Revista Newslab Edição 164

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Revista Newslab Edição 164 - Março 2021

BANCOS DE SANGUE

5% a 10% destes necessita entrar em

esquema de transfusão crônica. Desta

totalidade, 5% a 25% dos pacientes

desenvolvem aloimunização (22). As

reações transfusionais podem ocorrer

durante a transfusão ou em até 24 horas

após o seu início, sendo denominadas

reações imediatas. Já as reações

das quais o início dos sintomas conhecidos

como típicos de rejeição iniciam

dentro de um período entre 24 horas,

podendo durar até cerca de 3 semanas

pós transfusão sanguínea, são denominadas

reações tardias (23, 24).

A Tabela 1 apresenta as principais

reações transfusionais imediatas

notificadas por ano de ocorrência

de acordo com o tipo de reação. As

reações febris não hemolíticas (RF-

NHs), bem como as reações alérgicas

(ALGs) demonstram ser as mais

prevalentes no período citado, com

taxas médias de 47,9% e 38,8%,

respectivamente. Tais taxas não diferem

do cenário internacional, que

também apresenta RFNHs e as ALGs

no topo dos índices, porém, é possível

observar nestes uma tendência

à queda gradual em âmbito internacional

e no Brasil, por sua vez, uma

situação de estabilidade. Dentre as

reações transfusionais tardias, pode-se

observar na Tabela 2 as principais,

sendo as reações sorológicas

tardias (aloimunização) e as reações

hemolíticas tardias (RHT) as de grande

prevalência neste cenário tardio,

apesar da doença do enxerto contra

o hospedeiro (DECH) apresentar uma

taxa de mortalidade de 90% (21, 25) .

Esses dados corroboram com os

achados de Macedo et al. (24) , que realizaram

um estudo avaliando 5.174

transfusões realizadas, das quais

1,39% desencadearam reação transfusional.

Houve prevalência de reação

alérgica leve (54,1%) e da RFNH

(34,7%). Os autores averiguaram,

ainda, que grande parte dos receptores

que apresentaram reação transfusional

era paciente politransfundido.

Grandi et al. (26) verificaram que dentre

1.548 casos de reações transfusionais,

as RFNH representaram 56,6% dos

casos analisados e as alérgicas 38,4%,

totalizando 95,0%. Foi constado pelos

autores, também que reações de grau

leve são mais frequentes nas RFNH do

que entre as reações alérgicas.

Sistemas Sanguíneos

A descoberta dos sistemas sanguíneos

ocorreu no início do século

XX, quando o médico e cientista

austríaco Karl Landsteiner observou

que as hemácias de alguns indivíduos

formavam aglutinação quando

combinadas ao soro de outros

indivíduos. Karl então, registrou a

presença de aglutinação conforme o

grau de intensidade, formando assim

uma escala, comprovando que o

sangue poderia ser dividido em grupos.

Isto possibilitou que mais tarde

fosse esclarecido que as reações de

aglutinação estavam relacionadas à

presença de marcadores nas hemácias

e de anticorpos no caso do soro

(27, 28)

. Os sistemas sanguíneos se

determinam pela presença de antígenos

na membrana eritrocitária.

Estes antígenos possuem características

polimórficas bem definidas,

podendo estar presentes em diversos

outros tecidos (29) .

Embora as funções biológicas dos

polimorfismos dos grupos sanguíneos

não sejam plenamente compreendidas,

sabe-se que muitos de seus

antígenos atuam como moléculas

importantes no reconhecimento do

processo de diferenciação precoce do

tecido embrionário, havendo também,

evidências que relacionam os

grupos sanguíneos à possível suscetibilidade

ou resistência a várias doenças

infecciosas e não infecciosas,

talvez por estas moléculas apresentarem

maior expressão dos carboidratos

ABO em secreções e tecidos

que tenham contato com o ambiente,

como na pele e nas membranas

mucosas dos tratos respiratório e

gastrointestinal, fato que serve de

reforço para esta premissa (30) .

Através do aumento da expectativa

de vida e das modernas aplicações

de novos conhecimentos

tecnológicos, é possível observar

uma notável elevação no número

de doenças crônico-degenerativas

e cirurgias de maior complexidade.

Em resposta a isso, há o crescimento

do número de transfusões

sanguíneas, resultando no aumento

da frequência de aloanticorpos antieritrocitários

não pertencentes ao

sistema ABO. Como consequência,

diminuem-se as chances de encontrar

sangue compatível, podendo

resultar em reações transfusionais

hemolíticas imediata ou tardia (31) .

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Revista NewsLab | Março 2021

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