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a historia de israel no antigo testamento

Neemias e outros

Neemias e outros representantes da congregação, o povo se ligou mediador um juramento, obrigando-se a manter a lei de Deus que tinha sido dada por meio de Moisés. Duas leis foram escritas com especial ênfase: os matrimônios mistos com pagãos e a observância do sábado. Esta última não só impedia toda atividade comércio no sábado, senão que incluía a observância de outras festas e a promessa de deixar descansar as terras cada sete anos. A implicação deste compromisso era realista e prática. Cada indivíduo estava obrigado a pagar anualmente um terço de um siclo para a ajuda do ministério do templo 407 , o que assegurava a constante provisão dos pães ázimos, e as ofertas especiais diárias e dos dias festivos. A madeira para as ofertas se arrecadava em conjunto. O povo reconhecia sua obrigação de dar o dizimo, os primeiros frutos, o primogênito e outras contribuições prescritas pela lei. Enquanto que o primogênito e os primeiros frutos eram levados aos sacerdotes ao templo, o dizimo podia ser arrecadado pelos levitas em toda a província e trazido por eles para ser depositado nas câmeras do templo. Deste modo, o povo fazia um compromisso público para não descuidar a casa de Deus. O programa de Neemias e sua política Neemias concluiu a execução de seu plano, para incrementar a população de Jerusalém, assegurando assim a defesa civil. Ele estava convencido de que aquilo era uma ordem divina (Ne 7.5). Sem dúvida, ajornou o cadastramento, utilizando o registro genealógico da época de Zorobabel. Foi conseguido que uma décima parte da população mudasse sua residência e fosse morar a Jerusalém. Assim, as zonas escassamente povoadas dentro da cidade estiveram suficientemente ocupadas para proporcionar uma adequada defesa da cidade. O registro daqueles que viviam em Jerusalém e em povoados circundantes (Ne 11.3-36) representa a população como estava no dias de Esdras e Neemias. Os residentes em Jerusalém foram catalogados por cabeças de famílias, enquanto que os habitantes de toda a província eram simplesmente anotados por povoados. O registro de sacerdotes e levitas (Ne 12.1-26) em parte procede do tempo de Zorobabel e se estende ao tempo de Neemias 408 . A dedicação das muralhas de Jerusalém implicou a totalidade da província. Os chefes civis e religiosos e outros participantes foram organizados em duas procissões. Encabeçados por Esdras e Neemias, uma avançava à direita e a outra à esquerda, ao marcharem sobre as muralhas de Jerusalém. Quando os dois grupos se encontraram no templo, se realizou um grande serviço de ação de graças com música proporcionada pela orquestra e coros. Foram apresentados abundantes sacrifícios como expressão de alegria e ação de graças. Inclusive as mulheres e as crianças partilharam do gozo daquela festiva ocasião, ao participarem nas festas que acompanhavam as ofertas. Tão extensa e alegre foi a celebração, que o triunfal barulho foi ouvido desde muito longe. Como um eficiente administrador, Neemias organizou os sacerdotes e levitas para que cuidassem dos dízimos e outras contribuições feitas pelo povo (Ne 12.44ss). Desde várias aldeias da província, aqueles presentes foram apropriadamente canalizados para Jerusalém mediante levitas responsáveis, de forma tal que os sacerdotes e levitas puderam efetivamente executar seus deveres 409 . Os cantores e os guardiões das portas da cidade também receberam seu apoio regular, para que pudessem prestar seus serviços como estava prescrito por Davi e Salomão (2 Cr 8.14). O povo se gozava com o ministério dos sacerdotes e levitas, e os apoiava, de todo coração, na ministração do templo. 407 O valor de um siclo é aproximadamente de 65 centavos (de dólar). De acordo com Êx 30.13, cada homem de 20 anos de idade e mais, devia pagar um meio siclo anualmente. Keil, Commentary, em Nehemías. 10:33, sugere que esta contribuição foi reduzida a causa da extrema pobreza dos que voltaram do exílio. 408 Para uma comparação e discussão desta lista de sacerdotes com a lista dos que assinaram a aliança, ver Ne 10.3-9, e dos que voltaram da Babilônia, ver Ed 2.3 e Ne 7.39-42. ver Keil, Commentary sobre Neh. 12:1-26. 409 Estes acontecimentos narrados em Ne 12.44-13.3, podem ter acontecido logo, após a dedicação e a aliança, ou nos anos seguintes. São representativos das condições e costumes que prevaleceram durante a época de Neemias. 196

