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Almanaque2

Almanaque número 2, com o conteúdo completo das edições nº 7 a nº 12 da Revista Mensal Peripécias Contendo as Seções Destaques, Túnel do Tempo, Sociais, Turismo, Literatura, Sala de Leitura, Teatro, Arte, Personalidades, Poesias, Atualidades, do Fundo do Baú, Fotografia, Formaturas, Humor, Culinária, Esportes, Curiosidades, Aniversariantes, Classificados, Biblioteca, História de Família e Espaço do Leitor.

Colaboração: José

Colaboração: José Francisco Simões Corrêa RECORDANDO O tio João Corrêa Nunes, era amigo de um senhor que morava na Rua Santa Luiza na Vila de nº 113. Chamava-se Maximino, era casado com a D. Andréia e eram pais da Lygia, Sérgio e Nair. A Lygia era muito amiga da Mirinha e da Neuza. O Sérgio era amigo do Jeremias. A Nair casou com o Álvaro que morava na mesma Vila. O Sr. Maximino, trabalhava no Grupo do Luiz Severiano Ribeiro, dono de vários cinemas no Rio de Janeiro. Acostumado a fazer Teatro quando jovem (por coincidência, o local que faziam Teatro era ao lado de onde estava morando, Rua Santa Luiza 95 - antigo 27), o tio João conversou com o amigo para arranjar uns filmes, para passar na casa dele. Era uma diversão para todos. A Estela Maria, adorava a oportunidade de reunir em casa os primos, na mesma faixa de idade para assistir desenhos animados e filmes do Gordo e o Magro, Carlitos e outros que a Censura permitisse para a nossa idade. A Televisão ainda estava muito restrita e a programação ainda não era muito agradável a nossa faixa de idade. Isso foi no princípio da década de cinquenta. Ia uma turma grande, aos sábados as 20 horas. Não eram todos os sábados e a sala de visitas, virava sala de cinema. Os sofás todos arrumados e uma tela montada na parede. Acho que a máquina era do tio João. Enquanto ele e o Sr. Maximino, preparavam o encaixe dos carretéis e nós nos ajeitávamos nos lugares, o Luiz Antônio, muito louro, de olhos bem azuis, se achava o maior lutador de boxe do mundo, e começava a mexer com todos os que estavam sentados. A criançada ficava toda no primeiro sofá, na verdade uma poltrona grande. Os adultos também participavam. O Joãozinho, O Moacyr, tios da Estela Maria pelo lado materno, e as vezes vinha o Emmanuel Cardoso Moreira com a família, os filhos Silvia Helena e o Waldyr, que era conhecido como 2000, sua matrícula no Colégio Militar. Vinha também a Dalva, filha do Francisco, também conhecido como Chiquito.

Na troca de carretéis, havia um intervalo para guloseimas, bolo, doces café, refrigerante que a Dalvinha (nunca consegui chamá-la de tia, porque lá em casa, todos falavam Dalvinha) preparava com esmero. Dependendo da metragem do filme, as vezes eram 3 carretéis, o que propiciava 2 intervalos. Ótimos eram os desenhos, Popeye, Pernalonga, Pica-Pau e Tom e Jerry. Dos filmes, não lembro nomes, mas tem um que ficou inesquecível. Inicia com um homem, sentado em uma sepultura e dizendo para o Jardineiro que estava cuidando da área, que quem estava sepultado ali era ele. O jardineiro olhou para ele e para a foto da lápide, viu que era o mesmo e saiu correndo. Então é contada a história, que vou resumir em poucas linhas. Ele sofria de catalepsia e a mulher não sabia. No velório em casa, de madrugada, estava só a mulher velando o corpo, ele senta e fica apavorado de ver onde está. A mulher (quase viúva) fica atônita. Ele então diz para a mulher que tinha tido um ataque de catalepsia. Sugere fechar a urna, primeiro colocando uns objetos pesados dentro. Diz para ela não deixar abrir, se esconde no sótão, e fala para a mulher: - vamos ficar ricos, pegando o dinheiro do seguro. Na hora do enterro, assiste por uma brecha da janela do sótão, e murmura. - Não sabia que era tão querido! Tamanho era o número de pessoas presentes. Nesse dia, a Neuza tinha ido ao cinema, também. Sempre nos lembrávamos do filme, toda vez que íamos a algum velório juntos. Não tenho dúvida que todos os que participaram daqueles encontros, e que ainda estão por aqui, sentem saudades daquelas vezes que íamos à Casa da Estela Maria, ao cinema. Hoje em dia, não existe mais isso, porque a tecnologia avançada, colocou as pessoas num local qualquer presas a um celular, e os encontros são quase sempre virtuais. Como era bom o Cinema lá. Éramos vizinhos de frente, bastava atravessar a rua. A Estela Maria provavelmente lembrará mais detalhes dessa época para contar, afinal ela era filha do anfitrião. Dia 08.02.1905, nascia na Ilha Terceira, o SISSÃO. Apelido de meu radiologista da Coluna Cervical, desde quando tinha 3 anos de idade, e ele já era Médico do Instituto Fernandes Figueira, onde sempre trabalhou. Fica aqui o registro de uma recordação agradável e uma homenagem ao 113º aniversário de nascimento do Tio João.

Almanaque nº 1
Peripecias 11
Peripécias 12