O Lavrador das Lavras Vazias

VitorCorleoneBH

Livro de poesias escrito em 2006 na cidade mineira de Lavras, retratando as dificuldades intrínsecas a uma nova realidade do serviço público na polícia. A solidão espiritual e a certeza de que muitas vezes na vida o ouro que se procura vem manchado de sangue e sofrimento. Às vezes uma oportunidade não é mais que uma desilusão.

Sentinela

É noite

As bandeiras já foram arriadas

A poeira anuncia que a ordem unida

Cessou a poucos instantes

Silêncio

O gramado recebe a luz do luar e a geada

A voz de ordem ainda ecoa no ar...e some

A Calmaria é impressionante

Não se ouve um grilo sequer

Sinto-me como se estivesse

Sendo observado por milhões de olhares

Mas não há ninguém

Só a noite

E o silêncio

E eu

Os pavilhões contam

A história desse lugar

Basta olhar para eles por alguns segundos

As luzes acesas na estátua

Tem a cor das pessoas e o suor

A ações em prol da vida

O trabalho

Tudo

Os cães rompem o silêncio

Por alguns instantes e param

O canil dorme como se estivesse sob efeito de sonífero

Pareço estar só

Mas tenho um bastão e uma lanterna

E a noite

E o silêncio

29/01/2006

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