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Além do princípio do prazer, psicologia de grupo e outros ... - ceapp

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qualquer um está aman<strong>do</strong>, quan<strong>do</strong> contrastada com seu <strong>de</strong>sejo puramente sensual, po<strong>de</strong> ser<br />

medida pela dimensão da parte assumida pelos instintos <strong>de</strong> afeição inibi<strong>do</strong>s em seu objetivo.<br />

Com relação a essa questão <strong>de</strong> estar aman<strong>do</strong>, sempre ficamos impressiona<strong>do</strong>s pelo<br />

fenômeno da supervalorização sexual: o fato <strong>de</strong> o objeto ama<strong>do</strong> <strong>de</strong>sfrutar <strong>de</strong> certa liberda<strong>de</strong><br />

quanto à crítica, e o <strong>de</strong> todas as suas características serem mais altamente valorizadas <strong>do</strong> que<br />

as das pessoas que não são amadas, ou <strong>do</strong> que as próprias características <strong>de</strong>le numa ocasião<br />

em que não era ama<strong>do</strong>. Se os impulsos sexuais estão mais ou menos eficazmente reprimi<strong>do</strong>s ou<br />

postos <strong>do</strong> la<strong>do</strong>, produz-se a ilusão <strong>de</strong> que o objeto veio a ser sensualmente ama<strong>do</strong> <strong>de</strong>vi<strong>do</strong> aos<br />

seus méritos espirituais, ao passo que, pelo contrário, na realida<strong>de</strong> esses méritos só po<strong>de</strong>m ter<br />

si<strong>do</strong> empresta<strong>do</strong>s a ele pelo seu encanto sensual.<br />

A tendência que falsifica o julgamento nesse respeito é a da i<strong>de</strong>alização. Agora, porém,<br />

é mais fácil encontrarmos nosso rumo. Vemos que o objeto está sen<strong>do</strong> trata<strong>do</strong> da mesma<br />

maneira que nosso próprio ego, <strong>de</strong> mo<strong>do</strong> que, quan<strong>do</strong> estamos aman<strong>do</strong>, uma quantida<strong>de</strong><br />

consi<strong>de</strong>rável <strong>de</strong> libi<strong>do</strong> narcisista transborda para o objeto. Em muitas formas <strong>de</strong> escolha<br />

amorosa, é fato evi<strong>de</strong>nte que o objeto serve <strong>de</strong> sucedâneo para algum inatingi<strong>do</strong> i<strong>de</strong>al <strong>do</strong> ego <strong>de</strong><br />

nós mesmos. Nós o amamos por causa das perfeições que nos esforçamos por conseguir para<br />

nosso próprio ego e que agora gostaríamos <strong>de</strong> adquirir, <strong>de</strong>ssa maneira indireta, como meio <strong>de</strong><br />

satisfazer nosso narcisismo.<br />

Se a supervalorização sexual e o estar aman<strong>do</strong> aumentam ainda mais, a interpretação<br />

<strong>do</strong> quadro se torna ainda mais inequívoca. Os impulsos cuja inclinação se dirige para a<br />

satisfação diretamente sexual po<strong>de</strong>m agora ser empurra<strong>do</strong>s inteiramente para o segun<strong>do</strong> plano,<br />

como por exemplo acontece regularmente com a paixão sentimental <strong>de</strong> um jovem; o ego se<br />

torna cada vez mais <strong>de</strong>spretensioso e mo<strong>de</strong>sto e o objeto cada vez mais sublime e precioso, até<br />

obter finalmente a posse <strong>de</strong> to<strong>do</strong> o auto-amor <strong>do</strong> ego, cujo auto-sacrifício <strong>de</strong>corre, assim, como<br />

conseqüência natural. O objeto, por assim dizer, consumiu o ego. Traços <strong>de</strong> humilda<strong>de</strong>, <strong>de</strong><br />

limitação <strong>do</strong> narcisismo e <strong>de</strong> danos causa<strong>do</strong>s a si próprio ocorrem em to<strong>do</strong>s os casos <strong>de</strong> estar<br />

aman<strong>do</strong>; no caso extremo, são simplesmente intensifica<strong>do</strong>s e como resulta<strong>do</strong> da retirada das<br />

reivindicações sexuais, permanecem em solitária supremacia.<br />

Isso acontece com especial facilida<strong>de</strong> com o amor infeliz e que não po<strong>de</strong> ser satisfeito,<br />

porque, a <strong>de</strong>speito <strong>de</strong> tu<strong>do</strong>, cada satisfação sexual envolve sempre uma redução da<br />

supervalorização sexual. Ao mesmo tempo <strong>de</strong>sta ‘<strong>de</strong>voção’ <strong>do</strong> ego ao objeto, a qual não po<strong>de</strong><br />

mais ser distinguida <strong>de</strong> uma <strong>de</strong>voção sublimada a uma idéia abstrata, as funções atribuídas ao<br />

i<strong>de</strong>al <strong>do</strong> ego <strong>de</strong>ixam inteiramente <strong>de</strong> funcionar. A crítica exercida por essa instância silencia; tu<strong>do</strong><br />

que o objeto faz e pe<strong>de</strong> é correto e inocente. A consciência não se aplica a nada que seja feito<br />

por amor <strong>do</strong> objeto; na cegueira <strong>do</strong> amor, a falta <strong>de</strong> pieda<strong>de</strong> é levada até o diapasão <strong>do</strong> crime. A<br />

situação total po<strong>de</strong> ser inteiramente resumida numa fórmula: o objeto foi coloca<strong>do</strong> no lugar <strong>do</strong><br />

i<strong>de</strong>al <strong>do</strong> ego.

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