindo da ‘crise’

com ânimo e maior autoconfiança,

abandonando o ‘mito’ de o escritor

depender de um ‘grande nome de

editora’ à conquista de seus sublimes

ideais. Frente ao ‘abismo’ porque

‘passou’ o Brasil, ergueu-se um escritor

com maior foco, consciente e independente,

resultando em um aumento

percentual dos índices de produção

literária. Isto, se considerando

o aumento de autores que ingressaram

no mercado literocultural brasileiro.

Estes, não apenas conscientes,

mas com forte determinação em auxiliar

o país à superação da crise.

Ainda, em consequência da crise, passam

a ocupar a lacuna deixada pelas

‘grandes editoras’, novas editoras,

em franca ascensão, como a

Alternativa de Porto Alegre,

Presidida pelo Editor Milton

Pantaleão; Life Editora, do Mato

Grosso do Sul, Presidida pelo Editor

Valter Jeronymo. Mais recentemente,

soma-se a este novo perfil editorial

brasileiro, a Rede Mídia de

Comunicação e Editora Sem

Fronteiras, do Rio de Janeiro, sob a

Direção Geral e Editorial da competentíssima

Jornalista Dyandreia

Portugal, identificando-se com este

universo consciente de independentes

escritores, em uma grande, plausível

e progressista parceria, apostando

no pensador brasileiro e sua obra.

Oportunizando a todo escritor, a visibilidade

e propagação do conjunto

de sua obra. Todavia, além deste importante

momento, deve o escritor

focar nas possibilidades de distribuição

e comercialização de sua obra, de

onde se lhe retornará, com os merecidos

lucros, seus investimentos. As

múltiplas consultas às editoras garantem

ao escritor independente sua satisfação

e pleno atendimento de suas

expectativas. Em especial, deve o autor

independente discutir o ‘preço de

capa’ e condições de pagamento, dentro

de uma realidade ‘custo/benefício’

de mercado e investimentos.

Dedicando especial preocupação

com o custo final da obra aos

seus leitores.

Criticartes: Quais os impactos positivos

e negativos da Semana da Arte

Moderna no Brasil?

Mário Carabajal: Nobre jornalista

Fernandes, seu questionamento, mais

uma vez, nos remete a Identidade,

desta vez, cultural brasileira. O que se

busca? Um Brasil voltado exclusivamente

para si ou aberto ao Mundo?

Há que se respeitar os argumentos daqueles

que defendem pontos de vista

antagônicos. Quem erra, sob as máximas

de ensaios, erros e acertos de sistematização,

mesmo em ensaios errôneos

postulatórios, objetiva contribuir

à evolução média da Nação.

Incorporar-se ou não elementos culturais

produzidos fora do Brasil, deve

precipuamente, em nossa visão, passar

antes pela análise crítica do que se

define como cultura e sua antítese – a

anticultura. Entendendo-se que o

conceito de cultura extrapola quaisquer

tentativas de limitação, há que

se fazer um esforço conjunto para di-

- 6 -

cotomizar cultura boa e cultura má.

Cultura e anticultura. A responsabilidade

do Estado limita-se a uma formação

obrigatória mínima de nossos

jovens. Daí para frente, abandonados,

é um verdadeiro ‘salve-se quem

puder’. A força do capital e restrição

seletiva de horizontes formativos,

por outro lado, dá maior ênfase à ‘fugaz

corrida de tolos’, em detrimento

as reais aspirações dos seres. Logo, tolhidos

de seguirem o caminho científico

que os realizaria plenamente, para

muitos, sem criatividade e competências

pessoais, o que passa a importar

é a entrada intrépida, desmedida

e sem quaisquer pudores de incessantes

e ilimitados ‘capitais’. Sobretudo,

em um país com tantos exemplos negativos,

em especial, àqueles emanados

pela classe política, refletindo os

‘transtornos de identidade’ sobre o

ser em formação da própria personalidade.

Poucos, no entanto, se atrevem

apontar objetivamente para a anticultura,

independentemente se gerada

dentro ou fora de nossas fronteiras.

Apontar ‘objetivamente’ para a

‘anticultura’ significa expor-se, ao assumir

uma postura. Posicionamento

o qual, para àqueles que usurpam da

liberdade, é associado à censura. Por

ocasião da Semana da Arte

Moderna, de um lado aqueles que

buscavam por uma identidade cultural

própria e genuína para o Brasil.

De outro, aqueles que aludiam a um

fazer cultural sem fronteiras, incorporando-se

o que era também produzido

em outros países. Sabidamente

havia de se fazer algo em relação ao

que ser aceito, incorporado e validado

à práxis cultural brasileira.

Acredito haverem sido estes os maiores

objetivos da Semana da Arte

Moderna em 1922: clarificar pontos

de desequilíbrio da ‘balança cultural’.

A priori, tais objetivos, atingidos

ao serem geradas discussões que perduram

ainda nos dias atuais. Em nossas

análises e visões, de pretensas contribuições,

ser brasileiro não se faz excludente

à incorporação de culturas

internacionais. Contudo, sob um

olhar inteligente, crítico e comedido,

capaz de otimizar experiências e cul-

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ENTREVISTA

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

turas, independentemente de sua origem

e época, livre, contudo, de psicossugestões

e induções anticulturais

contrárias a natural ordem ‘humanoevolutiva’.

Não obstante, aos leitores

da Revista Criticartes, dirigida por este

exime sociólogo, jornalista e poeta,

Rogério Fernandes Lemes, solicito,

se escritores, jornalistas, professores

e ou cientistas, dedicarem espaço,

em suas produções, à análise de ‘letras

de músicas’ com poderes psicossugestivos

anticulturais, apontando

‘critico-construtivamente’ tais resultados

aos seus autores, na esperança

que estes, confrontados pelas críticas,

redimensionem e redirecionem

suas inequívocas capacidades aglutinadoras

e conducionais, para tornarem-se

‘artistascidadãos’ do bem, auxiliando

na difícil condução de uma

imensa população, como a brasileira,

com prazerosas e estimulantes produções

musicais, em harmonia e

equilíbrio com as necessidades humanas

de saúde e hábitos saudáveis à

construção de personalidades fortes

e com perspectivas de longas e saudáveis

existências.

Criticartes: Qual sua percepção sobre

a ética e a estética na literatura

brasileira atual? Teria alguma crítica

à produção brasileira?

Mário Carabajal: Ética e estética caminham

juntas. Difícil suas desvinculações.

“O bom gosto e os valores

contributivos difundidos

através dos livros

somam-se e ganham forma,

a priori, em mentes

de escritores com comprovada

maturidade humana,

política e social”.

Quando de seu distanciamento, a

obra encontra naturais obstáculos

em meios de maiores exigências.

Contudo, não é incomum de obras

sem estes valores primordiais serem

contempladas como se profícuas fossem.

Mas, ainda assim, cumprem relevante

papel, ainda que pela formação

do hábito da leitura, em leitores principiantes,

menos exigentes. Não nos

compete criticar a forma e formato como

nossos escritores expressam-se.

Em especial, por admitir que a produção

literária, individualmente, passa

por estágios psicomaturacionais

de seus autores, desde aquelas sem

quaisquer pretensões, traduzindo

pulsões, latências e nuances emocionais

daqueles que escrevem, as quais

são reveladas como autoterapia, iniciando

com uma problematização,

evoluindo a uma confrontação de

conceitos e ideias catexizadas – interiorizadas,

pelos contundentes valores

axiológicos – externos, conquistando

em suas finalizações respostas

de equilíbrio e momentâneo bem estar

àquele que as produz. Isto, por

emergirem a mente a partir de ‘inquietações’

emocionais, atendendo por

extensão, aqueles em estágios psicomaturacionais

semelhantes, detentores

e vivenciadores de momentos experienciais

de equivalência ao escritor.

Inequivocamente os fatores emocionais

sempre estarão presentes e influenciando

quaisquer produções literárias,

mesmo àquelas científicas.

T u d o t e m u m a o r i g e m .

Absolutamente nada tem vida própria.

A interdependência e atuação

‘dinamicomental’ de todos os seres

está para o escritor como o macro para

o microcosmo. No universo ou como

apontam as teorias mais atuais,

universos, não se observa o fenômeno

da ação. Tudo é reação. Logo, quaisquer

estágios porque passe a dinâmica

mental de escrita daqueles que

transitam no mundo producente literário,

obedece a leis e ordens intrínsecas

evolucionais, inerentes a todos

os seres. Logo, a ética e estética correspondem

ao estágio cultural médio

da Nação, demonstrado em intrínsecas

amostras de produções literárias,

musicais, Leis, prolatações de sentenças

judiciais, teses, dissertações, monografias,

Estatutos sociais... Atrás

da Ética e Estética existem seres, com

maiores ou menores domínios, com-

- 7 -

petências e saberes. Por trás dos seres,

existem sistemas educacionais, acessos

à leitura, organizações culturais e

heranças ‘sociofamiliares’ civilizatórias.

Sob tais premissas, pode-se enunciar

o ensaio de serem, Ética e

Estética, fruto da evolução humana,

em seus respectivos estágios de correspondências.

O Brasil, em nossa

análise, conta com fortes elementos,

nas pessoas de seus escritores, jornalistas,

pesquisadores, professores e

profissionais dos mais amplos segmentos,

como também de organizações

voltadas à cultura, à conquista

de níveis de excelência Ética e

Estética – veja-se exemplo concreto

no jornalista Rogério Fernandes

Lemes, ao apontar em seu questionário

de entrevista para a Ética e

Estética, passando a inferir perspectivas

evolucionais no fazer literário de

um país gigante como o Brasil.

Potencializando a produção literária

de qualidade ao inferir referenciais

de observância àqueles que escrevem.

Criticartes: Como recebeu a informação

do prêmio Nobel de

Literatura 2016 ser concedido ao cantor

Bob Dylan? É fato que a decisão

não agradou e tem gerado muitas críticas.

Mário Carabajal: Bob Dylan enquanto

‘escritor/poeta’ se expressa

em composições poéticas musicalizadas

altamente críticas. Onde satiriza

a cultura americana de exaltação ao

espírito patriótico de incentivos à xenofobia,

guerra e ódio contra russos,

reservando um conceito de Deus aos

mais altos propósitos da política americana.

Em suas letras, Dylan, soma a

seu tempo ao colocar questões como

a segregação racial e diversidade.

Aponta para a necessidade de uma

justiça imparcial, independente da

cor da pele. Seria um tanto pretencioso

de minha parte escrever sobre a

vasta obra de Bob Dylan, merecedor,

sem dúvidas, desta Imortal honraria.

Particularmente, se Bob Dylan,

Adail Maduro Filho (roraimense),

Daniel Chaves (paranaense - autor de

5 mil provérbios, superando o pró-

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ENTREVISTA

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

Letras do Brasil. Sob o axioma de

uma Cultura Ativa, a ALB propõe

despertar a consciência política da

sociedade. E assim se fez, de forma

contundente e ininterrupta, de

Norte a Sul do Brasil, desde a sua

fundação em janeiro de 2001, até os

dias atuais de 2016. A Academia de

Letras do Brasil é uma organização

de Cultura atípica. Ao contrário

das demais academias e entidades

culturais, a ALB é uma organização

Cultural 'Ativa' Politicamente.

Traduzindo-se por esta razão, na

Primeira Academia Mundial da

Ordem de Platão.

“O 'Grande Sonho' encontra-se

no fomento de

uma Cultura Literária

mais Ativa e menos

Telúrica”.

Razão pela qual o escritor do

Terceiro Milênio necessita acreditar,

sobretudo, na menor fagulha de seus

pensamentos. Pois, representam as

centelhas que unidas transformarão

a vida sobre a Terra. Nossos

Pensadores devem, sem nenhum receio,

assumirem o rótulo de 'sonhadores'.

Pois, a priori, o sonho é aquilo

que de mais concreto a humanidade

possui. Toda realidade construída pelos

seres, por mais concreta que aparente,

encontra nos sonhos, suas origens.

Nossa contribuição vai desde

oferecer espaço para novos autores à

geração de projetos que visem a erradicação

da pobreza mundial, desarmamento

Nuclear, fim das guerras,

melhorias na educação, apoio à diversidade

cultural e combate à corrupção.

Resumidamente, a ALB –

Academia de Letras do Brasil nasce

em dezembro de 1994, quando sugerimos

ao então Presidente da

Academia Brasileira de Letras,

Imortal Josué Montello, a abertura

da ABL ou criação de uma academia

brasileira mais representativa, com

extensões em seccionais Estaduais e

Municipais. Contudo Montello acenou

positivamente à segunda proposição,

de criação de uma nova organiprio

Rei Salomão), Fídias Telles (pernambucano),

entre outros milhares

de eximes escritores, e dentre estes,

poetas e compositores de todo o mundo,

extremamente críticos para suas

épocas, com palavras e filosofias de

ordem, humildade, verdade, igualdade,

liberdade e fraternidade, são todos

dignos de se tornarem referenciais.

A priori,

“a crítica maior à

Dylan deveu-se ao seu silêncio

após ao anúncio

oficial de haver sido eleito

pela academia para

o prêmio Nobel de

Literatura 2016”.

Contudo, os seres reagem diferentemente

aos estímulos. Diante a morte

de um irmão, em passado próximo,

não chorei, soando como insensível.

Contudo, meu sentimento de perda,

ainda hoje permanece. Minha reação

a semelhante anúncio, de tamanha

magnitude, como o Nobel, sabedor

de existirem milhares de outros escritores

aos quais admiro e admito com

maiores obras, ações e filosofias, também

careceria de tempo a sua assimilação.

Provavelmente, o sentimento

que o ‘travou’ não vibrando e comemorando,

tenha sido de ‘vergonha’ e

mesmo em respeito aos seus ídolos literários,

os quais, em sua provável

opinião, seriam os verdadeiros merec

e d o r e s d o N o b e l d e

Literatura/2016. Salve Dylan!

Parabéns a academia pela escolha!

Criticartes: Nesta 5ª edição da

Revista Criticartes homenageamos

nosso poeta conterrâneo Manoel de

Barros. O Senhor teve algum contato

ou mesmo influência da poética dele?

Mário Carabajal: O intelectoirreverente

pantaneiro, Imortal Manoel de

Barros, influenciou a cultura brasileira

com seu lirismo, humor e crítica,

assim observo, ao rigor gramatical,

enquanto literatura popular. Ao fazêlo,

sem receios à crítica, Manoel de

Barros lança as bases de um prémodernismo,

mais despojado e comprometido

com a mensagem, confrontando

a ordem em razão do deleite

e prazer da leitura, por assim dizer.

Em sua obra ‘Livro Sobre Nada’ com

leveza, requinte e sutileza sem precedentes,

poesia e prosa unem-se em

um ‘eu poético’, tornando-se creio, o

momento de maior inspiração de

Manoel de Barros, projetando-o definitivamente

na História Literária

Brasileira. Contudo, como em toda a

sua obra, a despretensão ganha lugar

irrefutável. Provavelmente por isso seja

amado e respeitado em todos os

segmentos e tempos da literatura.

Manoel de Barros identifica-se com

seus leitores ao utilizar-se de ‘realidades’

comuns a todos, demonstrando

que a Imortalidade encontra-se lado

a lado com a simplicidade e humildade.

Querido e saudoso amante da alegria

e natureza, com humor e estilo

inconfundíveis! Manoel de Barros -

um escritor Imortal de obra literária

operante e Eterna! Eis um exemplo

que inspira e motiva à arte literária!

Criticartes: Fale-nos um pouco sobre

o ideal da fundação da ALB em âmbito

global? O que é, de onde vem e o

que pretende?

Mário Carabajal: A Academia de

Letras do Brasil - ALB, instituição

de integração dos escritores e artífices

da Cultura Literária Brasileira e

veículo à criação do CONSALB –

Conselho Superior das Academias

de Letras do Brasil, encontra-se, em

2016, presente no Território

Nacional Brasileiro e 19 países. A

ALB instala-se oficialmente no início

do Terceiro Milênio, com o objetivo

de integrar, estimular e valorizar

o escritor, a cultura literária brasileira

e internacional. Muitas academias,

em todo o Brasil, mantemse

alheias, sem manifestarem-se em

relação ao Movimento Nacional de

Integração das Academias de Letras

do Brasil, traduzido pelo

CONSALB. Não obstante, nossa

proposta de criação do CONSALB,

em 1995, resultou no amadurecimento

à criação da Academia de

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ENTREVISTA

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

nhem ou delimitem suas trajetórias,

restringindo-as as visões institucionais,

como se em ‘algo’ a eles fosse a organização

superior. Compete àqueles

que representam a ALB, em quaisquer

instâncias, colocarem-se nas trajetórias

dos escritores Membros como

se grandes espelhos fossem refletindo,

ao máximo, as manifestas e irradiantes

luzes daqueles que integram

o ‘Sonho ALB’. A nenhum

Presidente, Diretor, Conselheiro,

Representante ou Membro, em quaisquer

extensões da ALB, se lhe é permitido

utilizar o nome da entidade

para angariar recursos pessoais.

Salvo ‘Patrocínio’ – definido e identificado

como tal, de doações espontâneas,

sem ‘moedas de trocas’ em forma

de títulos ou medalhas, os quais

apontem metas claras literoculturais

do Membro ou da Organização, sem

especulações e vantagens individuais,

com prestações de contas públicas

e abertas.

“A ALB, como as demais

organizações culturais

que preservam a

Liberdade de Expressão,

sofrem distorções internas,

com o não entendimento

dessa máxima”.

As academias surgem exatamente para

oferecerem um meio de paz e tranquilidade,

capaz de abrigar Livres

Pensadores. A ALB, com foco na

Ordem de Platão e de Sócrates por

herança - os quais se dedicavam à difusão

de uma cultura politicamente

ativa, sob máximas da liberdade resultante

da aquisição de novas culturas,

refuta ao telurismo pragmático

corporativista, o qual discrimina, ilude

e mantém o poder e status de grupos

de intelectuais, pela antevisão

‘precursória’ de serem todos os demais

grupos e seres inferiores. Quando

em uma só voz os seres unirem-se ao

que de fato interessa, respeitando-se

mutuamente, sob equivalências isonômicas

de contribuições laborais,

em prol da saúde e prosperidade inzação

literária brasileira, admitindo a

impossibilidade e dificuldade a um

redimensionar estatutário da tradicional

Brasileira. Seis anos depois, estávamos

com as bases da ALB prontas à

conquista de sua Personalidade

Jurídica. Isto, em 01 de janeiro de

2001 - a ‘Nova Academia’ de todo escritor

brasileiro, com maiores possibilidades

integrativas dos pensadores

das diversas Regiões de um país com

dimensões continentais como o

Brasil. Ultrapassando, contudo, nossas

expectativas. A ALB passou a receber

escritores brasileiros residentes

no Brasil e no exterior.

“Os ideais de fundação

remetem a uma instituição

literocultural com

propósitos de servir ao

Brasil a partir da práxis

literária”,

ao incorporar, institucionalmente, o

pensamento da ampla maioria dos escritores

brasileiros - servindo como

referencial a um país em construção

da própria identidade. Isto, não apenas

sob as bases fundamentais dos pilares

elementares do fazer literário estrito,

com máximas na língua portuguesa.

Mas, em particular, propondo-se

unir escritores em torno de

uma organização politicamente ativa,

suprapartidária, como aspirava

Sócrates e Platão. Por um fazer menos

telúrico, aproximando o pensamento

producente individual, em

torno de um centro canalizador polarizante,

onde os pensamentos se fundem,

apurando-se e retornando à ampliação

da extensão paradigmaximizativamente.

As Seccionais Estaduais

e Municipais devem desenvolver

ações ‘literocontributivas’ à institucionalização,

a partir dos Planos de

Expansões Municipais, onde se encontrem,

ao plantio de mudas de árvores

frutíferas em canteiros públicos,

praças, logradouros, estradas municipais,

para que em futuro próximo,

números astronômicos de frutas

encontrem-se fora das práticas comerciais

como objetos de mercado, livres

da troca por moedas, ao alcance

de um simples estender de braço daqueles

acometidos pela fome. Para o

emergente alcance das metas, a ALB

criou uma diretoria própria,

ALB/Humanitária, dirigida pela

Primeira Dama da ALB, Imortal,

Dra. Dinalva Carabajal – PhI e

Embaixadora para o Brasil, da

Divine Académie Française des Arts

Lettres et Culture (Fundada e dirigida

pela Imortal Diva Pavesi). A ALB,

mesmo caminhando para o seu décimo

sexto ano de fundação e vigésimo

segundo de concepção, ainda estrutura-se,

perseguindo o ideal de completar-se

enquanto entidade literocultural

politicamente ativa. Como o

faz o nobre confrade, entrevistador,

sociólogo e jornalista Fernandes

Lemes, ao dar forma e formato à

Revista Criticartes, sinalizando à cultura

literária brasileira, em questionamentos

personalizados daqueles a

quem entrevista, não delimitando espaço,

em ‘liminar mensagem’ traduzida

em incentivo à produção literária

brasileira. Transcendendo ao objeto

inicial ‘entrevista’, para dar lugar a

possibilidades expansionais ‘literodifusionais’

de novas visões. Estas, por

excelência, no que se absorve como

objeto final da Revista Criticartes, de

expectativas paradigmaximizativas e

evolucionais, de promessas plausíveis

‘filosofoimplementacionais’ que sinalizem

a um novo tempo à literatura.

