Views
4 months ago

Revista Apólice #204

direto de londres por

direto de londres por Luciano Máximo* Agitação no mercado segurador europeu 16 Enquanto um brasileiro gasta, na média anual, menos de US$ 500 (cerca de R$ 1.900) com produtos de seguros, na Europa o consumo per capita de apólices para cobertura de riscos dos mais variados e planos de previdência privada está na casa dos US$ 2.200 por ano (cerca de R$ 8.400) – um crescimento de 30% ao longo dos últimos dez anos. Isso mostra por que o mercado segurador e ressegurador europeu é o mais dinâmico do mundo do ponto de vista do consumidor – até mais que o dos Estados Unidos. Do ponto de vista empresarial não é muito diferente, o dinamismo também é característica presente. O setor anda bem agitado nos últimos meses, apesar de a economia europeia não estar lá essas coisas. Pipocam na imprensa geral e especializada notícias de expansão de seguradoras e resseguradoras europeias rumo a mercados emergentes – Brasil entre eles, mas principalmente Ásia e África – e também de muitos negócios de seguradoras se fundindo com concorrente, comprando concorrente... para quem gosta de acompanhar o tema fusões e aquisições, o mercado segurador europeu é um prato cheio. E as cifras são bilionárias. Vários negócios estão acontecendo, mas curiosamente o que chama mais atenção é uma transação que há pelo menos um ano teima em não sair do papel: a compra da gigante inglesa RSA pela igualmente gigante suíça Zurich. Se o negócio, enfim, sair do papel entrará para o livro dos recordes como a maior transação entre seguradoras europeias. Se não andar, será um fracasso de igual proporção. Em agosto, a Zurich fez uma proposta amigável de aquisição da rival britânica RSA por US$ 8,8 bilhões (quase R$ 35 bilhões!). Fontes do mercado londrino dizem que a operação trará eficiência operacional para a Zurich que, como a RSA, tem grande presença no Reino Unido e também providenciar para a Suíça melhor acesso aos mercados do Canadá, Escandinávia e América Latina, onde a RSA tem forte presença – no Brasil, o grupo RSA está há mais de 60 anos e atua com foco em seguros corporativos e de afinidades. Tudo caminhava bem com o negócio. Mas no meio do caminho tinha um sinis-

