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12 GÊNERO E SEXUALIDADE

12 GÊNERO E SEXUALIDADE A sociedade é marcada por diversas formas de diferenciação que são construídas historicamente e articuladas situacionalmente de modo a produzir, na maioria das vezes, privilégios e formas de violência. Algumas dessas formas de diferenciação são: gênero, sexualidade, etnia, classe social, idade e religião, que na literatura antropológica recebem o nome de marcadores sociais da diferença. Neste texto, nos deteremos nos dois primeiros marcadores, que foram o foco principal deste projeto, mas é preciso ressaltar desde já que essa separação é meramente didática, pois na vida cotidiana eles são articulados e vivenciados simultaneamente. Mas, afinal, o que entendemos por gênero? Gênero são os aprendizados e expectativas sociais sobre o que é ser uma mulher e um homem ideais. Todos/as nós passamos por esses aprendizados e somos constrangidos/as cotidianamente através dessas expectativas, mas na maioria das vezes não nos damos conta disso. Começamos a ser educados/as e direcionados/as ao padrão de gênero considerado ideal antes do nosso nascimento: imaginemos

13 um casal grávido, antes de saber o sexo, o bebê é considerado um feto e o enxoval vai sendo montado em cores “neutras”. Ao fazer o exame que determina o sexo biológico do/a bebê, tudo muda: se for menino, o enxoval passa ser azul e as expectativas sobre as futuras escolhas desse ser humano que ainda nem nasceu começam a se consolidar – ele vai gostar de carrinhos, de jogar futebol, quando for mais velho, deverá gostar de mulheres e terá uma profissão tida como masculina. Ser professor de educação infantil? Fora de questão! Já se o exame indicar que é uma menina, o enxoval será rosa e delicado, e as expectativas serão outras: ela vai adorar bonecas, vai brincar de princesa, dançar balé... Quando ela crescer, será necessário tomar cuidado, pois ela deverá se dar ao respeito, não poderá ter fama de “vadia”... A grande questão é: como esses comportamentos podem ser naturais se há toda uma arquitetura social que visa educar os corpos e comportamentos? Nas palavras de Bento: “Como afirmar que existe um referente natural, original, para se vivenciar o gênero se, ao nascermos, já encontramos as estruturas funcionando e determinando o que é certo e errado, o normal e o patológico? O original já nasce ‘contaminado’ pela cultura.” (Bento, p. 550) E não podemos nos esquecer de que todas essas expectativas e aprendizados são construídos a partir da genitália, ou seja, é estabelecida (mesmo antes que possamos ser conscientes disso) uma narrativa tida como correta para cada um/a de nós, com um enredo que inclui: de que cores devemos gostar, como devemos nos comportar, que carreiras podemos seguir, por quem devemos nos sentir atraídos/as afetiva e sexualmente, de acordo com o nosso órgão sexual, vagina ou pênis.

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