As experiências concretas em

Municípios, Regiões, Estados e

Países ganham dinamicidade ao enc

o n t r a r e m ‘ P r e s i d e n t e s e

Representantes’ preparados para a

complexa tarefa de conduzirem uma

‘Entidade de Livres Pensadores’ – os

quais têm total liberdade de expressarem

suas opiniões e resultados de suas

análises, sem que o corpo dirigente

da ALB lance, sobre os mesmos,

quaisquer represálias ou tente limitálos

ou calá-los. Ao contrário, entre as

Missões da ALB encontra-se o total e

irrestrito apoio - mesmo aos sonhos e

ideais mais impossíveis de cada um

dos Membros. Sem quaisquer hipocrisias,

a ALB não oferece diretrizes

ou exige que os Membros acompa-

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ENTREVISTA

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

que se faça presente na vida brasileira

e mundial por incontáveis anos.

Inúmeras antologias foram produzidas

a partir de iniciativas de nossos

Presidentes, Diretores e Membros,

em instâncias Regionais, Estaduais,

Municipais e Internacionais.

Contudo, somente agora retomou-se

a proposta de uma obra, em formato

de Coletânea, proposta pelo Imortal

Vladimir Cunha Santos, Vice-

Presidente da ALB/RS. Em 2015,

por ocasião de encontro com um dos

Diretores da Editora Alternativa de

Porto Alegre, ao participarmos do

evento de lançamento de outra antologia

pela Alternativa lançada, com

preponderância de escritores da

ALB/Amazonas, presidida pela escritora,

Imortal, Dra. Silvia

Carvalho, conseguimos delinear a

obra que atenderá integralmente o

questionamento levantado pela

Revista Criticartes. Trata-se da

Coletânea Imortais, de publicação

anual, a qual objetiva ampliar a visibilidade

dos escritores Membros da

ALB. A Coordenação de lançamento

da campanha publicitária de adesões

elegeu novembro/2016 para difusão

do Projeto. Objetiva-se reunir, ano

após ano, os aproximados 8.600

Membros, considerando-se 900 jovens

‘escritores potenciais’ identificados

por concursos literários escolares

ou por indicações de seus professores,

fundamentados em trabalhos em

sala de aula, no âmbito da Secretaria

de Educação do Estado de Roraima,

tanto da capital quanto do interior,

passando a integrarem, estes jovens,

a ALB/Estudantil de Roraima.

Projeto este, desenvolvido em conjunto

pelas Direções escolares e a

Presidência da ALB, dentro das próprias

escolas, em atendimento ao

Projeto Piloto da ALB. No primeiro

volume da Coletânea Imortais, como

procedimento usual em antologias,

participarão, prioritariamente,

Presidentes, escritores Membros e seus

convidados, precipuamente aqueles

que confirmarem em tempo suas

adesões. O volume I contará com

não mais de 150 autores, estimandose

máximas 300 páginas, com uma tidiscriminadamente,

encontrar-se-á, a

civilização em seu estágio inicial de

fraternidade à sincronicidade de exigência

a um viver em comunhão, sob

a premissa efetiva e assertiva de serem

todos os seres iguais. Os pensamentos,

sonhos, filosofias e ideais

são o que demais concreto os seres

possuem. Todas as conquistas e edificações

humanas iniciam nos sonhos

e pensamentos. São os escritores,

aqueles que mais se exercitam na arte

de sonhar e pensar criativamente.

Logo, a ALB sonha com a produção

de livros, poesias e filmes, com efetivo

caráter contributivo à condução

da humanidade. A partir de visões

claras que possam modificar, para

melhor, os sistemas e o próprio

Mundo.

“O grande sonho da

ALB, quando de sua

criação, fora reunir os

escritores brasileiros em

torno de uma entidade

que os convida e os incentiva

a exporem-se

um pouco mais, dedicando

parte de suas escritas

e competências literárias

a possibilidades

resolutivas dos grandes

problemas Nacionais e

Mundiais.”

Imprimindo à escrita, um traço útil,

de maior frequência com nosso tempo,

realidade e mais comprometida

com o futuro da Humanidade. Uma

escrita Criticoevolucionista ou

Criticomaturacional, denotando

compromisso e responsabilidade humana,

política e social, em comunhão

com os sofrimentos e necessidades

humanocivilizatórias.

Utilizando-se de pequenas contribuições

em análises e geração de alternativas

sugestivas e criativas à resolução

e equação de problematizações conjuntas

sociais. Isto, sem perda da escrita

que forma, informa, alegra, inspira

e sistematiza. Alimenta a criatividade,

acalma, distrai e orienta, também

indispensáveis ao equilíbrio e

sustentação psicoemocional pessoal

e social.

Criticartes: A ALB possui um repositório

literário com as obras dos membros

para acesso? Existe esse repositório

online?

Mário Carabajal: Essa meta compõe

também nossos objetivos. Iniciamos

esse trabalho. Os autores Membros

da ALB enviavam exemplares para o

nosso Departamento de Registros

Históricos Documentais em Brasília,

objetivando-se reunir em uma biblioteca

as obras de Membros da ALB.

Contudo, após alguns anos, os livros

foram doados. A maior possibilidade

transformadora de um livro encontra-se

em sua disponibilização aos leitores.

Assim se fez com todos os livros

enviados para o acervo da ALB em

Brasília. Atualmente, estuda-se, com

um de nossos webdesign do

Departamento de Tecnologias da

ALB, uma forma facilitada e automática

de nossos Membros disponibilizarem

suas obras através do Site

Oficial da organização. Um mapa

mundial deve ser colocado no Site,

onde pontos com links apontarão para

nossas Seccionais. Ao serem estas

acessadas, conduzirão os visitantes à

História da Seccional, Diretoria e

Membros, seus patronos e obras, inclusive

à livraria da ALB, com possibilidades

de aquisição das obras.

Criticartes: Em linhas gerais, como

está o desenvolvimento da produção

literária da ALB em todo o país?

Existe uma coletânea ou antologia

com a produção dos membros de todo

o Brasil?

Mário Carabajal: Isso já aconteceu

ou há previsão? Nas bases da filosofia

de fundação da ALB, os sonhos ocupam

lugar ímpar, preponderante e de

supremacia ao demais. Assim, a produção

literária da ALB encontra-se

em plena e infinita construção.

Sonhando-se com uma academia

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ENTREVISTA

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

ragem de 10 mil exemplares.

Participam, observem-se, Membros

da ALB e Convidados. Logo, os

Membros que convidem escritores externos

à ALB, estarão paralelamente

fazendo suas indicações à Cadeiras

Vitalícias nas respectivas instâncias

de suas residências. Espera-se uma

g r a n d e a d e s ã o i n i c i a l p o r

Presidentes, Diretores e Membros da

ALB. Ainda, em resposta ao questionamento

da Revista Criticartes, a

ALB acredita que todos os seres, independentemente

de suas formações,

contem com potenciais latentes,

prontos a aflorarem, desde que estimulados,

como o faz a escritora

Imortal, doutora em Filosofia

Univérsica, Pérola Bensabath, ao organizar

volumes anuais, em regime

de coautoria, revelando centenas de

excepcionais escritores, sem perda de

maior visibilidade também àqueles já

consagrados que participam do

Movimento Literário Brasileiro Elos

Literários. Ou, como o faz a escritora

brasileira, Imortal Apolônia

Gastaldi, Presidente da ALB/SC –

Ibirama e Microrregional do Alto

Vale Itajaí – Presidente do Conselho

Estadual da ALB/SC e Membro do

Conselho Superior Nacional da

ALB, ao lado do Professor Doutor,

Miguel Simão, Presidente Fundador

daquela Seccional Est adual

Autônoma, ao fomentarem, orientar

e acompanhar produções solo dos escritores

Membros, inclusive de escritores

‘crianças, jovens e adolescentes’.

A ALB/SC – Ibirama, presidida

pela Imortal Apolônia Gastaldi, pelo

terceiro ano seguido, em 2016, promove

o Terceiro Encontro de

Academias, Escritores e Poetas de

Santa Catarina. Ainda, como o faz

anualmente o escritor Imortal, Dr.

Carlos Venttura, com a obra bilíngue

A era das palavras, oportunizando visibilidade

internacional àqueles que

participam desta belíssima e profícua

Coletânea. Não obstante, também o

escritor Imortal, Dr. Mauro

Demarch tem oportunizado grande

visibilidade a escritores novos e consagrados,

através da Coletânea

Encontro de Escritores, reunindo escritores

nacionais e internacionais.

Também a ALB/Brasília – DF, sob a

presidência da Imortal, Dra. Vânia

Diniz, tem produzido anuários e antologias.

Agora, busca-se reunir os

Membros da ALB na obra que se traduzirá

no pensamento da organização,

sob o sugestivo título designativo

de seus Membros ‘Imortais’, estendendo-se

aos escritores ‘Convidados’

por nossos confrades e confreiras.

Criticartes: O que é ser um poeta verdadeiramente?

Qualquer pessoa que

faz versos é um poeta?

Mário Carabajal: Em meu ver e entender,

sem a pretensão de encerrar a

questão, ser poeta, não significa escrever

versos bem ou mal. O verso deve

expressar sentimento e sensibilidade.

Também exige uma mensagem

que resulte em evolução do ser, sociedade,

humanidade, harmonizando-o

com a natureza.

“Ser poeta denota uma

condição de vida, esta,

no comportamento, no

humor, na forma encontrada

à resolução de problemas.

Ser poeta, em

minha ‘pretensa’ análise,

ultrapassa os limites

das palavras, ganhando

significado mesmo em

um traço, um ângulo,

uma curva”.

Um pensamento! Uma contemplação!

Um simples sorrir ou olhar, puro,

com ódio, envergonhado ou de altivez.

O poeta pode não ser humano,

como um movimento de galhos, folhas

ou ondas do mar. Está no som,

textura. Necessitando, tais instâncias

surreais do ‘Ser Poeta’, serem capitadas

e decodificadas em linguagem

poética convencional. Ser poeta pode

ultrapassar limites e delimitações,

regras e convenções. Na poesia a pró-

- 11 -

pria matéria, astros e animais se comunicam,

jamais são sacrificados e

até mesmo falam através do autor.

Cantos se calam para dar lugar a simples

sons em poesias expressos pelo

ar. Ser Poeta, humano, de livro na

mão, em comunhão com a gramática

e academia, sem críticas e ironia, aplausos!

O poeta é todo ser que utiliza a

forma poética, em versos, observadas

a beleza e a estética, para transmitir

suas análises da natureza e impressões

emocionais, em todo seu esplendor,

espanto e admiração, dúvidas e

conclusões, alegrias e tristezas, amor

e ódio, anseios, medos, saudades... O

verdadeiro poeta vive sua poesia.

Admiro e respeito muito os poetas,

por se fazerem a própria expressão

‘pura, sábia e artística’ da luz do pensamento

emotivo humano. No entanto,

atrevo-me aconselhá-los serem

um pouco menos rigorosos consigo.

Isto, por observar-se nos poetas, um

desgaste pessoal muito profundo, como

resultado de vidas e mentes que

se entregam e se consomem pela própria

arte poética e exercício reflexivo

filosófico.

Criticartes: Quais foram os autores

que o influenciaram em sua produção

literária?

Mário Carabajal: Quando criança,

eu lia tudo o que encontrava. Mas foi

Olavo Bilac, aos 9 anos, por incentivos

da professora Margarida, na quarta

série, meu primeiro autor. Minha

mamãe (Manuela Cacilda), me presentou

posteriormente com um dos

livros de Bilac. Contudo, só adquiri

o hábito de ler, de fato, salvo livros de

disciplinas escolares, aos 17 anos,

quando no Rio de Janeiro, na

Fortaleza de São João, um grande

amigo, tenente Moura, convidou-me

para organizar a biblioteca dos oficiais.

Livros empilhados e empoeirados,

onde ‘sozinho’ sentia-me acompanhado

por centenas de autores e suas

filosofias. Não conseguia colocar um

só livro na prateleira, em sua ordem,

sem antes aventurar-me em suas páginas.

Isto em 1977. O conhecimento e

liberdade, propostos pelos livros, fazem

com que os leitores acabem por

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ENTREVISTA

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

confrontar e criticar os sistemas, retornando-lhes

a ‘força diametralmente

oposta’. Mas é a única forma e

meio de evolução. Não há evolução

sem a otimização da cultura. Salvas

aos nossos autores!

Criticartes: Dentre seus livros publicados,

quais os gêneros? Existe algum

de poemas?

Mário Carabajal: Imortal Rogério

Fernandes Lemes, assim o trato por

ser o nobre sociólogo e jornalista,

também escritor, Membro Vitalício

da ALB/MS - somente um entre os

meus livros ‘Estado de Espírito’ ganhou

traços poéticos. Não!

Equivoco-me, também o quinto ‘Em

Busca da Evolução’, utilizei-me da

poética, para registrar, a priori, o que

jamais pretendia publicar, mas por incentivos

de amigos, acabei encorajando-me.

Isto em 1993, se não me falha

a memória! Antes de dormir eu

sempre orava/rezava e, por achar muito

interessante o que conversava

com Deus, passei a registrar tais pensamentos,

resultando no livro ‘Orações

Filosóficas’. Outra excepcionalidade

em minha linha de escrita ocorreu

em 1995, quando a partir de um

sonho, ao acordar, em um sábado,

“trazia na mente um romance

completo, com lugares,

épocas, enredo,

personagens, protagonistas”

e o mais incompreensivo, interessante

e impressionante, o sonho o qual

transformei em livro, trazia minha esposa,

Dinalva Pereira Barbosa, a qual

só conheci/reconheci, identificando-a

como a protagonista de meu sonho/livro

alguns pouco anos depois,

em 2001, confirmando matrimônio

em dezembro de 2016, em igreja de

Copacabana, no Rio de Janeiro. Este

sonho/livro, o qual me apresentou a

‘Mulher da Minha Vida’, comecei a

escrevê-lo em um sábado pela manhã,

ao acordar, finalizando-o no dia

seguinte, domingo à noite, quando

coloquei o ponto final. Fora estas

três exceções de gêneros literários, os

demais livros são técnicos e científicos.

Escrevi muito na área de psicanálise.

Atualmente trabalho sobre aproximados

40 outros títulos de futuros

livros.

Criticartes: Quais os livros que o senhor

indicaria para os novos escritores

e poetas brasileiros, no sentido

dessas leituras contribuírem para o

aprimoramento intelectual e artístico,

bem para manter e alimentar a

musa, tão falada pelo Ray Bradbury,

por exemplo.

Mário Carabajal: O mato-grossense

Manoel de Barros ou o alegretense

Mário Quintana e o carioca Olávo

Bilac, entre uma centena de outros

excepcionais escritores de fascinantes

obras referenciais, podem auxiliar

na formação de valores iniciais dos seres.

Estes foram àqueles que mais influência

cultural exerceram sobre o

meu ser em minha infância. Martha

Barros, filha de Manoel de Barros,

ilustrou o livro do pai ‘Poeminhas

em Língua de Brincar’, de onde, pela

união de palavras e ilustrações, resulta

em um lindo mundo, atraente e recheado

de simbologias para crianças.

Bons livros (lidos ou adaptados para

a TV e Cinema) moldam e auxiliam

na importante formação de valores

originais – por serem, após aos ‘mandados

parentais – emitidos pela família’,

os seguintes a serem interiorizados

e validados pelos seres, passando

a balizar condutas e comportamentos

presentes e futuros de quem os lê

ou assiste.

“Um mundo sem maiores

distorções e criminalidades,

necessariamente,

passa pelos humanos

e criativos escritores de

literatura infantil”.

Os quais, aproximam os iniciantes leitores

de um fazer construtivo, consciente

e responsável de suas vidas, sob

assertivas integradoras e harmônicas

com a natureza. Ensinam a contemplar

e melhor apreciar o belo, dócil,

- 12 -

rústico, humilde e verdadeiro.

Revelam às crianças a arte de abstrair

ensinamentos de suas experiências,

ainda que de difíceis, inóspitas e por

vezes dramáticas realidades. Não obstante,

os escritores revelam ensinamentos

até mesmo pinçados da tragédia.

Meio aos atuais responsáveis

por esta linda e magistral arte de levar

às crianças e adolescentes os verdadeiros

valores que dignificam e

bem justificam o crescer e expandir

horizontes, sonhar e contribuir à edificação

de um mundo harmônico,

próspero e humano, observam-se

efervescentes especialistas, mestres e

‘doutos’ nessa mágica contribuição,

como as escritoras Lorena Zago,

Apolônia Gastaldi, Arlete e Júlio

Cesar Bridon. Também, entre outras

joias da ALB, a jovem Membro da

A L B / S C – P r e s i d e n t e

Getúlio/Mirim, Eduarda Gabriely

Bairros, autora de ‘A gatinha de julinha’.

Seriam incontáveis os escritores

que fazem da literatura uma linda

e verdadeira arte de iluminar mentes,

irradiar e resgatar vidas, como o

Imortal, Dr. Gustavo Dourado, da

ALB/DF – o qual defendeu sua dissertação

de Mestrado, utilizando-se

da forma poética, mesmo abordando

o difícil tema ‘Fome no Mundo’.

Criticartes: Para aqueles que desejam

fazer parte da ALB quais os critérios

a serem atendidos?

Mário Carabajal: Mestres e

Doutores não necessitam comprovar

serem escritores, por força de suas indispensáveis

e obrigatórias produções

cientificoliterárias à conquista

de tais títulos.

“O principal quesito de

‘imortalidade’ de um escritor

é a sua obra”.

Ainda que um escritor conte com o título

Imortal, por pertencer a uma

academia, poderá outro, sem esse

mesmo título, ser imortalizado na perenidade

de sua filosofia e obra. Não

basta ‘estar’ Imortal. No entanto,

por força de uma organização acadêmica,

contarão seus Membros com

grande atenção sobre suas obras e no-

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ENTREVISTA

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

Criticartes, com apenas um ano, dirigida

por seu idealizador, o editor

Rogério Fernandes Lemes, consegue

tocar profundamente o âmago de

quem entrevista. Base essencial a um

retorno aos leitores sob máximas de

exposição das mentes apontadas pela

Revista. Assim senti-me, comprometido

em oferecer aos leitores da

Revista Criticartes a minha mais ampla

e profunda impressão sobre os temas

levantados e de questionamentos.

Dessa forma, com o passar dos

anos, inequivocamente a Revista

Criticartes contará com uma verdadeira

mostra do fazer literário brasileiro,

constituindo-se em uma fonte de

pesquisas, séria e comprometida, ao

alcance de todos. Imprimir tamanho

ritmo a um veículo de comunicação

em seu primeiro ano, bem identifica

aquele que o dirige – seus ideais e horizontes.

Parabéns pelo primeiro ano

da Revista Criticartes! Saio desta entrevista

à ‘Aniversariante Revista

Criticartes’, renovado, emocionado

e infinitamente agradecido por tamanho

privilégio que me foi concedido

por seu Diretor Presidente,

Fundador e Editor Chefe, Rogério

Fernandes Lemes. Sobretudo por encontrar-me

vivo e presente neste marco

histórico da literatura brasileira,

de comemoração do primeiro aniversário

de um veículo Nacional e

Internacional de Comunicação, com

evidentes princípios, nobres propósitos

e irrefutáveis proficuidades.

“Em nome da

Academia de Letras do

Brasil, utilizando-me

das prerrogativas estatutárias,

para indicar a

Revista Criticartes ao

Prêmio ‘Causas

Imortais/ALB/2016’,

pelos relevantes serviços

prestados à Cultura

Literária Brasileira”.

Outrossim, desejo êxito contínuo, sames,

pela lembrança e ações acadêmicas,

ano após ano, sem jamais cessar.

Isto, por assumirem o status natural

de Patronos ‘de novas Cadeiras’

quando de suas mortes. Logo, as academias

influenciam no reconhecimento

público dos escritores ‘imortalizados’

em Cadeiras Vitalícias.

Não obstante, em vida, unidos em

torno de academias, encontram caminhos

e facilidades a uma maior visibilidade

de suas obras, com naturais

projeções pessoais.

“A academia motiva, incentiva,

fomenta e auxilia

significativamente à

editorialização do que é

produzido por seus

Membros”.

Tanto pelo natural meio multiliterário

ensejar trocas experienciais, quanto

pela formação de elos entre autores

e editoras, resultando em maiores

facilidades de publicação. Os escritores

necessitam fazer com que suas

obras sejam lidas, propiciando reflexões

e profundas mudanças comportamentais,

políticas e sociais. Suas teses,

ensaios, pesquisas, filosofias e dissertações

científicas; e ainda contos,

crônicas e poesias necessitam chegar

ao grande público. Isto, em nossas visões,

traduz-se como o mais importante,

ao realizar pessoalmente àquele

que produz, além de imprimir maior

significado e sentido a sua obra. A

conquista de uma Cadeira Vitalícia,

em uma organização acadêmica, evidencia

encontrar-se o escritor ou escritora

que a ocupa, em um avançado

estágio em sua carreira literária, devendo,

esse importante marco, ser

muito comemorado, em especial,

por remeter ao escritor profissional,

Imortal, pelo desígnio acadêmico.

