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6 months ago

a historia de israel no antigo testamento

advertência

advertência de que isto poderia ser informado ao rei da Pérsia, Sambalate urgiu a Neemias para que se reunisse com eles e discutisse a questão. Neemias, corajosamente, replicou a tal ameaça acusando Sambalate de estar imaginando coisas. Ao mesmo tempo, elevou uma oração a Deus para que reforçasse sua responsabilidade. O seguinte passo de seus inimigos foi repreender Neemias ante seu próprio povo. Astutamente, Sambalate e Tobias se valeram de um falso profeta, Semaías, para intimidar e enganar o governador judeu. Quando Neemias teve ocasião de falar com Semaías, que estava confinado em sua residência, o falso profeta sugeriu que procurassem refúgio no templo 401 . Neemias respondeu que não com veemência. Em primeiro lugar, ele não queria fugir a nenhuma parte. Do resto, não queria refugiar-se no templo 402 . Sem dúvida, Neemias previu que tal ação o exporia a uma severa crítica de parte de seu próprio povo, e talvez ao juízo de Deus, por entrar no templo, já que ele não era sacerdote. Percebeu que Semaías era um falso profeta que tinha sido alugado por Sambalate e Tobias. Em oração, Neemias expressou seu desejo de que Deus não somente se lembrasse dos inimigos seus, senão também da falsa profetisa Noadia e outros falsos profetas que tratavam de intimidá-lo. Além de todos estes problemas, estava o fato de que Tobias e seu filho Joanã estavam relacionados com famílias proeminentes em Judá. O sogro de Tobias, Secanias, era o filho de Ara, quem retornou com Zorobabel (Ed 2.5), e o sogro de Joanã, Mesulão, era um ativo participante na reconstrução das muralhas (Ne 3.4, 30). Inclusive o sumo sacerdote Eliasibe estava aliado com Tobias, embora esta relação não fique estabelecida. Em conseqüência, havia uma freqüente correspondência entre Tobias e aquelas famílias de Judá. Este efetivo canal de comunicação fez as coisas mais difíceis para Neemias, já que suas ações e planos eram constantemente apresentados para o conhecimento de Tobias. Apesar que os parentes de Tobias deram informes complementares a respeito de suas boas ações, Neemias tinha a certeza de que Tobias somente albergava más intenções para com o povo de Jerusalém. Apesar destas oposições e dificuldades, a muralha de Jerusalém foi completada em cinqüenta e dois dias 403 . Os inimigos das nações circundantes ficaram frustrados e impressionados, comprovando que, de novo, Deus tinha favorecido Neemias. O êxito da terminação do projeto de reparação de Neemias, em face à oposição feita por seus inimigos, estabeleceu o respeito e o prestígio do estado judaico entre as províncias ao oeste do Eufrates. A reforma sob Esdras Com Jerusalém segura dentro de suas muralhas, Neemias voltou sua atenção a outros problemas. Um sistema de guarda essencial para prever ataques inimigos foi confiado a Hanani, o irmão de Neemias, e a Hananias, que já estava encarregado da cidade anexa à zona do templo, no norte. Além dos guardiões das portas, que eram responsáveis do átrio, Neemias recrutou cantores e levitas, designando-os a postos nas portas e muralhas da totalidade de Jerusalém. O pessoal civil que morava dentro de Jerusalém foi encarregado de montar guarda durante a noite nas partes respectivas próximas a suas casas. Embora tinham se passado noventa anos desde que a cidade fora reedificada, existiam zonas povoadas a grandes distâncias, para as quais a defesa resultava inadequada. Encarando-se com este problema, Neemias fez um chamamento aos 401 "Ele estava encerrado" - Keil, Commentary, sobre Nehemías, 6:10, sugere que Semaías se confinou a si mesmo em sua casa, chamado por Neemias, para fazê-lhe crer que estava em tão grave perigo que não podia abandonar seu lar. Daqui seu conselho de que ambos se refugiassem no templo. 402 A questão que Neemias propõe em 6.11 é ambígua. Iria realmente a salvar sua vida indo ao templo, ou seria castigado com a pena de morte, de acordo com Nm 18.7? Ver Keil, Commentary sobre Nehemías 6:11. 403 Josefo, Antiquities, XI 5:7, concede dois anos e quatro meses para a reparação das muralhas. Keil, Commentary sobre Neemias, dá as seguintes razões em favor do texto hebraico que concede somente cinqüenta e dois dias: 1) a urgência para completar a tarefa imediatamente; 2) o zelo intensivo e o grande número de construtores procedentes de Tecoa, Jericó, Gabaom, Mispá, etc.; 3) com tal esforço concentrado no trabalho, o dever da guarda dificilmente poderia ter continuado durante dois anos; 4) as muralhas foram reparadas onde era preciso: grandes pedaços da mesma e a porta de Efraim não tinham sido destruídos. Albright e outros seguem a Josefo em vez de os hebreus. Ver Albright, Bíblical Period, p. 52. 194

