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Pesquisas FAU 2007/2008 - fauusp

Pesquisas FAU 2007/2008 - fauusp

(8) Em maio de 1969,

(8) Em maio de 1969, tiveram seus direitos políticos cassados os professores da FAU: Vilanova Artigas, Paulo Mendes da Rocha e Jon Maitrejean. Os professores Sergio Ferro e Rodrigo Lefevre se ligaram à luta armada, que buscava resistir à ditadura e foram presos e torturados em 1970, juntamente com outros arquitetos. O mesmo aconteceu com os alunos Ângela Maria Rocha e Jonas Malaco. Partiram para o exílio, impossibilitados de continuar o curso os alunos Moacyr Villela, André Gouveia e Abelardo Blanco Filgueiras. Foi assassinado na prisão o aluno Antonio Benetazzo. Essa foi uma forma eficiente de interromper o debate e impedir seu desdobramento, enquanto produção social de idéias, nos anos posteriores e instaurar a hegemonia do mercado, também na Arquitetura e no Urbanismo. (9) NARUTO, Minoru. Repensar a formação do arquiteto. São Paulo: FAUUSP, 2006 (Tese de doutorado). (10) A FAU tem sido pródiga em discutir a si mesma. Uma significativa bibliografia sobre o assunto pode ser encontrada na Biblioteca da Escola. (11) Ver a respeito a publicação “Ateliê do Primeiro Ano”, editada pela FAUUSP, em 1977, que relata experiência de integração entre Projeto de Arquitetura e Desenho Industrial, liderada pelos professores Siegbert Zanettini e Rodrigo Lefevre. Em pleno contexto da mobilização estudantil, em 1968, a FAUUSP realiza um novo Fórum visando dar continuidade e fazer alguns reparos na reforma de 1962 mantendo o ideário anterior a 1964 e buscando, em consonância com toda a universidade, resistir à Reforma Universitária, inspirada nas idéias da agência norte americana USAID – United States Agency for International Development –, que o governo Federal tentava implementar. Mas o que se viu foi um endurecimento da ditadura. Em 1969, o ato institucional de número cinco do Regime Militar eliminou garantias mínimas de direitos e liberdade de expressão. Ele foi seguido de muitas prisões e até mortes que atingiram professores e estudantes na FAUUSP, como em todo o país e, com algumas diferenças nas datas, em quase toda a América Latina 8 . Novos debates que paralisaram a escola para discutir seu currículo e estrutura foram retomados apenas em 1978 e 1979 quando os primeiros sinais da normalidade política se faziam notar. A retomada do processo democrático, entretanto, viria, formalmente, apenas em 1985 com o retorno de eleições diretas para prefeito das capitais. Essa retomada da discussão na FAUUSP deixou de lado o forte acento político e a perspectiva de mudança da realidade social que estava presente na convocação dos fóruns anteriores 9 . Outros debates foram realizados em 1986, 1992 e 1998, 2005 e 2007 10 . PROVOCAÇÕES PARA A RETOMADA DO DEBATE Discussões e fóruns de debates sobre a reforma do currículo da escola – com maior acento sobre o ensino do que sobre a pesquisa – tornaram-se muito freqüentes na história da faculdade, tendo como focos principais a superação da fragmentação e a integração interdisciplinar. Experiências de ensino integrado no primeiro ano da escola acontecem desde a década de 70 reunindo as disciplinas do Departamento de Projeto e em algumas ocasiões dos três departamentos 11 . O que chama atenção nesse percurso é que a busca da integração, durante esses anos, foi acompanhada de um resultado, no mínimo intrigante: a fragmentação se aprofundou. Essa é uma constatação presente nos debates do Departamento de Projeto que, em 2008, dá continuidade a mais um esforço de busca da integração entre as disciplinas visando dar maior unidade à prática do projeto nos ateliês. Nesse processo, está de volta também o debate recorrente sobre as disciplinas que compõem o curso básico e as disciplinas ou formas de organizar a formação mais especializada. Os aspectos históricos, aqui apenas esboçados, tem a pretensão de trazer à memória o fio condutor que explica, em parte, aquilo que somos e levantar algumas hipóteses. Ainda que essas hipóteses estejam equivocadas o exercício de recuperação da memória nunca é inútil, em especial num ambiente cultural em que predomina a dominação intelectual externa, a importação de modelos, a introdução compulsória de valores, o esvaziamento da experiência interna, e tudo isso associado ao desprestígio do trabalho, desigualdade social, ignorância sobre a realidade social e cultural, etc. Além disso, as hipóteses que se seguem podem, eventualmente, impedir que este livro se limite a um simples registro, embora, dada a dificuldade de fazer o levantamento de dados, nada há que o desabone de ser apenas isso. Vamos a elas. 9