Certamente, isto se constitui em motivo

de grande alegria pessoal, familiar

e social. A diplomação e posse de

um escritor (a) em uma academia de

letras, em especial, se entende como

o reconhecimento e comprovação pública

daquele escritor haver consolidado

seu espaço no mundo formal literário.

Ou, minimamente, em franco

caminho estabilizador do escritor

profissional. A ALB, entre outras propostas,

coloca-se ao lado de todo escritor

à conquista desta nova fase em

sua vida. No entanto, a ALB foge aos

padrões estilizados apresentados pela

Academia Francesa. A História da

ALB remete diretamente a Ordem

de Platão. Buscando-se na fonte, com

o próprio precursor, sem estilizar, os

exemplos a que deve a instituição fundamentar-se

em sua trajetória e ideais,

com propósitos organizacionais,

procedimentais, filosóficos e normativos

de Identidade Própria, como a

não limitação de números de

Cadeiras nas Seccionais da ALB ou,

a n a l i s a d a s a p e n a s ‘ q u a l i -

quantitativamente’ a obra dos

Membros. Isto, por não haver razões

que justifique a distinção entre àqueles

que se dedicam à arte de escrever.

O escritor que queira aderir à ALB

exige-se tão somente comprovar ser

escritor. Uma vez comprovado, será o

escritor orientado ao processo de diplomação

e posse em solenidade oficial

da ALB aberta ao público. Vale

ressaltar que a ALB não exige quaisquer

contribuições mensais ou anuais

para a outorga de seus diplomas e

medalhas. Quaisquer exigências nesse

tocante, em quaisquer instâncias

da organização, distorcem e extrapolam

os ideais e propósitos institucionais

da Academia de Letras do Brasil.

Criticartes: Por gentileza faça suas

considerações finais sobre nossa entrevista.

Mário Carabajal: Agradeço com veemência

à Revista Criticartes pelo estimulante

e motivacional convite.

“A entrevista à Revista

Criticartes propiciou-me

um grande momento de

reflexão sobre a trajetória

da Academia de

Letras do Brasil, seus

ideais e metas”

a serem perseguidas. A Revista

- 13 -

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ENTREVISTA

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

úde e sabedoria aos Editores e

Colaboradores. Salvas à Revista

Criticartes! Nossos sinceros votos de

‘Imortalidade’ a esta verdadeira e extraordinária

Obra trimestral de referenciais

a um fazer literário em um país

‘pobre politicamente’ - ‘rico em sonhos

e ideais’ – ‘riquíssimo em coragem,

perseverança e iniciativas’ a

exemplo do Escritor e Poeta Rogério

Fernandes Lemes e Revista

Criticartes – o ‘Criador e a sua

Obra’, juntos, completando sua ‘Primeira

Volta ao Sol’, em demonstração

da possibilidade real de implementação,

consecução e transformação

de ‘Sonhos em Realidade’. Salvas

ao seu idealizador e Presidente - celebridade

literocultural brasileira por

excelência e força de sua obra, ao conquistar

e consolidar espaço meio a

um segmento de leitores ‘altamente

críticos’ – de intelectos maduros,

conscientes, esclarecidos e politiza-

dos. Curvo-me para cumprimentar

esses célebres intelectuais, cientistas,

ativistas culturais, professores e escritores,

leitores da Revista Criticartes,

com votos sinceros de saúde, prosperidade

e uma passagem de ano repleta

de alegria, paz e vitórias em seus

projetos pessoais, familiares, institucionais

e profissionais. Muito obrigado!

A ALB/Ceará é a mais recente Seccional Estadual

A ALB/Ceará foi instalada e seus Membros diplomados no dia 2 de julho de 2016. A Solenidade ocorreu em

Fortaleza, na Assembleia Legislativa do Estado. Assumiu a Presidência da ALB no Estado do Ceará, o escritor,

Imortal, Dr. Luiz Aldir.

Registro Histórico Documental – Membros Fundadores Vitalícios da ALB/Ceará. Foto: ALB.

Comitiva da ALB presente na Solenidade de

Instalação da ALB/Ceará: Manuela

Cacilda, Vice-Pres. do Conselho Superior da

ALB; Clara Maciel, Pres. da ALB/BA; Casal,

Professora Lorena Zago, Vice-Presi. ALB/SC-

Presi. Getúlio, e esposo, escritor Zago.

Vice-Presidente da ALB/SC – Presidente

Getúlio, Profa. Lorena Zago, é diplomada na

ALB/Humanitária pela Dra. Dinalva

Carabajal - Árbitra Jurídica.

Presidente e Diretora da ALB Humanitária,

Carabajal e Dinalva, diplomam e empossam

o Presidente Fundador da ALB/Ceará,

Dr. Luiz Aldir.

Primeira Dama da ALB/Ceará, Dra. Sandra

Marques Lima, diplomada por Dinalva

Carabajal, na ALB/Humanitária.

- 14 -

Convite para atividade literária alusiva

ao Dia Nacional do Livro organizada

pela Seccional/MS/Dourados,

sob a coordenação da poetisa e membro

da ALB/MS Odila Lange, apoio

e presença da escritora Nena Sarti,

Presidente da ALB/MS. Foram distribuídos,

gratuitamente, mais de

mil exemplares de autores douradenses.

Estiveram presentes os membro

da ALB/MS Aurineide Alencar e

Rogério Fernandes; os membros da

Academia Douradense de Letras

Leonir Menegati e Merlinton Braff.

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Poesia

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

Morte

Marise Andreatta

Dourados, MS

@: mariseandreatta.2013@gmail.com

Morte...

Quem quer saber de ti?

Infame presença,

Pois, de súbito, retira o desejo de ser pessoa.

O sorriso dos lábios se esvai...

Permanece apenas a matéria fria

Testificando que o tempo fechou...

E o dia na terra findou.

A marcha silenciosa do sepultamento

carrega as dores de quem ficou.

Choro... tristeza...

Poderia ter abraçado um dia mais?

A morte diz que não.

A família desunida, estranhamente unida no

dia da visitação da morte.

Os laços de intrigas, como névoa,

parecem desfeitos!

Pura aparência.

Não há mais tempo de consertar os relacionamentos,

já que o fôlego de vida cessou.

A morte levou a esperança

de prosseguir os sonhos!

Estranha morte.

O único som é o barulho da terra

lançada em cima do caixão.

Porém, a alma alcançou liberdade da prisão

do corpo de uma eterna mesmice na terra.

... Eu pergunto:

Viverá a alma em outro tempo?

Se sim, que seja um tempo melhor que este...

http://img.theepochtimes.com

Chorinho

Varenka de Fátima Araújo

Salvador, BA

@: venkadefatima@hotmail.com

Só e abandonada no meu quarto

Naquele silêncio noturno

Fiquei a divagar em sonhos

Ouvi sons de choro

Este ritmo puramente brasileiro

Da janela visualizei

Estavam, Osmar e os Regionais

Um tocava flauta,outro no bandolim

O cavaquinho executava a melodia

Dois violões de cordas acompanhavam

E o pandeiro marcando o ritmo

Tocaram música de Pixinguinha

O carinhoso me emocionou!

Com o tico-taco no fubá

O coração transbordou de alegria

A serenata acabou....

Minha alma em desejos

Ficou sentindo o chorinho

E no dia 23 de abril comemoro

Ouvindo muito chorinho.

- 15 -

SINOPSE - Nau dos Amoucos

Em que o amor é diferente da loucura? Este é um dos questionamentos

de Inácio, homem de cinquenta anos que acaba de enterrar

a mãe, consumida pela loucura. Esta morte faz com que ele seja

lançado na roda do tempo. Até ali, passara a vida preso em fendas

temporais, dividido entre amores presentes e passados. Ao

reencontrar um amor suspenso há anos, o sentimento que estava

congelado começa a derreter e toma sua vida de forma que sua

velha casca já não lhe cabe mais. Os dois acontecimentos fazem

com que se depare com a pergunta sobre seu desejo, e terá que se

haver com isso, reescrevendo uma nova história.

Autora: Isloany Machado Contato: isloanymachado@gmail.com

www.revistacriticartes.blogspot.com.br


Artigo

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

http://papodehomem.com.br

Um jardim para o poeta

Maria Eugênia Amaral

Dourados, MS

@: mariaeugenia.amaral@gmail.com

- 16 -

Há meses que trabalho nele, planejando, organizando,

encomendando mudas e plantando.

Uma jabuticabeira, dezenas de chuvas-de-ouro fixadas

em uma antiga mangueira, canteiros de alecrim,

lavanda e amendoinzinho, além de duas árvores

para colher pitangas e acerolas. Um jardim feito

com e para os sentidos: para olhar, tocar, colher,

cheirar, comer. Mas sempre faltava um pé de alguma

coisa, cobertura para algum canteiro, uma muda

pra transplantar... E hoje, ao sentir o aroma do

alecrim e me alegrar com os primeiros botões da alamanda

amarela, decidi que o jardim estava pronto.

Foi então que encontrei um joão-de-barro caído,

agonizante sobre o gramado. Um calafrio me percorreu

e pensei, com tristeza profunda: “O poeta está

partindo...”. Ontem mesmo eu havia conversado

com amigos sobre sua hospitalização e a fragilidade

de sua saúde.

A tristeza não me atingiu em vão. Manoel de

Barros foi embora e deixou órfãos incontáveis: borboletas,

pedras, sapos, árvores, lesmas, jabutis, pássaros,

rios e até o vento. Nem o cachorro Ramela escapou.

Ficamos todos à deriva, buscando terra firme,

sem asas, com ramos caídos, pernas e patas sem

chão.

Faz muito tempo que nos conhecemos, e no

começo achei muito esquisitas aquelas suas palavras,

à primeira vista tão sem pé nem cabeça — como

se a alguma delas faltasse cabeça ou pé. E então, baixando

a guarda e deixando-me contaminar por suas

invencionices, fui abduzida em 1985.

A nave alienígena foi um livro seu. Na época,

coordenando um grupo de pesquisa na UFMS,

estudávamos sobre biodiversidade de plantas aquáticas

e sua fauna associada. E eu passava a vida envolvida

com questões a serem respondidas sobre padrões

e processos reguladores, com planilhas, análises

estatísticas e uma parafernália de teorias e hipóteses

sobre a diversidade biológica no Pantanal. Foi

quando li em seu “Livro de pré-coisas” que “no

Pantanal ninguém pode passar régua. Sobremuito quando

chove. A régua é existidura de limite. E o Pantanal não

tem limites” — e uma revelação me atingiu como um

raio. Eu era uma besta! Tanto trabalho, tanta pesquisa,

e o poeta matava a questão a pau, nua e crua.

Nunca mais fui a mesma.

Hoje não tem mais jeito; vou deixar a tristeza

me derrubar. Mas amanhã, prometo, vou dançar

de cabelos soltos no jardim, dando bom dia às lesmas

e beija-flores, celebrando a alegria de ter em

mãos (a ao alcance de minha compreensão) poemas

como os seus.

Obrigada, Manoel de Barros!

Publicado no dia 13/11/2014 em: www.mariaeugeniaamaral.com

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Homenagem

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

Nosso Manoel...

Bianca Marafiga

Dourados, MS

@: biancamarafiga@hotmail.com

Renovando o homem usando borboletas,

Arquitetando silêncios...

Em uma casa ou em uma rua sem nome.

Ele, um homem simples.

Escuta a voz dos passarinhos que recitam,

E canta a canção das cigarras que arrebentam o verão.

O glorioso...

E não um Manoel qualquer...

Aquele criado no mato,

Que aprendeu a gostar das coisinhas do chão,

Antes mesmo das coisas celestiais.

Aprendeu mais com as abelhas do que com aeroplanos.

Manoel não queria significar,

Apenas queria assim como eu,

Inventar caminhos com novas palavras.

Hoje não mais apenas Manoel de Barros, mas Manoel dos Céus,

“Fecho os olhos, descanso. Os ventos levam-me longe... Longe”

E assim, por aqui ficam os poetas que Manoel inspirou.

Fica também a certeza de que encontrou por lá,

Coisas mansas, e a liberdade para o silêncio das formas e das

cores.

Manoel Venceslau Leite de Barros

Joabnascimento

Camocim, CE

@: joaobnascimento55@gmail.com

Aos dezenove dias do mês

Ano de mil novecentos e dezesseis

O mês era dezembro

Manoel de Barros nascia

Trazendo consigo a poesia

A hora exata eu não lembro.

Aquele pequeno menino

Com alcunha de “neguinho”

Precisava estudar

Aos oito anos de idade

Partiu pra outra cidade

Para o colégio se internar.

Marcos Coelho

Dourados, MS

@: sagitariusdin@hotmail.com

Menino Manoel...

Barros de Manoel...

Barros – Olaria...

Barros – Poesia...

Manias de Manoel...

Carrossel Quebrado...

Garoto Levado...

Quinquilharias...

Desprezos e Incertezas...

Durezas e Asperezas...

Sentir dualizado...

Impossível de ser decifrado...

Apenas sentido, domado...

Bugigangas...

Roncos de Bugio...

Pé de Cedro...

Corumbás e Cuiabás...

Letras, Cigarras, Lesmas...

Caracóis...

Águas e Chão...

Um Encontro amoroso...

Fecundante...

O Dialeto Manoelês...

O Seu Ressonante poema...

Ser de Bugre e de Brejo...

Águas: Início das Aves... dos Peixes...

dos Homens...

Manoel – de Barros –

de Brejo – de Tudo...

TUDO: Poesia... Matéria –

Química – Essência.

Original – Origem: Menino – Poesia...

Após ter um monumento pichado

Um livro que nunca foi publicado

O livrou certa vez da prisão

A dona da pensão o protegeu

Aos policiais o livro ele deu

“Nossa senhora de minha escuridão”.

Com um ano de idade

Mudou-se pra outra cidade

Foi morar em corumbá

Na região do pantanal

Viveu no meio de curral

Deixava a cidade de Cuiabá

Após dez anos de internato

Com os livros teve contato

Do padre Antonio Vieira

Partiu para o rio de janeiro

Foi comunista e grafiteiro

Quase foi preso ao dar bobeira.

- 17 -

Com o seu idealismo

Aderiu ao comunismo

Formou-se em advocacia

Foi membro da “juventude comunista”

Assim de vez ele conquista

Tudo aquilo que queria.

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Homenagem

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

Desde os treze anos de idade

Já demonstrava afinidade

Admirava a poesia

Só aos dezenove anos escreveu

O primeiro poema seu

Para o nosso prazer e alegria.

O primeiro livro publicado

“Poemas concebidos sem pecados”

Foi feito artesanalmente

Esse foi o ponto de partida

De tantos outros em sua vida

Que viriam naturalmente.

“Não assumir reponsabilidade

Com a prática da verdade

No meio da literatura”

Com seu rico material sensitivo

Usando o seu arbítrio criativo

Fez da poesia a sua arte pura.

Do comunismo se desligou

Quando prestes o decepcionou

Após dez anos de prisão

“Quando o seu discurso escutei

Sentei na calçada e chorei”

Foi grande a decepção.

Saiu sem rumo desconsolado

Largou tudo de lado

E voltou para o pantanal

Dali foi pra Bolívia e Peru

Depois saiu da América do Sul

Em Nova York fez uma pausa afinal.

Passou um ano estudando

Cinema e pintura cursando

Reforçou seu sentido de liberdade

Ao voltar par o seu país

O destino deus assim quis

Conheceu o motivo da sua felicidade.

Stella o seu grande amor

Após três meses com ela casou

Viveram sempre apaixonados

Pedro, Marta e João.

São frutos dessa união

Filhos por deus abençoados.

Com muitos prêmios conquistados

Sempre viveu no anonimato

Por sua culpa e opção

Depois que Millôr o descobriu

Sua fama logo emergiu

Popularidade em toda a nação.

Carlos Drummond com bom motivo

Recusou o epíteto de maior poeta vivo

Que existia nessa nação

Em prol do poeta Manoel

Pra quem ele tirou o chapéu

Com autoridade e razão.

Foi um poeta renomado

Seu nome é considerado

Em qualquer parte, que for

Conhecido nacionalmente

Suas obras estão presentes

No Brasil e no exterior.

Entre muitas homenagens

Enriqueceram a sua bagagem

Com prêmios que colecionou

São tantos para falar

Os maiores eu tenho que citar

Dois prêmios jabuti ele ganhou.

Estabeleceu-se como fazendeiro

Da propriedade que foi herdeiro

Do seu velho genitor

Continuou poetisando

Suas obras sempre editando

Encantado o seu leitor.

O homem parte a obra permanece

E assim ele enriquece

De uma forma genial

O grande poeta partiu

Seu legado ao povo serviu

Será sempre um imortal.

No ano do seu centenário

É justo, é extraordinário.

Esse grande reconhecimento

Com meu modo simples de falar

Estou a lhe homenagear

Com honraria no meu pensamento.

“O tempo não

morre, o tempo

nasce, então não

devemos ter esse

sentimento

melancólico pelo

tempo que passa”.

Manoel de Barros

(1916-2014)

- 18 -

Poeta

Manoel de Barros

Odila Lange

Dourados, MS

@: odilalange@yahoo.com.br

Manoel de Barros,

Poeta? Escritor? Pensador?

Pregador ou Escultor?

Escultor, sim, pois

Esculpe com as palavras!

Pregador de sentimentos.

Poeta,

Em qualquer momento

É um monumento!

Poesia é esquecer:

O frio, a fome,

O salário.

É não explicar nada,

Nem o imaginário.

Poesia não se come,

Nem se veste,

Mas se investe,

Na mente inteligente

De muita gente!

Poetar é não dizer nada.

É jogar com as palavras.

É confeccionar ilusões.

Iluminar corações.

É esquecer o útil.

É trabalhar com o inútil!

Manoel de Barros,

Fala por metáforas,

Busca incorporação

Em sua criação!

Manoel de Barros,

Exige transcendência

E um certo grau

De inteligência!

Seus poemas

Fogem do banal,

São para serem lidos

Mas não entendidos,

Por qualquer mortal!

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Homenagem

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

www.noticias.ms.gov.br

Ao poeta

pantaneiro

Lindita

Belo Horizonte, MG

@: etsimoes@gmail.com

O Poeta já cantou

Toda a sua incompletude

Sua vida renovou

No caminho da virtude.

Eu tenho em mim também

Um atraso de nascença

Nunca vou muito além

Apesar da benquerença.

Eu também sou aparelhada

Pra gostar da natureza

Ela é a minha amada

Por sua imensa beleza.

Borboletas sei amar

Pela luta que empenharam

Meu quintal é o meu lar

Meus sonhos nele ficaram.

Já morei em meu abismo

Mas guardei no peito o amor.

Com as fraquezas nunca cismo

A vida me dá vigor.

Eu não sei fotografar

O silêncio que adoro

Mas quero fotografar

A existência em que moro.

O fazedor de

amanhecer

poema de Manoel de Barros

Sou leso em tratagens com máquina.

Tenho desapetite para inventar

coisas prestáveis.

Em toda a minha vida só engenhei

3 máquinas

Como sejam:

Uma pequena manivela

para pegar no sono.

Um fazedor de amanhecer

para usamentos de poetas

E um platinado de mandioca para o

fordeco de meu irmão.

Cheguei de ganhar

um prêmio das indústrias

automobilísticas pelo

Platinado de Mandioca.

Fui aclamado de idiota pela maioria

das autoridades na entrega do prêmio.

Pelo que fiquei um tanto soberbo.

E a glória entronizou-se

para sempre em

minha existência.

Nos pensamentos meus,

A vida é sempre assim

Vejo o perfume de Deus

Nas flores do meu jardim.

- 19 -

Alguns dos livros de Manoel de Barros

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Artigo

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

Por uma política

cultural pública

C

Dinovaldo Gilioli

Florianópolis, SC

@: dinogilioli@yahoo.com.br

ultura não é só literatura, música, cinema,

teatro, dança, artes plásticas. É também

o conjunto das chamadas “culturas populares”,

o artesanato, as festas e o folclore. Além

disso, é a forma de comer, de vestir, de enterrar

nossos mortos, de viver. Enfim, é um processo

de construção permanente no qual homens

e mulheres são sujeitos criadores. Mais

do que entretenimento, é o modo pelo qual

uma sociedade dá sentido à sua própria existência.

Compartilhando da ideia de que nenhuma

cultura é superior a outra, uma política cultural

de caráter público, democrático, pluralista

não deve reforçar as diferenças entre o

que se conhece geralmente como “cultura

erudita” (música clássica, balé, literatura,

ópera, etc.) e “cultura popular”. Pelo contrário,

para que não haja uma sobreposição de

valores, deve-se estimular a diversidade de

práticas culturais e provocar o encontro das

várias maneiras do fazer cultural. Sem esquecer

que certas atividades são simplesmente

invenções da indústria cultural que recorrem

à padronização/massificação, visando

apenas ao lucro. Ou ainda servem a interesses

populistas e dominantes.

Neste sentido, uma política cultural

pública deve incentivar e provocar a autoorganização

dos setores culturais, a fim de

que a produção cultural não fique sujeita aos

interesses do Estado e/ou iniciativa privada,

contribuindo para que a pluralidade cultural

que compõe o município assuma o destino

de suas práticas, não abdicando de sua herança

ancestral, nem do direito à invenção.