chefes para registrar a todo o povo na província, com o objeto de recrutar alguma parte de seus habitantes para estabelecê-la em Jerusalém. Enquanto contemplava a execução de seu plano, encontrou o registro genealógico do povo que tinha regressado do exílio nos dias de Zorobabel. Com exceção de pequenas variações, este registro em Neemias 7.6-73 é idêntico à lista registrada em Esdras 2.3-67. Antes de que Neemias tivesse a oportunidade de executar seus planos, o povo começou a reunir-se para as atividades religiosas do sétimo mês, Tishri, durante o qual se observavam a festa das trombetas, o dia da Expiação e a festa dos Tabernáculos (Lv 23.23-43) 404 . Neemias apoiou completamente o povo em sua devoção religiosa, e seu nome aparece o primeiro na lista daqueles que assinaram a aliança (Ne 10.1). sem dúvida, seu programa administrativo deu precedência às atividades religiosas durante este mês, e foi reassumido com renovado esforço no período seguinte. Neemias, que não era sacerdote, fica relegado durante as atividades religiosas, sendo somente mencionado duas vezes, em Ne 8-10. Esdras, o sacerdote e escriba, emerge como o líder mais sobressalente. Tendo chegado antes como um mestre de fama no ensino da lei, sem dúvida alguma era bem conhecido pela gente de toda a província. Embora não esteja registrado em Esdras ou em Neemias, é sumamente razoável assumir que Esdras tinha, em anos anteriores, reunido o povo para a observância das festas e das estações. Aquele ano, o povo tinha uma poderosa razão para realizar uma celebração mais importante que nunca. Trás das fechadas muralhas de Jerusalém, pôde reunir-se em paz e segurança, sem temor a nenhum ataque inimigo. Sem dúvida, a moral do povo deve ter sido reforçada mediante a liderança que com tanto êxito havia ostentado Neemias. A festa das trombetas distinguia o primeiro dia do sétimo mês, de todas as outras luas novas. Conforme o povo se reunia aquele ano na porta das Águas, ao sul do átrio do templo, unanimemente solicitava a Esdras que lesse a lei de Moisés. Situado sobre uma plataforma de madeira, leu a lei à congregação, que permaneceu dedesde o amanhecer até o meio-dia. Para ajudar o povo em sua compreensão, os levitas expunham a lei, intermitentemente, enquanto Esdras lia. Quando a leitura arrancou lágrimas dos olhos do povo, Neemias, ajudado por Esdras e os mestres levitas, os admoestaram a regozijar-se e a fazer daquela festiva ocasião uma oportunidade para partilhar os alimentos preparados numa comum camaradagem. No segundo dia, os representantes das famílias, os sacerdotes e os levitas, se reuniram com Esdras para um cuidadoso estudo da lei. Quando comprovaram que Deus tinha revelado, mediante Moisés, que os israelitas deviam habitar em cabanas para a observância da festa dos Tabernáculos (Lv 23.39-43), instruíram o povo mediante uma pública proclama. Com entusiasmo, o povo saiu às colinas e trouxeram ramos de oliveiras, de zambujeiros, de murtas e de palmeiras em abundância, levantando cabanas por todas partes, sobre os telhados das casas, em privado e em público, nos pátios e nas praças públicas. Tão ampla foi a participação que resultou a mais importante e festejada observância da festa dos Tabernáculos ddd os dias de Josué, que havia conduzido Israel à conquista de Canaã 405 . A lei foi lida publicamente cada dia durante os sete dias desta festa (Tishri 15-21). No oitavo dia houve uma sagrada convocatória e se ofereceram os sacrifícios prescritos. Após dois dias de descanso, o povo voltou a reunir-se para a oração e o jejum. Esdras e os levitas assistentes dirigiram os serviços públicos, conduzindo o povo na leitura da lei, a confissão do pecado e a oferta de graças a Deus. numa longa e significativa oração (9.6-37), a justiça e a misericórdia de Deus foram devidamente reconhecidas 406 . Numa aliança escrita, assinada por 404 Não há base razoável para assumir que Neemias nos dê um detalhado relato de todas as atividades. Muito verossimilmente, o dia da Expiação era observado no décimo de Tishri. A festa das trombetas e a festa dos Tabernáculos eram, naquele ano, de especial interesse. 405 Keil Cpmmentary, Ne 8:17, sugere que isto pôde simplesmente significar que nunca antes tinha participado a totalidade da congregação tão completamente, ou que a construção das cabanas nunca tinha sido realizada com tanto entusiasmo em anteriores celebrações. Ver 1 Reis 8.65 e Esdras 3.4. 406 O texto hebraico em Neemias 9.6 não identifica os indivíduos que ofereceram esta oração. A LXX é específica em mencionar a Esdras, o qual tem razoável confirmação do texto. 195