A formação ampla que está em nossa origem, verdadeiro paradigma, constitui uma fonte de inquietação. Ela é característica virtuosa que afirma a formação e recusa o treinamento mas, ao mesmo tempo, geradora de dispersão e insatisfações. O quadro formado pelas pesquisas da FAU, como veremos adiante, pode evidenciar um universo excessivamente amplo e fragmentado para alguns ou diverso, plural e virtuoso para outros. Essa segunda explicação pode ser questionada já que a FAU (e poderíamos estender a todas as FAUs que seguiram esse modelo, com exceção portanto do curso da UNB) não se abre para a universidade. Sua condição de isolamento em relação à formação universitária decorreu, de um lado, das características das universidades brasileiras cuja criação foi precedida pelas escolas profissionais, especialmente direito, engenharia e medicina. Essas escolas foram criadas antes das universidades e mantiveram-se relativamente autônomas resistindo à interação 12 . Por outro lado essa reunião de disciplinas das áreas técnicas, artísticas e humanas tenderam a simular uma pequena “universidade” no interior mesmo das escolas de arquitetura e urbanismo e, devemos acrescentar a esse título, paisagismo, desenho industrial e programação visual. Muito já se discutiu sobre o arquiteto demiurgo nas incontáveis horas dedicadas aos Fóruns da FAU, mas não foi o suficiente. A outra hipótese que cabe levantar aqui diz respeito à ausência do projeto coletivo ou projetos coletivos: propostas que, agregando um certo número de agentes disputam a hegemonia num determinado contexto social. Num mundo crescentemente marcado pelo fim das utopias humanistas, pela competitividade, pelo individualismo, é difícil deter o processo de fragmentação que se estende a todos os poros da vida com exceção da organização do grande capital que se concentra de forma crescente e global. A repressão direta à liberdade de expressão e à reprodução das idéias, consideradas subversivas pelo regime militar de 1964 a 1985 foi sucedida pela hegemonia conservadora construída mais pelo consentimento do que pela pressão, que é própria da nova fase do capitalismo conhecida por globalização, característica do final do século XX e início deste século. A ninguém mais escapam as grandes mudanças pelas quais o mundo está passando e isso inclui a subjetividade humana, como já sistematizaram vários autores como Bauman, Arrighi, Harvey, entre outros. Dentre as muitas mudanças que podem ser sentidas no meio acadêmico, nas últimas duas ou três décadas, interessa destacar apenas duas. A primeira é de que normas, expedientes burocráticos, mais do que um projeto de universidade com diretrizes claras, fornece a referencia para a unidade do conjunto. A internacionalização é inexorável e tem muito a ver com padrões e indicadores e métodos adotados para essa normatização 13 . Além disso, é através dela, da internacionalização, que são classificadas as universidades nos rankings mundiais. Raramente se debate uma política de internacionalização que definiria prioridades de temas e parceiros, o que poderia amenizar a influência de séculos de subordinação intelectual e cultural e torná-la virtuosa, além de necessária, para algum movimento emancipatório. A segunda mudança a ser destacada diz respeito à perda de importância das áreas de humanas. Julio Katinsky lembra que a USP foi criada por um grupo de humanistas e, no entanto, eles não têm participado de forma expressiva das 10 (12) PEREIRA, M. “Arquitetura e os caminhos para sua explicação”. In: Revista Projeto. São Paulo: Editores Associados, 1984. (13) O irresistível e tradicional apelo das universidades dos países centrais ainda continua forte para os acadêmicos da periferia, mas há um evidente movimento novo de expansão das universidades dos chamados países do norte em direção ao sul, que inclui a oferta de numerosos cursos, seminários e convênios.

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