Essa política deve ainda resgatar a memória

cultural do povo, preservar a sua identidade

e estimular o intercâmbio dentro e fora do

país.

É preciso romper com a lógica privatista,

em que o poder público procura se desvencilhar

de sua função social. Afinal de contas,

por que pagamos impostos, a serviço de

que, e de quem, deve estar o Estado? É fundamental

e urgente cobrar dos gestores da coisa

pública a responsabilidade perante as necessidades

culturais da cidade, que leve em

consideração os artistas, os produtores culturais

e a população.

Por fim, uma política cultural pública

deve estimular a produção e possibilitar o

acesso aos bens culturais sem privilégio de

qualquer espécie e contribuir para a efetiva

construção da cidadania, em que sujeitos críticos

– verdadeiros fazedores da história, tomem

em suas mãos o controle das práticas

culturais.

Em tempos neoliberais, de endeusamento

do mercado, de exacerbado culto ao

individualismo, de selvagem competição e

egoísmo, nunca foi tão importante valorizar

a cultura, como identidade genuína de um

povo e da nação, pois a ação cultural pode

propiciar espaços que resgatem, preservem e

criem novos vínculos de solidariedade, em

que o ser humano sobreponha todas as coisas.

- 20 -

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Artigo

Políticos e População:

Quem leva à

Corrupção?

Antônio Marcos da Silva Santos

Estudante da 3ª série do Ensino Médio

Monte Alegre de Sergipe, SE

M

onte Alegre de Sergipe, esta pequena

cidade do sertão sergipano possui cerca de

quinze mil habitantes. Apesar da sua pequena

extensão territorial, bem como a sua quantidade

populacional, a mesma sofre constantemente

do mal denominado corrupção. Vivo nesta

cidade há nove anos, e ao longo desse tempo

percebi várias irregularidades nos sistemas políticos

vigentes. Estas, de certa forma, são notórias,

entretanto, parece que a população se recusa

enxergar tamanhas putrefações. Já que desregrados

são eleitos continuamente.

Avaliando essas falcatruas, notei primeiramente

a situação social e econômica do município.

Este está estagnado, não há produtividade

e muito menos sinais de desenvolvimento.

Obras, somente construções particulares; apoio

hospitalar, encontra-se na cidade vizinha; entretenimento,

apenas a feira municipal. Nessas

perspectivas, anos se passam e não consigo visualizar

nenhuma diferença na cidade, a não ser

os bancos da praça pintados com as cores do

partido em épocas de eleições municipais.

De acordo com o que já foi dito, surge

uma dúvida: Para onde vai o dinheiro público?

Isso é notório, uma pequena parcela será aplicada

para persuadir a população com distintas

formas de propina, e o restante será utilizado

para o bem próprio. Ações corruptas como essa,

acontecem frequentemente por todo Brasil.

A exemplo disso, de acordo com o site cidadeverde.com,

atualmente um prefeito e mais

quinze pessoas foram presas suspeitas de corrupção

na cidade de Redenção do Gurgueia,

município do Piauí. De acordo com a fonte,

ocorreu um rombo de R$ 17 milhões nos cofres

públicos nos últimos três anos. Com essa

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

- 21 -

informação, é perceptível afirmar que a corrupção

se alastra por todo território nacional, infectando

o país incessantemente.

Nesse contexto, lembro-me das ideias do

célebre pensador Montesquieu, responsável pela

sistematização e ampliação da divisão dos poderes,

os quais consistiam na concretização de

uma democracia plena. Consequentemente,

percebo que aqui em Monte Alegre de Sergipe

esses poderes, executivo, legislativo e até o judiciário,

estão repletos de políticos corruptos. À

vista disso, ideias elaboradas por filósofos iluministas

e regidas por várias nações, estão comprometidas

pelo mal da corrupção nos dias atuais.

À medida que essa ilegalidade aumenta,

o ambiente politicamente democrático decresce,

causando assim o lento desenvolvimento

do espaço atingido. Monte Alegre de Sergipe

engloba-se nesse espaço, visto que o município

sofre com um constante decréscimo socioeconômico,

acarretado pela má administração dos

políticos eleitos pela maioria da sua população.

Esta, geralmente leiga, persuadida com bastante

facilidade por políticos desregrados durante

as eleições, contribui indiretamente com o retrocesso

da cidade.

Dessa forma, é válido ressaltar que a população

a mercê da escassez de conhecimento

político, é convencida pelos corruptores através

de “suportes” fajutos, como o botijão de gás

por exemplo, um dos principais objetos de propina

utilizado pelos imorais. Situações como essa

ocorrem constantemente durantes as eleições

municipais. E com isso, noto que a maioria

populacional se satisfaz com míseras ações

fraudulentas dos políticos. Estes, quando eleitos,

dissipam-se das ruas e somente ressurgem

na próxima caça aos ignorantes, enquanto a

massa convive com a escassez de políticas públicas

dignas para o seu bem-estar.

Portanto, concluo que, inescrupulosos

são eleitos repetidamente. E, com isso, a cidade

não floresce. Monte Alegre de Sergipe, de fato,

mergulha em um oceano profundo de corrupção.

Mas, e a população? Espera ansiosamente

pelo próximo botijão de gás?

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Crônica

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

Amor e esperança:

dois sentimentos inseparáveis

O

dia surge com o raiar do sol. Logo vem a

esperança de cada ser humano, alguns agradecem

por ter conseguido visualizar o brilho de mais

um amanhecer, outros lamentam por ainda viver.

O fato é: nunca estaremos compartilhando

da mesma energia astral.

Não sei o motivo de isso acontecer, mas

sei que aquela mulher, residindo no mais longínquo

lugar, Dona Rose, sempre traz consigo a

esperança de o dia de hoje ser muito melhor que

o de ontem. Onde ela busca esta energia? Por

que ela nunca está do lado contrário?

Acredito que deve haver algum mistério

rondando a vida dessa jovem mulher, o que será?

Diante dessa interrogação, comecei a observar

essa criatura com mais frequência e aproximação.

Assim, fui descobrindo que cada ser humano

busca acreditar em uma esperança capaz

de tornar-se real ou não, mas mesmo assim não

desacredita no amanhã.

A senhora, olhos claros, pele branca e cabelos

pretos, traz consigo a marca de uma vida estigmatizada

pela força da ideologia machista,

personificada na pessoa do seu esposo, um homem

de olhos e cabelos pretos, estatura mediana,

pele parda e não possuidor de um físico saudável.

Desde que se casou, aos 14 anos de idade,

não sabe ou nunca presenciou uma palavra de

afeto/carinho do seu companheiro. Como pode

um ser sobreviver a tal situação?

Esse questionamento é feito, caro leitor,

para que possamos pensar, mas continuo sem saber

o motivo para tão honroso respeito e cuidado

que a renegada atribui ao seu homem.

Quando começo a analisar, logo percebo

que o comportamento da refém deve-se, uma

parte, à sua criação, pois sempre foi admirada

- 22 -

Carlos Alexandre Nascimento Aragão

Monte Alegre de Sergipe, SE

@: cana_aragao@yahoo.com.br

por seus irmãos e pais. A criação reflete na construção

do sujeito adulto. A outra parte está atrelada

ao imaginário social perpetuado no seio da

sociedade quando as mulheres são desacompanhadas

dos seus esposos. Elas tornam-se vulneráveis

ao famoso pensamento “separou-se para

vadiar com outros homens”.

Será mesmo que as Roses existentes neste

vasto mundo compartilham desta ação? É fácil,

leitor, apontarmos o indicador na direção de

qualquer ser, mas é muito difícil buscarmos o real

motivo de uma separação. É por isso que continuaremos

ver Roses sendo machucadas, assassinadas

e em muitos casos silenciadas por não terem

forças para enfrentar a voz de uma sociedade

hipócrita.

Nesse sentido, a energia emanada do

olhar, sorriso e atenção da Dona Rose advém da

esperança de um dia poder ouvir do seu grande

e único amor, um obrigado ou até mesmo um

perdão. Ela estará pronta para perdoá-lo, porque

o amor é o laço mais forte que os une. Ah,

como é bom amar! Mas amar exige retorno, ser

amado também.

Será que diante da arrogância, do machismo

não deve existir um pequeno afeto? Pode

não ser visível, porque homem não ama.

Homem trabalha para manter a sobrevivência

do clã.

É, nobre, leitor, enquanto alguns demonstram

o seu amor, mesmo se submetendo às

situações constrangedoras, outros preferem esconder

esse sentimento. Sejamos como a Rose,

exalando esse perfume de esperança por dias melhores,

esperando a Rosa se abrir, enfeitando o

dia de cada ser que busca viver, independente da

situação, um amor viniciano.

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Poesia

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

Versos de amor

DICA DE FILME

Ponto de Mutação

Eunice Guimarães

Aracaju, SE

@: eunicegarcia07@gmail.com

Sobre a terra, paira a quietude de um novo alvorecer!

A esta hora vinde beijar-me a boca,

Que eu sinta teu calor por um instante!

Suave riso em tua face resplandece!

Ó sonhos cor de sol nascente!

Tua voz tão linda se fez... a cantar como

Um pássaro, a mais doce melodia!

O amor impera nesse momento!

Nossas Almas, uno se transformam!

Meu coração palpita d'amor por ti!

Um sonho que em realidade se fez...

A noite que se fez dia!

Teus olhos de mel, em Luz se fez!

A falar do amor que no peito trazia...

E em versos esse amor jorrou!

https://petusp54.files.wordpress.com

Madrugada

Jani Brasil

Brasília, DF

@: janibrasil7@gmail.com

Na madrugada fria

Ouço a voz da solidão

A me abraçar...

Ouço o tic tac

De um coração a pulsar

Ouço o pensamento voar...

Em desejos ardentes a pulsar...

Ouço o sonho a derramar...

Ouço a lágrima a rolar...

Mas acima de tudo...

Ouço Deus a me acalmar!

- 23 -

Sinopse

Adaptação cinematográfica do físico

Fritjof Capra, um dos maiores pensadores

da atualidade, para seu best-seller, em

que reflete sobre a sociedade

contemporânea a partir de um

paradigma holístico de ciência e de

espírito. Na belíssima cidade medieval

de Saint Michel, na França, uma física

afastada do trabalho devido a conflitos

éticos (Liv Ullmann, de Sonata de

Outono); um candidato à presidência

dos EUA derrotado nas eleições (Sam

Waterston, de Gritos do Silêncio) e um

poeta que acabou de viver uma

decepção amorosa (John Heard, de

Prison Break) se encontram e conversam

sobre ecologia, guerra, políticas e

filosofias alternativas para o século XXI.

Fonte: www.interfilmes.com

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Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

http://somostodosum.ig.com.br

A morte da

vida que mata

Valeria Gurgel

Itabirito, MG

@: vallecrisgur@yahoo.com.br

A

morte sempre tem sido um tema visto pelo

âmbito da ambiguidade. Como uma controvérsia

que ao mesmo tempo em que aterroriza, angustia,

traumatiza, apavora, também desperta certo fascínio

e curiosidade, pois que a única certeza dessa vida,

ainda que inadmissível por muitos, é a morte.

Assim, mesmo que o medo pelo desconhecimento

e vulnerabilidade do tema que engloba a vida

diante da morte exista, aí mora a curiosidade indomável

por essa suscetibilidade de uma complexidade

heterogênica, quando o tema é estudado e

pesquisado por filósofos, religiosos, céticos, povos

de todos as origens e de todas as culturas, de

todos os tempos.

E desde a criação do mundo e dos seres viventes,

surge a morte, que passa a ser enxergada

como o fim de uma etapa, de uma jornada, cumprimento

de uma missão, castigo, fechamento de

um ciclo evolutivo, ou o extermínio do próprio

corpo físico, da matéria densa, do invólucro da

energia cósmica que forma a vida e até um desfragmentar

do etéreo para os que interpretam a

energia também como uma matéria sutilmente

cósmica. São as formas curiosas e diferentes de se

analisar o tema, mas sempre acolhendo o respeito

pelo receio ao desconhecido ao incompreendido,

ao que foge do controle humano. Talvez, seja necessário

desmitificarmos o real sentido da vida para

não mais precisar aterrorizar se com a morte.

Mas e se enxergássemos a morte por um aspecto

analítico da morte da vida que mata?

A morte vista de uma forma efêmera e distinta

acontecendo a cada fração de segundos como certa

renovação celular, energética e cósmica?

Como ensinamento, lapidação da ideia

grotesca que alimenta a vida que se mata aos poucos,

acreditando estar vivendo para um dia morrer?

E, a partir daí, perceber o comprometimento

que ambas temem entre si, ao ponto de numa

dicotomia entre a vida e a morte não poder

prever quando a vida mata a morte ou quando a

morte mata a vida?

Pois que se morre vivendo a cada dia e muitos

estão se matando a todo instante sem perceber!

Quando o deserto do egoísmo nutre a solidão

de areia desenhando formas irreais do viver.

Amores sem essência e valores sem consistência.

A morte poderia ser nada mais nada menos que a

morte que a vida mata!

Então porque essa utopia que afirma que a

morte sempre chega de forma estupidamente repentina

em nossas vidas? Ou que nos pega de surpresa?

Ou até que nunca estaremos preparados para

encará-la de frente? Aquele que mais viveu seria

então o que permaneceu longos anos sobre a

Terra? Ou talvez o que menos viveu fosse aquele

que temendo a morte tentou evita-la de forma infantil,

e covarde, enterrando sonhos, dormindo

oportunidades, conservando ideias em cérebros

congelados para não deteriorar os sentimentos?

Quantos nós já foram dados em laços de liberdade

e quantas algemas o destino permitiu pela ânsia

de ser feliz?

A morte só mata a vida que não se deixa viver!

Que não se permite burilar o oleiro da consciência!

Pedras brutas se deslocam da inércia

quando a morte sacode o deserto da ignorância!

E levanta a poeira que os ventos da inconsciência

exalam, contaminando consciências letárgicas de

vidas em decomposição, meros cadáveres ambulantes

circulam pelas academias do saber em busca

de um sentido real que os façam ressurgir do

abismo da incoerência de saber viver.

- 24 -

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Vida e Obra

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

Conhecendo

o Poeta

Cláudio Dortas

Estâncias, SE

@: claudiodortas@gmail.com

O Poeta com as Antologias Logos, da Fénix e O Colecionador de Poesias somamos 17 publicações desde 1982.

O Poeta e Escritor, Cláudio Dortas Araújo,

nasceu na Cidade de Itabuna, no Estado da Bahia,

reside na Cidade de Estância, O Berço da Cultura

do Estado de Sergipe, onde nasceu o Primeiro

Jornal O Recopilador Sergipano, desde 03 (três)

meses de Vida. Começou a escrever poemas,

contos e textos de cunho com abrangência social

com 14 anos de idade, e no ano de 1982, começou a

escrever nos Jornais Estancianos: Nosso Jornal,

Jornal Folha Trabalhista, Jornal do Conselho

Tutelar, Jornal Gazeta de Estância, Jornal O

Caminho, Jornal da Diocese de Palmeira dos

Índios (AL), Jornal Sul de Sergipe, Jornal A

Tribuna Cultural, Jornal Folha da Região, Jornal

Cidade Nova Notícias, Jornal do Piauitinga, Jornal

do Dia(Aracaju), Jornal Cinform (Aracaju),

Correio de Sergipe (Aracaju), Jornal Super Popular

(Aracaju), Jornal de Pomerode (SC).

No ano de 1991, precisamente no dia 24 de

fevereiro, junto com mais de duas dezenas de

poetas, funda o Clube dos Poetas Estanciano,

Entidade de Utilidade Públicas Municipal e

Estadual, Leis: 819/1991 e 8.092/2016. No ano de

1999 Lança o seu primeiro Livro “Horizontes de

liberdade e fé”; no ano de 2001 lança o Livro

“Estrada de infinito e de paz”; no ano de 2010 lança

o seu terceiro Livro “Alumbramentos d’alma”;

nesse mesmo ano participa da Antologia Nacional

Poesias Encantadas Vol. I; no ano de 2012

participa do Vol. IV; em 2014 participa do Vol. VII.

No ano de 2015 participa da Antologia

Nacional Talento Poético; no ano de 2013

- 25 -

participa da Antologia Internacional Asas da

Liberdade “Desde o Brasil até o Chile em verso e

Prosa”. No ano de 2015 participa das Antologias: I

Antologia dos Escritores Aracajuanos e

Convidados e I Antologia Poética de Sergipe

Poetizando A Vida. Ainda no ano de 2015, torna-se

Colunista do Jornal Leopoldinense, da Cidade de

Leopoldina, no Estado de Minas Gerais.

É Membro do Clube dos Escritores da

Cidade de Piracicaba, no Estado de São Paulo. No

ano de 2016 participa da Antologia I Encontro

Sertanejo de Escritores e Convidados e da

Antologia 3º Encontro dos Escritores

Canindeenses e Convidados; da 100º Antologia

Beco dos Poetas, da Antologia Enamorados, e da

Antologia Virtual O Colecionador de Poesias,

também do Beco dos Poetas e da Antologia Poesias

Sem Fronteiras.

Ainda no Ano 2016, participa da Revista

eisFluência e da Antologia Virtual Logos, da Fénix;

da Antologia Nacional Justiça e Igualdade Social e

do 5º Encontro de Escritores Sergipanos, que será

lançado no dia 19 de novembro, na Capital

Sergipana Aracaju. O poeta Cláudio Dortas

continua colaborando com Jornais e Revistas de

repercussão e credibilidades nacionais, a exemplo

da Revista Criticartes, que tem ampla divulgação

no Nordeste e em todo o Brasil. Esta é a realidade e

o momento “desvelado” do Poeta e Escritor,

radicado e vivendo na Cidade de Estância, “o

berço da cultura de Sergipe”, desde o ano de 1964

até os dias atuais.

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Poesia

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

A lua e o

mar

Christian Fernandes

Aracaju, SE

@: locutorfernandes@yahoo.com.br

Noite a noite

Quando o sol

Vai repousar,

Nos amamos

Sem enganos,

A lua e o mar.

Sou o mar

e você é a lua

E ao anoitecer

Encontramo-nos

E as estrelas

Testemunham

Todo o prazer.

Noite a noite

Sentimos a brisa

Sobre o nosso

Momento ímpar.

A lua e o mar,

Um eclipse total,

Uma metamorfose

Total do amor.

Eu mar e você lua.

A busca

Elia Macedo

Canavieiras, BA

@: eliamacedo@hotmail.com

Busco palavras em vão

Vão e vem, depois se perdem

Perdem o sentido, nem sei

Sei que busco, mas, em vão.

Minha

alma e eu

Suely Sabino Reis

Coronel Fabriciano, MG

@: syspoetisa@yahoo.com.br

Não bastam os espinhos

naturais

Naturais ainda são fracos

Fracos sentimentos eu tenho

Tenho outras defesas,

Defesas que criei

Criei ou copiei

Copiei uma cerca

Cerca de arame,

Arame não basta ainda

Ainda grito

Grito se me tocar

Tocar aqui é morte,

Morte que avisa

Avisa exalando perfume

Perfume de mulher

Mulher eu sou,

Sou uma fera também

Também tenho garras

Garras nascida em versos

Versos muito naturais.

- 26 -

Na praça

Antônio Amaro Alves

Ipatinga, MG

@: antonioamaro.ipatinga@gmail.com

Passou por mim

Uma louca,

Que me contou

Uma história.

Não vi nela

Nenhum herói

Ou vilão;

Amor ou paixão.

Mas, despertou-me

A atenção.

Uma história,

Apenas,

Sem penas de

Pavão, mas cheia

De suspenses

E emoção.

Uma história que

Ronda na contramão

Da lucidez e despensa

O Era uma vez...

Sem derrotas

Nem vitórias.

Passou por mim,

Ainda agora,

Uma louca varrida

Da vida

E me contou

Uma história,

Sem dores

E nem glórias;

Cheia de risos e

Guizos

Com gente que

Perdeu o juízo.

Não é tão

Tragicômica;

Tem lá uma certa graça

A história que, a louca,

Me contou na praça.

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Poesia

Soneto de uma vida

Jakson Aguirre

Rondonópolis, MT

@: jakson.aguirre@gmail.com

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

Amor

Se formado do pó, fostes da terra

E do sopro de Deus idealizou

E teus passos cansados, se encerra

Voltarás para o autor, que te formou.

Se crescestes sem ter sabedoria

Aprendeu com o mundo, árdua pena

Conquistou com seu sangue, a auforria

Com amor aprendeu sair de cena.

Laborou pelos campos, vasto e fértil

Conquistou entre prantos seu espaço

Aprendeu com a vida o que é vencer.

Viu na vida suas forças se esvaindo

A vetustez aborda de mansinho

Sei que um dia pro pó retornarás.

A lenda

Marlete Alves

Aracaju, SE

@: netapoetisa@hotmail.com

Sabe aquela torneira quebrada,

Que fica o tempo todo pingando?

É o pensamento do poeta

Que fica todo tempo pensando.

Sabe aquela beira de mar,

Com ondas indo e vindo?

É como um poeta a pensar

Um mar de poemas sorrindo.

Sabe aquele vendaval que passou,

Que até as arvores derrubou?

Foi a força do pensamento

De um poeta que veio com o vento.

Sabe aquelas palavras soltas,

Umas, que se agarraram às outras?

