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a historia de israel no antigo testamento

Os

Os judeus diferem de Josefo ao utilizar Êx 20.2 como o primeiro mandamento e os versículos 3- 6 como o segundo. A divisão usada pelos judeus desde os primeiros séculos do cristianismo, coloca o versículo 2 aparte como o primeiro mandamento, e combina os versículos 3-6 como o segundo. A enumeração agostiniana diferia ligeiramente da lista citada anteriormente, em que o nono mandamento se refere à avareza e ao desejo pela esposa do próximo, enquanto que a propriedade estava agrupada sob o décimo mandamento, seguindo a ordem estabelecida no Deuteronômio. Distribuindo os dez mandamentos em duas tábuas, os judeus desde Filo até o presente, as dividem em dois grupos de cinco cada. Já que a primeira tabuada é quatro vezes tão longa como a segunda, esta divisão pode estar sujeita a discussão. Agostinho designou três à primeira tábua e sete à segunda, começando a última com o mandamento de honrar pai e mãe. Calvino e muitos outros, que seguiram a enumeração de Josefo, utilizam a mesma divisão em duas partes, com quatro na primeira tábua e seis na segunda. Esta divisão em duas partes por Agostinho e Calvino, assina todos os deveres para com Deus na primeira tábua. Os deveres para com os homens ficam consignados na segunda. Quando Jesus reduziu os dez mandamentos em dois, em Mateus 22.34- 40, pôde ter aludido a tal divisão. A característica distintiva do decálogo é evidente nos primeiros dois mandamentos. No Egito eram adorados muitos deuses. As pragas foram dirigidas contra os deuses egípcios. Os habitantes de Canaã também eram politeístas. Israel ia a ser distinto e único como o próprio povo de Deus, caracterizado por uma singular devoção a Deus e somente a Deus. Conseqüentemente, a idolatria era uma das piores ofensas na religião de Israel. Deus entregou a Moisés a primeira cópia do decálogo no monte Sinai. Moisés rompeu aquelas tábuas de pedra sobre as quais foram escritos os dez mandamentos pelo dedo de Deus, quando comprovou que seu povo estava rendendo culto ao bezerro de ouro fundido. Após que Israel fosse devidamente castigado, porém salvado do aniquilamento mediante a oração intercessora de Moisés, Deus lhe ordenou que proporcionasse duas tábuas de pedra (Dt 10.2-4). Sobre tais tábuas, Deus escreveu mais uma vez o decálogo. Aquelas tábuas foram mais tarde colocadas na Arca da Aliança. As leis para um viver santo A expansão das leis morais e suas normas adicionais para um viver santo foram instituídas para guiar os israelitas em sua conduta como "povo santificado por Deus" (Êx 20-24, Lv 11-26). A simples obediência a essas leis morais, civis e cerimoniais, os distinguiriam de todas as nações que os circundavam. Essas leis para Israel podem ser entendidas melhor à luz das culturas contemporâneas de Egito e Canaã. O matrimônio entre irmão e irmã, que era coisa comum no Egito, ficava proibido. As ordenações concernentes à maternidade e ao nascimento dos filhos, não somente lembravam que o homem é uma criatura pecadora, senão que se erigia contra a perversão sexual como contraste, contra a prostituição e o sacrifício de crianças, associados com seus rituais religiosos e com as cerimônias dos cananeus. As leis do alimento purificado e as restrições concernentes ao sacrifício de animais, tinham como finalidade evitar que os israelitas se conformassem com os costumes egípcios, associados com rituais idolátricos. Os israelitas, tendo vivido e conservando frescas as memórias e lembranças da escravidão, deviam ser instruídos em deixar algo para os pobres em tempos das colheitas, prover para os sem ajuda, honrar os anciãos, e render um constante exemplo de justiça em todas suas relações humanas. Conforme se dispunha de um maior conhecimento relativo ao médio religioso contemporâneo do Egito e Canaã, resulta verossímil que muitas das restrições para os israelitas parecessem mais razoáveis para a mente moderna. 42

