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Evagrio-Pontico-Tratado-Practico-pdf

Evagro pertence a esta categoria de homens – relativamente frequente na história da Igreja – que conheceram um destino contraditório sob mais de um aspecto. De início homem do mundo, torna-se humilde Padre do deserto. Quando vivo, foi tido em grande estima, para depois, muito tempo após sua morte, vir a ser desacreditado. “Pai de nossa literatura espiritual (O. Chadwick), mas cuja obra, ou quase toda ela, não foi logo transmitida senão por meio de traduções ou sob nomes emprestados... Quem então foi este homem?

Evagro pertence a esta categoria de homens – relativamente frequente na história da Igreja – que conheceram um destino contraditório sob mais de um aspecto.
De início homem do mundo, torna-se humilde Padre do deserto. Quando vivo, foi tido em grande estima, para depois, muito tempo após sua morte, vir a ser desacreditado. “Pai de nossa literatura espiritual (O. Chadwick), mas cuja obra, ou quase toda ela, não foi logo transmitida senão por meio de traduções ou sob nomes emprestados... Quem então foi este homem?

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CONTRA OS OITO PENSAMENTOS.<br />

A receita contra as tentações da gula: a restrição, mesmo de pão e água, parece<br />

deste ponto de vista, absurda. Mas a linguagem popular tem razão: “Quando se<br />

tem fome, come-se de tudo”. É a saciedade, precisamente, que não apenas pede<br />

pratos sempre mais variados (Ep., LV. 3), como ainda engendra a insaciedade,<br />

assim como os prazeres sensíveis (cf. O. Sp. [XIII] 6, 12-13).<br />

Se você se abandona ao desejo de regalar-se, nada será bastante para<br />

satisfazer seu prazer. É um fogo, de fato, o desejo de regalar-se, sempre<br />

acolhedor e sempre aceso. Uma medida adequada pode encher um pote,<br />

mas um estômago a ponto de explodir não fala: é o bastante! (O. Sp. [II]<br />

1, 27-28)<br />

Numa época de “comilança”, isto soa bem moderno. Entretanto, devemos tomar<br />

cuidado com o que significa “restrição”. Pois todo exagero neste domínio<br />

provém justamente do mesmo demônio que excita em nós a avidez dos prazeres<br />

(Ant., I, 37; M.C., 25).<br />

A primeira tentação de Cristo no deserto, que foi precisamente a da<br />

“gastrimargia”, mostra bem o que está em jogo aqui: para além de beber ou de<br />

comer, o esquecimento de Deus (Ant., I, 4 cit. Deut., VI, 12). Pois “o homem<br />

não vive somente do pão, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Deut.,<br />

VIII, 3). Por conseguinte, vale o inverso: “A prece daquele que jejua é o vôo do<br />

‘filhote de águia’ (Pr., 30, 17)” (O. Sp., [I], 14).<br />

Isto significa que ele próprio se tornou semelhante a estas “potências santas”<br />

(Or., 82), das quais os “filhotes de águia” são o símbolo (cf., in Prov. XXX,<br />

17/G). Apêndice II, 18, pg. 489), e que ele vê sem cessar a face do Pai que está<br />

nos Céus” (cf. Or., 113, cit. Mt. XVIII, 10).<br />

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