Era um poeta despedaçado

Se colou e virou um poema rimado.

Sabe as lendas que a gente conta,

As que carregamos para sempre?

É a criança que virou poeta

E se fez lendário eternamente.

- 27 -

Leandra Vitória

Juventude sem Caô - Dourados, MS

@: barbosaleandra2000@gmail.com

Quero saber mais sobre ti, amor.

Quero te decodificar por inteiro.

Conhecer-te no mais profundo sentimento.

Quero que me conte histórias amor

Tuas histórias, histórias dos outros.

O que importar é saber sobre ti, amor.

Diga-me tuas dores

Quero sará-las

Uma por uma.

Beijar teus machucados

Viajar nos teus pecados

Permita-me tocar-te, amor?

Não amor, não é toque de corpo.

É alma amor, quero tocar tua alma.

Conte-me sobre o amor, amor.

Já amaste?

Já te perdeste?

Já sofreu ao amar, amor?

E o que mais amas, amor?

Eu amo a liberdade, amor.

E tu o que amas?

Amas um esporte?

Uma comida?

Um seriado?

Algo deve amar.

Ou ama alguém?

Esse alguém pode não ser eu, amor.

Mas eu não me importo.

Por que eu te amo.

Mas também amo a liberdade.

E por ama lá, amor

Deixo-te livre para liberdade

De amar outro alguém

Por que amar, amor

É ser livre.

Desenho do poeta Manoel de Barros

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Poesia

Ecosys do Amor

Angela Matos

Frei Inocêncio, MG

@: angelfiamatos@hotmail.com

Respirar está difícil

Difícil os dias sem você

Você que mora nos meus sonhos

Sonhos que não me deixam viver.

Viver de saudades tua

Tua boca e seu amor

Amor que sustenta o ego

Ego de querer viver.

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

Poeta virtual

Antonio Cabral Filho

Rio de Janeiro, RJ

@: letrastaquarenses@yahoo.com.br

Vida é como definimos este espaço

Entre o nosso nascimento e agora.

Mas poderia ter outro nome,

Ou vários, como passagem, estada...

Viver um romance a dois

Dois amores, dois amigos

Amigos que se entrelaçam

Entrelaçam feito raízes.

Raízes do bem-querer

Querer ficar para sempre

Sempre contigo a viver

Viver e aliviada respirar.

Espigas de

nuestra patria

Beatriz Valerio

Campana - Buenos Aires, Argentina

@: beatrizvalerio@gmail.com

Siembra tierra mojada,

Campesino, la esperanza,

Germina ténue la semilla,

En surcos de sol y luz.

Manos, sudor, paciencia

Cosechan extenso cultivo.

Nacen y crecen las espigas

Frutos de nuestra patria.

Destino de etéreo labrador

Forja sueños de cosecha.

Dios bendice su sembrado

Abundante lluvia y amor.

E muitos outros, sei lá, quem sabe...

Enquanto tudo ocorre intempestivamente

À nossa margem, nessa caminhada,

Por um caminho indelével

Que não grava nossos rastros,

Mas que capta nossas emoções,

Como ondas elétricas nos ares,

Até pegar em nossas mãos

E seguir junto em silêncio,

Sem sabermos nada um do outro.

Isso lembra aquela brincadeira

Do Amigo Oculto ao fim do ano

Em que apontamos os eleitos

Com detalhes imprecisos,

Lhes cobrimos de mistérios

Só pra dar-lhes um presente.

Eis a vida dos poetas,

Seres transfigurados em anjos,

A servir amor em altas doses,

Felizes com a felicidade alheia.

- 28 -

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Conto

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

A cigarra que

encanta e a

formiga encantada

Edvânia Ramos

Aracaju, SE

@: edvania.escritora@hotmail.com

Todo o dia lá ia a formiga Dudinha

ladeira abaixo com uma folha na cabeça. No

caminho sempre encontrava a mesma

companheira. A cigarra Milena havia se tornado

sua amiga no inverno do ano passado e descia,

com ela, aquele enorme caminho de barro

diariamente, sempre cantando e falando como a

pior das tagarelas.

Dudinha sorria com o gesticular

exagerado de Milena, outras vezes balançava a

cabeça de um lado para o outro como se a

achasse meio maluquinha.

Todos os dias era a mesma rotina, o que

mudou é que agora, Milena, quando via que

Dudinha estava cansada ajudava a amiga a

carregar suas folhas, mas nunca em hipótese

alguma de boca fechada, sempre cantarolando

ou contando estórias da floresta.

Certo dia chovia muito, muito mesmo,

um temporal assustador. Em dias como este

Milena gostava de ficar escondida no oco de

alguma árvore escura, apenas cantarolando para

disfarçar seu medo dos trovões. Ficava tremendo

imaginando no que poderia lhe acontecer.

Sentiu que algo estava errado. Com a

forte chuva o dia pareceu terminar mais cedo e

não viu sua amiga voltar. Permaneceu no seu

lugar, mas, Dudinha não voltou e isso a deixou

triste. Suas pernas pequenas e finas tremiam de

medo em pensar que tinha que fazer algo e, o

algo, era sair na noite escura a procura da sua

amiga.

Olhou pro céu nenhuma estrela, nem

mesmo a lua, apenas os trovões e os relâmpagos,

mas foi forte e desceu ladeira abaixo, gritando

seu nome e cantando para esquecer o medo que

tomava seu ser. “Eu não sou medrosa, sou

mesmo é corajosa”. Amiga formiga se me ouve

responde! Onde está a graça de brincar de

esconde-esconde se o sol ainda não brilhou nem

o trovão passou? Essa formiga é mais doida que

eu. Exclamou a cigarra encharcada de chuva.

Desceu mais um pouco já quase desistindo

quando ouviu um respirar fundo, mas lento.

– Dudinha é você?

– Ajude-me amiga cigarra, estou presa no

lamarão, não consigo me mexer.

A cigarra correu apresou-se a ajudar a

amiga. Retirou primeiro a folha que ela teimava

em segurar na cabeça e logo depois puxou seu

frágil corpo da lama que prendia suas pernas

pequeninas. A formiga sorriu agradecida e

perguntou emocionada com o abraço que

recebeu.

– Como venceu seu medo de trovões cigarra

Milena?

E com olhos marejados ela responde:

– Tudo que vem da natureza é obra divina,

devemos respeitar, mas nenhum trovão,

nenhum raio, nem a chuva, nem o sol, nem o dia

e nem a noite é mais forte que o amor e a

amizade que podemos sentir pelo próximo.

A amiga formiga abraçou sua amiga

cigarra e juntas retornaram para casa na certeza

de que nunca mais estariam sozinhas, seja qual

for a tempestade do momento, juntas elas

venceriam.

– Sabe o que estive pensando amiga cigarra?

– Formiga pensa? Risos. Sorrindo ela

completou.

– No encanto que tem sua melodia, foi o que

pensei durante todo o tempo em que estive ali

presa.

– Não foi a minha música. Foi o desejo de

continuar vivendo. A vida é a mais bela canção

amiga formiga e, o coração, é o violão que

decifra a letra da melodia que trazemos na alma.

– Vamos cantar?

– Canta cigarra, canta que na chuva eu danço.

Elas seguiram, sorrindo, abraçadas,

celebrando a vida e o encanto do ato viver. Seu

medo tem o tamanho que você dá para ele.

Procure o deixar menor que um grão de areia e

logo um mar de vitórias surge para banhar teus

mais belos sonhos.

(Texto dedicado Leonardo Ramos e Izabela Ramos)

- 29 -

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Poesia

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

Jogo da Vida

Desconfiança!

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Adail Alencar

Dourados, MS

@: adailataveira70@gmail.com

Se você não acreditar no futuro,

Não adianta viver o presente,

Se você só pensar no passado,

Não vai sentir o que vem pela frente.

Se você não tiver esperanças, nem sonhos,

Você vai vegetar vivendo a esmo,

Para não viver tristonho,

Você tem que acreditar em si mesmo.

Tenha coragem de lutar por uma vida melhor,

Vença a sua insegurança com força de vontade,

Se você não tiver coragem vai ser pior,

No jogo da vida temos que jogar com a verdade.

Viva intensamente cada segundo,

O passado tem que ficar na lembrança,

Semeie de amor o seu mundo,

Que você vai colher num futuro de esperança.

Reconheça com humildade seus defeitos,

Aprimore com amor suas qualidades,

Resplandeça com ternura o seu peito,

Valorize cada momento de felicidade.

Faça dos seus desencontros passados,

Um motivo para se reencontrar,

Reaja com otimismo quando tiver cansado,

E nunca deixe de amar.

Faça com que a sua sinceridade,

Seja retratada no seu semblante,

Nunca aja com falsidade,

Acalente a sua ternura a cada instante.

Procure ser sempre consciente,

Valorizando a sua dignidade,

Para que possa se orgulhar de ser gente,

Sem perder a humildade.

Na grandeza dos seus sentimentos,

Na pureza das suas atitudes,

Você vai sentir a cada momento,

A paz na sua plenitude.

E quando você envelhecer,

E for analisar o que produziu,

As marcas do passado vão dizer,

Se você realmente existiu.

Ou se passou pela vida,

Sem objetivos, sem ideal,

Sem razão para viver,

Se o seu jogo foi uma batalha perdida,

Que você não soube como vencer.

- 30 -

Carla Gomes (Cristal)

Aracaju, SE

@: ccogomes@hotmail.com

Ampla de um ser ter,

Sou eu,

És tu,

Somos assim por natureza...

E onde estar a altivez?

Esquecemos?

Talvez!

É que desafiamos as leis,

Não pagamos fiança

Se o peito doe, chora o olhar,

Seguimos com a desconfiança...

Fantasio-me de ausências alheias,

Preâmbulo entre a paixão e o Amor,

Destaco os vassalos da vida

Do dono, da flor...

Falta-me o Amor,

Verdadeiro, o qual preciso descobrir,

Aja sexo sem amor

Apenas no desejo de ser...

Então amanhã eu vá ter,

Amar, sem preciso estar,

E assim sairemos por aí,

Sem mais, sem desconfiança...

Subjetividade na Pós-modernidade

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Crônica

Medo

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

www.biomagazine.gr

Marcelo de Oliveira Souza, IWA

Salvador, BA

@: marceloosouzasom@hotmail.com

A violência nas grandes cidades está

aumentando cada vez mais, as pessoas já têm medo

de sair de casa, ficar no domicílio, já nem sabem mais

como proceder.

O medo do outro virou uma rotina, andamos

já olhando para trás, quando uma pessoa demora

caminhando atrás da gente, já bate uma súbita

preocupação.

As crianças já estão preocupadas com tudo

isso, o bicho papão virou o bandido, a bruxa, virou o

maníaco; ou até o palhaço que virou símbolo de

brincadeiras mortais, onde pessoas fantasiadas desse

“inocente” personagem saem com facas, machados,

motosserras, para assustar todos no caminho.

Agora apareceu aqui em Salvador, um grupo

de pessoas com seringa na mão furando outras,

simplesmente por malvadeza, alguns deles se

regozijam com o fato mostrando o objeto esvaziado.

Esse “modus operandi”, já está ultrapassando as

fronteiras da “Boa Terra” já acontecendo incidentes

até em Feira de Santana.

O nosso país já é caracterizado pela violência,

onde o número de homicídios já supera a guerra da

Síria, mas nem por isso temos leis que trabalham

firmemente encima dessa grande problemática, até

no futebol que é nosso grande “circo” vemos cenas

deprimentes de violência, onde “marginais” vestidos

de torcedores espancam policiais; matam torcedores

de outros times, onde o medo se arrasta em todos os

sentidos, pois os brasileiros perderam tudo, os seus

direitos a cada dia são vilipendiados, na “mão”

grande, até em aposentar-se o medo se instala, não

mais por causa da defasagem salarial, mas pelo

simples motivo que o “nosso” novo governo governa

com o cajado da tirania, apoiado pelos

parlamentares, tirando o direito de aposentar-se no

seu tempo, dito certo.

Assim o medo se alastra em todos os aspectos,

não vemos alguma saída, senão por meio do voto,

mas como se até para votar somos obrigados e somos

sutilmente dirigidos a votar em quem vai nos meter

medo no futuro?

- 31 -

Partícula de

PALAVRAS

Rogério Fernandes Lemes

Dourados, MS

@: rogeriociso@gmail.com

Cada letra me é como um átomo.

Agradável é o cheiro frenético de suas

Vibrações harmônicas.

Observando-as, vivo minha possibilitância

Manuseando o infinito que há em mim.

Diferente dos muitos medrosos

O infinito me atrai.

Leio nele, todos os dias,

minha subjetiva finitude;

Contemplo, nas paredes cronológicas,

Minhas gorduras digitais;

Meus rastros cadavéricos.

Tudo isso vem à lume

Quando manipulo verbos e adjetivos

Como um bebê, atônito,

e encantado com a luz.

A cada desinência, um novo universo.

Letras são átomos criadores de multiversos.

Letras são tesouros dadoS aos poetas

Para conferir-lhes o poder de criar tudo;

Para trazer ao existir

O que hoje é ausência,

É silêncio...

É anônimo.

Letras são partículas de palavras;

Palavras são dínamos reveladores,

Destrutivos e reconfortantes.

E a palavra volte às letras, como o era;

E as letras voltam ao Criador

Que as deu, sabiamente,

Aos poetas.

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Cultural

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

O FESTACE

Fotos:

Alison Antônio de Souza

Ariana Trajano de Oliveira

Emerson Brandão da Silva

José Wilton Fonseca da Silva

O

Por

Carmem Silvia Moretzsohn Rocha

IFMS Campus Dourados, MS

Festival de Arte e Cultura dos Estudantes

(FESTACE) é promovido pelo Instituto Federal

de Educação (IFMS) – Campus Dourados. Seu

principal objetivo é fomentar a expressão das

manifestações artístico-culturais dos estudantes

do município de Dourados, e tem por pretensão

valorizar as atividades culturais dos estudantes;

promover o intercâmbio no interior e exterior da

comunidade do IFMS; incentivar os jovens a

desenvolver suas aptidões artísticas por meio de

atitudes competitivas saudáveis; oportunizar a

visibilidade de talentos dos estudantes; contribuir

para a cultura douradense e promover a diversidade

cultural.

As oportunidades foram abertas ao público,

sem restrições, nas categorias música, crônica

e desenho. O primeiro FESTACE, promovido

pelo IFMS – Campus Dourados, ocorreu nos dias

13/05/2016 e 25/05/2016, às 19 horas, no Teatro

Municipal de Dourados. Foram diversas as

apresentações culturais gratuitas: músicas, exposição

de desenhos e crônicas narrativas. Agitou o

cenário cultural douradense, promoveu o encontro

entre as pessoas, festejou a vida e a cultura!

Integraram a programação as seguintes apresentações:

* Banda “Evandro e os Aloprados”,

formado pelos professores do IFMS Campus

Dourados: Evandro Falleiros (voz, violão e composições),

Carmem Rocha (teclado), Carlos

Vinícius Figueiredo (cajón) e Jair Costa (baixo).

As apresentações ocorreram nos dias 13/05 e

25/05.

* Rapper Senkapuz: nascido em

Diadema/SP, começou a cantar em 1995 e gravou

o CD “Educação é a Saída”. Atualmente cursa

Pedagogia na UFGD e trabalha como educador

social. A apresentação ocorreu no dia 13/05.

* Guga Borba: começou a carreira musical

em Campo Grande, aos 15 anos, como vocalista

da banda Inverno Russo. Guga obteve o Prêmio

Palco MP3 – Mais acessado Folk – atingindo hoje

a marca de 200.000 acessos, com 92 músicas

disponíveis para download gratuito, gravadas ao

longo de 25 anos de carreira. A apresentação

ocorreu no dia 25/05/2016.

- 32 -

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O FESTACE

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

Um sonho que

se sonha junto

Carmem Silvia Moretzsohn Rocha

Criadora e Coordenadora do FESTACE

@: carmem.rocha@ifms.edu.br

“Quando me dei por mim, cá estava eu.

Muito distante de onde nasci, trazida por

outros sonhos que não este, o de estar aqui. Já

circulei entre sons, música, instrumentos de

outros mundos. Porém, quando menos esperava,

recebi esta missão: criar um Festival. Recémchegada,

entre muros e outras gentes, iniciei a

tarefa.

Deixei-me levar pela imaginação! Fechei

os olhos e vi dançarinos, músicos, poetas,

escritores, palhaços, pintores, enfim, uma

plêiade de artistas perfilando em meu imaginário.

Arte e cultura eram o meu norte. Professora

de Sociologia do Instituto Federal de Mato

Grosso do Sul, ganhei este prêmio, o de fazer

nascer essa fábrica de sonhos, algo inédito, dar

o primeiro passo, sempre cheio de emoção!

Dessa forma, em meio aos meus delírios, veio o

nome: Festival de Arte e Cultura dos

Estudantes, o FESTACE. Como numa procissão,

outros vieram e ele nasceu, muito maior do

que no início.

Bem, o som de festa já estava lá! E foi com

muita alegria que pude ver pela primeira vez no

Teatro Municipal de Dourados, jovens se

aventurando no mundo das artes, na viagem de

criar músicas, textos e desenhos em belas performances

regadas de alegria!

E um dia, andando despretensiosamente

pelos corredores, um deles me disse: “nossa, há

quanto tempo que eu sonho tocar numa banda

e, de repente, lá estava eu no palco, pela primeira

vez cantando com a minha banda”! E tudo

isso graças ao FESTACE: um sonho que se

sonha junto”.

- 33 -

Texto de Abertura do FESTACE

Sem você

Carmem Silvia Moretzsohn Rocha

Sem você? Solidão.

Espera e loucura.

A vagar pelos sonhos,

pelos medos, pela rua.

Sem você, incompletude.

Pela metade, sem atitude,

sem vontade, é tarde!

E você, quem é?

Quem é você?

Você é alguém, é claro!

Você é o sentido

D’eu estar aqui.

De minha sede de vida,

minha busca,

meus feitos.

Meus feitos são nossos!

Cada pensamento,

cada palavra,

cada construção!

Nossos feitos são elos,

São belos porque nossos!

E eu e você, quem somos?

Somos nós, é claro!

Humanos, que somos.

Somos nós que construímos,

que criamos, inventamos, sim,

um mundo melhor!

Um mundo de afetos,

de esperança,

de sonhos,

de vida!

Sim, somos capazes de construir

O belo,

O puro

O porvir.

Esperança, de quê, afinal?

De verdade

De luz,

De vida,

De futuro,

De utopia,

De arte e cultura.

Sejam Bem-Vindos!

Ao... Meu, teu, seu, nosso...

O Primeiro

esperado, amado, conquistado

Por mim, por você, por nós...

O FESTIVAL DE ARTE E

CULTURA DOS ESTUDANTES...

FESTACE!!!

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O FESTACE

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

FESTACE:

um ato de fé

DESENHOS VENCEDORES

DO 1º CONCURSO FESTACE

Evandro Falleiros

Mestre em Ciência da Computação

Professor do IFMS Campus Dourados

Começo rascunhando minhas singelas

impressões e memórias, imerso em um sentimento

nostálgico, repleto de fracionados sentimentos de

alegria, mistos à saudade. Alegria por ter vivenciado

um momento ímpar, no qual pude observar pessoas

se perdendo no tempo, esquecendo-se, mesmo que

por um breve período, de seus mais incômodos

percalços.

Alegrei-me por ver crianças, adolescentes,

adultos, idosos, estudantes, profissionais, um mar de

gente que parou no tempo para ouvir e apreciar arte e

cultura. Confesso que, quando os vi ali sentados,

compondo um teatro repleto de diversidade, cultura

e saberes diversos, emocionei-me, sabendo que cada

um dos que ali estavam deixaram algo para trás para

aquele ambiente compor.

Mas, mais ainda, surpreendi-me com o

engajamento de todos os envolvidos. Iniciei os

trabalhos de organização, juntamente com meus

companheiros, um pouco preocupado com a repercussão

e com a recepção da proposta por parte do

público alvo. Eu havia criado uma impressão errônea

sobre o que os indivíduos pensam sobre eventos que

envolvem arte e cultura.

Imaginava eu que um festival de arte e cultura

movimentaria apenas um pequeno grupo de pessoas

interessadas, ainda mais se tratando de um evento

que motivava a produção de obras inéditas.

Acompanhei, descrente, todo o processo de inscrições.

Muitas vezes, cheguei a pensar que o evento

deveria ser adiado.

Contudo, nesse processo, ensinaram-me a ter

fé. Aprendi a acreditar que podemos movimentar e

criar o que quisermos, pois depende apenas de nós

assumirmos a missão de engajar e fomentar a cultura.

Ressalto que praticar o supracitado não é tão simples,

uma vez que exige mudanças no que pensamos,

acreditamos e defendemos.

E, por fim, refiro-me e resgato a saudade! Um

sentimento misto que, nesse momento, no qual

concluo minhas impressões, embriaga-me de alegria e

desejo de que tudo o que outrora aconteceu se

repetida para todo o sempre. Amém!

- 34 -

Guilherme Ayala de Paula, 1º lugar no concurso de

desenhos do 1° FESTACE (Festival de Arte e Cultura dos

Estudantes), aluno do 1º ano do Curso Técnico em

Informática para Internet do IFMS Campus Dourados.

