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ABL-076 - Sonetos e rimas - L... - Academia Brasileira de Letras

ABL-076 - Sonetos e rimas - L... - Academia Brasileira de Letras

XIV � Luís Guimarães

XIV � Luís Guimarães Jr. dece: “O mar parece todo um só gemido... / E eu mal sustenho o coração partido, / Oh! terra de meus pais! Oh! minha terra!” (1880: 15). No outro, o “fantasma solene e enegrecido” (1880: 47) da saudade de lá domina o sujeito lírico, que vê cá sempre como espaço inferior e lacunar. Reforça-se esse deslocamento pela localização/datação de alguns poemas, em notas como “A Bordo”, “Mar Pacífico – 1872”, “Santiago do Chile – 1872”, “Londres – 1874”, elementos dêiticos que, situando o diplomata, sinalizam a expatriação do poeta. A temática do exílio desdobra-se ainda na condição marginal do escritor, cuja postura, no entanto, difere da consagrada pelo romantismo, em que ele se envaidecia do desacordo deliberado com a sociedade; em Guimarães Júnior, a marginalidade reside antes na imaginação criadora e na propensão reflexiva do outsider, na “alma ardente e deslumbrada” (1880: 160) do vate, do que na repulsa à coletividade (cf. “A Hora do Repouso”, “Contraste”, “A Voz de Moema” e “O Pensamento”). Isso não significa, entretanto, que haja alienação crítica em Sonetos e Rimas: em prolongamento à poesia social(ista) praticada na década anterior, hasteiam-se poemas contra as disparidades sociais, normalmente embebidos num discurso lacrimoso, à beira da pieguice (cf. “O Piano”, “A um Rico que Passava...”, “A um Milionário”, “A Carta”), quando não moralizante (cf. “A Esmola” e “Revelação”) ou, vertente menos comum e mais interessante, humorístico (cf. “Súplicas Maternas”). Na maioria das vezes, são textos superficiais, esquematizados no antagonismo rasteiro de “pobres versus ricos”, de quem se ataca a ostentação misantrópica em favor da humildade ingênua daqueles. A coexistência do sopro íntimo com o púlpito social acusa, a propósito, a índole bifronte de Sonetos e Rimas, clivagem compartilhada por boa parte das obras poéticas da década de 1870, bastando como exemplo as Alvoradas (1875), de Lúcio de Mendonça, que, publicadas

Sonetos e Rimas XV na exata metade do decênio, demonstram o feitio ambivalente na sua bipartição interna em “Musa dos Vinte Anos” e “Musa Cívica”. Outro indício do parentesco romântico de Guimarães Júnior habita o seu soneto mais conhecido, o antológico “Visita à Casa Paterna”, também votado à temática do exílio, que, nesse poema, contudo, se torna temporal e afina-se menos com Gonçalves Dias do que com Casimiro de Abreu e com o esquecido José Bonifácio, o Moço. No autor da “Canção do Exílio”, a distância espacial encobre a cronológica, idealizando o poeta a crença de que, ao retornar à pátria, adaptar-se-ia integral e novamente a ela (aspecto nítido em “Minha Terra”, a começar pelo pronome no título); ou seja, à supressão do espaço percorrido corresponderia a eliminação do tempo perdido. Já em Casimiro de Abreu, em poemas como “No Lar”, constata-se que, sob o exílio espacial, esconde-se a passagem irreversível do tempo (corrosão identificada inclusive em “Meus Oito Anos”); o sujeito poético descobre na ruína do presente a irrecuperabilidade do passado. Processo semelhante ocorre com José Bonifácio, o Moço, – cujo soneto de mesmo tema “sem dúvida, inspirou o outro mais conhecido, de Luís Guimarães Júnior” (1920: 225), segundo Afrânio Peixoto e Constâncio Alves, em nota de rodapé à antologia José Bonifácio (o Velho e o Moço) – e com Luís Guimarães Júnior, comovido ao constatar que, no lar paterno, “chorava em cada canto uma saudade” (1880: 17). Em “Visita à Casa Paterna”, além disso, a informação “Rio – 1876” realça a incapacidade de o retorno à terra natal remir o tempo escoado. Românticas também são muitas mulheres de Sonetos e Rimas. Celebram-se as donzelas edulcoradas e “mil vezes pura[s]” (1880: 8) pela cândida evanescência de seus atributos: o caminhar (cf. “Incógnita”), o cabelo (cf. “Tranças Amadas”), a voz (cf. Noturno”), as mãos (cf. “Mãos de Bela”), os pés (cf. “A Borralheira”), os olhos (cf. “Hora de

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