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Revista Curinga Edição 13

Revista Laboratorial do Curso de Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto.

Sensação Terapia da

Sensação Terapia da Amizade A interação com animais torna-se um diferencial no tratamento de doenças físicas e mentais “Quando ele chegou para a Equoterapia, apresentava uma debilitação grande, com muitas dificuldades motoras nos membros inferiores e superiores. Hoje anda, frequenta a escola e leva uma vida quase normal”. José Manoel se emociona ao lembrar a trajetória de seu filho Matheus Fernandes de 8 anos, diagnosticado com Paralisia Cerebral. Beneficiado com o tratamento da Terapia Assistida por Animais (AAT) há três anos, Matheus frequenta sessões na Associação de Equoterapia Educacional Texas Ranch em Itapecerica da Serra, São Paulo. AAT é um método auxiliar que atua em conjunto com outros tratamentos em prol da evolução de quadros de problemas comportamentais, doenças motoras e em casos de deficiência mental. Seu diferencial consiste em explorar as habilidades de interação entre humanos e animais para potencializar estímulos através do convívio entre ambos. Crianças, adolescentes e idosos são os que mais notam evoluções na aproximação com os bichinhos em benefícios à saúde. A coordenadora da Associação, Elizabeth Melani diz que o tratamento faz com que o sistema nervoso central receba informações das emoções vivenciadas nas experiências durante a terapia, como oferecer comida ao cavalo, e também por meio dos movimentos trabalhados na escovação do pêlo, com temperaturas quentes. “Este ambiente aquecido remete ao útero materno sem ter consciência nítida, mas promove estímulos agradáveis e ao mesmo tempo tendo ganhos motores com os movimentos, bem como alcance psíquicos e superação de seus medos”, afirma. De acordo com a coordenadora, as sessões são divididas em dois períodos. Na primeira parte, o destaque se dá pelo momento de interação com o animal e neste período são trabalhadas a aproximação e a vivência com os cavalos. “A partir da primeira sessão, o paciente adquire auto confiança e independência, sendo o ponto alto dedicando entre os dois parceiros carinho e atenção”. Após essa etapa, inicia-se a segunda parte com sessões montando sobre o cavalo. Estas sessões duram cerca de 30 minutos e acontecem dentro ou fora do picadeiro. Nesta etapa, os objetivos e metas traçados são de acordo com a deficiência de cada um, para obter melhores resultados sejam eles motores (mobilidade reduzida), psíquicos (afetividade, timidez, déficit de atenção) ou psicopedagogos (deficiência de aprendizagem), buscando o desenvolvimento biopsicossocial de cada individuo.

Animais em tratamentos terapêuticos Afinidade para garantir êxito Os métodos zooterapêuticos começaram a ser estudados no final do século XIX, na Bélgica, quando médicos notaram que pacientes com alguma insuficiência mental socializavam melhor quando conviviam com animais. Estudos também foram realizados na Inglaterra, com idosos de asilos e nos EUA com pacientes com comprometimento físico e mental. No Brasil, na década de 1950, a professora, psiquiatra e psicoterapeuta, Nise da Silveira, começou a utilizar a zooterapia como alternativa para o tratamento de pacientes esquizofrênicos, realizados até então através de choques. A fonoaudióloga Keila Tomazeli, mestranda em Educação Inclusiva pela McGill University, no Canadá, ressalta a importância de lembrar que a terapia assistida por animais segue um plano de tratamento traçado por profissionais, como por exemplo: Terapeuta Ocupacional, Fisioterapeuta, Psicólogo, Biólogo, Veterinário, Fonoaudiólogo, Pedagogo e Psiquiatra. De acordo com a fonoaudióloga, um dos primeiros estudos sobre a técnica AAT foi publicado em Nova Iorque nos anos 80 e descobriu que pacientes com ataque cardíaco, donos de animais domésticos, viveram mais tempo do aqueles que não possuíam. Mais recentemente, estudos têm se concentrado no fato de a interação com animais estar relacionada ao aumento do nível de ocitocina no organismo humano. Keila diz que a ocitocina pode ter benefícios para a saúde humana a longo prazo, pois “aumenta a capacidade do corpo para gerar novas células e estar em prontidão para curar. Este hormônio nos possibilita ser mais saudáveis, além de ajudar a nos sentirmos felizes e confiantes. Pode ser considerado uma das razões pelas quais os seres humanos criam vínculo afetivo com os seus animais ao longo do tempo”, ressalta. A harmonia entre o paciente e o animal é um dos principais critérios a serem considerados. A estudante de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Maranhão, Jéssica Vanessa diz que o tipo de animal escolhido depende dos objetivos terapêuticos e do plano de tratamento de um enfermo, além de levar em consideração limitações como medo e alergias. O treinamento dos animais adestra para uma postura tranquila e amigável, “no geral o animal deve ser paciente e aceitar manipulações sem reagir de forma agressiva ou defensiva”, afirma. De acordo com a estudante, os animais mais comuns usados nesta prática são cães e cavalos, devido ao comportamento mais dócil, “mas também é possível utilizar gatos, peixes, coelhos e até animais exóticos como golfinhos. Com cães, as raças mais indicadas são justamente as com temperamento mais sociável, como Labrador, Golder Retriever, Bernese Montain Dog”, relata. As relações com os animais são mais antigas do que podemos datar. Há relatos de observações sobre o comportamento dos bichos desde os tempos da préhistória nas pinturas das cavernas. Desde então, o auxílio dos animais nos acompanha nos processos evolutivos proporcionando alimento, transporte, vestimenta e proteção. Conforme o grau de interação evoluiu, com moldes mais complexos e pessoais, os animais ganharam espaço e hoje o relacionamento entre nós é amigável e estável. Os laços estão tão intensos que evoluiram como alternativa para tratamentos médicos. Deste modo, nossa ligação tende a durar por muito tempo. Texto: Teka Lindoso Foto: Bianca Cobra Arte: Tácito Chimato Principais benefícios no tratamento alternativo com os animais: Melhora o sistema imunológico. Facilita o processo de leitura, memorização e concentração. Estimulo à interação social. Melhora as capacidades motora, cognitiva e sensorial. ! # Diminui o nível de estresse. Nos autistas, proporciona melhora na capacidade de comunicação e na sensibilidade e interação. CURINGA | EDIÇÃO 13 9

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