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Revista Desporto&Sports ed 13 (versão gratuita)

Entre os fatores

Entre os fatores intrínsecos estão as alterações ortopédicas dos segmentos corporais natas ou adquiridas. Com relação aos fatores extrínsecos, pode-se destacar as condições do piso, iluminação da quadra e tipo de calçado utilizado pelo atleta tanto profissional como amador. Estes fatores associados podem influenciar em exigências musculoesqueléticas que são recrutadas de forma a alcançar os objetivos pontuais de cada momento da prática do futsal, bem como, de vencer as tendências e riscos dos mecanismos de lesão. Têm-se as lesões em cadeia cinética fechada e aberta. As lesões em cadeia cinética fechada (situação em que o pé encontra-se apoiado no solo) são consideradas graves, envolvendo maior número de estruturas osteomioarticulares. Já as lesões em cadeia cinética aberta são aquelas em que o pé não está em contato com o solo. A 18ª “Cada superfície de jogo tem suas características que refletem nas exigências psicofisiológicas de uma prática rápida e fluída, como do futsal, até chegar ao esforço físico" 44 • Em um estudo do nosso grupo de pesquisa, no qual foi acompanhado um conjunto de atletas de futsal feminino ao longo de duas temporadas, envolvendo atletas sub-17, sub- 20 e adultas, totalizando 42 jogadoras da mesma equipe, foram registradas 176 lesões relacionadas à prática do futsal, incluindo treinamento e jogos amistosos e de competições oficiais. A distribuição destas lesões foi bastante simétrica nos 2 anos, A 18ª etapa é aquela sendo 87 no primeiro e 89 no segundo. Isso representou uma média de 0,44 lesões por dia. As atletas apresentaram lesões em diferentes segmentos corporais com uma grande prevalência para os membros inferiores. Para se ter uma dimensão disto, enquanto 84% das lesões envolveram os membros inferiores, o segundo segmento afetado foi a coluna lombar com 8%, membro superior 4%, região dorsal com 2% e a cabeça com 1%. Destas lesões de membros inferiores, prevaleceu o entorse de tornozelo representando 46,1%, seguido pelos estiramentos musculares de coxa com 32,5%, em terceiro o entorse de joelho com 15,2% e em quarto a lesão envolvendo os adutores de coxa com 6,2%, este último, com predomínio dos estiramentos musculares (Moraes, Martins e Longen, 2016). Sabe-se que cada prática esportiva conta com inúmeras particularidades, que inclusive representam objeto de estudo de disciplinas inteiras em cursos de graduação ou de pós-graduação, ou até mesmo cursos inteiros como há muitas décadas já existem em países como a Rússia, graduação em futebol, entre outras. A propósito este país, sede da copa do mundo de 2018, tem fortes e intensas relações com o mundo do esporte no aprofundamento fisiológico, nas técnicas e da performance, tanto como referência em vários aspectos para o mundo e berço formativo, como também em interrogações geradas sobre as nuances dos limites éticos do manejo e aplicação de tanta informação, a exemplo da recente perspectiva olímpica do país. Neste contexto mundial, o futsal embora tenha surgido na América do Sul está bem difundido em muitos países e com progressiva expansão da adesão à sua prática. O futsal como esporte coletivo conta em especial, entre outros elementos secundários, com os jogadores, uma quadra e a bola. Como exposto inicialmente cada jogador conta com suas características intrínsecas. A bola é padrão e conta com poucas variações. Com isso um elemento que merece reflexão mais aprofundada é o tipo de quadra, que basicamente apresentam diferenças em função do tipo de piso, considerando que as dimensões, formas de demarcação, balizas, redes de proteção, etc, são preconizadas com um padrão. "O futsal é caracterizado por uma expressiva necessidade de preparo físico, rapidez, forte marcação em espaço restrito exigindo esforços de alta intensidade, explosões, arrancadas e desacelerações, paradas bruscas, velocidade, direção, na maioria das vezes com curta duração." O risco de lesão é elevado.

