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3 months ago

revista Apólice #205

evento | Fórum da

evento | Fórum da Longevidade Longevos devem permanecer ativos Ao invés de se aposentar, idosos querem trabalhar e viver novas experiências Amanda Cruz Um mundo mais amigável ao idoso. O Fórum de Longevidade da Bradesco Seguros chegou a sua 10ª edição abordando um tema que para muitos pode ser delicado e até tabu, com delicadeza e cuidado: envelhecer e cuidar para que idosos tenham um mundo melhor a seu alcance, especialmente nas relações de trabalho. Isso vale também na indústria, no turismo, com a imprensa e em outros setores que sejam capazes de abraçar o idoso e também ver oportunidades na longevidade, já que eles hoje têm poder aquisitivo e disposição para participar do mercado econômico, seja como consumidor, seja como mão-de-obra. Além disso, o tema central do evento, “Inspirando um mundo melhor para todas as idades”, lembra que a preocupação tem que estar em toda a sociedade. Alexandre Kalache, médico e gerontólogo, foi um dos palestrantes e apresentou o conceito de Age Friendly (amigo da idade, em tradução livre) ressaltando a importância da inclusão de idosos na logística de transporte, no amparo social, mas também no entendimento do que é essa longevidade. “Não vai ser a vida monótona, feita para trabalhar até se aposentar. Hoje estudamos e trabalhamos por mais tempo, mas continuamos aposentando cedo. Temos que mudar e responder à revolução da longevidade”, afirma. Depois das fases que hoje vivemos, os longevos terão a oportunidade de 40 tirar um ano sabático, dedicar-se às novas possibilidades profissionais, manter a carreira sem amarras de outras responsabilidades. Inúmeras são as opções para essas pessoas. Para falar mais a fundo sobre as necessidades e probabilidades de trabalho e relação com a cidade, Ruth Finkelstein, professora da Universidade de Columbia, em New York (EUA), e coordenadora do programa Cidade Amiga do Idoso, do prefeito Michael Bloomberg, participou do evento. Como bem se sabe, a proporção de população jovem tem diminuído em relação à idosa. “Hoje essas linhas se

cruzam, a população está envelhecendo. Cabe a nós descobrir como fazer as coisas de forma diferente. Se fizermos as coisas da maneira antiga, elas não funcionarão bem. Mas se respondermos à transição demográfica, com mudança de instituições, cidades e famílias, teremos oportunidade porque é o que os idosos são”, concluiu A pesquisa desenvolvida em Nova York aponta que os idosos que deixam de trabalhar sentem falta dos amigos de profissão e de algo para fazer todos os dias. Eles querem e precisam ocupar seu tempo. Além disso, a questão financeira também é crucial, pois o dinheiro da seguridade social não é suficiente para que eles conduzam sua vida nessa nova fase. Pensando nisso, o projeto começou um programa para mapear as empresas que valorizam todas as idades e que exaltam a troca de experiências e aprendizados. Hoje, isso ainda é incipiente porque a mão-de-obra a partir dos 50 anos já começa a ser descartada e é preciso fazer um esforço para que essas empresas voltem a perceber o valor que tem um profissional com mais tempo de carreira. Além disso, muitas profissões têm se tornado mais escassas. “A situação é que os jovens também estão deixando de aprender muita coisa. Jovens não estão se tornando encanadores, pedreiros. Mas alguém precisa construir os prédios e precisa ser alguém que tenha habilidades para isso... Mas eles só querem ser empresários”, lamentou Ruth. Para a ❙❙Marcio Coriolano pesquisadora, esses profissionais podem enriquecer e ajudar a empresa a ter mais sucesso com sua expertise. Embora o estudo tenha sido feito em Nova York, Ruth reiterou que esse movimento é global e que suas soluções podem ser aplicadas em outras nações. Questões de trabalho A escritora Márcia Tavares, autora do livro “Trabalho e Longevidade: como o novo regime demográfico vai mudar a gestão de pessoas e a organização do trabalho”, indagou: e se todos os baby boomers (nascidos entre 1946 e 1964) se aposentarem em massa? Ela mesma responde: a aposentadoria precoce poderia desestruturar o mercado de trabalho, bem como a previdência social, que não teria condições de arcar com esses novos integrantes todos de uma vez. Outra questão importante é que “tantas gerações trabalhando juntas ao mesmo tempo é muito importante para que seja mantida uma boa gestão da força de trabalho”, comenta. Para esses longevos não há motivos para parar ou abandonar o trabalho. Se eles fizerem isso, acabam ficando deprimidos ao se afastar da atividade. Eles continuam produtivos e criativos e isso não deve ser desperdiçado, além de ser uma oportunidade para as empresas que precisam da mão-de-obra qualificada e muitas vezes não percebem isso. “Nós mudamos o perfil, mas não a mentalidade. Continuamos com a história que torna difícil para o jovem arrumar um trabalho por causa da falta de experiência, mas ainda descartamos os mais velhos que já têm essa bagagem. São questões que herdamos, aceitamos e não sabemos exatamente porque, a sociedade ainda não questiona e não muda”, constata Márcia. Durante discussão sobre o assunto, esteve presente também Gabriel Martinez, cineasta e autor do filme Envelhescência, que retrata justamente o que o Fórum propõe: ver o idoso como um ser capaz e dono de suas próprias vontades, nunca achando que se está velho demais para algo. “A conclusão de se achar velho demais para algo é nociva. A personagem que começou a surfar com 58 anos, por exemplo, mudou minha perspectiva. Temos que encarar as limitações, mas ❙❙Jair Lacerda sempre existirá uma porta aberta para você, algo que você possa fazer”, afirmou o cineasta. Para o mercado de seguros, a longevidade traz desafios e oportunidades. A carteira de saúde da Bradesco, por exemplo, hoje conta com 257 segurados acima dos 100 anos. É um número grande e que deve crescer ao longo do tempo. Por isso, é importante que esses envelheçam bem e que o trabalho seja algo produtivo, como acredito Marcio Coriolano, presidente da Bradesco Saúde. “É preciso focar na rede de atendimento, é disso que se trata. Saúde não é cura, é prevenção, consciência e solidariedade entre as pessoas. Se isso correr bem, não há estresse de trabalho que vá agravar a carteira, pelo contrário teremos seres humanos mais repletos e felizes”, acredita. O mercado de previdência privada, conforme conta Jair Lacerda, diretor de Vida e Previdência da seguradora, também deve trazer ao setor soluções que beneficiem essa nova maneira de organização da sociedade. “As pessoas ainda vão viver muito, mas precisamos reverter esse quadro em que há mais gente dependente do que produzindo”, alerta. Por isso, a prevenção citada vem também nessa carteira. Hoje, idosos gastam em cinco anos em questões de saúde praticamente o mesmo montante que gastaram durante toda a vida. Uma previdência planejada pode ser a salvaguarda dessas pessoas e fazer crescer a taxa de longevos com independência financeira, prontos para consumir e fazer o mercado girar. 41

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