Views
3 months ago

Revista Apólice #211

evento | simpósio

evento | simpósio paranaense Diversificar produtos é a saída para a crise Evento realizado no Paraná ratificou a necessidade dos corretores de buscar alternativas para o seguro de automóvel, que registrou queda no início deste ano Se antes os corretores viam em outras carteiras do mercado de seguros apenas uma alternativa de ganho e de fidelização dos clientes, agora, dar menos relevância para o seguro de automóveis passou a ser uma necessidade. A queda de 3,9% do PIB brasileiro trouxe muitos problemas. A produção automotiva caiu 22,8% em 2015 e o mercado de saúde perdeu cerca de 1,8 milhão de vidas. É um cenário difícil, que indica grande decréscimo da atividade econômica. A questão agora é saber até onde os números irão cair. O mercado de seguros, que sempre demora um pouco mais para sentir os efeitos da crise, já começa a perceber as mudanças. No seguro de automóvel, no primeiro trimestre deste ano, a queda no faturamento ficou em torno de 1% no mês de janeiro de 2016, em relação a janeiro de 2015. De acordo com o diretor geral da Porto Seguro, Rivaldo Leite, a queda das vendas de automóveis já atingiu a marca de 33%. Pela falta de itens novos no mercado, ele acredita que caberá à força de vendas se tornar, cada dia mais, uma assessoria. “Fiquem tranquilos porque o consumidor confia muito no corretor de seguros, uma profissão muito forte”, assegurou. Para ele, o corretor de seguros precisa aproveitar esta proximidade com o cliente para oferecer novos produtos, como o seguro PET, que atende a uma demanda da nova classe média brasileira. Ou ainda as linhas de telefone celular. “Queremos fazer com que o corretor de seguros tenha mais receitas e outros ganhos, para que, no futuro, esta seja a profissão desejada por seus herdeiros”, completou Leite. Sobre alternativas para o seguro de automóvel atual, Fabio Leme, diretor da HDI Seguros, fez uma conta rápida, levando em conta a frota circulante no País, que está em torno de 42 milhões de veículos. Destes, 2/3 possuem mais de cinco anos de uso. “O fato é que, com a desaceleração das vendas de veículos 0km, a frota vai envelhecer. A idade média dos veículos em circulação é de 8 anos e 9 meses. Esta realidade movimenta mais o mercado de peças de reposição. Conforme o carro fica mais velho, cresce a comercialização de peças paralelas”, disse Leme. Para o executivo, o desafio é inserir toda esta nova faixa de veículos no mercado de seguros. O seguro auto-popular é uma alternativa de economia; entretanto, da forma como o projeto foi aprovado previamente, traz dificuldades de operação para o mercado. Como exemplo, Leme citou que apenas o modelo Palio, da Fiat, possui 29 opções diferentes de parabrisas. “Para ter disponível o modelo correto é quase como acertar na loteria. Existe ainda uma dúvida sobre de onde as peças podem vir”, esclareceu. Numa comparação bem simples, Leme acredita que a economia no valor do sinistro pode ❙❙Marco Antonio Gonçalves, da Bradesco 38 ❙❙Rivaldo Leite, da Porto Seguro ❙❙Marcos Machini, da Liberty

❙❙Senador Alvaro Dias discursa e responde perguntas de lideranças e corretores ficar em torno de 40%, se houver boas negociações com oficinas e utilização de peças recicladas. O problema é que apenas a produção de peças recicladas não será suficiente para abastecer o mercado e, assim, será preciso recorrer ao mercado de peças genuínas. A preocupação do setor é caso estas peças não sejam encontradas. Se for necessário adquirir peças originais, o valor do sinistro ficará muito alto para o produto. O projeto do seguro auto-popular voltou para a Susep para que seja revisto este ponto de fornecimento de peças. Outra reivindicação das seguradoras é que este produto seja oferecido apenas para automóveis com mais de cinco anos de uso. A projeção é de que até 2018 haja apenas 12 milhões de veículos da frota circulante com até cinco anos de idade. É o mesmo número que o Brasil possuía até 2009. Em 2014, este número chegou a 18 milhões de unidades. “Ou seja, até 2018 teremos uma frota segurada 30% menor do que em 2014. Em 2015, o crescimento aconteceu apenas no primeiro semestre e, em 2016 no primeiro trimestre houve queda de 4% nas vendas”, avisou Marcos Machini, vice-presidente da Liberty Seguros. Para encarar esta nova realidade, Machini citou dois exemplos de atuação (um de casa e um de mercado): há três anos a Liberty lançou um produto de RCF + Assistência. “Nós insistimos em dizer que o brasileiro não se preocupa com a responsabilidade, mas, para contradizer isso, temos hoje 3 mil corretores vendendo este produto todos os meses. Mais do que isso, 90% das vendas deste produto são para consumidores novos. Ou seja, elaborar e ofertar novos produtos é fundamental. Assistimos nos últimos três meses a oferta de novos produtos com cobertura apenas de roubo + alguma coisa. Estes produtos podem ser ofertados não apenas para quem não pode comprar ❙❙Marcos Kobayashi, da Tokio Marine a perda total, mas também para quem quer contar com algum tipo de proteção”, ressaltou Machini. Seguro em tempos de crise Seguradores são unânimes em afirmar que este é o momento de buscar alternativas de produtos fora da carteira de automóveis. Em 2015, iniciamos o ano com perspectiva de queda de 1,5% do PIB, e o resultado foi de 3,9% a menos. Por outro lado, o setor de seguros conseguiu ainda um superávit de 11%, mostrando que a indústria e os distribuidores continuam a manter este setor pujante. O crescimento foi em todas as linhas, auto, vida, previdência e ramos elementares. Marco Antonio Gonçalves, diretor gerente Comercial da Bradesco Seguros, ensina que temos que dividir os produtos como matrizes: os de atratividade (automóvel e saúde), os de rentabilidade (residencial, vida, capitalização, odontológico) e os de fidelização. “As crises fazem com que saiamos delas fortalecidas. Todos os fundamentos são revistos em um momento de crise, por conta da necessidade premente de revisar custos”, avalia. Em 2016, a previsão é de um crescimento da atividade como um todo de 39

Edição 113 download da revista completa - Logweb