tro. E dos grandes! Ainda em agosto, um depósito de materiais químicos no porto da cidade chinesa de Tianjin explodiu, matando 44 pessoas e deixando mais de 400 feridas. A explosão atingiu outros grandes armazéns de várias empresas instaladas na região portuária. A Renault declarou que mais de 1,5 mil veículos em seu estoque tiveram perda total. Toyota e Volkswagen estimam as perdas em quase cinco mil carros – 40% dos carros importados pela China entram no país pelo porto de Tianjin. Com várias apólices cobrindo riscos civis na área, a Zurich declarou logo após o acidente que terá que fazer, inicialmente, a cobertura de US$ 275 milhões (R$ 1 bilhão) em danos. Além disso, a seguradora suíça apresentou prejuízo no segmento de seguro automotivo nos Estados Unidos. Esses dois fatores forçaram, em setembro, a direção da Zurich a cancelar, pelo menos temporariamente, as conversas com a RSA. O choque foi grande para a rival britânica. Quando o CEO da Zurich, Martin Senn, anunciou para o mercado o encerramento da negociação, um dia antes do prazo previsto pelo órgão regulador britânico antes da oferta oficial, as ações da RSA na Bolsa de Valores de Londres registraram perdas de mais de 20%. Em conferência com investidores, Senn justificou, sem mencionar Tianjin, que “recente deterioração do desempenho comercial no negócio de seguros gerais do grupo é o principal motivo para terminar as negociações com a RSA.” Nos bastidores do mercado segurador londrino, os analistas acreditam que a RSA continua à venda. Tanto a Zurich pode voltar a negociar sua compra num prazo mínimo de três meses quanto outra empresa pode surpreender o mercado e chegar com uma proposta. “É o que a gente chama de momentum! Tem muito disso no mercado segurador. Vamos ficar atentos”, observou Mark Wendon, especialista do setor e professor de finanças. Olhando para o caso da Zurich até parece que os negócios que não dão certo são mais “exciting” do que as transações que saem do papel. Por exemplo, outra notícia que é um verdadeiro “bafão” no mercado londrino não é lá muito positiva. A Prudential, a maior companhia de seguros britânica, com um faturamento em prêmios e reservas de mais de R$ 200 bilhões, principalmente no ramo vida e previdência privada, estuda vender suas operações no Reino Unido ou movê-las para a Ásia, provavelmente Hong Kong ou Singapura. Tudo por causa da indefinição sobre a permanência do Reino Unido como membro da União Europeia. O governo conservador do primeiro-ministro David Cameron deve realizar um referendo em 2017, o que pode consagrar a separação da ilha britânica do continente europeu em termos de cooperação econômica, política e social. Em comunicado para seus acionistas no início de outubro, a Prudential informou que o mercado de Londres é muito dinâmico e positivo para a companhia, “mas estamos regularmente olhando para a estrutura do nosso negócio para ter certeza que ele continue otimizado.” O tema é tratado com cautela no alto escalão da empresa e do governo britânico, que não quer perder a seguradora para um país asiático. Mas o dinâmico mercado segurador europeu não produz apenas notícias negativas. Dias depois do cancelamento Martin Senn, CEO da Zurich do negócio entre Zurich e RSA, outra companhia suíça, a resseguradora Swiss Re, protagonizou a compra da Guardian Financial Services por meio de sua subsidiária no Reino Unido Admin Re. A pechincha foi de quase R$ 10 bilhões pelas cerca de 900 mil apólices do ramo vida e previdência privada do grupo Guardian, que serão somadas às mais de 4 milhões de apólices controladas pela Admin Re. Mais cedo, em janeiro deste ano, a resseguradora XL anunciou a compra da britânica Catlin por R$ 15 bilhões. A negociação durou mais de um ano até o fechamento do negócio e trouxe euforia ao mercado não só na Europa, mas no mundo todo. A arquitetura da operação rendeu ao CEO da XL, Mike McGavick, o título de “Líder de Seguros do Ano”, oferecido pela School of Risk Management da Universidade St. John’s, de Nova York. No fim do ano passado, a Aviva, maior seguradora britânica, entre seguros gerais, vida e previdência privada, protagonizou o maior (e polêmico) negócio de 2014 ao comprar por R$ 30 bilhões a pequena concorrente no setor vida Friends of Life. O negócio foi muito criticado por especialistas por se tratar de um valor muito alto e também pelo sindicato de trabalhadores do setor no Reino Unido, pois abriu espaço para a Aviva fazer uma grande reestruturação que envolveu a demissão de milhares de funcionários. Por fim, outra prova que demonstra o dinamismo do setor segurador europeu, sob o ponto de vista empresarial, é a expansão de suas atividades para mercados emergentes. De acordo com relatório divulgado em outubro pela agência de rating especializada A.M. Best, as dez maiores seguradoras europeias realizaram dezenas de operações de compras ou expansão de negócios já consolidados em países asiáticos, latino-americanos, africanos e do Oriente Médio. O estudo levou em conta o aumento do faturamento em prêmios dessas empresas nos principais mercados emergentes, constatando que as filiais emergentes têm um peso maior na composição do balanço do que no passado. * Luciano Máximo, jornalista, é repórter licenciado do jornal Valor Econômico, cobriu o setor de seguros e resseguros na Gazeta Mercantil 17

Revista Apólice #203
Revista Apólice #216
Revista Apólice #226
Revista Apólice #202
Alvaro Daudt Eyler - Revista Apólice
Revista Apólice #232
Revista Apólice #225
Revista Apólice #217
Revista Apólice #206
Revista Apólice #212
Revista Apólice #221
Revista Apólice #222
Revista Apólice #214
Revista Apólice #208
Revista Apólice #227
Revista Apólice #224
Revista Apólice #195
revista Apólice #205
Revista Apólice #219
Revista Apólice #213
Revista Apólice #230
Revista Apólice #201
Revista Apólice #218
Revista Apólice #211
Revista Apólice #197
Especial - Revista Seguro Total
Revista Apólice #229
Especial - Revista Seguro Total
Edição 26 - clube dos corretores
Revista Apólice #228