Entre os tipos de piso o de concreto é a alternativa mais comumente encontrada nas quadras de futsal em função da simplicidade da aplicação e menor investimento exigido. No entanto, há disposições técnicas para um melhor aproveitamento geral deste tipo de pavimento. Tais medidas podem envolver materiais de melhor ou pior qualidade e específicos para cada camada do concreto, juntas de dilatação, soldas de trincas, auto nivelamento, adequada pintura e demarcação da superfície. O piso asfáltico é basicamente estruturado com as mesmas características do piso de concreto, no entanto, é disposta uma camada asfáltica entre os materiais dispostos nos diferentes níveis de camada da cobertura. O piso de madeira é tradicionalmente tido como uma melhor solução de qualidade para quadras especialmente as poliesportivas, incluindo o futsal. Nas mesmas, via de regra, há uso de amortecedores de impacto de borracha, com perspectiva de absorção de 60% do impacto envolvido nas quedas, frenagens, arrancadas, saltos e impulsos envolvidos na dinâmica da prática do futsal. As tecnologias envolvendo materiais mais elaborados e as técnicas de preparação e colocação deste tipo de pavimento tem evoluído, com evolução por exemplo do maior isolamento quanto à umidade, agentes biológicos e deteriorização da base de madeira. O piso sintético geralmente é de polipropileno (PP), que é um material de alta resistência mecânica, ou seja, resiste de forma significativa a carga, impacto e abrasão. Este tipo de pavimento não é raro em quadras poliesportivas que também contemplam práticas como vôlei, handebol e basquete, além do futsal. Embora as quadras de concreto e de madeira também permitam tal condição. Este tipo de quadra é percebida pelos praticantes como mais levemente mais flexível. No ano de 2014 nosso grupo publicou um estudo no qual foram investigadas as possíveis influências de dois tipos de piso de quadra de futsal, a sintética e a de madeira sobre alguns dos principais músculos requisitados na prática. Este artigo publicado na Revista Brasileira de Medicina do Esporte (volume 20, número 1, Jan/Fev, 2014) intitulado: “Existe Relação entre o Tipo de Piso de Futsal e as Respostas Adaptativas da Musculatura em Praticantes de Futsal Masculino?”, com análise eletromiográfica (EMG) comparativa e com grupo controle indicou que não houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos (Lefchak e Longen, 2014). Embora a percepção dos atletas profissionais e amadores seja de que há diferenças na prática do esporte, ainda é difícil delimitar as diferenças sobre a resposta da musculatura e para que se possa afirmar que sejam consideráveis em termos de performance dos atletas, fadiga e risco de lesões. Certamente este é um assunto que merece mais estudos e com diferentes abordagens metodológicas, pois em outro estudo, já citado aqui (Moraes, Martins e Longen, 2016) referente à incidência e tipificação de lesões, não encontramos associação entre tipo de piso e maior ou menor risco, bem como, tipo específico de lesões para determinado tipo de piso. Em síntese todo estímulo mecânico exerce impacto sobre os grupos musculares em maior ou menor grau. As respostas psicofisiológicas sejam voluntárias (pensadas), automáticas (intermediárias entre o pensado e o ato reflexo, muito decorrentes do treinamento repetido do ato esportivo) e reflexas (involuntárias), que representam a conexão corpo e mente no ato prático esportivo, sofrem influência do tipo de quadra no futsal. No entanto, não é possível afirmar que as diferenças entre os tipos de quadra reflitam em respostas adaptativas suficientes para justificar que determinado tipo de quadra em detrimento de outro exige mais ou menos da musculatura e que represente maior risco de lesão indireta. REFERÊNCIAS DO TEXTO: Júnior J de V, Assis T de O. Lesões em atletas de futebol profissional de um clube da cidade de Campina Grande, no estado da Paraíba. Campina Grande/PB. Revista Brasileira de Ciências da Saúde, v. 8, n. 26, Out/Dez, 2010; Lefchak FJ, Longen WC. Existe relação entre o tipo de piso da quadra de futsal e respostas adaptativas da musculatura em praticantes de futsal masculino? Revista Brasileira de Medicina do Esporte. v.20, n.1, Jan-Feb, 2014. p. 8-12; Moraes MR, Martins MS, Longen WC. Lesões Músculo Esqueléticas em Atletas Profissionais de Futsal Feminino: um Seguimento Longitudinal de Duas Temporadas. Revista Inspirar Movimento & Saúde. v. 10, n. 3, Jul/Ago/Set, 2016. p.37-40; Moreira D, Godoy JRP, Braz RG, Machado GFB, Santos HFS. Abordagem Cinesiológica do Chute no Futsal e suas Implicações Clínicas. Revista Brasileira de Cineantropometria e Movimento. v.12, n. 2, 2004. p. 81-5; Navarro AC, Almeida R. Futsal. São Paulo: Phorte, 2008; • 45

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