Jarilson Freitas, 2º lugar no concurso de desenhos do 1°

FESTACE (Festival de Arte e Cultura dos Estudantes), aluno

do 1º ano do Curso Técnico em Informática para Internet do

IFMS Campus Dourados.

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O FESTACE

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

Guilherme Ayala de Paula

1º lugar

Jarilson Freitas

2º lugar

Guilherme Ayala de Paula e Jarilson Freitas (direita)1º e 2º colocados no concurso de desenhos do 1° FESTACE (Festival de Arte

e Cultura dos Estudantes), alunos do 1º ano do Curso Técnico em Informática para Internet do IFMS Campus Dourados.

Isto não é uma crônica

Karina Kristiane Vicelli

Doutoranda em Letras pela UFMS

Professora de Português/Literatura no IFMS Campus Dourados

@: karina.vicelli@ifms.edu.br

Rubens Aquino de Oliveira, Brígido Ibanhes e

Carlos Vinícius Figueiredo foram os escolhidos como

os componentes da comissão julgadora de crônicas do

1° FESTACE (Festival de Arte e Cultura dos

Estudantes) do IFMS Campus Dourados de 2016.

Nessa primeira edição, a tradição e a ruptura uniram-se

para apresentar a renovação da linguagem, num festival

que revelou talentos e mostrou que a arte pulsa e se

vivifica nas e das palavras. Engraçado usar a palavra

tradição para Rubens Aquino e Brígido Ibanhes,

escritores que ao longo de sua carreira quebraram

regras, romperam com estereótipos, inovaram, politizaram,

polemizaram, enfim, fizeram tudo aquilo que se

espera de grandes escritores: manipularam e remoçaram

a linguagem.

Queria fazer desse texto algo impessoal, mas o

FESTACE foi carregado de emoção, repleto de alma,

músicas, crônicas, desenhos e vísceras. É preciso

lembrar que meu primeiro contato com Rubens

Aquino foi na minha infância, por meio de seu livro

“Coragem Moçada, ai vem os caçadores!”, o livro

tratava de ecologia em uma época em que nem se falava

disto. De Brígido Ibanhes, li “Silvino Jaques – o último

dos bandoleiros” para ministrar aulas a vestibulandos, e

de repente estou trocando e-mails com o autor desse

livro polêmico. E por causa do FESTACE mandando

textos de alunos meus para serem avaliados por esses

escritores consagrados, uau! E o melhor, esses escritores

elogiando os pupilos do IFMS!

Carlos Vinícius Figueiredo, não vou poder falar

dele, vai parecer que estou puxando saco, é nosso chefe.

O que dizer de um cacique que toca numa banda

chamada “Evandro e os aloprados”? Além disto, estuda

Clarice Lispector, fica indignado com injustiças, ama

Literatura, acredita nos nossos projetos, e não me acha

maluca de corrigir caderno por caderno de 83 alunos.

Estes foram os componentes da primeira

comissão julgadora de crônicas do FESTACE, e não

apresentamos uma biografia de cada um, mas o que de

humano esses seres ofertaram em algum momento da

vida, pois cultura é acima de tudo movimentação

humana, é a aproximação das pessoas, é o contato dos

seres, é a voz entoada que alegra a alma, é o sorriso nos

rostos, é o abraço fraterno dos estudantes quando um

amigo é desclassificado, é o aplauso forte aos competidores,

é uma banda com nome de nota baixa (2,77), é o

arrepio na espinha com um tom perfeito, é uma equipe

unida fazendo o melhor por seus alunos, é a educação

acontecendo em todos os seus poros, é o FESTACE, é o

IFMS em ação, é o poder das palavras e da amizade em

seu infinito movimento artístico.

- 35 -

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O FESTACE

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

CRÔNICAS VENCEDORAS DO 1º CONCURSO FESTACE

Cultura é

respeito

Laiza Tayná Reetz - 1º lugar

Aluna do 1º ano IFMS/Ddos

O que é cultura? Bom, de

acordo com o dicionário cultura

é ação, efeito, arte ou maneira

de cultivar a terra, é aplicação

do espírito a uma coisa, estudo,

civilização. Cultura é bem mais

que linguagem, dança, vestuário,

religião, é a plena identidade

de um país ou pessoa.

O quão chato seria

acordar de manhã, pegar um

ônibus e ver todo mundo

fazendo a mesma coisa? Desde

vestir roupas iguais até ouvir a

mesma música, seria totalmente

entediante, pois a graça é ver

pessoas diferentes todos os dias,

cada um com seu estilo, modo

de agir e falar.

Quando eu era apenas

uma menininha com 9 anos,

ficava me perguntando porquê

as mulheres usam burcas em

certos países, ou por qual

motivo as pessoas comem

cachorros ou outros animais

que para mim é estranho de se

ingerir, entre outras perguntas

como: qual é o sentido de

acreditar em vários deuses? Por

que em outros países é tão

comum as gorjetas? Ou até

mesmo a briga que gera quando

alguém pergunta se é biscoito

ou bolacha, claro que para mim

é bolacha, mas não é por isso

que julgo as pessoas que falam

que é biscoito. Depois de certo

tempo comecei a compreender

e cheguei a conclusão que

cultura é uma bicicleta e para

saber como conduzi-la é necessária

competência de saber e

conhecer do que se trata, e o

mais importante, percebi que a

diversidade é o essencial.

A cultura é inteligente,

pois nos remete a respeitar

aquilo que para nós nos parece

estranho ou diferente, mas para

outros é completamente normal.

A solução é amar a todos

não se importando com o

modo de pensar de cada pessoa,

é fazer como Albert Einstein

disse: “Se um dia tiver que

escolher entre o mundo e o

amor... Lembre-se: se escolher o

mundo ficará sem o amor, mas

se escolher o amor, com ele

conquistará o mundo”.

A cultura

presente no

nosso

cotidiano

Adrielly Santos Silva - 2º lugar

Aluna do 1º ano IFMS/Ddos

Há alguns dias estava

caminhando na praça principal

de Dourados quando reparei

um grupo de vendedores de

artigos artesanais fazendo

propaganda de suas mercadorias;

eles vendiam pulseiras e

colares feitos à mão e algumas

carteiras.

Os vendedores vestiam roupas

simples: um deles estava com

- 36 -

shorts, sem camisa e o cabelo

rastafári; uma mulher estava

com um longo vestido marrom

e cabelos trançados.

Estive algum tempo

olhando os objetos de venda e

reparei certo sotaque daqueles

comerciantes. Eles aparentavam

serem seguidores da religião

jamaicana e fãs de Bob

Marley, já que o cabelo rastafári

e o cigarro lembra muito o

cantor.

Ao continuar minha

caminhada, vi outro grupo de

vendedores, só que desta vez

eram indígenas; vendiam

CD’S, DVD’S, pulseiras e

colares confeccionados pela

tribo deles. Ao deixar o grupo

fiquei pensando o quanto é

importante a variedade de

povos e culturas no nosso dia a

dia.

O Brasil foi privilegiado

com a diversidade de povos que

vieram para cá; pois, nós temos

grande influência da cultura

deles, como dos indígenas

aderimos o hábito de plantar

mandioca e milho; dos italianos

o hábito de comer pizza,

polenta e macarrão; dos portugueses,

a língua portuguesa e

algumas comemorações populares

como festa junina, páscoa

e natal e vários outros costumes.

Se não tivéssemos esta

diversidade de cultura, não

teríamos essa mistura de povos

de diferentes costumes e tradições

que habitam entre nós;

somos um povo rico em cultura,

pois aderimos um pouco de

cada uso e costumes e formamos

a cultura brasileira.

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O FESTACE

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

CRÔNICAS VENCEDORAS DO 1º CONCURSO FESTACE

Um

Passado

Interessante

Afonso Barbosa de Souza

3º lugar

Aluno do 1º ano IFMS/Ddos

Bose Yacu, matriarca da

tribo dos Pacahuanas, na

Amazônia peruana, morreu e

levou consigo tradições, costumes,

uma língua hoje já não

mais falada, entre tantas outras

coisas. Atualmente sua tribo já é

considerada extinta e é aí então

que vemos o quão frágil é a

cultura e como pode simplesmente

em segundos deixar de

existir.

Olhando para os dias

atuais, se torna fácil notar a

ameaça que rodeia a diversidade

cultural. Temos vários exemplos

como a morte de índios, porém,

para melhor entendimento o

melhor exemplo são nossos

avós. A juventude está tão

obcecada em aprender novas

tecnologias e entrar ainda mais

no mundo moderno que está se

esquecendo de ouvir histórias

de épocas passadas, de fatos que

já aconteceram como a tentativa

de extinção dos judeus durante

a Segunda Guerra Mundial e

poder ouvir da boca de um

sobrevivente seus costumes, suas

tradições antes de tudo aquilo

acontecer.

Temos uma antiga geração

disposta a diante suas

crenças, sua própria cultura em

si e que somada com a de várias

pessoas diferentes, gera uma

diversidade cultural imensa.

Todavia vivemos em uma geração

preocupada apenas com si

mesma e é por conta disso que

várias culturas se perdem, assim

como aconteceu com Bose Yacu

e todas as pessoas que vieram

depois dela. Nos dias atuais sua

tribo colhe os frutos de sua

ignorância com o saber do

passado.

Ignorância

ou

Intolerância?

Jean Pereira Ribeiro - 4º lugar

Aluno do 1º ano IFMS/Ddos

Há algum tempo atrás, eu

estava sentado em frente da

minha casa, tomava tereré e

ouvia RAP. Enquanto eu tomava

tereré, uma senhora se aproximou

de mim e perguntou se o

ônibus já havia passado, pois ao

lado da minha casa ficava o

ponto de ônibus.

Respondi que o ônibus

havia acabado de passar. A

senhora olhou para mim e então

proferiu a frase, “Não escute esse

tipo de música, isso é música de

bandido”. Ao ouvir essa frase,

fitei a senhora e respondi que o

RAP fez eu ser o que eu era. Em

seguida entrei para dentro da

minha casa e comecei a refletir.

Aquela senhora era

hipócrita, não aceitava novas

culturas e ainda praticava o

preconceito com um estilo

musical. As pessoas do nosso

século são robôs, movidas pelo

- 37 -

papel verde que move o mundo.

A senhora disse que o RAP era

música de bandido, Adolf Hitler

não ouvia RAP e matou milhões

de pessoas. Por outro lado,

Sabotage, um grande rapper

brasileiro, falecido, nunca

aconselhou a prática do crime.

Os robôs do nosso século

não aceitam novas culturas,

talvez por isso o mundo anda tão

mal, o homem mata em nome

da religião, as crianças brincam,

mas suas brincadeiras são nas

redes sociais. Ainda existem

hipócritas criticando sem

entender. O RAP é como o sol,

ilumina caminhos. A arma do

rapper não é um calibre 38, uma

colt, uma glock. A arma do

rapper é a caneta, o papel e a

poesia.

Será que aquela senhora

já ouviu uma poesia do poeta da

periferia, Sérgio Vaz? Acho que

não. A alma daquela senhora

fica presa na pior de todas as

prisões, fica presa no corpo da

intolerância. A hipocrisia é uma

doença. É como a AIDS, que

mata as pessoas aos poucos. A

hipocrisia é a cocaína dos ricos,

destrói vidas. A intolerância é o

crack, enlouquece a mente. A

ignorância é a maconha, confunde

a alma. O julgamento é o

álcool, corrompe as pessoas. O

preconceito é a heroína, traz a

infelicidade. A falta de humildade

é o ecstasy, traz a felicidade e

parte deixando a mágoa.

Quando pararmos com o

preconceito e percebermos o

quão é importante a diversidade

cultural, conviveremos em paz, e

assim entenderemos o real

significado da vida.

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O FESTACE

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

Parte da equipe FESTACE, em pé da esquerda para a direita: Ariana Trajano de Oliveira, Gicelma Chacarosqui,

Carmem Silvia Moretzsohn Rocha, Carla Renata Capilé Silva, Thaís Costa, Roberta Ferreira de Souza, Joanne

Romão de Oliveira, Carlos Marinho, Lígia Karina Meneghetti, Karina Kristiane Vicelli, Francielle Priscyla Pott,

Janaína Mara Pacco Mendes, Alison Antônio de Souza, Rafael Mendonça dos Santos, Nátalli Macedo Rodrigues

Falleiros. Na fileira à frente Valdomiro Lima, Isnael de Camargo Dias, Carlos Vinícius da Silva Figueiredo, Jair Brito da

Costa (Jack), Evandro Luís Souza Falleiros e Bruno Torquato Silva Ferreira.

Um Festival, muitas aprendizagens

Lígia Karina Meneghetti

Mestre em Música pela UDESC

Professora de Arte no IFMS Campus Dourados

@: ligia.meneghetti@ifms.edu.br

Ensaios, experimentações, conversas e

possivelmente algumas discussões. Este provavelmente

foi o clima vivido pelas bandas que se apresentaram

no FESTACE. Por que um festival de músicas

autorais e não apenas interpretação? Haverá público

interessado em participar e apreciar um evento dessa

natureza? Estas foram dúvidas que estiveram presentes

durante todo o processo de preparação e divulgação

do evento.

Foram dias de dedicação de todos os envolvidos,

equipe organizadora, colaboradores e candidatos.

Na categoria Música o júri contou com a participação

de importantes nomes da área da cultura no

município de Dourados: Thaís Fernandes Costa,

maestrina da Orquestra da UFGD e Carlos

Marinho, diretor da Secretaria de Cultura do município.

O apoio deles é um demonstrativo da relevância

do evento para Dourados e região.

Voltando às questões que permearam a

preparação e execução do evento. É provável que

toda atividade que incentive a prática artística e

musical possa ser considerada válida. O que um

festival de músicas autorais traz de diferente? Uma

gama de aprendizagens que ultrapassam o contexto

musical. Além de habilidades técnicas para execução

instrumental e vocal, um imenso exercício criativo

em tentar combinar intenção, voz, harmonia e

instrumentos. Interagir, dialogar, gerenciar conflitos,

foram experiências vividas pelos estudantes com

o intuito de criar algo novo e tornar pública sua

produção.

O FESTACE se apresenta como uma proposta

de divulgação de talentos e incentivo às atividades

artísticas, mas vai muito além disto. O espaço e

tempo que se configuram desde a idealização até a

realização do espetáculo são espaços e tempos de

múltiplas aprendizagens. E sim, houve reconhecimento

desse potencial tanto por parte de quem

idealizou quanto de quem prestigiou o evento.

Houve público interessado e vibrante com essa

proposta. Houve satisfação, emoção e reconhecimento

também por parte dos candidatos que viram o

público vibrando com suas criações. Que as aprendizagens

continuem, que venham as novas edições do

FESTACE!

- 38 -

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O FESTACE

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

Rapper Senkapuz

Carmem e o rapper Jean Pereira Ribeiro

Carlos Dir IFMS, Gicelma UFGD, Airton Pró-

Reitor IFMS e Carmem criadora do FESTACE

Banda 2 e 77

Banda Four

Banda Voice Power

Banda FHJ

Gabrielly Gentil

Jean Pereira Ribeiro

Banda Evandro e os Aloprados

abertura do FESTACE

Festacio, mascote do FESTACE.

Criação de Evandro Falleiros

- 39 -

Bandas reunidas no momento da

divulgação do resultado final

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Poesia

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

Hoje

não

Lúcia Morais

Luanda, Angola

@: luciamorais89@hotmail.com

E como dizer que acabou?

Que o nosso amor terminou?

Hoje não, hoje vou lembrar-te

Da praia, do céu laranja e do gelado

Talvez fiquemos colados aqui no passado.

Hoje não, hoje vou mimar-te

Para que fique em ti a certeza que foste feliz

Pintar uma bela tatuagem, não essa dolorida

cicatriz.

Hoje não, hoje vou abraçar-te

E procurar ficar assim o resto da vida

Não há o que enganar eu sei que é batalha

perdida.

Hoje não, hoje vou beijar-te

Para que fique em mim o sabor

Porque não alimentaste esse amor?

Hoje não, hoje vou amar-te

Para que fique gravada a sensação

Quem sabe nasce um perdão.

Hoje não, hoje vou desculpar-me

Para que actos de verdade

Possam quem sabe salvar a amizade.

Hoje não, hoje vou dizer-te

Que ainda podemos dar certo

Sim me escutarás se te dizer de coração aberto.

Hoje não, não hoje.

Sivaldo Cardoso Fontes

Estância, SE

@: sivaldoopoeta@hotmail.com

Estância, terra do amor,

Das amizades e das culturas,

Dos imigrantes e dos teus filhos leais,

Das tuas histórias tradicionais,

Dos teus heróis, a coragem e bravura.

És símbolo do amor,

Das tradições e dos sonhos,

Passados, melancólicos,

Outros, porém risonhos,

Dos que pisaram nesta terra abençoada.

És o marco da nossa grande história

Do teu passado coberto de glória,

De grande valor na nossa Pátria Amada.

Pátria dos guerreiros valentes!

Das batalhas contra povos desumanos;

Lutaste contra os poderes soberanos;

Com o desejo de sermos independentes.

Teu nome é honrado pelos teus filhos amados,

Teu braço sempre foi mais firme e forte.

És o valente leão do sul de Sergipe;

Tua garra e teu punho, são elos entrelaçados.

És força, és energia vital

Formoso pelo heroísmo dos teus bravos guerreiros,

Pela bondade dos teus filhos hospitaleiros,

És infinito! És grande!

Estância imortal!

Estância berço da cultura!

Felizes com a felicidade alheia.

- 40 -

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Poesia

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

Explosão

Sollozo

Teresinka Pereira

Toledo, Ohio-USA

@: tpereira@buckeye-express.com

americano*

A estrela que explodiu

Luminosa e ardente

Foi recolhida na Terra

E cada átomo foi se instalar

No ser humano.

Viemos do céu

E somos relâmpagos metálicos

Permanecendo na Terra

Que aprendemos a transformar.

Algum dia explodiremos

Outra vez

E voltaremos para o Universo

De onde viemos.

Água

Leomária Mendes Sobrinho

Salvador, BA

@: lea.sobrinho@gmail.com

A água é essencial

Para o banho,

Para o ganho.

Para energia é crucial.

A água é magia sem cor

Ao transformar-se em formosura.

Muda o volume e a mistura.

Não possui cheiro ou odor.

A água não deixa marca.

Sua sombra depois exala.

Dos precipícios à montanha escala.

Nenhum espírito abarca.

- 41 -

Mary Acosta

Argentina

@: poemasdemary@hotmail.com

Cuando América llora

Entristecen las lenguas milenarias

Ante el curso abierto de la cruel indiferencia.

Las flechas del hombre

Penetran en el hombro de la sana inocencia,

Intentando descartar

Fortalezas desposeídas de futuro.

Cuando América llora

Gime el aire ante múltiples culpables,

Que oxidan sus credos

Goteados de remordimiento.

Ante los altares de Dios

Ángeles y demonios se disputan delirantes

Como fieras en celo, a la pródiga tierra,

La piel del tiempo en la sumisión del día,

Y al hombre, como último pájaro

Que busca amparo en la cima de la esperanza.

Voces de América se arrodillan

Sobre la selva hostil y sollozante,

Y la humanidad enferma fluye

A través de lenguas llagadas de injusticia.

Siluetas infernales deforman las batallas,

Partiendo suelos con los surcos del hombre.

Detrás de vengadores se oculta la muerte

Por antiguas revelaciones existenciales,

Depredan rostros sin credo

Exiliados hacia paralelas razones.

América sangra por derrotas diluidas

Sobre el cáliz de los delirios.

Racimos de dolores, tatúan sus suplicas

Frente al destino de pañuelos blancos.

El vértice de la torturante quimera

Punza olvidos entre los límites,

Y brazos multiplicados rodean en cruz

La figura de América,

Inaugurando rosarios benditos

En ofrenda por una aspirada libertad.

* Primer premio “Jorge Luis Borges” (George Zanun Editores

2007) Del Libro La Republica de los Tristes.

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Poesia

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

La Chispa

Te disse?

Mariano Errecar

Garupá - Provincia de Misiones, Argentina

@: marianorkr@gmail.com

Chispa mágica, te espero,

Como el pehuen desvelado

Espera nocturno, helado,

Al rayo del sol primero.

Ansío, anhelo y quiero,

Más cerceno el cutre ruego,

Que en tangencia me hagas fuego.

Fuego en centellar de versos,

Como corderos perversos

Nutren el piño de mi ego.

Así de mi mano en llamas

Se esparcen por el papel

Libres voces en tropel,

Cual flores por las retamas.

La pluma es punta de flamas,

Que con impiadoso ardor

Declama amor y candor.

Palabras que son tizones

Tizones que abren pasiones

Para el joven trovador

Y muy luego, sosegada,

Y en la hoguera de mi mente,

Por un destello silente

Cesa la chispa adecuada.

Como redoma blindada

El cuarto, aun arrebolado

Sustenta firme, extasiado,

La ceniza espiritual

Que se templa en el ritual

Del numen ya consumado.

- 42 -

Cláudio Dortas Araujo

Estância, SE

@: claudiodortas@gmail.com

E de tudo já lhe falei...!

Te disse da dor lancinante

Da simplicidade dum sorriso

Do gostoso que é um abraço apertado

Deste meu sentir

Que sempre te quis... e quer!