As leis morais eram permanentes, porém muitas das civis e cerimoniais eram temporárias em natureza. A lei que limitava o sacrifício de animais para alimento destinado ao santuário central, foi ab-rogada quando Israel entrou em Canaã (comparar Lv 17 e Dt 12.20-24). O santuário Até aquele momento, o altar tinha sido o lugar do sacrifício e do culto. Um dos costumes dos patriarcas era que deveriam erigir um altar ali onde fossem. Lá no monte Sinai, Moisés construiu um altar, com doze pilares representando as doze tribos, sobre o qual os jovens de Israel ofereciam sacrifícios para a ratificação da aliança (Êx 24.4ss). um "Tabernáculo de Reunião" que se menciona em Êx 33, foi erigido "fora do acampamento". Aquilo servia temporariamente somente como o lugar de reunião para todo o Israel, mas também como o lugar da divina revelação. Já que nenhum sacerdócio tinha sido organizado, Josué foi o único ministro. Seguindo imediatamente a ratificação da Aliança, Israel recebeu a ordem de construir um tabernáculo de forma tal que Deus pudesse "habitar em meio dele" (Êx 25.8). Em contraste com a proliferação de templos no Egito, Israel tinha um único santuário. Os detalhes se dão explicitamente em Êx 25-40. Bezaleel, da tribo de Judá, foi nomeado chefe responsável da construção. Trabalhando junto a ele estava Aoliabe, da tribo de Dã. Esses homens estavam especialmente insuflados com o "Espírito de Deus" e capacidade e inteligência" para supervisionar o edifício do lugar do culto (Êx 31, 35-36). Assistindo-os, se encontravam muitos outros homens que estavam divinamente motivados e dotados com capacidade para executar suas tarefas particulares. Os oferecimentos pela livre vontade do povo subministravam material mais que suficiente para o logro proposto. O espaço fechado destinado ao tabernáculo era comumente conhecido e chamado o átrio (Êx 27.9-18; 38-9-20). Com um perímetro de 300 côvados (14m), aquele receptáculo estava marcado por uma cortina de fino tecido retorcido pendurada sobre pilares de bronze com ganchos de prata. Aqueles pilares eram de dois metros de altura e distanciados dois metros um do outro. A única entrada (de 9 metros de largo) se encontrava a final da face leste. A metade oriental deste átrio constituía o quadrado dos adoradores. Ali, o israelita fez suas oferendas no altar do sacrifício (Êx 27.1-8; 38.1-7). Este altar de bronze (três metros quadrados e quase dois de altura), com chifres em cada esquina, foi construído com madeira de acácia recoberta de bronze. O altar era portátil, equipado com degraus e argolas. Além do altar surgia a pia (Êx 30.17-21; 38.8; 40.30), que também foi construída em bronze. Ali os sacerdotes se lavavam os pés em preparação para seu ofício no altar dos sacrifícios ou no tabernáculo. Na metade ocidental do átrio, aparecia o tabernáculo propriamente dito. Com uma longitude de 13,50 metros e uma largura de 4,80 metros, estava dividido em duas partes. A única entrada aberta para o oriente, que dava acesso ao lugar sagrado, tinha 9 metros de largura, e era acessível aos sacerdotes. Além do véu estava o Lugar Santíssimo (4,5 metros x 4,5 metros), onde o Sumo Sacerdote tinha permissão para entrar no Dia da Expiação. O tabernáculo em si mesmo estava construído de 48 tábuas de 4,5 metros de altura e quase 70 cm de largura, com 20 a cada lado e 8 no extremo ocidental. Feito tudo com madeira de acácia recoberta em ouro (Êx 26.1-37; 36.20-38), as tábuas estavam sujeitas por meio de barras e encaixes de prata. O teto consistia numa cortina de linho fino torcido em cores azul, púrpura e carmesim com figuras de querubins. A coberta externa principal estava fabricada com pêlos finos de cabras, que serviam como proteção para o lenço. Duas cobertas mais, uma feita com peles de carneiro e outra de peles de texugo, tinham como finalidade proteger as duas primeiras. Dois véus do mesmo material da primeira coberta eram usados para os lados oriental e ocidental do tabernáculo, e também para a entrada do lugar santo. A exata construção do tabernáculo não pode ser determinada, contudo, já que não se subministram detalhes no relato escriturístico. 43

Patriarcas E Profetas por Ellen G. White [Novo Edicao]