A leitura do livro de Moisés os fez conscientes do fato de que os amonitas e moabitas não deveriam ser bem-vindos na assembléia judaica 410 . Foi feito o necessário para conformar todo aquilo com a lei. Durante seu décimo segundo ano de governador de Judá (por volta do 432 a.C.), Neemias fez uma viagem de regresso à Pérsia. A duração de sua estância não está indicada, porém após algum tempo Artaxerxes novamente lhe deu permissão para voltar a Jerusalém. Durante o tempo da ausência de Neemias, prevaleceu a lassidão religiosa. Eliasibe, o sumo sacerdote, tinha concedido a Tobias, o amonita, uma câmara no átrio do templo. Não foram pagas as retribuições aos levitas e os cantores do templo. E, devido a que o povo havia descuidado levar os quinhões, os levitas saíram ao campo para fazer suas vidas. Neemias se indignou quando descobriu que a câmara dedicada a armazenar as provisões levíticas tinha sido ocupada por Tobias o amonita. Imediatamente, lançou fora a mobília, ordenou a renovação das câmaras, restaurou os utensílios sagrados e restituiu as ofertas e o incenso. O seguinte passo foi chamar os oficiais para que dessem conta de seus atos. Valentemente, Neemias os acusou de terem descuidado o templo, falhando em arrecadar o dizimo. Os homens aos que considerou dignos de confiança, foram nomeados tesoureiros dos armazéns. Os levitas tornaram a receber suas assinações. Neemias novamente expressou, mediante uma oração, seu desejo de que Deus lembrasse as boas ações feitas anteriormente a respeito do templo e seu pessoal. A observância do sábado foi o passo seguinte. Não somente os judeus tinham trabalhado no sábado, senão que haviam permitido aos tírios residentes em Jerusalém, que promovessem negócios nesse dia. Advertiu aos nobres de Judá que aquele tinha sido o pecado que precipitou a Judá no cativeiro e na destruição de Jerusalém. Em conseqüência, Neemias ordenou que as portas de Jerusalém fossem fechadas no sábado. Ordenou a seus servidores e os guardas que detivessem o tráfego comercial. Uma advertência pessoal de Neemias terminou com a chegada no sábado de mercadores e comerciantes que deveram esperar que as portas da cidade se abrissem no dia seguinte, no final do dia sagrado. Os mandamentos mistos foram o maior problema com que Neemias teve de enfrentar-se. Alguns judeus tinham casado com mulheres de Asdode, Moabe e Amom. Já que as crianças falavam a mesma língua que suas mães, é muito provável que aquela gente vivesse nos extremos do estado judaico. Daqueles homens que tinham casado com mulheres pagãs, Neemias obteve o juramento para desistir de tais relações, lembrando-lhes que inclusive Salomão tinha sido conduzido ao pecado por suas esposas estrangeiras. Com o neto de Eliasibe, o sumo sacerdote, Neemias tomou drásticas medidas. Tinha casado com a filha de Sambalate, governador da Samaria, quem tinha causado problemas sem fim a Neemias durante o ano em que os judeus restauravam as muralhas de Jerusalém. Neemias o expulsou imediatamente de Judá 411 . Com um breve sumário das reformas religiosas e provisões para o adequado serviço do templo, Neemias conclui o relato de suas atividades. Zeloso e entusiasmado sempre pela causa de Deus, pronuncia uma oração final: "Lembra-te de mim, Deus meu, para bem". 410 As passagens particulares que tratam deste problema são Nm 22.2ss e 23.4-6. 411 A expulsão do genro de Sambalate pôde ter sido o começo do culto rival estabelecido na Samaria. Já que era o neto de Eliasibe, o sumo sacerdote de Judá pôde ter sido o instrumento para o levantamento de um templo sobre o monte Gerizim. Embora Josefo, em Antiquities of the Jews, VIII, situa tudo isto um século mais tarde, é muito provável que estes acontecimentos tivessem lugar na época de Neemias. 197

Patriarcas E Profetas por Ellen G. White [Novo Edicao]