Sim, te declamei poemas e versos,

Até a poesia mais linda

“Eu fiz para você”! Lembro das lágrimas

De emoção incontida quando a minha voz

Em cada sílaba a carinhar deliciosamente

Teus tímpanos sensíveis.

E vi você estremecer de emoção!

Inda continuo a ditar o que vai n’alma

Como prenúncio de dias felizes

Melancolias transformadas em alegrias

Para ver teu contentamento...

Para que me ouça... como Eu te Amo!

Ela é Bia...

Rosane Ozorio

Dourados, MS

@: rosanecosta_ozorio@hotmail.com

Ela é Bia...

Ela é pura sabedoria...

Ela tem o dom da poesia...

Ela é Bia...

Ela é pura magia...

Ela até parece fada sem fantasia...

Ela contagia a todos com sua alegria...

Ela é Bia...

Ela encanta com seu doce olhar da Biologia...

Ela é princesa é guerreira, com maestria...

Ela é Bia...

Ela é doce e valente,

Com muita ousadia...

Ela veio no mundo pra brilhar, pois...

Ela é Bia...

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Poesia

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

Ter Fé

Alaíde Souza Costa

Aracaju, SE

@: caalaide@hotmail.com

O que é ter fé?

“É um salto no escuro”

Por cima do muro

“Nos braços de Deus”?

Verdade, irmão querido

Sabemos muito bem, disso.

Mas, ter fé é ir mais além!

Defendo que é praticar o bem

Sem sequer esperar um vintém!

Simplesmente porque acredito

Ser filha de um Deus justo e bonito

Que nos colocou nessa bela Terra

Para auxiliarmos uns aos outros.

Seguir, praticando sempre o bem

Sem escolher, sem olhar a quem

Até chegarmos ao glorioso dia

De voltarmos ao céu, ô Maria!

Prestarmos conta do que fizemos

E do que deixamos de fazer, então

Pelo nosso próximo, o nosso irmão!

Amor de mãe

Ylvange Tavares

Aracaju, SE

@: ylvange100@gmail.com

Um dia ensolarado,

Eu nasci do ventre

Dela.

Fui cuidado

Por ela.

Eu cresci;

Fui orientado

Por ela.

Um dia eu parti;

Vazio ficou o coração

Dela.

Ela ficou doente.

Voltei para cuidar

Dela.

Seu último suspiro,

Eu estava do lado

Dela.

- 43 -

Solilóquio

poético

Flávia Kruck

Marilândia do Sul, PR

@: flaviakkruck@hotmail.com

O que são poemas?

Pra mim?

Conjunto de rimas, versos e estrofes

Com ou sem sentido?

Apenas palavras soltas.

Esconderijo das ilusões.

O que são poemas?

Refúgio dos mal-amados,

Confissão dos apaixonados.

O que são poemas?

Rimas de amadores,

Versos de dores,

Estrofes de amores,

Sonetos de idealizadores.

O que são poemas?

Pra mim, pra ele ou pra nós?

Poemas são textos,

Poemas são pretextos,

Poemas são discursos,

Poemas são esdrúxulos,

Poemas são a tradução do que é o amor,

E de todo o caminho que o transforma em dor.

Painel redondo (Inspiração)

Diâmetro: 80 cm - Técnica: Mista

Ano: 2011 - Artista: Jani Brasil

Contato: janibrasil7@gmail.com

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Conto

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

https://afremov.com

City clown - Palette Knife Oil Painting On Canvas

By Leonid Afremov - Size 24”x30”

O palhaço

Isloany Machado

Campo Grande, MS

@: isloanymachado@gmail.com

Olhava o palhaço e estava

convicto de que havia algo de

errado ali. Seus pais sentaram-se

com ele na primeira fileira do

circo, de modo que pode olhar

cada detalhe. Era a primeira vez

que via um palhaço tão de perto,

na verdade aquela figura sempre

lhe causara uma espécie de medo

inexplicado, daqueles que chamam

fobia. Ninguém entendia

como uma criança podia ter um

medo assim de um palhaço, uma

figura que só quer fazer rir. Sentiase

idiota por ter tanto medo.

Evitava qualquer contato.

Quando o carro de som passava

anunciando a chegada do circo,

escondia-se embaixo da cama

durante horas. Seus pais insistiam

em levá-lo, pois acreditavam que

um homem precisa enfrentar seus

medos desde sempre. Encolhia-se

entre as pernas da mãe e virava o

rosto diante da aparição da figura

tragicômica, sentia o peito pular

sob a camisa xadrez preferida dele.

Já um pouco maior, pode sentar-se

na primeira fila e olhar mais

demoradamente para ele. O que

sentia era algo da ordem de um

vazio, uma coisa que suas palavras

não conseguiam alcançar. Há

pouco deixara de ser criança e

ainda carregava uma dificuldade

grande de pensar seus sentimentos.

Muitas pessoas carregam essa

dificuldade sempre. Mas por ter-se

mantido firme na primeira fileira,

ganhou elogios de seus familiares,

que diziam ser ele um moço já.

Não era mais um medo paralisante,

era algo diferente, quase dó em

alguns momentos. Ah, que coisa

difícil de definir, achou melhor

deixar pra lá. Devia ser coisa da

sua cabeça. No meio do espetáculo

o palhaço aproximou-se dele e

ofereceu-lhe uma flor de plástico.

Ao final, viu seus amigos tirando

fotografias com o palhaço.

Recusou-se ao convite de um

deles.

Remexendo nas suas

coisas de infância encontrou a

flor de plástico, empoeirada, e

imediatamente a imagem do

palhaço ocupou sua memória.

Nunca entendera, por exemplo,

por que havia uma lágrima num

rosto pálido cuja boca era marcadamente

feliz. Como vira de

muito perto, pode notar que o

riso era desenhado, não era dele.

Por que mentia? Havia um par de

sobrancelhas muito arqueadas

dando a impressão de olhos que a

tudo viam o tempo todo. No meio

da face um nariz vermelho tão

grande que provavelmente o

impediam de ver qualquer coisa

que estivesse debaixo de si.

Tampouco podia compreender o

fato daquele sujeito usar roupas e

sapatos muito maiores do que os

seus pés, sendo que sempre

tropeçava neles e caía.

Remexendo nas memórias

pode entender o medo inicial e o

posterior vazio que sentia ao ver o

palhaço. Agora que já era homem

feito, podia contar com as palavras

em vários momentos, não em

todos, infelizmente. Entendeu

que o palhaço era uma caricatura,

um exagero do humano. A lágrima

em paradoxo com o riso

desenhado no rosto denotava que

a felicidade é um estado inconstante,

paradoxal, flutuante, mas

que muitos precisam colocá-lo

como permanência. É preciso

olhar de perto para notar que um

sorriso pode ser um belo disfarce,

mas que a verdade nunca se diz

toda, sempre há um resto não

dito. Era pra denunciar isso a

mascarada dele. Sobrancelhas

arqueadas para alguém que vê

longe e muito, talvez até mais do

que gostaria. Um nariz grande

para dizer que muitos homens,

apesar da impressão de que tudo

veem, às vezes não enxergam o que

está embaixo do próprio nariz. Por

fim, as roupas e sapatos grandes

denunciavam que o homem

sempre quer muito mais do que

precisa, ou ainda, quer sempre o

que não precisa. Mas é nisso que

ele sempre tropeça e cai. Todo este

conjunto causava riso nas crianças

e nos adultos, mas não causava

nele. Aquelas pessoas riam do

palhaço, sem saber que riam de si

mesmas. Ele não ria. Algumas

outras pessoas provavelmente

também não riam. Sentia algo

diferente e agora sabia que era

pena.

Olhou novamente para a

flor de plástico. Uma lágrima

correu em seu rosto. Mirou o

espelho que estava a dois metros

de si e imediatamente deixou

escapar um sorriso, pois agora não

tinha mais medo. Compreendeu

perfeitamente que uma lágrima e

um sorriso podem coexistir, pois

das incoerências se constitui o

homem.

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Crônica

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

O milagre

da vida

Marta Amaral

Arapiraca, AL

@: martaamaral41@hotmail.com

Um sonho de um casal era formar uma

família, um filho queria ter, mas o tempo parece

enlouquecer em meio às adversidades, a criança

não podia nascer.

De um sonho sem realização, que é transformando

em aflição. É o choro da madrugada, a

pergunta sem resposta o silêncio no meio da

angústia. E nesse contratempo da vida, tudo parece

ficar perdido, já não há mais esperança, onde está o

sonho do nascer daquela criança?

A vida não é injusta, nem tudo se dar por acabado,

quando se crer pode esperar, o tempo tem um

dono, que ensina a buscar, clamar e suportar a

espera alcançada. É da promessa esquecida, renovada

pelo Senhor é a oração feita em meio a dor. A

criança chegou!

Quando já não havia mas esperança o

impossível virou possível, como um novo amanhecer

que deu sentindo para o novo viver. É uma

sementinha que começa a crescer, uma nova vida

há de aparecer e nove meses a percorrer. Um sonho

que vira realidade, a Fé que deu a certeza daquilo

que não se ver, é uma nova história, do ontem, do

hoje e do agora...

A história que virou um conto, que deu

esperança outras vidas, dela surgiu novas experiências,

não o que diz a ciência, mas a Fé e a cresça é

que leva a crer. Que nesse mundo a um Deus de

grande poder.

É o nada que vira tudo, a dúvida que vira a

certeza, o não pode, que vira tudo pode. E bem

longe disso tudo, aquele sonho quase morto,

ressuscitou da fé e do amor, a criança se formou. E

um nome ganhou, Giovanna. Assim se chama,

nove anos ela ganhou, a sementinha que era morta

uma vida ganhou, hoje em nosso convivo, vive

cercada de amor.

São os mistérios da vida das mãos do

Criador.

É o milagre da vida, de um sonho em realização, a

Fé envolvida no meio da oração. Giovanna a

menina do milagre... O milagre da vida! O impossível

só torna possível mediante a Fé que sentimos.

Deus tem sempre um milagre a operar na vida dos

que crer!

- 45 -

Tentando

descrever

Manoel

Nena Sarti

Campo Grande, MS

@: msarti60@gmail.com

Falar de Manoel de Barros não é tarefa

fácil. O conheci em um Congresso Literário em

uma tarde nublada. Quando ele entrou na sala

o sol apareceu lá fora e dentro do recinto. Não

lembro o ano, também nem quero lembrar,

porque a sua imagem continua nítida em

minha mente.

Descrevê-lo seria audacioso de minha

parte. Ele nasceu com o sorriso estampado.

Tudo nele é esplendor. Vou deixar os verbos no

presente uma vez que poeta não morre, posto

que é imortal.

Literalmente tem perfume de flores.

Quando consegui sentar ao seu lado senti o

quão frágil e pequena sou diante dessa figura

que Deus nos mandou para amar.

Enquanto estava na ativa, nas escolas e

afins levava para sala de aula seus livros, seus

poemas ramificados de poesia, ou não, como

ele mesmo diz. E ensinava, e lia, e escrevia e os

alunos entendiam. Sim, entendiam, pois, eu

esmiuçava palavra por palavra de seus versos, de

suas frases, de seus pensamentos sobre a natureza.

Eu o conheci, ficamos de mãos dadas, eu

olhando para ele embevecida e ele sorrindo,

rindo, divertindo-se com o meu amor à primeira

vista, porque não os dois olhos dentro de seus

olhos de um azul que até doía.

Foi um instante em um Congresso

Literário em uma tarde nublada que conheci a

luz transcendente de luz.

Saudades? Talvez. Quem o conheceu e o

tocou continua com a sua presença impregnada

nesse universo de versos e canções.

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Artigo

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

Reprograme-se

Lucas Oliveira

Juventude sem Caô - Dourados, MS

@: lukasdaschagas@hotmail.com

Ter consciência de que está onde está, de

saber que todo seu presente está apenas ali e não em

sua imaginação distante de um presente não vivido.

Mas, imaginado a auto-observação tem grande

relevância com a transformação do seu ser e a

concretização do seu Eu indecifrável.

Acabamos por nos tornar complexos por

deixarmos sermos construídos por mãos desconhecidas

e se desfazer de se construir, se desfazer do

autoconhecimento procurado e se deliciar com o

autoconhecimento servido a mesa. Chegamos ao

ponto de questionar o nosso ser e achar que estamos

errados em fazê-lo. Isso deveria ser tão natural,

se perguntar se é bom se é ruim, se você gosta

realmente de um tipo de roupa ou se você o usa por

ser apenas bonito ou confortável.

Infelizmente nos ferimos todos os dias com

algo que não é nosso, mas também não é algo que

foi imposto, sempre temos escolhas e não escolher

também é uma escolha.

Quando nos desfazemos do livre arbítrio de

decidir o que é bom ou não, nós estamos dando a

alguém esse poder, esse poder de controlar, de

organizar algo robótico, copiar e colar.

Somos infinitamente completos por nossas duvidas,

mas a superfície de certezas nos parece mais

agradável, não se perguntar e apenas aceitar nos

parece mais adequado e menos trabalhoso. Por que

atualizar se nessa versão já está boa?

Algumas coisas não foram criadas do nada,

elas foram copiadas, eles apenas pegaram uma

parte dos humanos e transferiram para um objeto

com mais facilidade de usar. Nossa memória foi

transferida para o celular, computador, nosso

conhecimento está no google, nós conhecemos

nossos recursos e capacidades, mas não os desenvolvemos

para poder usar ao máximo.

Não preciso me atualizar se um clique na

tela do meu celular vai abrir possibilidades com

mais facilidade do que o autoconhecimento. É

como se desmembrasse os humanos, mas não

apenas pegando a forma física e transformando em

maquinas para substituir o trabalho braçal, mas

também substituir o pensar, o trabalho do intelecto.

Seja a máquina que evolui, não de melhorar

apenas para si, mas para o próximo, que sejamos

um dia uma competição de atualizações emocionas

e intelectuais. Estamos em mudança todos os dias e

todos os dias podemos nos reaprender e adicionar

no nosso inconsciente ou consciente a infinidade

de coisas que somos capazes de ser, as vidas que

temos a oportunidade de viver.

Então, atualize-se, pense, questione-se, abra

a porta e veja o que tem atrás dela, o medo pode ser

algo ruim. Mas também pode ser o que vai te

motivar a alcançar seus objetivos, tudo depende da

forma em que você escolheu enxergar o mundo.

Rede de

esgoto é um

direito do

CIDADÃO

Itla Denise de Oliveira Amorim

Estudante da 3ª série do Ensino Médio

Monte Alegre de Sergipe, SE

Resido no cantinho de Sergipe, em uma

cidade que até em seu nome traz alegria -Monte

Alegre de Sergipe -, um município que agrega mais

de 14 mil habitantes, tendo como características ser

um povo hospitaleiro e acolhedor. Mas todo

município tem seus pontos positivos e negativos.

Desde que o município foi fundado, a

população sofre com a falta de uma rede de esgoto.

Esse fato gera uma grande polêmica: Por que,

nenhum dos representantes que o povo escolhe, se

mobiliza no sentido de realizar projetos que capitalizem

recursos para que o problema venha ser

resolvido, já que a falta de saneamento afeta diretamente

toda a população?

No dia 27 de junho de 2013, foi postado um

vídeo nas redes sociais, pelos moradores deste

munícipio, falando sobre, a preocupação e os riscos

de contrair alguma doença através do contato com

o esgoto a céu aberto e o lixo que acumula. Ainda

de acordo com os que convivem nessa situação o

odor é tão forte que atrapalha até mesmo nos

momentos de refeições.

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Artigo

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

Ademais, os moradores da Rua Secundino

Soares da Costa afirmam que sofrem com a encanação,

que é feita pelos mesmos, e quando chove os

canos não suportam e acabam entupindo, alagando

os quintais das casas. Alguns moradores fazem

fossas nas calçadas para cair direto no esgoto, que

como citado acima é a céu aberto, isso não só

prejudica o meio ambiente como afeta a saúde da

população, principalmente das crianças, pois de

acordo com uma pesquisa feita pela SVE (Secretaria

de Vigilância Epidemiológica), consta que no

município de Monte Alegre de Sergipe em 2015

foram notificados 146 casos de doença diarreica

aguda.

No entanto, no dia 15 de julho do corrente

ano, o Portal Mais Sertão trouxe a informação de

que em algumas ruas, redes de esgotamento sanitários

foram implantadas trazendo um olhar de que a

situação poderá mudar. E apesar dos riscos alguns

ainda defendem a atual gestão, pois, é sabido que

moramos em uma cidade pacata, a qual maioria dos

moradores se prendem em “defender partidos” e

não pensam que esse é um direito do cidadão.

Poderia até concordar, mas vale ressaltar

que é ano de eleição e com isso, podemos especular,

que a benfeitoria não foi com a intenção ou preocupação

em melhorar o estado de vida da população,

mas pensando em uma possível reeleição?

A lei nº 11.445 que exige atendimento dos

princípios da universalidade e da integridade dos

serviços de saneamento básico, afirma que a

população tem direito sobre os serviços. Antes que

falem que “a lei não é cumprida”, irei mostrar que

tendo alguém para intermediar o problema ou uma

fiscalização severa é cumprida sim!

A prova é a cidade de Lucélia (SP), no qual, o

Ministério Público Estadual (MPE), através da

Promotoria de Justiça do Meio Ambiente e do

Urbanismo, ingressou com uma ação civil pública

ambiental contra a Companhia de Saneamento

Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e a prefeitura

de Lucélia por falta de saneamento básico aos

moradores. Conforme o site do G1, o documento

pede que seja feita a universalização de uma ligação

da rede de esgoto, e em caso de descumprimento,

poderá haver multa diária de R$ 1 milhão.

Em síntese, a falta de uma rede de esgoto na

qual envolve infraestrutura e saneamento básico,

tem afetado os residentes desse município supracitado.

E apesar da iniciativa de sanear algumas ruas,

pelas circunstâncias da proximidade do pleito

eleitoral sou contra, principalmente, porque

estamos falando de um direito do cidadão e que

deveria ser prioridade no início de cada gestão,

aliás, esta concepção é válida também para os

gestores que antecederam a atual gestão, sem

contar, que é uma questão que compromete a saúde

e a qualidade de vida da população Montealegrense.

Ganhos na

chuva para

perder na

SECA!

Aécio Silva Júnior

Estudante da 3ª série do Ensino Médio

Monte Alegre de Sergipe, SE

Resido na fazenda Saco da Serra, situada no

município de Porto da Folha, SE. Aqui, já há alguns

anos, o rebanho caprino vem sofrendo uma drástica

redução em seu número de cabeças e propriedades

onde esses animais sejam a criação principal.

Há quase uma década atrás, na maioria das

fazendas e sítios dessa região, as cabras eram criadas

em grandes quantidades e proporcionavam as

famílias (principalmente os agricultores familiares)

a carne, o leite e seus derivados, além de ajudar no

complemento da renda, contribuindo na feira

semanal de centenas de lares que vendiam os

cabritos e o leite das mesmas.

Também é sabido, que fora essa ajuda toda,

as cabras são em sua maioria, muito bem adaptadas

ao clima semiárido do Sertão Nordestino, e sobrevivem

bem com que esta terra tem a lhes oferecer de

alimento.

Contudo, falando especificamente de

minha região (o Alto Sertão Sergipano), os pequenos

e médios criadores de cabras passaram a introduzir

aos poucos o rebanho bovino em suas terras,

desbastando, assim, as cabrinhas que eram e ainda

são vendidas aos montes para ajudar na compra de

vacas.

Alguém pode até perguntar: mas que mal

tem em deixar de criar cabras e passar a criar vacas?

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Artigo

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

Por isso eu vos digo, com o passar dos anos, as secas

que neste chão de Porto da Folha (e outras regiões

do semiárido) sempre fizeram parte da rotina, estão

se intensificando e durando mais a cada ano. Com

isso, a produção de ração cai, o preço sobe, o pasto

para o gado diminui ou até mesmo acaba e os

pecuaristas têm que comprar alimentos e água para

seu rebanho.

Dessa forma, o custo para criar esses animais

fica muito alto, chegando a acabar com o lucro, isso

quando não se perde todo o investimento perante a

morte de um ou vários animais da boiada. O gado

bovino em sua grande parte não é adaptado ao

nosso clima, porém, os agropecuaristas daqui

insistem nessa criação.

Diante desses fatos, resolvi entrevistar dez

criadores vizinhos de minha residência (a fazenda)

que criavam cabras e passaram a criar vacas. Destes,

oito afirmaram ter mudado o tipo de criação pelo

fato da cabra ser muito arisca e proporcionar

maiores gastos e cuidados com o cercado, se comparado

à vaca. Dois dos entrevistados disseram ter

feito à troca, pois visavam maiores lucros que

viriam num menor tempo.

O que me intriga, é saber que todos têm a

noção que por mais lucros que a vaca dê no período

de chuvas, este será gasto na seca com ração e água

para as mesmas, enquanto a cabra, exige pouca ou

nenhuma ração em ambos os períodos, graças a sua

adaptabilidade.

Agora, diante dos fatos apresentados acima

lhe pergunto, será que vale a pena ter lucros com as

vacas na época das chuvas para depois gastar na

seca? Com certeza não! Com essa atitude, os sertanejos

enfraquecem sua economia, e tornam-se

dependentes dos grandes comerciantes que fazem

“gato e sapato” do pequeno criador.

