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no Falanca, música de

no Falanca, música de Antônio Carlos Gomes, no Teatro Massimo Bellini, na cidade de Catania, Itália. Foi um evento muito importante que chamou a atenção da imprensa internacional, sendo que, em 114 anos, a ópera nunca tinha sido apresentada na Europa. Em maio de 2008, em Brasília, regeu a Orquestra Camerata Brasil, idealizada por ele mesmo, no concerto Tributo ao Pavarotti, com a participação de Luciana Tavares, Thiago Arancam, Andreas Kisser e Fernanda Abreu. Nos últimos anos, Sílvio Barbato dedicava-se muito à composição, tendo estreado duas óperas: O Cientista sobre a vida de Oswaldo Cruz, sob a direção do maestro Eduardo Álvares, e Chagas sobre a vida de Carlos Chagas Filho. Estava elaborando sua terceira ópera, sobre Símon Bolivar. Mas é preciso lembrar de um fato muito singular: na primeira ópera de sua autoria, quando decidiu que o cientista Oswaldo Cruz (1872-1917) deveria sumir no mar e que, portanto, na ópera, não se devia encenar a morte de Cruz no palco, Barbato definiu o cenário em que ele próprio, na realidade, permaneceria vivo na memória da sua companheira, a violinista Antonella Pareschi. Barbato foi Diretor Musical e Regente Titular da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional “Cláudio Santoro” de Brasilia, por duas vezes, de 1989 a 1992 e de 1999 a 2006. Em 2009 foi Regente Titular da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e, ao mesmo tempo, Diretor Artístico do Teatro Nacional “Cláudio Santoro”. Em entrevista ao jornalista Luís Turiba, (Diário do Senado Federal, 2009, p. 315), Barbato se considerava uma pessoa muito atenta com os sons das ruas e explicava uma espécie de inquietação ao afirmar: Você pode me encontrar num ensaio da Mangueira; num bar de Brasília, ouvindo uma banda nova; ou numa praça na Itália, ouvindo um músico de rua tocar. É daí que eu tiro a minha inspiração. Minha música e meus projetos nascem do meu piano e numa caminhada por uma cidade qualquer do mundo. Barbato devia participar das comemorações dos 50 anos de Brasília de 2010. Sonhava em montar uma ópera baseada na obra do roqueiro- 42 | Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 39-45, jan./dez. 2013

poeta, também brasiliense, Renato Russo. Seria algo sinfônico, mas extremamente brasiliense, para homenagear a cidade que o adotou. Na Itália regeu em Roma, Catania, Spoleto, San Remo, Palermo, Vicenza, Lecce, procurando sempre valorizar e divulgar a música erudita brasileira, especialmente as obras de Carlos Gomes e Heitor Villa- Lobos. Entre os artistas internacionais com quem trabalhou, destacamse Aprile Millo, Montserrat Caballé, Placido Domingo, Roberto Alagna e Angela Gheorghiu. Em 2006, Barbato foi Diretor Musical da prestigiosa Sala Palestrina do Palazzo Pamphili (construído em 1650) em Roma, sede da Embaixada Brasileira na Itália. Esse lugar foi escolhido para divulgar na Europa a cultura da música brasileira, além de valorizar um dos espaços muisicais mais nobres de Roma. A Sala foi criada para homenagear o compositor italiano renascentista Pierluigi da Palestrina (1525-1594) e virou antigo lugar sagrado de concertos de música erudita em Roma. A bem-sucedida série “Música Brasileira na Sala Palestrina” tinha sido lançada em 2006 por Adhemar Bahadian, na época Embaixador do Brasil na Itália. É preciso lembrar daquele dia em Roma em que, antes de assistir ao último concerto que ele organizou, todos se reuniram na Igreja de Santa Agnese em Agone (construída por Francesco Borromini no século XVII), para assistir a missa do sétimo dia in memoriam. Além do embaixador José Viegas Filho e da embaixatriz Érika Stockholm, estavam presentes outros diplomatas e muitas pessoas que, no final, ouviram a obra do Maestro, “Ave Maria”. Quando as notas do violino, gravadas e tocadas por ele, começaram a se espalhar pelo ar, perto do mármore das belíssimas esculturas da igreja, foi o momento de maior intensidade para todos. Através das notas musicais espalhadas pelo ar, chegava Sílvio e ele não chegou somente no ouvido, mas direto no coração onde permanecerà para sempre, graças a sua arte musical e a sua grandeza de ser humano. Um ser humano que dedicou a própria vida à divulgação da música brasileira no mundo. Justamente por isso que José Viegas Filho, antes do início do concerto na Sala Palestrina, disse: “Sílvio era conhecido pela sua ternura e natureza alegra, como bem sabem todos os amigos dele. Portanto agora convido a todos para assistirem ao concerto de forma não Rev. IGHB, Salvador, v. 108, p. 39-45, jan./dez. 2013 | 43

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