Revista Newslab Edição 164

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Revista Newslab Edição 164 - Março 2021

ARTIGO 01

leitura, do inglês open reading frame

ORF1a/b, responsável por codificar 16

proteínas não estruturais (NSPs) e 1/3

permite que a spike interaja com outra

enzima, a TMPRSS2 e ocorra a fusão da

célula infectada com outra célula sadia

K), variantes com mutações em ambas

UK/AZ além de mutações de variantes

de humano para animais (Garry et al.,

do RNA viral é responsável por codi-

justificando sua alta transmissibilidade

2021). Um dos genes altamente vari-

ficar quatro proteínas (S, E, M, N). A

e virulência (Pohlmann, 2020).

áveis nos coronavírus é a região ORF 8

entrada do vírus ocorre principalmente

e acredita-se que esse gene evolui por

mediante a glicoproteína S (Spike) que

A estrutura tridimensional da prote-

meio de recombinação modular. Sabe-

se liga aos receptores da célula hospe-

ína spike no genoma de SARS-CoV-2

-se que a recombinação gênica ocorre

deira através da enzima conversora de

tem sido detectada por modelagem

no início e no final da ORF 8, onde as

angiotensina- 2 (ACE-2).

computacional usando técnicas de

sequências de ácido nucleico são idên-

microscopia crioeletrônica. Em simu-

ticas entre as sequencias analisadas

O SARS-CoV utiliza duas enzimas pre-

lações de dinâmica molecular, docking

(SARS-CoV e o grupo B batCoVs) (Li et

sentes em algumas de nossas células,

por computador do SARS-CoV-2 tem

al., 2020).

a serina-protease transmembranar 2

sido utilizado para a descoberta de no-

(TMPRSS2), do inglês Transmembrane

vos fármacos baseado na estrutura viral

Plataformas tecnológicas e

Serine Protease 2, e catepsinas. Já o

(Yan et al., 2020; Simões et al., 2020).

vacinas

vírus SARS-CoV-2 utiliza além dessas

Diversas plataformas tecnológi-

enzimas, mais uma outra enzima cha-

Mutação e recombinação genética

cas estão sendo utilizadas para o

mada furina, presente em grande quan-

Novas mutações na proteína spike do

desenvolvimento de possíveis can-

tidade em células humanas. O conjunto

vírus tem alarmado as entidades e pre-

didatos vacinais. Dentre elas des-

dessas três enzimas age como tesouras

ocupado as biofarmacêuticas quanto

tacam-se as vacinas de primeira

genéticas que cortam a proteína da

a eficácia das vacinas aprovadas para

geração (inativadas e atenuadas),

espícula para sua ativação e início do

uso emergencial, a seguir: variante do

as vacinas de segunda geração

ataque viral com a fusão da membrana

Amazonas (BR): (P1) B.1.1.28 (K417N/

caracterizadas pelos vetores virais

viral com a membrana celular (Simões,

E484K/N501Y), variante do Reino Uni-

replicantes e não replicantes, as

2020) e cerca de 12 nucleotídeos extras

do (UK): B.1.1.7 (N501Y – o aminoá-

vacinas de sub-unidades proteicas

do genoma viral geram uma nova re-

cido asparagina N foi substituído por

e as vacinas semelhantes a vírus,

gião de corte para a furina. Assim essa

tirosina Y na posição 501 da proteína

do inglês virus-like particles - VLP,

enzima faz um primeiro corte na região

S do vírus), variante da África do Sul

e as vacinas de terceira geração

spike dos novos vírus que saem das cé-

(ZA): B.1.351 (501Y.V2) e E484K (no

desenvolvidas em plataformas de

lulas humanas pré-ativadas facilitando

4840 aminoácido da proteína S houve

ácidos nucleicos, DNA e RNA (Van

nova invasão viral. Esse primeiro corte

a substituição do glutamato E por lisina

Riel & Wit, 2020).

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Revista NewsLab | Março 2021

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