Desmatar:

é preciso?

Luciene de Oliveira

Estudante da 3ª série do Ensino Médio

Monte Alegre de Sergipe, SE

O desmatamento é um problema recorrente em

nosso país, com danos incalculáveis. Tal prática surgiu

com o “descobrimento do novo mundo, ‘pelos portugueses’”

por volta do século XV. Desde então, as matas

brasileiras sofrem com a derrubada de árvores para o

abastecimento de grandes indústrias. Quando se fala

em biomas desmatados vem à mente de todos, as

exuberantes florestas amazônicas, mata atlântica,

cerrado que somam 86,3% do território brasileiro. É

verdade, essas áreas sofrem constantemente com os

efeitos da degradação de suas matas, no entanto, temos

outro bioma com valor também inestimável que está

desaparecendo rapidamente, causando transtornos

para os moradores da região e em longo prazo para as

demais.

Estou me referindo à Caatinga (10% do território

nacional), apesar de ser esquecida por muitos e

insignificante para outros ela é o único bioma exclusivamente

brasileiro e de suma importância para a manutenção

do equilíbrio ecológico. Assim, vemos que é

essencial a sua preservação, mas, na realidade ela vem

sofrendo severamente com a derrubada de suas árvores.

Segundo o IBAMA, cerca de 260 mil caminhões

com lenha advinda da caatinga são transportados

para atender a demanda energética apenas do

estado de Pernambuco. Estima-se que 30% da energia

usada pelas indústrias da região venham de lenha da

caatinga.

Aqui em Monte Alegre de Sergipe, a situação

não é diferente. A madeira da mata branca é posta

abaixo e alimenta os fornos de padarias, caieiras, fogões

à lenha (nas pequenas residências), além de abastecer as

madeireiras e serrarias. Algumas das atividades citadas

ocorrem de forma ilegal perante a lei, uma vez que no

artigo 46 da lei n° 9.605/1998, receber ou adquirir

madeira, lenha, carvão etc., sem a exibição de licença do

vendedor, configura crime ambiental.

Mas, aqui na região não há fiscalização, então,

os moradores promovem as queimadas, tanto para

limpar o terreno, pois, segundo eles é necessário para a

agricultura, tendo em vista que o milho plantado na

terra queimada cresce mais forte, como também para

aumentar a renda (por meio da venda de carvão) que é

muito baixa. E assim, o ciclo da poluição/desmatamento

é repassado ao longo das gerações.

Contudo, pesquisas revelam que a prática

citada mais acima, causa perdas consideráveis na

biodiversidade, com o desaparecimento de plantas e

animais (Araújo Filho e Barbosa, 2000) e declínio de

sua produtividade (Menezes et al. 2005). É necessário

deixar o solo descansar, recuperando-se assim dos

danos. Entretanto, as práticas do passado ainda continuam

em voga. Vemos o uso intensivo da terra, o que

encurta o tempo de repouso, deixando o solo pobre em

nutrientes, prejudicando as próximas plantações,

gerando transtornos para a caatinga (que está com suas

espécies em extinção) e para a população, pois, com

terras inférteis a produção de alimentos diminui, por

conseguinte os preços aumentam. O que resta é um

simples questionamento: é mesmo necessário?

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Artigo

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

Por onde

andam as

histórias?

José Thiago Dantas Costa

Estudante da 3ª série do Ensino Médio

Monte Alegre de Sergipe, SE

Quem nunca se sentou ao redor de uma

fogueira e se pôs a ouvir ou a contar uma história?

Foi esse o questionamento feito por mim a 10

entrevistados, sendo cinco com idades inferiores a

18 anos, e cinco outros com idade superior a 40

anos.

Os cincos jovens afirmaram não ter o hábito

de realizar programas desse tipo, enquanto com

faixa etária superior a 40, afirmaram que já tiveram

tal hábito, mas que não o exercem atualmente.

A história oral, não somente é importante

para promover a intenção social, como também é

responsável por conservar e propagar narrativas ao

longo do tempo, como explica e complementa

Antônio Roberto Xavier em um dos seus artigos: "A

história oral é considerada como fonte identitária

de um povo, capaz de retratar as realidades, as

vivências e os modos de vida de uma comunidade e

suas mais variadas sociabilidades".

Antigamente, as pessoas daqui do sertão de

Monte Alegre de Sergipe, SE, sentavam-se sempre

em pequenos grupos, a fim de compartilharem

feitos dos seus antepassados. Estes contos ganhavam

vida respirando pela oralidade, cuja função era

perpetuar as histórias. A pesquisa inicialmente

comentada deixa explícito o desaparecimento das

histórias no cotidiano sertanejo.

Observa-se que no correr do relógio, os

costumes e as histórias vanescem não tanto por

serem ignoradas, mas sim pelo feito de terem sido

substituídas por outros meios de entretenimento.

Atualmente, ver-se uma interrupção no

processo de repasse de narrativas, uma vez que não

há uma preocupação por parte dos profissionais da

história da região, em absorver e imprimir essas

histórias. Pensava-se, também, que na medida em

que o sertão se desenvolvesse, no sentido educacional,

as histórias orais iriam adotar a matriz escrita.

A contrariedade é que no contexto do

advento da alfabetização e da cultura literária, a

globalização se fez presente e impediu a existência

de um grande e exótico acervo literário regional. O

entretenimento gerado por filmes, novelas, reality

shows entre outros, apagaram aquela velha fogueira

e baniram todas aquelas histórias para o reino do

esquecimento.

Outro agravante dar-se pelo fato de que,

aqueles repartidores de folclore estão parecendo-se,

com estes, estão indo surpreendentes fatos fictícios

e reais que poderiam estar fornecendo cultura

literária identitária do sertão para seus conterrâneos.

A mudança de hábitos, o desaparecimento de

valores e tradições figuram como questões “bobas”,

no entanto, é aparato de estudos em história,

Antropologia, Sociologia e Filosofia.

Certamente, daqui a alguns anos, todos se

lembrarão da figura de Chico Bento, estarão

prontos a assistirem o mesmo. O revés é que dificilmente

alguém irá ver, em algum sertão desse Brasil

um “Tabaréu” e menos ainda ouvirão uma outra

história. Então descobriremos que a padronização

ultrapassou e encobriu nossa identidade cultural.

SINOPSE - Pauperremia

A obra de Gerson Lourenço traz um instigante Manifesto denominado

Cauilinismo e finaliza com um enigmático poema concreto

que presentificam a vida e a poesia em tempo de uma democracia

fragilizada. Entre a vida e a poesia, o poeta diante do caos, propõe

uma operação cirúrgica à aclamada democracia em estado de

choque e mantidas por MPs antidemocráticas. Frente a isso, poeta

brada: há de se libertar e de se igualar a todos por meio de uma

educação capaz de ser rio corrente e não asas acorrentadas.

Autor: Gerson Lourenço Contato: poetasinocentes@hotmail.com

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Artigo

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

O livro

Aurineide Alencar

Dourados, MS

@: aurineidealencar@hotmail.com

É no livro que se aprende

O saber do dia a dia!

Porém é durante a vida,

Que se adquire sabedoria!

Pois a página do amor

Está no livro da flor

Que cada um cultivar!

Quem planta felicidade,

Isto é a pura verdade,

Sua colheita brilhará!

Os bons livros são tão raros

Que sãos como os amigos!

Quem quiser pense outra coisa,

Ou então pense comigo!

Veja hoje o que acontece

A gente quase enlouquece,

Com as tais redes socais!

São mais de dois mil “contato”,

Consume o tempo de fato,

Com isso ninguém lê mais!

Ter citações gravadas

Dentro de sua memória!

É fonte de inspiração,

Isso já provou a história!

Para que isso aconteça,

Pra refrescar a cabeça

Você só precisa ler.

Pense só em um estilo

E no livro que traz aquilo

Do que você entender!

Aquele que tem um livro

Jamais sente solidão.

Ele faz com que você

Solte a imaginação.

O livro é um veleiro

E te leva ao mundo inteiro.

Dia e noite sem parar,

É a fonte inesgotável,

A vontade insaciável.

Que te leva a viajar.

A dança

se foi

Pérola Bensabath

Salvador, BA

De repente lembrei-me d’eu dançarina.

Esvoaçante na leveza do meu corpo juvenil.

A mágica da minha dança não mais

permanece na harmoniosa melodia e nem na

contradança do presente.

O coração me pergunta: onde está a

menina que dançava sutil, volteante, tal boneca

da caixinha de música? Aquela garotinha que

bailava com a alma... ao personagem se entregava,

vibrava na música e no diapasão da maestria?

La petite femme com a dança correndo tal

sangue nas veias em pulsante paixão de rodopios

incontidos.

Ela se foi.

A maternidade levou a minha dança.

Agora... o tempo inclemente cobra os reflexos

da purpurina, da adrenalina. Não mais dança a

bailarina. O saiote se mistura às sapatilhas,

envoltos em véus e guardados no fundo do baú.

Os acordes da música clássica ressoam docemente

como ecos do passado. O meu voltear

agora se resume aos palcos da vida, pois em

versos e reversos, o show tem que continuar.

Canção

para a dor

Dinovaldo Gilioli

Florianópolis, SC

@: dinogilioli@yahoo.com.br

em notas musicais

la

si

vão

meus ais

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Artigo

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

A grande

estação

Davi Roballo

Dourados, MS

@: daviroballo@gmail.com

Certa vez um garoto encontrava-se inconsolável

por ter perdido sua avó materna, não entendia

o porquê de sua avó ter partido, como toda criança

ele possuía uma vaga noção sobre o morrer, noção

baseada na morte de animais de estimação. O

garoto não contendo sua inquietação e com toda

inocência de uma criança de sete anos de idade

perguntou a seu pai: o que é morrer? O que é a

morte? Como estavam no carro da família esperando

escoar um imenso comboio de vagões, o pai do

garoto respondeu: “morrer é deixar de viver aqui

para viver em outro mundo e a morte é um trem de

passageiros que recolhe a alma das pessoas em uma

cidade e as leva para um bom lugar, no qual descansam

e curam seus males enquanto esperam os

parentes que ficam, pois todos nós também morreremos,

mas a morte é imprevisível e insensível, não

avisa quem vai levar e muito menos se preocupa se o

passageiro viveu pouco ou muito tempo.” Ao

imaginar um trem cheio de almas indo para um

bom lugar o garoto aceitou com tranquilidade a

morte de sua avó.

Sem entender muito a morte, esse fenômeno

natural rodeado de tabus, evitamos pensar que

temos no futuro uma data reservada aos atos

fúnebres de nosso próprio corpo. Ao refletir sobre

a finitude - talvez como forma de aliviar o terror que

representa para nós o próprio fim -, imagino que ao

nascermos entramos em uma grande estação e nela

aguardamos com resignação o expresso que sinaliza

que nossa hora chegou. Nessa estação como não

possuímos bilhetes não nos é possível saber a hora,

dia, mês e ano do embarque. Nossa partida pode

ocorrer a qualquer momento, fato que torna nossa

vida uma incógnita, algo totalmente imprevisível.

Mesmo que nos doa e não admitamos em um

primeiro momento, viver é antes de tudo uma

espera silenciosa pela morte.

Durante essa espera que hora estamos

mergulhados vamos esbarrando em contradições

como a de afirmar que estamos vivendo, quando na

verdade estamos morrendo e essa morte se inicia no

nascimento, pois nesse importante instante da

existência a ampulheta inicia seu processo de

contagem regressiva. Talvez nosso choro ao respirarmos

pela primeira vez denote toda a incerteza

em relação ao próprio fim, indefinição que o ser

humano carrega por toda vida.

Entre 365 dias de um ano, o que marca

nosso nascimento é tido como especial, pois

comemoramos nosso aniversário, no entanto, se

refletirmos sobre isso perceberemos que comemoramos

na verdade o encurtamento do tempo de

espera pelo dia derradeiro, não fosse isso não

assopraríamos velas para apagá-las, ou seja, a

mensagem inconsciente de que apreciamos e

desejamos o apagar das luzes da própria existência.

Particularmente acredito que viver é antes

de tudo resignar-se por ignorar a data da própria

partida. Embora vivamos em uma espera inconsciente

pelo próprio fim, temos medo da morte, pois

geramos em nós apreensão e angústia ante a tudo

aquilo que desconhecemos, isto é, paira sobre nós

uma determinada insegurança quanto a nossa

própria vida. Acredito que no fundo não tememos

a morte, mas assusta-nos as inúmeras formas em

que a vida chega ao fim, entre elas o sofrimento.

Ninguém quer sofrer em seus últimos dias, todos

desejamos um desenlace tranquilo e sem traumas,

mas somos impotentes, pois isso não depende

apenas de nosso desejo.

A vida pode ser compreendida como uma

grande estação, na qual prontos para partir e

alheios ao ano, dia e hora de embarque, perambulamos,

trabalhamos, casamos e temos filhos como

forma de passar o tempo, simplesmente por ignorarmos

a data de nossa partida. Para a maioria de

nós, o tempo de espera se faz tão longo, que nos

afeiçoamos a esta grande estação, julgando-nos

donos da mesma e a ignorar que ela pode ser apenas

um ponto de transição entre outras tantas.

Se nos fosse dado a dádiva de saber de

nossos dias e do próprio fim, talvez viveríamos mais

intensamente do que vivemos atualmente, pois a

data de partida seria uma certeza pontual e não

uma incógnita, se isso fosse possível, com certeza

seria excluída dos dicionários a palavra adiar. Se

pudéssemos ter conhecimento da data de nossa

finitude, talvez pudéssemos viver em paz e harmonia

uns com os outros, sem ganância, sem guerras e

com mais humanidade, pois perceberíamos claramente

que as coisas materiais são tão fúteis, que

não conseguem embarcar conosco no expresso da

morte.

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Poesia

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

Entre fosas y

día de Muertos

Reyna Valenzuela Contreras

Durango, México

@: dr_reyna@hotmail.com

Bien sabido por el pueblo mexicano, es

noviembre, mes en el que recordamos a los parientes

que ya partieron a otra dimensión, afortunados

aquellos que siguieron los lineamientos de la santa

iglesia y se encuentren disfrutando de los placeres

eternos, los menos afortunados, esos seguro estarán

retorciéndose en las llamas del infierno, bueno, eso lo

escuchábamos de las abuelas refiriéndose a algún

difuntito mal portado, es mes de hablar de los que ya

colgaron los tenis, a los que se les acabó el veinte, ó los

que en definitiva, ya andaban en tiempos extra, que

diciembre y enero, mes de desviejadero, y ni hablar de

todos a los que han mandado con las patas por

delante, ahora sí que por pura mala voluntad.

La tradición nos viene desde tiempos ancestrales

en donde las etnias Mexica, Maya, Purépecha y

Totonaca ya celebraban rituales a los ancestros

difuntos, fiestas presididas por la diosa

Mictecacihuatl “Dama de la muerte” actualmente la

conocemos como “La Catrina” esposa de

Mictlantecuhtli, “Señor de la tierra de los muertos”

originalmente estas fiestas se celebraban en el octavo

mes del calendario solar mexica, cerca del inicio de

agosto, pero con la llegada de los evangelizadores

cristianos en tiempo de la colonia estos aceptan parte

de las tradiciones de los antiguos pueblos mesoamericanos

, para poder imponer el cristianismo entre los

pueblos.

Nuestros ancestros concebían el paso de la

vida a la muerte como un momento emblemático,

que causaba admiración, temor, incertidumbre, es así

que en estas fechas seguimos en el intento de venerarla,

espantarla o hasta burlarnos de ella. Nacen así en

el siglo XIX versos en forma de epitafios burlescos

donde podemo expresar ideas o sentimientos que en

otras ocasiones sería mejor no decir. Son entonces las

calaveras un recurso literario para expresar el descontento

del pueblo con los políticos de la época, cuando

el descontento no es mucho, podríamos versar textos

como el que sigue:

Que si le dio la rubeola

Disque fue por sarampión

Que por culpa de las chelas

Fue a parar hasta el panteón.

Que fue por andar de cuzco

Que al fin ella se entero

Culpa de malos amores

La muerte se lo llevó.

Que es joven y bien portado

Que mal ninguno ha de hacer

Que nomas debe cuidarse

Y en tentación no caer.

Que la muchacha es bonita

Que el muchacho es lo que es

Que los dos han de cuidarse

Pa’ no salir… con ser tres.

Calaveritas que entre letras nos ayuden a

hacer mofa de situaciones triviales, aunque seria

valido también, hacer huso de la calavera como

herramienta literaria, esa que nos permite la protesta.

Siendo así, bien podríamos hacer espacio para hablar

de problemas actuales, podría entonces abrirse un

espacio para la calavera siguiente;

Que de problemas señores,

Es mejor de eso ni hablar

Que si fue la gasolina

O impuestos mil que pagar

Que en mi México señores

Ya no hay con que festejar.

No nos alcanzan los dedos

Para el sol poder tapar

Ya mi México no tiene

Mas sangre pa’ derramar.

Que día de muertos festejo

Si los jóvenes no están

Hasta ahorita no regresan

Al calor de aquel su hogar.

Que día me muertos festeja

Un país que años atrás

Podía reír de la muerte

Ésa hoy no nos deja en paz.

Hay fosas por todos lados

No los fuimos a enterrar

No hubo panteón para ellos

Ni quien los fuera a llorar

Que día de muertos festeja

Un país que años atrás

Podía reír de la muerte

Hoy… solo quiere llorar.

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Mural

Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05

Prezado Artista da Literatura:

Obra cooperativada: quando esquecemos o “eu” e

trabalhamos o “nós”.

Com alegria, estamos iniciando a captação

de textos para o 6º volume das COLETÂNEAS

ELOS LITERÁRIOS, com a coordenação da

Promotora Cultural Pérola Bensabath e edição da

Editora Alternativa.

Neste volume 6, o prefácio estará a cargo do

escritor David de Oliveira Leite e estaremos homenageando

o escritor Darcy Pinheiro da Silva.

Tema: serão aceitos temas inéditos ou não,

em prosa e verso.

Remessa de textos - os textos deverão ser

remetidos para o endereço eletrônico: perolabensabath@hotmail.com,

contendo título do texto,

nome ou pseudônimo, endereço completo, e-mails

e telefones, foto, além de uma minibiografia do

autor.

Contato: 71 - 33413719

Prazo final para remessa dos textos: 20 de

novembro de 2016.

Valor - preço por página: à vista: R$ 90,00 (com dois

exemplares) ou 03 parcelas de R$30,00.

Formas de pagamento: boleto ou depósito bancário

ou até em 18 vezes no cartão de crédito, com os

juros da operadora.

Exemplares extras poderão ser repassados por R$

15,00 a unidade, desde que previamente reservados.

Lançamento da Coletânea – 06 de maio de 2017,

sábado, em Salvador e posteriormente na Feira do

Livro de Porto Alegre.

Pretendemos que a edição do volume 6 das

COLETÂNEAS ELOS LITERÁRIOS possa

apresentar, ao leitor, visões de mundo diversificadas

dos autores e contar com a sua efetiva participação.

Finalistas do XXV Concurso Nacional

de Poesias Augusto dos Anjos

Após o cumprimento do que determina o

artigo 6 do Edital do 25º Concurso Nacional de

Poesias Augusto dos Anjos, informamos os títulos

das poesias classificadas para a final que será

realizada no dia 11 de novembro de 2016, às 19:30

horas, no Museu Espaço dos Anjos, à Rua Barão de

Cotegipe nr. 386, em Leopoldina, MG.

Foram escolhidas as seguintes poesias, em

ordem alfabética:

- A culpa é minha (Pseudônimo: Balburgo)

- A Queda da Folha (Pseudônimo: Kearney)

- Augusto Cadáver (Pseudônimo: Amor Tecido)

- Cicatriz (Pseudônimo: João Pureza)

- Clandestino (Pseudônimo: Icamiaba)

- Colheita (Pseudônimo: Lustral)

- Com Amor e Com Farinha (Pseudônimo: Macaíba)

- Exílio (Pseudônimo: Faroleiro)

- Fim da Estrada (Pseudônimo: Caminhante)

- Horas mortas (Pseudônimo: Saturnino Domênico)

- Mar imaginário (Pseudônimo: Daniel Ladeira)

- Minhas asas (Pseudônimo: Xuxu de Xocolate)

- O Assoalho do Velho Casarão (Pseudônimo: Antônio

Inconformado)

- O Coração (Pseudônimo: Ana Carter)

- Oco Domingo (Pseudônimo: Witalo Wonka)

- Opsígono (Pseudônimo: Jeremias Sanlape)

- Patético, sublime poeta (Pseudônimo: Ângela)

- Roda da Vida (Pseudônimo: Destino)

- Sacos de Lixo (Pseudônimo: Tigre da Ásia)

- Verdades Análogas (Pseudônimo: Allived)

No dia 11 de novembro, após a apresentação

das poesias e a decisão pelo júri do resultado final,

haverá a cerimônia de premiação, quando serão

conhecidos os nomes dos autores das poesias.

COLETÂNEAS ELOS LITERÁRIOS

Pérola Bensabath

Coordenadora

EDITORA ALTERNATIVA

Milton J. Pantaleão

Diretor

- 53 -

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ISSN 2525285-2

9 772525 285002

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