*Agosto/2019 - Referência Industrial 210

jota.2016

COLUNA

SEMPRE É BOM LEMBRAR

MADEIRA É O ÚNICO MATERIAL CONSTRUTIVO FABRICADO PELA PRÓPRIA NATUREZA, A ÁRVORE, PORTANTO,

É UM RECURSO NATURAL RENOVÁVEL

Flavio C. Geraldo

FG4 MAD - Consultoria em Madeira

Contato: flavio@fg4mad.com.br

MEDIDAS DE DESTINAÇÃO DESSE

MATERIAL TRATADO, QUANDO

INSERVÍVEL, ESTÃO LONGE DA

COMPLEXIDADE DE MUITOS OUTROS

MATERIAIS ALTERNATIVOS UTILIZADOS EM

QUALQUER TIPO DE CONSTRUÇÃO

E

m tempos de proibição do uso de canudinhos

plásticos e a quase que imediata reação de algumas

empresas propondo interessantes soluções

alternativas, sempre é bom lembrar informações

importantes a respeito dos procedimentos de

descarte da madeira tratada, afinal, ela contém produtos

químicos de classificações toxicológicas que merecem

atenção. Nada contra, até porque a enorme maioria dos

materiais utilizados pelo homem está sujeito aos devidos

enquadramentos relacionados à sua destinação final. Importante

destacar que o assunto é devidamente regulamentado

através da Resolução Conama 307 e pela adoção da

Pnrs (Política Nacional dos Resíduos Sólidos), importantes

instrumentos que determinam os cuidados a respeito da

disposição de todo e qualquer resíduo gerado, seja ele de

qualquer natureza.

No caso da madeira tratada, são definidos como resíduos

desde pequenas peças resultantes de cortes e entalhes

até peças removidas de forma permanente do seu uso original,

como mourões de cercas, postes, dormentes, etc. Materiais

ou produtos de madeira tratada quando reutilizados

de forma consistente não são considerados como resíduos

descartáveis. Ainda que no Brasil os volumes destinados às

várias finalidades de uso não são tão expressivos, não significa

que estamos isentos da atenção a respeito do tema

relacionado aos padrões de destinação, lembrando que se

observa atualmente forte tendência de crescimento desses

volumes no setor da construção, onde as possibilidades de

maior geração de resíduos se multiplicam.

Foto: divulgação

Primeiramente, as práticas de aquisição de peças sob

medida devem ser evitadas a todo custo, pois, ajustes de

medidas na obra geram resíduos, não sendo, portanto,

recomendados. Por outro lado, quando inevitável, em

qualquer situação deve-se buscar primeiramente qualquer

possibilidade de reutilização de peças ou segmentos não

utilizados ou retirados de serviço.

Restos de mourões de cerca ou dormentes são muito

valorizados na área do paisagismo, como cercados de pequenos

jardins, degraus de escadas rústicas, demarcadores

de terrenos, etc. Restos de postes de madeira tratada atendem

perfeitamente a demanda por madeiras utilizadas nas

construções de galpões rústicos, esticadores de cercas ou

pequenos postes de sinalizações urbanas e rurais. São produtos

de reuso bastante procurados, pois apresentam perspectiva

de vida útil muito boa, além de material de baixo

custo. Muitas vezes são considerados materiais decorativos

com ótimo espaço no mercado. Restos de madeira tratada

jamais devem ser utilizados para fogueiras, ou como lenha

de fogões, lareiras, churrasqueiras ou equivalentes.

A reciclagem é também altamente recomendada, envolvendo

a transformação de madeira tratada retirada de

serviço e transformada em outros produtos comercializáveis.

Peças grandes, como postes, podem ser processados e

transformados em pranchas ou tábuas destinadas a construções

diversas, como réguas de decks, cercados ou pisos de

passarelas de parques. No caso de grandes volumes, existe

a possibilidade de transformação de restos de madeira tratada

em cavacos ou partículas para a fabricação de painéis

diversos, incluindo compósitos. A adoção de incineração

em nível industrial é praticamente inacessível, mesmo em

países onde os volumes são significativamente maiores que

no Brasil. Uma solução alternativa e viável é o emprego de

restos de madeira tratada para aproveitamento energético

como substituto parcial de combustíveis em fornos ou caldeiras,

com sistemas de controles de queima e emissões,

prática bastante comum adotada por empresas produtoras

de cimento.

A destinação para aterros industriais (Classe II A – resíduos

não inertes) ou para aterros industriais (Classe I - resíduos

perigosos) é prática corrente e permitida desde que

estejam devidamente licenciados pelos órgãos ambientais

competentes e em sintonia com as legislações vigentes.

Não podemos desprezar o fato de que a madeira traz

em seu bojo a sua origem. É o único material construtivo fabricado

pela própria natureza, a árvore, portanto, um recurso

natural renovável e, dentro do seu ciclo de vida, contribui

com a captação e sequestro de dióxido de carbono, um

gás de efeito estufa. Medidas de destinação desse material

tratado, quando inservível, estão longe da complexidade de

muitos outros materiais alternativos utilizados em qualquer

tipo de construção.

12 referenciaindustrial.com.br AGOSTO 2019

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