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3 months ago

revista Apólice #205

especial riscos diversos

especial riscos diversos abgr Gerenciamento pelo mundo O momento não poderia ser mais propício para o bom gerenciamento de riscos, sejam eles de engenharia ou dos desafios de multinacionais Amanda Cruz e Kelly Lubiato O mercado de Engenharia não vive seus melhores dias no Brasil. Como sempre é otimista, o mercado ainda vê possibilidades de ampliação com novas obras que deverão surgir nos próximos anos, mas o alerta é claro: os números deverão cair com o impacto do momento atual. Conforme Enzo Ferracini, diretor Comercial da JLT, explicou em sua apresentação durante a ABGR, sem essas obras, o PIB da construção deverá cair 8,6% e a indústria prevê fechamento de mais de 610 mil vagas no ano de 2015. Mesmo assim, os riscos que cercam essa área ainda precisam ser muito bem estudados e levados em conta. Se o bom gerenciamento já é crucial em todos os casos de apólice, o mercado deve entender que quando está mais volátil esse cuidado deve ser ainda maior. “É preciso compreender tecnicamente o projeto a ser implantado, fazer a organização de dados e informações, identificação de todos os riscos que envolvem o projeto”, explicou o executivo. E esse, segundo ele, é o papel do consultor, que deverá também analisar a possibilidade de aproximação entre segurador e ressegurador, além das coberturas e limites que cabem ao projeto, corrigindo possíveis desvios de padrões identificados na execução. Tudo isso é feito visando “evitar surpresas em eventual sinistro”. Estudo de caso Durante sua apresentação, Ferracini mostrou estudos de caso para explicar 38 melhor o que pode acontecer no mercado. Um dos exemplos foi um caso de incêndio com prejuízo de R$ 4 milhões causada por um ato doloso. Porém, a apólice foi emitida com a cláusula particular de exclusão para perdas e danos causados por sabatagem. Como resolver essa questão? “Identificada a possibilidade de falta de cobertura, atuamos perante a seguradora para demonstrar que essa cláusula particular adicional às demais exclusões da apólice não fazia sentido devido os riscos expostos do segurado e o momento que estávamos vivendo no país, com diversos tumultos ocorrendo nos canteiros. Assim, demonstramos que a clausula era nula e de pleno direito. A regulação do sinistro transcorreu normalmente”, contou. É verdade que a situação poderia ter sido evitada se essa possibilidade tivesse sido analisada e levada em consideração anteriormente. Mas o caso serve para demonstrar que o mercado pode apresentar alguma flexibilidade. “Há sempre uma margem de risco imperceptível que surge no momento do planejamento ou da execução do projeto”, alertou o head de Engenharia da Axa, Gerson Raymundo, também presente no evento. O executivo falou sobre o momento do Brasil, afirmando que “o crescimento que o mercado terá dependerá da escolha de prioridades. Principalmente de grandes projetos que dependem de aprovação do governo. A expectativa existe e o futuro próximo nos dirá como será”, disse e ainda completou: “o investimento é uma questão política que foge do nosso controle, mas novos projetos estão preparados para o futuro, permitindo a nós oferecer soluções corporativas.” O mercado está alinhado e as preocupações durante a ABGR tinham muito em comum. Raymundo puxou um gancho que também foi abordado em outra ocasião do evento: a internacionalização das empresas. “Acredito que o mercado de engenharia, mundialmente, tende a se internacionalizar, principalmente tendo coberturas em comum. É uma cultura que deve amadurecer com a abertura do mercado, porque o comportamento tende a ficar igual no exterior, mas num futuro próximo a cultura de seguro vai ser igualitária no mundo”, constatou.

❙❙Gerson Raymundo, da AXA ❙❙Kevin Strong, da XL Catlin ❙❙Angel Torres, da AIG A cultura das multinacionais As maiores empresas no mundo são multinacionais. Isso significa que elas têm que desenvolver um programa global para que suas pretensões de vender seus produtos e serviços em qualquer lugar do mundo se tornem uma realidade efetiva e lucrativa. O desenvolvimento desse programa requer a colaboração conjunta de seguradoras, brokers, gerentes de risco, além de consultores internacionais sobre finanças e taxas. É preciso também que ele seja baseado em um cenário onde todos os participantes tenham plena compreensão da operação em caso de sinistro. Durante o Seminário da ABGR, Kevin Strong, diretor de programas globais e network da XL Catlin, afirmou que esses programas são baseados em quatro palavras com c: consistência, cumprimento, custos e controles. Strong citou o exemplo de uma fábrica na África que teve um sinistro em sua apólice de seguro, contratada em sua matriz da empresa, Riscos em projetos de engenharia • Riscos de Construção • Riscos Ambientais e Sociais • Riscos Financeiros e de Viabilidade • Riscos Contratuais • Riscos de Fornecimento e Transporte • Riscos de Design do Projeto • Riscos a Pessoas e Terceiros em Londres. “O sinistro foi pago, mas apenas um terço da indenização chegou ao destino final, porque as autoridades locais entenderam que o dinheiro estava entrando como capital”, contou. A lição que fica é a da necessidade de estar atento à legislação dos países onde a companhia atua. Ainda que a matriz possua uma apólice suficiente para abranger diversos sinistros, cada nação tem a sua particularidade legal que quando não é observada pode causa prejuízos maiores, que vão além do sinistro. No caso brasileiro, Strong ressalta que “se houver perda que não possa ser coberta localmente, as autoridades brasileiras podem taxar o valor da indenização como aporte de capital. Por isso, é necessário fazer uma adequação legal para que o dinheiro seja pago diretamente à unidade que sofreu o dano”, esclareceu. A ONU afirma que existem 100 mil empresas multinacionais no mundo, sendo o setor da construção civil um dos mais importantes. Agora é tempo de começar a expandir horizontes e sair dos eixos conhecidos para essas grandes empresas, conforme afirma Angel Torres, head de multinacionais na AIG América Latina. “Temos que começar a pensar na África, no sudeste da Ásia, porque nos próximos dez anos esses locais estarão em fase de desenvolvimento. Muitas companhias com menos de 500 funcionários já não se concentram mais em seu próprio mercado”, afirmou. Torres acredita que nada é mais importante do que está no país do cliente, com pessoas e especialização necessárias para atendê-los. “Empresas multilatinas e multinacionais dependem de várias linhas de negócios e temos que entender todas. Cliente e empresa deveriam montar o programa global para ser cumprido”, aconselhou. Dentro desse contexto, ressalta-se que mais de 50% das maiores empresas multinacionais da América Latina são brasileiras. Isso dá ao mercado muita visibilidade, o que acabou fazendo dele o de maior interessa para a Mapfre fora da Espanha, de acordo com Alfredo Arán Iglesia, gerente geral da Mapfre Global Risks. “O maior problema são os riscos regulatórios. É preciso cumprir as condições das apólices locais, porque se for algum problema pequeno podemos questionar, mas se ocorrer um grande risco vira um problema quase insolúvel”, afirmou. O executivo disse ainda que é preciso considerar também as questões de linguagem, o controle e a verificação de riscos nas apólices. 39